“RELATO SOBRE O ENCONTRO DO GT ELEIÇÕES COM A EQUIPE DO PRÉ-CANDIDATO À REELEIÇÃO FERNANDO HADDAD”

Publicado originalmente em: Ciclocidade
Data: 13/07/2016

O GT Eleições 2016 da Ciclocidade e Cidadeapé visitou, na quarta-feira passada (6/7), a equipe responsável pelo programa de governo do pré-candidato à reeleição, o prefeito Fernando Haddad (PT).

Este é o segundo encontro do Grupo de Trabalho com uma equipe de pré-candidatos à Prefeitura de São Paulo buscando apresentar as demandas da sociedade civil relacionadas à mobilidade ativa na capital paulista. O primeiro, em 15/6, foi para a campanha da pré-candidata pelo PMDB, Marta Suplicy.

Todas as equipes, de todas as candidaturas e partidos, serão procuradas para uma conversa similar, tendo por objetivo que tais demandas sejam incorporadas aos programas de governo dos prefeitáveis.

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Presentes ao encontro estavam 11 representantes de entidades da sociedade civil voltadas para a defesa da mobilidade ativa, como Ciclocidade, Cidadeapé, Bike Zona Sul e Bike Zona Leste. Como a reunião não era exclusiva para a apresentação do GT, as demais pessoas eram compostas de servidores públicos, técnicos da CET e SPtrans, além de representantes do Partido dos Trabalhadores (PT) e apoiadores do pré-candidato Fernando Haddad.

O prefeito e pré-candidato não participou.

Apresentações

 

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Embora o encontro não fosse exclusivo para a apresentação do GT Eleições 2016 e fizesse parte de uma agenda maior de reuniões relacionadas à construção do programa de governo do pré-candidato Haddad, o fato de havermos levado propostas consistentes e estruturadas resultou em um domínio quase completo da pauta.

Ana Carolina Nunes, Rafael Calabria, Daniel Guth e Melina Rombach, representantes do GT, abriram a discussão com uma apresentação de cerca de 35 minutos, baseada no formulário público criado para identificar quais devem ser as prioridades dessas eleições relacionadas à mobilidade ativa. O formulário continua a receber respostas das pessoas até o final de julho neste endereço (participe!).

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Suzana Nogueira, coordenadora de projetos cicloviários da CET, e Rose Marie, da equipe de planejamento da CET, também fizeram uma apresentação relacionada ao que há sobre mobilidade a pé e de bicicleta no Plano Municipal de Mobilidade – PlanMob. Suzana explicou que não estava fazendo uma análise, apenas fazendo um recorte temático.

“Nossa revisão da meta do PlanMob para bicicletas compartilhadas foi menos ousada do que a que vocês [GT Eleições 2016] apresentaram, para abranger 15% do território”, disse Suzana. “Temos que ter cuidado de não ter uma meta muito ousada para não prejudicar a eficiência do sistema, pois é preciso ter capacidade de operação à altura”.

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Rose Marie considerou que, para os próximos anos, seria interessante assumir as metas almejadas pelo GT Eleições 2016 e trabalhar em um plano emergencial para calçadas, embora considerasse ainda ser preciso incluir a temática do verde na proposta, como a questão da drenagem do solo, por exemplo.

Rodada de Perguntas

Após as falas expositivas, iniciou-se uma rodada alongada de perguntas e respostas, com Ana Nunes e Carla Moraes, do GT Eleições, e Suzana Nogueira e Rose Marie, da CET, à frente para endereçar os questionamentos.

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Diversos temas passaram pelo debate, que iniciou com uma proposta de emplacamento de bicicletas (Facchini – SPTrans), imediatamente descartada pelo grupo; pela importância de implantar calçadas em zonas da periferia (Tatina – Sociedade civil); a relevância de repensar as vias levando em consideração um aumento significativo do número de árvores na cidade (Sasha Hart, Cades e Ciclocidade); a volta da inspeção veicular (Regina – Portal Mobilize); reduzir efetivamente o espaço para automóveis na cidade (Ana – CET); o entendimento de que a transparência com relação aos dados sobre bicicletas compartilhadas é fundamental (Suzana Nogueira – CET); o sentimento de que as pessoas da periferia da Zona Leste ainda se sentem excluídas das ciclovias e ciclofaixas, por mais que a gestão atual esteja de muitos parabéns por iniciar o processo (Magrão – Bike Zona Leste); avançar na questão das travessias para pedestres, aplicando a lei de forma efetiva (Seu Élio – Cidadeapé); a importância de haver, para um eventual segundo mandato de Fernando Haddad, um programa que busque o qualitativo e melhore a questão dos pedestres (Anita Stefani – Coordenadora geral do programa de governo do pré-candidato); dar mais importância à questão essencial do acalmamento do trânsito e também a da dotação orçamentária (Larissa); a de haver mais bicicletários (Edilson – PDT).

Finalização

Para terminar a conversa, Ana Nunes deixou claro o papel do GT Eleições 2016 com relação às agendas de todas e todos os pré-candidatos: “Viemos aqui para trazer, para subsidiar. Se os candidatos acharem que falta algo na nossa apresentação, sintam-se livres para aprimorar, pois nosso levantamento de prioridades é público.”, afirmou.

Daniel Guth , comentou que, “com o GT, construímos uma agenda positiva para a mobilidade ativa, mas há políticas de desincentivo ao motorizado que devem ser incluídas, como a política de estacionamentos”.

“O programa de governo tem potencial sim para encampar ações ousadas”, continuou Ana. “O que a gente traz aqui não é nem um décimo do que precisa fazer para São Paulo se tornar uma cidade segura e acessível. Tem duas coisas que queremos ver e que ninguém liga: acessibilidade universal e zero mortes no trânsito. Os números são inaceitáveis”, finalizou.

Imagens do post: Ciclocidade

“RELATO SOBRE O ENCONTRO DO GT ELEIÇÕES COM A EQUIPE DA PRÉ-CANDIDATA MARTA SUPLICY”

Publicado originalmente em: Ciclocidade
Data: 20/06/2016

Na última quarta-feira (15/6), o GT Eleições 2016 da Ciclocidade e Cidadeapé visitou a equipe da pré-candidata Marta Suplicy (PMDB) para apresentar as demandas da sociedade civil relacionadas à mobilidade ativa na capital paulista.

Trata-se do primeiro encontro do Grupo de Trabalho com uma equipe de pré-candidatos à Prefeitura de São Paulo. Todas as equipes, de todas as candidaturas e partidos, serão procuradas para uma conversa similar, tendo por objetivo que tais demandas sejam incorporadas aos programas de governo dos prefeitáveis.

Estavam presentes à reunião 14 representantes de entidades da sociedade civil voltadas para a defesa da mobilidade ativa, como Cidadeapé, Ciclocidade, Bike é Legal, CicloBr e Bike Zona Sul.

Da equipe do PMDB, estavam o Prof. Ulrich Hoffmann, coordenador do programa de governo da pré-candidata; Murillo Leite Ferreira, assessor especial do Gabinete da senadora Marta Suplicy; além dos assessores de campanha Isabela Muniz, Elson Perez da Silva e Neusa Tahan.

A senadora e pré-candidata não participou.

Apresentações

A equipe de Marta Suplicy abriu o encontro informando que a proposta era ouvir e entender as demandas das entidades. Murillo Ferreira, assessor especial do gabinete da senadora Marta Suplicy, argumentou que seria contraditório pensar que a pré-candidata tenha intenções de desfazer as ciclovias/ciclofaixas e, ao mesmo tempo, estar aberta a uma conversa como essa.

“Essa não é a lógica, pelo contrário”, disse o assessor. “Queremos ouvir as pessoas que fazem uso do serviço público, procurar entender o que deu certo, o que deu errado, o que pode melhorar. Nossa expectativa é formar um GT para que haja uma contribuição de quem vive esse dia a dia das ciclovias”.

Ao abrir para a fala das entidades, Daniel Guth, diretor de participação da Ciclocidade, fez um breve histórico da gestão Marta Suplicy como prefeita de São Paulo, à época pelo PT, entre os anos 2001-2004.

“Foi uma gestão com alguns pontos muito fortes relacionados ao transporte público, a gente reconhece, mas bastante complicado do ponto de vista da mobilidade ativa, com retrocessos ou não-avanços. Tivemos um aumento no limite de velocidade nas principais vias da cidade, com vias passando a ter o limite de 70km/h, o que resultou em um aumento na mortalidade no trânsito. Este também foi um período branco em termos de ciclovia, sem nenhum incremento de infraestrutura cicloviária. Há uma expectativa nossa de que a pré-candidata tenha amadurecido e atualizado a visão que ela tem sobre a mobilidade ativa. Talvez essa sensibilidade da equipe demonstre isso, mas não tivemos publicamente essa confirmação, vindo dela”, resumiu.

Ana Carolina Nunes, da Cidadeapé, argumentou que o sistema de mobilidade ativa não pode ser tratado como complementar ou acessório. “Queremos que esteja tudo pensado de maneira integrada. A mobilidade por bicicleta é mais um elemento do sistema de transportes, e queremos que volte a existir um Departamento de Mobilidade a Pé na CET, como já existiu”, afirmou.

Daniel Guth e Ana Carolina Nunes ficaram responsáveis por apresentar ponto a ponto o formulário público criado pelo GT Eleições para identificar quais devem ser as prioridades dessas eleições relacionadas à mobilidade ativa (ou, como diz a legislação, relacionadas aos modos “não motorizados” de transporte). O formulário continua a receber respostas das pessoas até o dia 30/6 neste endereço (participe!).

Renata Falzoni, do site Bike é Legal, pediu que a proposta de uma agenda para a mobilidade não seja diminuída. “Não estamos aqui para falar de ciclovia ou bicicleta”, disse. “Estamos aqui para falar de investimentos públicos para as pessoas – algo muito maior do que a bicicleta ou a ciclovia. Pedimos inclusive que a senadora corrija-se ao falar, não deixe que o tema seja reduzido dessa forma. É um treino entender como se referir a esse tema como uma questão mais ampla do que a bicicleta. Quando a própria senadora diz que vai aumentar a velocidade nas marginais, está dizendo que vai permitir os atropelamentos com a benção dela”.

Carla Moraes, do coletivo Bike Zona Sul, reforçou este ponto. “A Marta falou no programa do Amaury Júnior que vai aumentar a velocidade nas marginais e isso mina tudo o que estamos falando aqui. É uma questão de pautar a perda dos privilégios dos automóveis. Vejo que isso falta nas campanhas politicas. Tudo o que a gente faz é desconstruído com uma simples frase banal jogada na mídia dizendo que ‘faltou planejamento’”.

Esta é uma questão fundamental, sobre a qual Rene Fernandes, da Ciclocidade e da Fundação Getúlio Vargas (FGV), enfatizou: “A infraestrutura cicloviária não está sendo construída sem diálogo com as pessoas, pelo contrário. Todo o planejamento é bem antigo e nesta fase final da infraestrutura cicloviária, entre o fim de 2013 e início de 2014, foi criado o Conselho Municipal de Trânsito e Transportes (CMTT), além de uma Câmara Temática específica para tratar a questão das bicicletas. Muito do que foi executado co m relação a essa infraestrutura veio a partir de conversas com a Câmara Temática de Bicicleta. Houve também a criação da Câmara Temática da Mobilidade a Pé, e muito do que tem sido feito também tem sido pautado por ela. A gestão atual tem ouvido muito a sociedade civil; muitas das ciclovias na periferia são fruto disso. Achamos que é fundamental que essa consulta à sociedade civil continue”.

Foto: Ciclocidade

Foto: Ciclocidade

Encaminhamentos

Ulrich Hoffmann, coordenador do programa de governo da pré-candidata, e Isabela Muniz, assessora, afirmaram o desejo de marcar uma nova reunião em cerca de duas semanas para mostrar os resultados que a apresentação teve, já relacionado ao programa de governo.

Ficou acordado que, assim que a equipe da pré-candidata tenha atualizações, enviarão o material para o GT Eleições da Ciclocidade e Cidadeapé para avaliação. Enquanto isso, o GT Eleições continuará a buscar reuniões com todos os outros pré-candidatos.

Representantes das entidades relacionadas à mobilidade ativa também propuseram que a campanha de Marta Suplicy faça um convite público e aberto de apresentação da plataforma de mobilidade da candidata, algo que o GT Eleições seja convidado a participar junto com a população em geral.

Estima-se que os planos de governos de prefeitáveis desta eleição sejam apresentados ao final de julho ou início de agosto, quando encerram-se as convenções partidárias. A data final para registro dos candidatos é 15/8.

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