Cidadeapé discute semáforos para pedestres em visita a Central de Operações da CET

Técnicos da CET recebem associados da Cidadeapé

A Cidadeapé esteve no dia 15 de abril na Central de Operações da CET, localizada na Rua Bela Cintra, onde estão centralizados os dados operacionais da cidade de S.Paulo e também a área responsável pela supervisão dos semáforos das regiões sudoeste e oeste da cidade. A visita nos ajudou a entender um pouco mais de como funciona a programação dos tempos nos semáforos da cidade, principalmente para pedestres. Fomos representados por três associados: Rosemeiry Leite, Élio Camargo e José Antonio Oka (na ordem da foto). Quem nos recebeu foram três técnicos da empresa, incluindo o engenheiro Ager, atual responsável pelo monitoramento da região oeste e sudoeste.

Após a Cidadeapé se apresentar e explicar o interesse em conhecer um pouco da programação semafórica aplicada, o engenheiro Ager descreveu em números a dimensão do parque semafórico da cidade: são aproximadamente 5.000 semáforos, sendo 3.000 deles com focos para pedestres. Contudo, o número dos semáforos com focos para pedestres não aparece no painel da sala de emergência onde é feito o monitoramento. Ager também exaltou a relevância da PPP de manutenção desse parque semafórico, vigente por 20 anos. Já há 3 anos, a Ilumina é responsável pela manutenção e substituição dos semáforos. Essa troca é bem avaliada pela CET, que apontam ter agilizado a manutenção. Os técnicos reiteraram que o SP156 é o canal mais eficiente para comunicar problemas na manutenção dos semáforos.

Vista da central de operações da CET na rua Bela Vista

Os técnicos também esclareceram que a cidade hoje possui três sistemas de semáforos que se conversam entre si: ITACA (sistema espanhol), SCOOT (sistema britânico) e SCATS (sistema australiano). Esses sistemas operam com sensores que detectam o volume de carros e, a partir de parâmetros definidos pelos técnicos da CET, distribuem o tempo de verde para os veículos. Ou seja, esses sistemas buscam reduzir o tempo que veículos ficam parados no semáforo vermelho.

Nossa principal dúvida era o parâmetro para definir os tempos que o semáforo fica aberto para os pedestres e de espera para poder atravessar. Segundo explicado na visita, o tempo de travessia é fixo e definido a partir da distância a ser percorrida pelo pedestre e dos limites de velocidade da via. Ou seja, os sensores nos semáforos podem estender o tempo que ele fica aberto para os carros passarem (por exemplo, porque o volume do tráfego está alto), mas não alteram o tempo que os pedestres terão para atravessar (que corresponde a uma das fases de vermelho para os carros). As novas tecnologias, portanto, não são acionadas para detectar se há muitos pedestres esperando para atravessar e ampliar o tempo concedido para essa travessia em horários de maior fluxo de pessoas.

A partir disso, a Cidadeapé questionou sobre os logos tempos de espera de pedestres para atravessar – que são aumentados quando o tempo de verde para carros é aumentado automaticamente por esses semáforos com sensores. Os técnicos então informaram que os critérios utilizados pela CET são baseados nos manuais e normas existentes.

Detalhes da programação semafórica

Os técnicos também lembraram que em 2007 houve uma alteração na programação dos semáforos para pedestres, com a introdução do vermelho piscante. A partir dessa mudança, o semáforo para pedestres fica verde para indicar que a travessia pode ser iniciada, e muda para vermelho piscante antes para indicar quer a travessia já iniciada deve ser concluída e que os pedestres não devem iniciar novas travessias. Outra informação trazida pela CET é que alguns semáforos de pedestres que contêm botoeira necessitam ser acionados para que seja “liberada” a travessia de pedestres. Ou seja, se as os pedestres não acionarem as botoeiras, os semáforos só concedem o verde para os carros e não inserem o tempo de travessia no ciclo dos semáforos.

A Cidadeapé ponderou que tanto essa informação sobre a botoeira quanto a mudança que introduziu o vermelho piscante precisam ser comunicadas de forma inteligível aos pedestres, inclusive para não ampliar os riscos. Lembramos que a cidade de São Paulo é um espelho para as normas e procedimentos de trânsito de todo o país e que usar o vermelho piscante gera uma confusão para os pedestres, visto que desde o primeiro semáforo proposto em 1898, o verde indica a ordem de seguir e o vermelho, de parar.

Sobre os parâmetros para calcular o tempo de travessia, os técnicos da CET explicaram que a velocidade definida para que pedestres atravessem a rua é de 1,2m/s, mas o usual utilizado está entre 0,8m/s a 1m/s. Já em relação ao tempo máximo de espera para atravessar, explicam que o recomendado seria 60 segundos, já que a espera muito grande leva pedestres a se arriscarem a atravessar na brecha dos carros. Apesar de reconhecerem o tempo máximo recomendado para a espera, ele não é cumprido em todos os semáforos, principalmente quando eles contam com sensores que detectam o volume de tráfego de veículos.

A CET alega que chegaram a fazer estudos sobre possibilidades de mudanças nos ciclos semafóricos que diminuiriam o tempo de verde para os carros, para que pedestres tivessem que esperar menos para atravessar. Lembramos que o Manual de Semáforos do CONTRAN (na pg. 79, item 5.9) destaca que, em condições excepcionais, precisa ser dada atenção especial a travessia de pedestres, com a adoção de medidas adicionais. A redução do tempo de espera seria uma medida especial para lugares ou horários com altos fluxos de pedestres ou onde há uma concentração de conflitos entre pedestres e veículos.

Também questionamos sobre a possibilidade de dois tempos alternados para pedestres ao longo do ciclo para redução das longas esperas. Isso significaria, por exemplo, em um cruzamento, abrir o verde para pedestres logo depois que fosse aberto o semáforo para os carros da via transversal. Hoje em dia, é mais comum que em um cruzamento semaforizado seja aberto o tempo para a travessia de pedestre em todas as faces do cruzamento (chamado de ‘verde geral’), para evitar conflitos com carros que fazem conversões à direita. Mas segundo a CET, essa programação proposta pela Cidadeapé geraria dificuldades de entendimento por motoristas e pedestres e que é necessário uma administração de riscos. Entretanto, a própria CET afirma perceber, em observações de campo, que a espera longa para atravessar faz com que pedestres circulem no meio dos carros.

Painel de acompanhamento de indicadores do parque semafórico

Agradecemos a atenção com que fomos recebidos pelos técnicos da CET e a disposição em nos explicar detalhes técnicos sobre a programação semafórica. O debate mostrou como as informações ainda são muito nebulosas para os pedestres, que cada vez menos sabem quanto tempo precisarão esperar para atravessar ou se precisarão apertar algum botão para acessar esse direito, e quanto tempo terão para chegar ao outro lado da via. Também nos chamou atenção que, na central visitada, o próprio painel na sala de emergências mostra apenas informações do parque semafórico veicular. É como se a situação dos semáforos de pedestres, semáforos com botoeiras, inclusive semáforos com botoeira sonora, estivesse invisível. Talvez ainda tenhamos muito para avançar.

Participamos da abertura da Subcomissão de Calçadas e Mobilidade a Pé na Câmara

A Cidadeapé foi convidada para a reunião de abertura da Subcomissão de Calçadas e Mobilidade a Pé, presidida pela vereadora Renata Falzoni (PSB) e relatada pelo vereador Nabil Bonduki (PT). A subcomissão integra a Comissão de Trânsito da Câmara Municipal e vai se reunir semanalmente às quintas das 12h00 às 14h00 para discutir o arcabouço legal que rege as calçadas. Nossos diretores Oliver Cauã e Ana Carolina Nunes fizeram uma fala nessa reunião, apontando as principais preocupações da Cidadeapé sobre o cumprimento da legislação sobre calçadas na cidade e algumas sugestões de informações que poderiam ser levantadas pela subcomissão (confira a apresentação aqui). 

Em primeiro lugar, destacaram os direitos garantidos pelo Estatuto do Pedestre e que são sistematicamente descumpridos, principalmente pela omissão da Prefeitura. Segundo os diretores, mesmo o decreto que regulamenta o Estatuto tem determinações que nunca foram cumpridas. Também foram observadas as falhas no Programa Emergencial de Calçadas, que propõe a requalificação de passeios públicos considerados prioritários devido ao fluxo mais intenso de pedestres. Por fim, eles destacaram a necessidade de ampliar o financiamento público dedicado à mobilidade a pé, que hoje tem sido “roubado” pelas verbas destinadas ao asfaltamento da cidade.

Alguns dos principais argumentos apresentados pela Cidadeapé foram resumidos nessa reportagem da TV Câmara:

A sessão também contou com a apresentação de um estudo desenvolvido pela Poli-USP e de uma fala de representantes do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB). É possível assistir a sessão completa no YouTube da Câmara (nossa participação inicia no minuto 23).

A Cidadeapé já havia participado de uma reunião preparatória sobre a subcomissão para sugerir pautas e pessoas que poderiam ser convidadas a se apresentar. Vamos seguir acompanhando as discussões e respostas aos requerimentos de informações e tentaremos contribuir para aprimorar a legislação sobre calçadas na cidade – e cobrar o seu cumprimento.

Porque votamos contra a “Times Square” paulistana

Projeto é mais um passo para a descaracterização da Lei Cidade Limpa e não traz benefícios para a cidade

Antes e depois de um dos trechos do Boulevard São João, segundo apresentação do proponente

No dia 11 de março, a Comissão de Preservação da Paisagem Urbana (CPPU) aprovou o projeto “Boulevard São João”, que visa criar uma intervenção do tipo “Times Square” na esquina mais famosa da capita paulistana. Mauro Calliari, associado da Cidadeapé, é um dos 8 representantes da sociedade civil na CPPU e votou contra o projeto. A reunião durou quase 5 horas (e pode ser revista aqui) e, segundo ele, teve discussões acaloradas. A proposta de termo de cooperação trazida pela FDB digital participações ganhou por 8 votos a 6, sendo 8 votos de representantes da Prefeitura e 6, dos representantes da sociedade civil presentes. Confira o voto apresentado por Mauro na reunião:

Porque eu vou votar contra a aprovação do projeto Boulevard São João, por Mauro Calliari

Proposta: Termo de Cooperação proposto pela empresa FDB Digital Participações Ltda., para requalificação urbana do Eixo São João – BOULEVARD SÃO PAULO – visando melhorias urbanas, paisagísticas, ambientais, curadoria e zeladoria, protagonizado pela Av. São João;

Eles oferecem
– Requalificação de praças – Largo do Paissandú e Praça Julio Mesquita;
– Conservação e preservação do patrimônio histórico nesses lugares;
– Mobiliário urbano e iluminação cênica;
– Ativação urbana e sociocultural
No valor de até R$ 2 milhões por ano.

O que eles ganham
– Direito de comercializar painéis de LED em 5 prédios ao redor da área;
– Custos com painéis: 39 milhões de investimento + manutenção dos equipamentos;
– Custos com manutenção e melhorias – 2 milhões.

O que eu acho
O empresário Airê Caoas é sério e faz coisas excelentes. Ele advoga que o comércio é essencial para a vitalidade do centro e eu concordo. Mas melhorar a dinâmica da região central não pode estar atrelado a mexer na Lei Cidade Limpa. Essa lei é um marco civilizatório. Rediscutir seus princípios para um lugar específico porque alguém propôs um termo de compensação é entregar ao acaso o futuro visual da cidade. Uma brecha aqui, outra na Paulista, outra no largo da Batata, outra no Tatuapé e pronto – acaba a lei que transformou para melhor a cidade. Portanto, vou votar contra a proposta na CPPU.

E pretendo adicionar algumas observações sobre o projeto…
A limpeza e a manutenção da São João não precisam de verba adicional. Está no orçamento da prefeitura fazer isso. O Projeto estaria entregando R$ 2 milhões por ano para a melhoria da calçada, iluminação, bancos e lixeiras da São João e manutenção da Praça Julio de Mesuqita e Largo do Paissandú. A proposta é tão descarada que, só para lembrar, a Prefeitura fez dois anos atrás uma reforma meia-boca da Ipiranga com a São João com quase 5 milhões de reais. Francamente, isso tudo é, ou deveria ser atividade básica da Prefeitura: cuidar das calçadas, aumentar as calçadas, melhorar o piso, tomar conta da segurança e da travessia, melhorar a iluminação e fazer manutenção. Por que a SMUL ou a SP Obras não fazem um projeto e tomam conta disso e aproveitam e melhoram a caminhabilidade na região?

Apesar de já aprovada pelos órgãos reguladores, a proposta pode ser julgada pela população em consulta pública disponível na plataforma Participe+ até 24 de março. Infelizmente a própria descrição do projeto na plataforma não é tão clara sobre os seus possíveis impactos, por isso sugerimos conhecer os materiais com o detalhamento.

Ameaças à lei Cidade Limpa e à segurança

No memorial do projeto, é apontado que os 5 painéis de LED a serem instalados mostrarão as “marcas apoiadoras” e farão publicidade em 30% do tempo, enquanto nos outros 70%, veicularão “informações de utilidade pública”. Se considerarmos outros espaços que contêm painéis de LED pela cidade de São Paulo, como pontos de ônibus, não seria surpreendente que essas informações de utilidade pública incluíssem informes publicitários da Prefeitura. Sendo publicidade explícita ou velada, tratam-se de brechas abertas na lei Cidade Limpa.

Vale destacar que o direito à “qualidade da paisagem visual” é estabelecido pelo Estatuto do Pedestre. Essa qualidade é ameaçada não apenas pela exposição de marcas e outras formas de publicidade, mas também pelo excesso de luz gerado pelos painéis de LED em diversos cantos da cidade. Já não basta o precedente que vem sendo aberto com a concessão das paradas de ônibus, que permite à Eletromidia instalar milhares de painéis de publicidade em espaços de circulação de pedestres, enquanto não são oferecidas sequer as informações mínimas sobre as linhas de ônibus (que são direito dos usuários). O próprio projeto do “Corredor Verde” na Avenida 9 de julho é um prenúncio do que pode acontecer na cidade se a lei Cidade Limpa continuar sendo esgarçada para atender ao interesse das agências da publicidade. Além disso, o custo em termos de energia e poluição luminosa também vão na contramão dos esforços impostos pela emergência climática.

Por fim, é importante lembrar que a Times Square que o proponente busca emular é uma via de Nova York que foi pedestrianizada para melhor atender ao intenso fluxo de pedestre – e que os próprios painéis de publicidade vieram como consequência do trânsito intenso de pessoas a pé, e não o contrário. A própria CET, em parecer sobre o projeto, afirmou que estudos internacionais detectaram aumento de 12 a 18% de sinistros de trânsito em locais onde são instalados esses painéis. Por isso, são recomendados em locais exclusivos para pedestres. As contrapartidas, no entanto, não preveem um projeto de pedestrianização permanente da área. Ainda que fosse previsto, é preocupante que ações visando melhorar a caminhabilidade da cidade sejam sempre condicionadas à venda do espaço público.

As multas caem, as mortes sobem

Cidadeapé mostra no SP1 que, enquanto Prefeitura reduz fiscalização de avanço no semáforo vermelho, mortes por atropelamento sobem


Você está com a impressão de que o semáforo vermelho virou apenas uma sugestão para muitos motoristas e motociclistas? Sua percepção tem lastro na realidade: segundo dados da própria Prefeitura que levantamos no site “Mobilidade Segura”, as autuações por desrespeito ao semáforo caíram praticamente pela metade (45%) de 2021 a 2024 (último ano do qual temos dados completos). No mesmo período, os atropelamentos fatais de pedestres subiram 67%, segundo o Infosiga. 

A correlação entre os dois fatos fica bem visível neste gráfico que produzimos cruzando os dados:

Fontes:
Multas aplicadas: Painel Mobilidade Segura – Prefeitura de SP (https://mobilidadesegura.prefeitura.sp.gov.br)
Atropelamentos fatais de pedestres: Infosiga (https://infosiga.detran.sp.gov.br)

O SP1 fez uma reportagem para apresentar nossos dados e colher impressões de munícipes sobre o desrespeito ao direito de travessia por motoristas e motociclistas. O diretor administrativo Cauê Jannini comentou na reportagem que há apenas 180 radares que detectam o desrespeito ao semáforo vermelho, o que é muito pouco para os 5.685 cruzamentos semaforizados na cidade. 


Se há cada vez menos autuações e poucos semáforos fiscalizados, como podemos esperar que os condutores se motivem a seguir as regras de trânsito? A própria reportagem mostrou imagens de um cruzamento sem fiscalização e evidenciou a quantidade de comportamentos perigosos favorecidos por essa sensação de impunidade. Além disso, há diversos comportamentos perigosos que só são detectados por agentes de trânsito, que também vêm diminuindo na cidade.

É possível incentivar o respeito ao direito de travessia com outras ações, como o estreitamento de faixas de rolamento para reduzir a velocidade, a implantação de travessias elevadas e radares de velocidade e obras de prolongamentos de esquinas, para forçar os condutores a reduzirem a velocidade na conversão. No entanto, a Prefeitura não está executando o orçamento destinado a ações desse tipo.

Na resposta à reportagem do SP1, a Prefeitura afirma que o número de multas em 2025 foi maior que o de 2024, mas fala das autuações de maneira geral, sem especificar as multas sobre avanço de semáforo, que foram a crítica específica da reportagem. E como os dados relativos às autuações de 2025 só estão disponíveis até agosto na plataforma Mobilidade Segura, não é possível ainda fazer uma comparação anual, já que a quantidade de autuações mês a mês apresenta dinâmica bastante irregular entre um ano e outro.

A reportagem do SP1 também fez um adendo infeliz, ao equiparar o comportamento dos motoristas (que coloca os outros em risco) com a desobediência ao semáforo vermelho por pedestres (que se colocam em risco), sem considerar que os tempos inadequados e o próprio comportamento dos motoristas são fatores que influenciam isso. Na sua fala, Cauê Jannini tentou lembrar que o que é lido como “imprudência” dos pedestres muitas vezes é consequência da estrutura das travessias, que privilegia o fluxo de veículos em detrimento da preferência que o pedestre deveria ter.

Comentamos na Folha o aumento das mortes de pedestres

Em 19 de fevereiro, a Folha de São Paulo publicou uma reportagem com o balanço das mortes no trânsito da capital paulista em janeiro de 2026 – das 65 vidas perdidas no trânsito nesse período, 27 estavam a pé, segundo o Infosiga. Apesar do recuo em relação aos janeiros anteriores, a tendência de aumento na violência no trânsito continua, quando considerados os dados acumulados por ano. Confira abaixo o começo da reportagem e o gráfico com a descrição dos dados:

Expusemos ao jornal nosso ponto de vista sobre a (in)ação da Prefeitura que culminou no aumento de mortes no trânsito. Nossa diretora de relacionamento, Ana Carolina Nunes, destacou que a organização do trânsito ainda prioriza o fluxo de carros em detrimento da segurança dos pedestres. Além disso, falta fiscalização do respeito às travessias e alterações nos desenhos das ruas que promovam, efetivamente, o acalmamento do tráfego:

A Prefeitura, por outro lado, respondeu à reportagem com as declarações genéricas de sempre, citando ações pontuais ou executadas há tanto tempo que nem ela mesma é capaz de listar. Por exemplo, a Prefeitura gosta de destacar as áreas calmas, mas só implantou duas (Lapa e Santana) e está desde 2018 anunciando a próxima, em São Miguel. Mas enquanto projetos que poderiam promover a segurança viária não saem da gaveta, a gestão segue gastando ao menos R$1 bilhão anualmente (não é uma hipérbole) com o recapeamento de asfalto.

Continuaremos pressionando a Prefeitura em todos os espaços possíveis, inclusive na imprensa, para que adote ações reais a fim de combater a epidemia de violência no trânsito que vivemos.

Mostramos no SP1 a negligência da Prefeitura com as mortes no trânsito

Em 2025, São Paulo atingiu maior número de mortes no trânsito em 10 anos, enquanto Prefeitura prioriza gastos com recape em detrimento de projetos de segurança viária.

Participamos de uma reportagem do SP1 que denuncia a negligência da Prefeitura em relação à segurança viária. Segundo os dados do Infosiga, 1.034 pessoas perderam a vida no trânsito paulistano em 2025 – a maior taxa em dez anos. A reportagem abre contando o triste caso de Cosme Conceição Borges, atropelado em uma avenida de Itaquera. Em seguida, mostra dados levantados pela Cidadeapé sobre a execução do orçamento municipal com políticas que poderiam salvar vidas no trânsito. Ainda que o volume de dinheiro orçado para essas ações seja já muito mais baixo do que para recapear asfalto, a execução dos valores orçados é ainda menor, praticamente irrisória. Isso significa que a Prefeitura de São Paulo não está cumprindo o seu dever de investir em políticas públicas para salvar vidas.

Confira abaixo alguns trechos da reportagem que apresentam esses dados:

O que mostram os dados

Para identificar o quanto a Prefeitura gastou com a segurança viária em 2025, a Cidadeapé destacou 4 itens do orçamento. Explicamos a seguir cada um deles e mostramos os dados referentes ao ano em que tivemos recorde de mortes no trânsito:

  • Implantação de Projetos de Redesenho Urbano para Segurança Viária (Cód. 3757)
    Abarca projetos elaborados pela SMT para redesenhar as vias com foco na segurança viária, geralmente incluindo intervenções de moderação de tráfego, como faixas de travessia elevadas, alargamento de calçadas em esquinas, lombadas.

  • Urbanismo Social (Cod. 3664)
    Abarca uma variedade de políticas urbanísticas, como o projeto de Requalificação Urbana Parque Novo Mundo, projeto de Caminhabilidade no Jardim Lapenna e Território Educador Cidade Tiradentes. São projetos geralmente com foco nos deslocamentos ativos, com intervenções de moderação de tráfego e outras melhorias para a caminhabilidade.

  • Manutenção e Operação do Policiamento de Trânsito (Cod. 4656):
    Valores pagos à Polícia Militar do Estado de SP para atuar na fiscalização do trânsito municipal.

  • Manutenção e Operação do Controle e Fiscalização de Tráfego (Cod. 4703)
    Valores para contratação de empresas para prestar serviços de fiscalização automática do trânsito.

Os gráficos mostram que a execução do valor orçado ainda é muito baixo para os itens de segurança viária, sobretudo os dois primeiros, que representam investimentos transformadores, e não apenas gastos de rotina de fiscalização. Mas quando juntamos no mesmo gráfico os valores empenhados desses 4 itens de segurança viária e o valor total empenhado (líquido) com asfalto (Recapeamento de Vias e Operação Tapa Buraco), chegamos a esse resultado assustador:

(desça para ver inteiro)

(desça mais…)

(só mais um pouco…)

(ufa!)

O contraste mostra que a Prefeitura tem dinheiro de sobre para gastar com segurança viária, especialmente com projetos com o potencial de reduzir os riscos de sinistros de trânsito. No entanto, segue preferindo torrar muitos recursos dos contribuintes com recapeamento de asfalto. A previsão para o orçamento de 2026 infelizmente é a mesma – ou seja, a gestão escolhe continuar sendo negligente com as mortes no trânsito.

A resposta da Prefeitura

A Prefeitura, em sua resposta à reportagem, alega que “aplicou somente no ano passado mais de R$ 2,5 bilhões em ações destinadas à segurança viária. São recursos investidos desde a recuperação do asfalto, tapa-buraco, modernização dos semáforos até a implantação de sinalização, dispositivos de proteção, faixas de pedestres e a Faixa Azul, entre outros.”. Esse argumento é falacioso, uma vez que inclui o investimento bilionário em recape e tapa-buraco, além da modernização semafórica e a Faixa Azul ações que, além de não terem contribuído para a redução de sinistros e mortes no trânsito, têm tirado o foco e os recursos municipais das ações realmente eficazes de segurança viária. Explicamos melhor a seguir:

  • Recape e Tapa-Buraco: A priorização absoluta das ações de recape e tapa-buraco na cidade tem sido a principal responsável por drenar os recursos do FUNDURB dos projetos mais eficazes de segurança viária – que incluiriam redesenho das vias com dispositivos de moderação de tráfego, alargamento de calçadas, etc. Vale, ainda, ressaltar que a melhora do asfalto, quando não acompanhada de ações de moderação de tráfego, podem estimular velocidades mais altas, aumentando o principal fator de risco no trânsito.

Por fim, vale ressaltar que a Cidadeapé entrou com um pedido de acesso à informação solicitando uma lista exaustiva, com o racional da conta feita pela prefeitura, que soma 2,5 bilhões para ações de segurança viária, uma vez que não fomos capazes de chegar nesse valor apenas com as informações passadas.

A seguir, leia a íntegra da resposta dada pela Prefeitura à reportagem:

A Prefeitura de São Paulo aplicou somente no ano passado mais de R$ 2,5 bilhões em ações destinadas à segurança viária. São recursos investidos desde a recuperação do asfalto, tapa-buraco, modernização dos semáforos até a implantação de sinalização, dispositivos de proteção, faixas de pedestres e a Faixa Azul, entre outros. As atividades mencionadas pela reportagem, portanto, não representam a totalidade do trabalho realizado pela Prefeitura para que a cidade tenha um trânsito mais seguro para todos (pedestres, ciclistas, motoristas e motociclistas). Nos últimos quatro anos foram mais de R$ 670 milhões aplicados em fiscalização eletrônica. O Plano de Segurança Viária está sendo executado e suas medidas incorporadas à rotina das ações de planejamento da CET como a Faixa Azul, os boxes da Frente Segura, o projeto Áreas Calmas e a Rota Escolar Segura.

Cinco candidaturas da Cidadeapé são eleitas para o CMTT

Todos os associados e associadas da Cidadeapé que concorreram a vagas da sociedade civil Conselho Municipal de Trânsito e Transportes (CMTT) foram eleitos. Nos dias 1º e 2 de dezembro ocorreram as eleições desse espaço tão importante para a discussão sobre políticas públicas de mobilidade urbana da cidade de São Paulo. Gilberto de Carvalho, Mauro Calliari, Mateus Humberto, Meli Malatesta e Rosimeiry Leite representarão a sociedade civil no conselho nos próximos dois anos. Conheça as vagas conquistadas:

Representantes de Eixos Temáticos:
Conselheiros(as) que representam os interesses dos grupos da sociedade civil ligados a cada tema
Mobilidade a Pé: Mauro Calliari (titular)
Organizações da Sociedade Civil: Mateus Humberto (titular)
Idosos: Meli Malatesta (titular) e Gilberto de Carvalho (suplente)

Representantes de Eixos Regionais:
Conselheiros(as) que representam as demandas de cada região da cidade
Regional Sul: Rosemeiry Leite (suplente)

Também foram eleitas outras pessoas da sociedade civil cujo trabalho conhecemos:
Ciclistas: Aline Pellegrini (titular) e Vanessa Baboni (suplente)
Meio Ambiente: João Moreirão (titular)
Movimento estudantil universitário: Leandro Chemalle (suplente)
Movimentos sociais: Clayton Lima (titular)
Organizações da Sociedade Civil: Rodrigo Iacovini (Instituto Pólis) (suplente)
Pessoas com deficiência: Sandra Ramalhoso (titular)
Sindicatos dos trabalhadores: Idernani do Carmo (titular)
Regional Centro: Vanessa Tordino (suplente)
Regional Leste: Lucas Landim (titular)

Agradecemos a todas as pessoas que nos apoiaram votando e divulgando nossas candidaturas, e desejamos um excelente trabalho a todos os representantes eleitos. Como organização que participa ativamente do conselho desde sua fundação, para nós é ainda mais importante vê-lo fortalecido pela participação do público. Em nossas reuniões mensais, seguiremos acompanhando o que foi discutido nas reuniões do CMTT e discutindo estratégias para pautar assuntos de interesse de pedestres e usuários do transporte público.

Cidadeapé elege novo diretor financeiro

Participantes da Assembleia Geral Extraordinária

Na última Assembleia Geral Extraordinária, realizada em 29 de novembro, membros da Cidadeapé aprovaram a indicação de Oliver Cauã para substituir Gisele Barbosa na diretoria financeira até o final deste biênio. Oliver já é conselheiro da organização e vai acumular as duas funções interinamente. Na assembleia também foram discutido alguns itens importantes do estatuto da organização, de forma a deixar mais claras as possibilidades de substituição e sucessão da diretoria.

Agradecemos a quem participou do encontro e saudamos a nova formação da diretoria. Também agradecemos a Gisele pela dedicação ao longo do último ano.

Vote nas candidaturas da Cidadeapé ao Conselho Municipal de Trânsito e Transportes

Nos dias 1º e 2 de dezembro acontecem as eleições do Conselho Municipal de Trânsito e Transportes (CMTT), um espaço essencial para a discussão sobre políticas públicas de mobilidade urbana da cidade de São Paulo. O CMTT conta com representantes do poder públicos, dos operadores de transporte e da sociedade civil, que serão eleitos para um mandato de dois anos. 

A Cidadeapé participa ativamente do conselho desde sua fundação, tentando pautar assuntos de interesse de pedestres e usuários do transporte público. Nós também integramos uma mobilização para incluir a representação da mobilidade a pé e a paridade de gênero no CMTT. Considerando a sua função estratégica, alguns de nossos associados se candidataram para ser representantes da sociedade civil no Conselho, nos temas diretamente conectados com a atuação da Cidadeapé. 

Convidamos você a conhecer as nossas candidaturas e a colaborar na votação, que acontece apenas online (neste link). Você precisa apenas fazer um cadastro rápido no site e pode dar um voto por categoria.

Candidaturas a Eixos Temáticos:
São as vagas de conselheiros(as) que devem representar os interesses dos grupos da sociedade civil ligados a cada tema

Mobilidade a Pé: Mauro Calliari e Rosemeiry Leite
Organizações da Sociedade Civil: Mateus Humberto
Idosos: Gilberto de Carvalho e Meli Malatesta

Candidaturas a Eixos Regionais:
São as vagas de conselheiros(as) que devem representar as demandas de cada região da cidade

Regional Sul: Rosemeiry Leite
Regional Oeste: Gilberto de Carvalho

Além das candidaturas associadas à Cidadeapé, também apoiamos a eleição de outros representantes da sociedade civil cujo trabalho e mobilização conhecemos:

Ciclistas e Regional Sul: Aline Pellegrini
Ciclistas: Vanessa Baboni
Meio Ambiente e saúde: João Moreirão
Movimento estudantil universitário e Regional Sul: Leandro Chemalle
Movimentos sociais: Clayton Lima
Organizações da Sociedade Civil: Rodrigo Iacovini (Instituto Pólis)
Pessoa com deficiência e Regional Leste: Sandra Ramalhoso
Sindicatos dos trabalhadores: Idernani do Carmo
Regional Centro: Vanessa Tordino
Regional Leste: Lucas Landim

Nota conjunta de pesar pelo falecimento de Marcos de Sousa

Marcos de Sousa (Imagem: Mobilize Brasil)

É com grande pesar que recebemos a notícia do falecimento do jornalista Marcos de Sousa. Sua trajetória na comunicação trouxe grandes contribuições para o debate sobre mobilidade urbana e cidades sustentáveis no Brasil. Como editor-chefe do portal Mobilize, Marcos sempre esteve atento à atuação das organizações da sociedade civil dedicadas à temática, mostrando-se disposto a amplificar nossas causas e diversificar as vozes que debatem a mobilidade urbana.

Marcos será lembrado com muito carinho pelas pessoas e organizações que tiveram o prazer de interagir com ele em diferentes frentes de mobilização por cidades mais sustentáveis, justas e acessíveis. Transmitimos nossos sentimentos aos familiares e amigos próximos.

Assinam:
Bike Zona Oeste
Cidadeapé – Associação pela Mobilidade a Pé em São Paulo
Cidade Ativa
Corrida Amiga
Daniel Santini (USP)
Instituto Caminhabilidade
Metrópole 1:1
Observatório da Mobilidade de Salvador
Prodhe Cepeusp
Redes Vidas Ativas
União de Ciclistas do Brasil