“Sobre cidades planejadas para carros e cidades feitas para pessoas”

Publicado originalmente em: Onda
Autor: Gabriel Toueg
Data: 23/05/2016

Cidades deveriam ser feitas para pessoas. Essa é a ideia, não é? Parece que no caso das maiores cidades brasileiras, megalópoles que estão entre as maiores do mundo, com população bem acima dos 5 milhões de habitantes, não é o caso. Moro atualmente no Chile. Semanas atrás estive a trabalho em São Paulo e, mais uma vez, constatei isso – a cidade em que nasci e cresci, onde minha família e meus amigos moram (e morrem) não é feita para pessoas. É feita para carros, toneladas de plástico, vidro e ferro conduzidas por pessoas que esquecem dessa condição.

O exemplo mais óbvio e gritante é o da faixa de pedestres. Não precisa ser gênio para entender: faixas de pedestres não servem para carros, não servem para bicicletas, não servem para motos, não servem para ônibus. Servem para o indivíduo mais vulnerável da cadeia alimentar do trânsito: o pedestre. Apesar disso, parece que ninguém respeita: nem os motoristas de carros, nem os ciclistas (felizmente, são os que mais respeitam), nem os motociclistas, nem os motoristas de ônibus. Não é preciso muito tempo e dedicação para testemunhar, em qualquer esquina, o desrespeito à faixa de pedestre.

No excelente documentário “Luto em luta”, feito pelos idealizadores dos movimentos Viva Vitão e Não foi acidente, o engenheiro de trânsito e vice-presidente da Abraspe (Associação Brasileira de Pedestres) Horácio Augusto Figueira mostra na rua alguns flagrantes de desrespeito em faixas de pedestres. Deixo abaixo um trecho do documentário, que tem mais de uma hora de duração e merece ser assistido na íntegra:

Morando fora por sete anos (no Oriente Médio) e mais alguns meses (agora, no Chile), sou sempre daqueles que, distraídos e acostumados com a civilidade de carros que param para pedestres, levam buzinadas e ofensas de motoristas apressados mesmo sobre a faixa. Já quase fui atropelado algumas vezes por achar que o bom senso prevaleceria e daria espaço para quem anda a pé. Doce ilusão…

Fico indignado quando um carro avança sobre as pessoas nas faixas de pedestre. Arrumo briga. Faço a pessoa descer do carro e perder o tempo que não perderia se respeitasse o pedestre e seguisse viagem. Tento fazer os outros pensarem. Provoco, mesmo. É um trabalho de formiguinha, uma “missão civilizatória do universo” que parece não ter efeito. Não desisto, mesmo assim.

Outro exemplo claro do desrespeito aos pedestres é a forma como nossas vias e edifícios são construídos. Os prédios escondem suas entradas em acessos exclusivos de carros, fazendo ainda mais difícil a vida de quem caminha. Ruas muitas vezes não têm calçadas – quando há, estão em estado lamentável de conservação. Há poucas faixas de pedestres e em muitos lugares, não há nenhuma. Faltam semáforos de pedestres em esquinas movimentadas e perigosas (em uma cidade que desrespeita o pedestre mesmo quando há faixas e quando há semáforos).

As coisas precisam mudar. Não é difícil. O Chile, que tem uma cultura muito parecida com a brasileira e não é, a exemplo do Brasil, um país de primeiro mundo, respeita seus pedestres. A punição é severa. O olhar do pedestre quando não se para, por alguma razão, na faixa, é de deixar qualquer bom motorista envergonhado. Acima de tudo, o respeito é grande. E o entendimento de que o tempo que se “perde” ao parar na faixa para esperar os pedestres é nada comparado ao valor da vida.

O que falta nas grandes cidades brasileiras é respeito, é cidadania. É a compreensão de algo tão simples quanto verdadeiro: no trânsito, somos todos pedestres. Por menos que você caminhe, por mais dependente que você seja das rodas do seu veículo, em algum momento você vai precisar atravessar uma rua. Pense nesse momento. E pare quando um pedestre quiser atravessar.

 

Presença do Brasil no III Congresso Peatonal

No início de maio aconteceu 3o Congresso Peatonal na Cidade do México. Organizado pela Liga Peatonal mexicana, é o maior evento de pedestres da América Latina.

O Brasil foi muito bem representado pela Cidadeapé, SampaPé, Corrida Amiga e, é claro, o nosso Super-Ando!

Segundo os relatos de Ana Carolina Nunes, os movimentos pela mobilidade a pé brasileiros estão bem prestigiados por lá. Assim como outros movimentos latino-americanos. Por isso discutiu-se a criação de uma Liga Peatonal Latino-americana. O objetivo é nos fortalecer enquanto movimentos pela mobilidade a pé, trocar experiências e, principalmente, trabalhar em conjunto. A Liga Peatonal do México vem acumulando ótimas experiências com essa comunhão de coletivos e organizações, e inclusive a fórmula aqui no Brasil. O mapeamento Como Anda está dando os primeiros passos nesse sentido, ao identificar as iniciativas relacionadas à mobilidade a pé em todo o país.

Por que é tão importante esse pacto latino-americano? A partir das discussões do Congresso, ficou muito claro que os problemas das cidades da América Latina são muito comuns: alta segregação espacial, crescimento desordenado, desenvolvimento urbano centrado no automóvel, violência no trânsito, falta de acessibilidade. Além dos aspectos sociais, como a violência contra a mulher no espaço público, a desigualdade social, a falta de infraestrutura de saneamento e a insegurança pública. Por isso mesmo, as soluções para cidades mais humanas não podem ser simplesmente importadas da Holanda ou da Dinamarca: devem considerar nossos contextos sociais, nossa diversidade e, principalmente, ser protagonizadas pela América Latina. E nós da sociedade civil temos papel primordial nisso.

Durante o Congresso, nossos representantes participaram de oficinas sobre pintura de faixas cidadãs, auditoria cidadãs de segurança viária e acessibilidade. Ficou evidente que os vários movimentos têm acumulado muita expertise e dados (inclusive nós) e está na hora de intercambiar isso tudo!

A primeira ação da Liga Peatonal Latino-americana é preparar um documento a ser apresentado na Conferência da ONU “Habitat 3”, sobre Habitação e Desenvolvimento Urbano Sustentável, que acontecerá em Quito, no Equador, de 17 a 20 de outubro de 2016. O “Manifesto for Walkable Cities – The city we desire and deserve” que se pretende encaminhar tem como objetivo emplacar a preocupação com a prioridade ao pedestre no documento-base na Conferência.

Outro documento que se pretende divulgar é a Carta de los Derechos del Peatón, uma versão mais universal da Carta Mexicana de los Derechos del Peatón. Ainda está em espanhol mas pretendemos traduzir para português e usar aqui como ferramenta de sensibilização.

Por enquanto é isso. Quem quiser participar mais ativamente dessa interface Latino-americana, é só falar conosco.

Depoimentos

 

14a Reunião Geral da Cidadeapé

Você está convidado a participar da 14a Reunião Geral da Cidadeapé, segunda-feira, 30/05/16, às 19h, no Casarão do Belvedere.

Mas antes disso tem Bicicultura!!! O maior encontro nacional de mobilidade por bicicleta e cicloativismo, que vai acontecer durante todo o feriado. Além de apoiarmos o evento por acreditar que os transportes ativos contribuem para uma cidade melhor e mais saudável, vamos oferecer uma oficina, em parceria com a Corrida Amiga. Anote aí e participe:

Oficina – Pessoas, a pé e de bicicleta: construindo propostas de convivência
Quando:
Sábado, 28/05/16, das 14h às 15h30
Onde: Galeria Olido (Sala de Ensaio Azul), Avenida São João, 473

Pauta da 14a Reunião Geral

  • Como foi o Bicicultura?
  • Ações para as eleições
  • Câmara Temática de Mobilidade a Pé
  • Eleições do CMTT
  • Ação “Ghost Shoe” – para sensibilizar sobre mortes de pessoas por condutores irresponsáveis
  • Informes e outros assuntos

ÚLTIMAS Notícias

Câmara Temática conquista avanços para a mobilidade a pé
“Respeitar pedestres é caminho para cidades saudáveis e educadoras”
“Áreas com limite de velocidade reduzido melhoram a qualidade de vida das pessoas”
“Sobre cidades planejadas para carros e cidades feitas para pessoas”
“10 maneiras de caminhar”

14a Reunião Geral da Cidadeapé

Dia: Segunda-feira, 30/05/16
Hora: Das 19h às 21h
Local: Casarão do Belvedere
Endereço: Rua Pedroso, 267
Como chegar: Metrô São Joaquim
Imagem do post: Casarão do Belvedere, Bela Vista

Câmara Temática conquista avanços para a Mobilidade a Pé

Na reunião da Câmara Temática de Mobilidade a Pé (CTMP), órgão do Conselho Municipal de Trânsito e Transportes (CMTT), do último dia 17, a mobilidade a pé conquistou avanços importantes.

A Câmara Temática começou suas atividades em dezembro de 2015, contando com pessoas de diversas entidades que atuam em defesa da mobilidade a pé, incluindo membros da Cidadeapé – Associação pela Mobilidade a Pé em São Paulo.  Desde então vimos discutindo junto com a Secretaria de Transportes (SMT) propostas, ideias e críticas para a rede de mobilidade a pé da cidade, com o objetivo de fazer com que as política públicas passem a considerar esse modo de deslocamento como o verdadeiro meio de transporte que é.

Com a presença de Jilmar Tatto, secretário municipal de Transportes, a reunião de maio de 2016 encerrou um ciclo de debates sobre travessias, que estão entre os pontos mais cruciais da rede de mobilidade a pé, por serem, em geral, espaços de conflito mais intenso com os outros meios de deslocamento.

Além disso, foram realizados importantes encaminhamentos em relação ao lugar da mobilidade a pé na cidade e na visão dos órgãos gestores municipais:

  • A SMT se comprometeu a criar um grupo intersecretarial envolvendo ao menos as secretarias de Transportes e de Coordenação de Subprefeituras, sob coordenação da CET, para pensar a rede de mobilidade a pé de maneira integrada e sistêmica, conforme previsto nas metas do PlanMob;
  • Foi marcada uma reunião entre os membros da Câmara, o Diretor de operações da CET e os diretores de todas as gerências regionais da CET, conhecidas como GETs, com o objetivo de propor a lógica de caminhabilidade e de priorização absoluta da mobilidade a pé nas travessias de pedestre da cidade de São Paulo;
  • Será dada continuação à proposta de desenvolver protótipo para travessias no Butantã;
  • A elaboração de um manual da mobilidade a pé com os conceitos de priorização detalhados e com base em manuais existentes de entidades como a WRI, a OMS e outras organizações internacionais;
  • A Câmara Temática vai acompanhar o projeto de “Área 40”, de acalmamento de tráfego, que está sendo implantado no centro de São Miguel Paulista e que servirá como piloto para a implantação em outras regiões de São Paulo;
  • Os membros da Câmara Temática se comprometeram a analisar e discutir como fazer uma pesquisa de fluxos de pessoas se deslocando a pé, para quantificar, qualificar e entender como se dá de fato o deslocamento a pé pela cidade.

Por fim, discutiu-se a nova exigência do Ministério das Cidades de que os planos municipais de mobilidade seja aprovados como lei – não apenas como decreto, como é o caso do PlanMob paulistano. Para isso precisam passar pela Câmara Municipal, o que conferiria ao plano ainda mais legitimidade e possibilidade de receber financiamento federal para a mobilidade.

A Cidadeapé, que integra a câmara temática, vai continuar trabalhando para que todos esses encaminhamentos tenham andamento e, logo, para que a mobilidade a pé conquiste ainda mais espaço nas políticas municipais de mobilidade.

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“Respeitar pedestres é caminho para cidades saudáveis e educadoras”

Publicado originalmente emPortal Aprendiz
Autor: Danilo Mekari
Data: 17/05/2016

Aproximadamente um em cada três deslocamentos em metrópoles como São Paulo, Porto Alegre e Belo Horizonte é feito a pé. Em outras cidades do Brasil, essa proporção é ainda maior – tal número, porém, parece exercer pouco efeito sobre as políticas públicas de mobilidade urbana no país, em sua maioria ainda estagnadas no conceito rodoviário e de priorização do transporte individual e motorizado.

Outros dados engrossam essa realidade: na década entre 2001 e 2011, enquanto a população brasileira aumentou 12,2%, a quantidade de veículos automotores no Brasil cresceu 138,6%, segundo relatório doObservatório das Metrópoles. Em 2012, circulavam pelas vias do país cerca de 50,2 milhões de automóveis e 19,9 milhões de motos, de acordo com o Denatran.

Com as ruas dominadas por veículos motorizados, qual espaço que sobra para o pedestre – aquele que não consome energia fóssil, que deixa o sedentarismo de lado e, ao decidir por fazer seu trajeto a pé, seja até o ponto de ônibus, à estação de metrô ou todo o caminho, circula pelo ambiente urbano espalhando vida pela cidade? Em muitos casos, somente calçadas esburacadas e perigosas.

Estimular os pedestres a caminharem pelo espaço urbano é uma maneira de construir cidades sustentáveis, resilientes e educadoras.

“Uma cidade caminhável é uma cidade saudável, uma cidade melhor”, aponta Joana Canedo, da Associação Cidadeapé. “A mobilidade a pé deve ser considerada um sistema de transporte, pensando a sua infraestrutura de forma sistêmica: calçadas, acessibilidade, iluminação, faixas e semáforos de pedestres, arborização, bancos, lixeira, redução da velocidade dos veículos motorizados.”

Além de tais medidas, também é necessário, na opinião de Joana, criar uma rede de deslocamento contínua e linear, com travessias conectadas e articulação com outros modais, favorecendo a convivência entre diferentes modos de transporte. “Hoje, a calçada é pensada como assessório, não como meio de transporte”, reclama.

No ano de 2015, 419 pedestres morreram em acidentes de trânsito em São Paulo. “A mortalidade é enorme. No mesmo ano, as quedas nas calçadas geraram mil atendimentos apenas no Hospital das Clínicas. Porém, elas não são contabilizadas como acidentes de trânsito.”

Terceira idade a pé

A pesquisadora Etienne Duim apresentou sua investigação sobre as dificuldades que idosos encontram para atravessar as ruas em segurança. Em 2014, essa faixa da população perdeu 203 pessoas em acidentes de trânsito em São Paulo, sendo que 88% desse total eram pedestres.

“Será que os idosos têm tempo o suficiente para atravessar as ruas com segurança?”, questiona. O tempo para a travessia considera a largura da via e o posicionamento do pedestre, e no Brasil este número fica entre 1,2 m/s (metros por segundo) e 1,5 m/s – em cidades como Barcelona, na Espanha, basta andar a 0,9 m/s para se conseguir atravessar ruas.

Estimular os pedestres a caminharem pelo espaço urbano é uma maneira de construir cidades sustentáveis, resilientes e educadoras.

“Com o envelhecimento, ocorre um decréscimo na velocidade de marcha, e aumenta a dificuldade para atravessar ruas e avenidas, mesmo com faixa”, observa a pesquisadora, que faz parte do grupo de estudos SABE (Saúde, Bem Estar e Envelhecimento). Em pesquisa com 1191 idosos realizada em 2010, foi revelado que apenas 4,3% deles conseguiam atingir a média de 1,1 m/s em sua caminhada, ao passo que outros 30% se encaixam no tempo de 0,9 m/s.

“Em São Paulo, claramente o tempo de travessia não é suficiente. Curitiba está testando um sistema que aumenta tempo de semáforo para pedestres com mobilidade reduzida, e em Lima existem experiências com temporizadores para pedestres nos semáforos”, afirma.

A pé para a escola

Pesquisa de 2009 mostra que, entre mais de 2.500 crianças e adolescentes de 51 cidades paulistas, 71% vão para a escola a pé. A pesquisadora Sandra Costa de Oliveira está iniciando uma investigação que buscará entender detalhes desse deslocamento – o que as crianças aprendem no caminho, qual o seu olhar para a cidade ao ir e vir – em trinta escolas da rede municipal paulistana.

Contudo, o pesquisador Thiago Hérick de Sá, da Faculdade de Medicina do ABC, mostrou que, entre 1997 e 2012, o transporte ativo de crianças e jovens para a escola caiu cerca de 20%, enquanto viu-se aumentar as crianças que fazem esse trajeto em um veículo motorizado.

“Aprendemos cognitiva e sensorialmente. Não há dúvida de que as experiências motoras e sensoriais vão ser muito maiores na cidade do que no carro, e também experiências afetivas – positivas e negativas –, pois o ambiente urbano me incomoda e me ensina.”

Plano de Mobilidade de São Paulo

Aprovado em 2014, o Plano Diretor Estratégico de São Paulo previa a implementação de um documento que norteasse o planejamento e gestão dos meios e da infraestrutura de transportes urbanos nos próximos 15 anos. De acordo com Tácito Pio da Silveira, diretor de Planejamento de Transportes da SPTrans, o PLanMob tentará reverter a tradição brasileira de priorizar o transporte individual.

Estimular os pedestres a caminharem pelo espaço urbano é uma maneira de construir cidades sustentáveis, resilientes e educadoras.

Silveira reconhece o tamanho do desafio, principalmente em uma cidade que comporta 14% da frota nacional de carros e em que circulam diariamente cerca de 7 milhões de veículos. “Os deslocamentos dos pedestres são fundamentais e extrapolam a questão dos transportes”, acredita. “Inclusive, o PlanMob aponta para a necessidade de criar um único órgão gestor para centralizar as ações referentes às calçadas, hoje diluídas em três secretarias.”

O engenheiro e professor da Universidade Federal do ABC, Francisco Comaru, levou uma nova visão ao debate sobre o esgotamento do sistema viário e automobilista de São Paulo. “É preciso reocupar o centro da cidade, onde se encontra grande oferta de serviços e equipamentos públicos e de emprego.”

Segundo o professor, o processo de esvaziamento dos distritos centrais decorre dos anos 1980, relacionado à desindustrialização e ao crescimento substancial das periferias da cidade, que passaram a concentrar uma enorme densidade humana. “Vejo relação direta entre desigualdade socioeconômica, injustiça social e espacial e as iniquidades em mobilidade, pois quem mora longe é penalizado também por gastar em transporte.”

Para ele, a produção de moradia é uma das estratégias que, a médio prazo, pode diminuir esse movimento pendular do uso do automóvel. “É preciso induzir uma maior densidade para diminuir esse desequilíbrio, olhando para além da mobilidade em si, mas também para o uso e ocupação do solo.”

Estimular os pedestres a caminharem pelo espaço urbano é uma maneira de construir cidades sustentáveis, resilientes e educadoras.

Cidade Educadora

Os incentivos e políticas públicas direcionadas aos pedestres possibilitariam não apenas mais segurança e tranquilidade para quem opta por este modal, como também proporcionariam uma aproximação dessas pessoas entre si e com o espaço urbano em que vivem. “Andar na rua te ajuda a identificar questões relacionadas à vida urbana, criando uma visão cidadã e questionadora de como a cidade foi construída. Flanar e andar livremente nos ajuda a descobrir que a cidade é muito rica em mil outras coisas”, observa Joana.

Thiago Hérick de Sá acredita que estimular o transporte a pé é uma maneira de garantir saúde e qualidade de vida para os cidadãos, construindo cidades sustentáveis e resilientes e possibilitando não apenas o acesso aos seus espaços, mas também a sua transformação.

“Ser pedestre é muito mais que um deslocamento: é um meio pelo qual a gente coloca nosso corpo em contato com o meio social, físico, emocional. É, por fim, uma condição existencial. Ser pedestre é sermos nós mesmos em contato com a natureza e cultura”, finaliza.

(A foto que abre esta matéria é de autoria de rolvr_comp. As demais são de Priscila Kichler Pacheco/EMBARQ Brasil, Caio Duarte, Alexandre Pereira e Victor, respectivamente. Todas via Flickr/Creative Commons)

 

I Seminário Caminhos da Cidade: mobilidade urbana e saúde

A Cidadeapé foi convidada a participar do seminário organizado pela Faculdade de Saúde Pública da USP e fará uma apresentação na mesa “Conversas sobre Mobilidade e Saúde”, a partir das 10h50.

O Seminário é aberto ao público. Venham fazer parte!

I Seminário Caminhos da Cidade: mobilidade urbana e saúde
Data:
16 de maio de 2016
Horário: das 8h às 12h30
Local: Anfiteatro João Yunes da Faculdade de Saúde Pública da USP
Endereço: Av. Dr. Arnaldo, 715
Organização: Faculdade de Saúde Pública da USP

O “I Seminário Caminhos da Cidade: O desafio de discutir mobilidade urbana e saúde”, promovido pelo Departamento de Epidemiologia em parceria com o Departamento de Saúde Ambiental da Faculdade de Saúde Pública da USP, e com apoio da Comissão de Cultura e Extensão da FSP-USP (CCEx), será realizado no dia 16 de maio, no auditório da Faculdade de Saúde Pública da USP.

Programação

  • 8h00 Credenciamento e Recepção
  • 8h15 Abertura oficial
  • 8h45 Mesa 1: Cidade e Mobilidade
    • Dr. Francisco Comaru (Universidade Federal do ABC)– Cidades e Urbanização não planejada.
    • Ms. Marcelo Pereira Bales (CETESB) – Poluição veicular no município de São Paulo
    • Dra. Maria Ermelina Malatesta (ONG Pé de igualdade) – Mobilidade ativa
    • Dr. Tácito Pio da Silveira (Dir. de Planejamento de Transporte – SPTrans) – Plano de Mobilidade de São Paulo.

Ao final das apresentações, abertura para perguntas e debate.

  • 10h30 Intervalo
  • 10h50 Mesa 2: Conversas sobre Mobilidade e Saúde
    • Dr. Thiago de Sá (Docente da FMABC) – Mobilidade motorizada e impactos na saúde
    • ONG Cidadeapé – Experiências e Propostas de Mobilidade para o Município
    • Pesquisas da FSP/USP
    o Idosos e dificuldade de atravessar as ruas em segurança (Etienne Duim – Estudo SABE)
    o Educação ambiental para promoção da saúde com trânsito solidário (Sandra Costa de Oliveira)
    o De casa para escola – mobilidade de crianças (resultados preliminares) (Sandra Costa de Oliveira)

Ao final de cada Mesa, haverá abertura para perguntas e debate.

Oficina: Pessoas, a pé e de bicicleta – construindo propostas de convivência

Vamos oferecer uma oficina gratuita no evento Bicicultura!!! Pré-inscrições aqui.

Com a expansão da rede cicloviária e a maior visibilidade do uso da bicicleta como meio de transporte, surgem alguns pontos de atenção a serem olhados em relação à convivência entre os modos ativos. Com uma agenda propositiva, Cidadeapé, Sampapé e Corrida Amiga oferecem ao Bicicultura uma oficina sobre convivência entre modos ativos. O objetivo é cocriar produtos de comunicação que promovam formas de melhorar ainda mais a convivência e a união de forças em prol da mobilidade humana.

Oficina: Pessoas, a pé e de bicicleta – construindo propostas de convivência

Dia: Sábado, 28/05/16
Horário: 14h às 15h30
Local: Galeria Olido – Sala de Ensaio Azul
Endereço: Avenida São João, 473 – Centro
Pré-inscrições: aqui!

Ana Carolina Nunes

Ana Carolina faz mestrado em Políticas Públicas na UFABC, onde pesquisa implementação de políticas de combate à violência contra as mulheres. Atualmente também trabalha com organizações e coletivos de mobilidade ativa (a pé e bicicleta) e ocupação do espaço público na cidade de São Paulo, tais como Cidadeapé, SampaPé e Ciclocidade.

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Foto: Fabio Pittas

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Silvia Stuchi Cruz

Doutora em Política Científica e Tecnológica (DPCT/Unicamp); gestora ambiental (EACH/USP); idealizadora da rede CorridaAmiga; secretária executiva da Comissão Técnica de Mobilidade a Pé e Acessibilidade da ANTP; membro da Cidadeapé e colabora com o Mobilize Brasil.

 

Bicicultura

O Bicicultura, maior encontro nacional de mobilidade por bicicleta e cicloativismo, acontece entre 26 e 29 de maio de 2016 em São Paulo. Organizado pela sociedade civil, busca ser o expoente máximo da bicicleta em todas as suas vertentes: cultural, social, política, artística, econômica e ambiental.

O evento abre espaço para o convívio, o compartilhamento de conhecimento e a formação de alianças entre ciclistas, cicloativistas, entusiastas e interessados na democratização urbana, na sustentabilidade ambiental e na qualidade de vida que a bicicleta proporciona.

A programação, em fase de elaboração, contará com palestras, oficinas, mostra de filmes, bicicletada noturna e outras atividades gratuitas, como feiras de trocas e exposição de novidades do mercado da bicicleta. Em breve serão abertos editais para sugestão de oficinas e para inscrição de filmes na mostra. Os locais das atividades ainda serão definidos e anunciados em breve.

O Bicicultura 2016 é idealizado e realizado pela União de Ciclistas do Brasil – UCB, Ciclocidade, Instituto CicloBr e Instituto Aromeiazero, contando com o patrocínio Banco Itaú e o apoio institucional da Prefeitura de São Paulo. São apoiadores Instituto Clima e Sociedade, Aliança Bike, CompartiBike, Shimano, Kalf, Transporte Ativo, ITDP Brasil, Realbras, ARC, Visual Sinalização e Construções, Bloe, Courrieros, TC Urbes, Urbana Bicicletas, Bike Anjo, Ciclo ZN, Dream BMX, Silvia e Nina, Cidadeapé, Bicicleta para Todos, Portal Mobilize, Vá de Bike, Bike é Legal, Figura Web Filmes, Casa das Caldeiras, Brasil Bike Polo, oGangorra, Página da Rachel.

Imagem do post: Dia do Pedestre 2015. Namore sua Cidade. Foto: Fabio Pittas

“Áreas com limite de velocidade reduzido melhoram a qualidade de vida das pessoas”

Publicado originalmente em: The City Fix Brasil
Autor: Aloha Boeck
Data: 02/05/2016

Qualidade de vida é um dos pontos mais almejados pelas pessoas, e o lugar onde moram tem muita influência nisso. As cidades devem ser cada vez menos voltadas para os carros e mais pensadas a serviço do bem estar da população. Uma ação possível é a implantação de zonas com limite de velocidade reduzido, acompanhadas de projetos mais amplos de requalificação das áreas urbanas.

Segundo Rafaela Machado, especialista em Segurança Viária do WRI Brasil Cidades Sustentáveis, há uma evidência muito clara na importância das áreas de velocidade reduzida. “Existe uma relação muito grande entre as velocidades praticadas na via e o risco de morte por acidente de trânsito, principalmente em casos de atropelamento. Por isso, é muito importante pensar em projetos para reduzir os limites de velocidade e trazer mais qualidade de vida e segurança para as pessoas que circulam em áreas com grande densidade comercial e populacional e com grande circulação de pedestres, que tem muita demanda de travessia”, explica.

No mundo, são 114 os países que adotaram a velocidade máxima de 50 km/h nas vias urbanas. Paris, a capital da França, por exemplo, tem limite de 30 km/h em grande parte da cidade, já que foram tantas Zonas 30 implantadas que praticamente se encontraram.

Já no Brasil, São Paulo é um bom exemplo com suas Áreas 40, locais onde a velocidade máxima nas vias é de 40 km/h. As ações voltadas para a segurança viária na cidade refletem em uma queda de 20,6% no número de mortes no trânsito no ano de 2015, segundo levantamento feito pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET).

A iniciativa das implantações começou em outubro de 2013, e já são 12 Áreas 40 na cidade. Entre elas, estão Lapa, Brás e Santana, que podem receber propostas de requalificação a partir do Concurso São Paulo Áreas 40, promovido e organizado pelo WRI Brasil Cidades Sustentáveis em parceria com a Iniciativa Global em Segurança Viária da Bloomberg Philanthropies.

Além das placas
Apesar de a redução dos limites de velocidade já ser um grande passo em busca de mais segurança, também é preciso pensar na geometria da via. “O desenho da rua deve ser pensado de forma que os condutores entendam os limites de velocidade de várias maneiras, não só pela placa que foi colocada. É importante que a gente entenda como os usuários da via se comportam e faça os desenhos das nossas vias considerando as demandas, as necessidades e interesses de direção de movimentação”, ressalta a especialista.

Sendo assim, projetos nesse sentido precisam levar em conta o uso do solo, como a região é utilizada e quais as movimentações que são feitas, além de entender as demandas que a comunidade tem. Por isso, a participação popular é fundamental para a construção das propostas, uma vez que saber o que realmente acontece é muito importante para elaboração dos projetos, e ninguém melhor do que quem mora ou circula na região para dizer quais são os locais mais perigosos para atravessar, as ruas mais inseguras para caminhar, as piores calçadas ou as ruas com maiores conflitos entre carros.

Com um espaço mais pensado para as pessoas, o ganho é coletivo. “Além da segurança viária, os limites de velocidade reduzida também contribuem para a qualidade do ar, para a redução de ruído. Então, acabam fazendo com que as áreas sejam mais agradáveis de circular. As pessoas não têm medo de serem atropeladas, conseguem caminhar sem o barulho do trânsito, o que pode contribuir para o comércio. Ou seja, também serve para que as áreas comerciais sejam beneficiadas, que as pessoas queiram caminhar mais e comecem também a praticar o transporte ativo”, conclui Rafaela.

Oportunidade
O Concurso São Paulo Áreas 40 é uma oportunidade para engenheiros e arquitetos e urbanistas ajudarem na construção de uma cidade segura, saudável e sustentável a partir de políticas de mobilidade nas quais os modos não motorizados e o transporte coletivo são priorizados. O edital já está disponível no site concursoareas40.org.

As inscrições e o envio das propostas terão início em 23 de maio. As ideias serão avaliadas por uma comissão julgadora composta por CET-SP, SP Urbanismo, Subprefeituras, WRI Brasil Cidades Sustentáveis, Iniciativa Bloomberg de Segurança no Trânsito, NACTO Global Designing Cities Initiative e também pelos coletivos Cidade Ativa, Corridaamiga e Bike Anjo.

Imagem do post: São Paulo começou a implantação das Áreas 40 em 2013. Foto: Mariana Gil-WRI Brasil Cidades Sustentáveis