Primeira reunião da Associação pela Mobilidade a Pé em São Paulo

A primeira reunião da Associação que se propõe a lutar pela andabilidade em São Paulo aconteceu na segunda-feira, 6/4/15, com a presença de 27 pessoas. Realizada SESC Consolação, contou com um grupo diverso e muito animado com uma causa comum: andar na cidade, com qualidade e sem obstáculos.

O foco do encontro foi a apresentação de cada participante e dos idealizadores da Associação, que expuseram suas expectativas e ambições. Logo ficou claro que precisamos definir com mais precisão a que viemos e o que pretendemos fazer. As primeiras sugestões foram:

  1. Elaborar metas para a melhoria da qualidade da mobilidade a pé em São Paulo
  2. Escolher focos de atuação precisos
  3. Ter diretrizes claras para agir
  4. Garantir uma rede de voluntários para atuar na associação

Entre as ideias de metas que surgiram, podemos destacar:

  • Mobilidade a pé como prioridade absoluta em todo projeto urbanístico
  • 100% dos passeios públicos regulares
  • Taxa zero de acidentes com pedestres
  • Faixas de pedestre em todos os cruzamentos da cidade
  • Tempo urbano estabelecido em função do deslocamento a pé

No mês de abril nosso foco será discutir essas questões com os associados e interessados de modo que possamos chegar a um plano de diretrizes, metas e ações mais elaborado até a nossa próxima reunião, que acontecerá na primeira segunda-feira de maio.

2a Reunião Geral da Associação
Dia: Segunda-feira, 4/5/15
Hora: Das 19h às 21h
Local: A definir

“Associação voltada para pedestres é criada em São Paulo”

Publicado originalmente emPágina da Rachel
Autor: Rachel Schein
Data: 02/04/2015

Há muito tempo São Paulo sofre com a falta de calçadas com qualidade, porém a conquista de ciclovias na cidade acabou gerando uma discussão mais ampla sobre a mobilidade ativa.

Assim acaba de nascer a Associação pela mobilidade a pé em São Paulo, que reúne pessoas que lutam por calçadas acessíveis a todos.

“Somos muitos os que se deslocam a pé na cidade, existem várias ações individuais na cidade, mas não tínhamos uma organização que nos representasse.”  – conta a tradutora Joana Canedo, uma das idealizadoras do projeto: ” Por que os ciclistas conseguiram as ciclovias? Porque se organizaram e participaram das audiências e reuniões referentes a mobilidade urbana. Então criamos essa associação e queremos fortalecê-la com o tempo para termos voz e lutarmos por mais acessiblidade” – completa.

E a luta não é somente por calçadas. Tempo de travessia, mais faixas para pedestres, entre outros estão na pauta da associação: “O tempo de travessia nas faixas de pedestres por exemplo  é calculado pra quem não tem nenhum tipo de mobilidade reduzida. Queremos pensar a cidade pra que QUALQUER PESSOA consiga chegar do ponto A ao B sem obstáculos no caminho” – explica Joana.

A produtora cultural Silvia Albertini, nascida em Milão, mora em São Paulo há 8 anos e sempre se deslocou a pé, por bicicleta ou transporte público. Depois do nascimento de sua primeira filha em 2013, percebendo a dificuldade em circular com o carrinho de bebê, criou a página Calçada Livre no facebook. “Eu acabo pegando o metrô e indo andar na av. Paulista, porque é onde eu consigo passear com minha filha – afirma Silvia.

Para estimular a caminhada e um contato mais próximo com a cidade , também surgiu oSampapé, promove passeios culturais a pé pela cidade.

Calçada nunca teve importância no planejamento urbano

Segundo a arquiteta e urbanista Raquel Rolnik, a cidade não é assim por falta de planejamento. “Ela é assim porque foi governada por uma política urbana que priorizou dois elementos basicamente: a cidade como um lugar para fazer negócios -pra gerar renda, emprego, riqueza – e a ideia do privado como elemento estruturador e não público.” –  conta Raquel na conversa “Cultura e Espaço Público” – promovida pelo Coletivo A Batata precisa de você, no largo da Batata. E conclui:  “O espaco público é basicamente um lugar para ligar pontos privados,  é um lugar para circular mercadorias e pessoas. A rua é um lugar pra carros , a calçada é a mínima possível. Por exemplo: a (av. Luiz Carlos) Berrini tem uma calçada em alguns lugares de 60 cm, ou seja, não tem menor importância a calcada , é um lugar para o carro acessar uma torre, um estacionamento e acontecer tudo dentro de um espaço fechado.”

Por isso a arquiteta ressalta a importância política e na política urbana da cidade de movimentos que estão defendendo a valorização do espaço público.

Cadeirante se desloca pela rua por falta de calçada.

Segundo pesquisa Origem Destino realizada pelo metrô, cerca de 30% da população se desloca exclusivamente a pé. Isso não inclui pessoas que caminham na hora do almoço nem as que estão caminhando para pegar o ônibus, por exemplo.

O fato é alem dos 30%, o resto da população faz alguma parte do caminho a pé, seja até pra pegar o carro no estacionamento. No fim somos todos pedestres.

faixa de travessia em x no centro de São Paulo. Foto: Rachel Schein

Calçadas são de responsabilidade privada

Como as calçadas são de responsabilidade dos proprietários dos terrenos, é mais difícil criar meios para que sejam padronizadas.  Apesar da prefeitura disponibilizar uma cartilhacom instruções e especificações das mesmas, na prática não é o que se vê.

Na cartilha as calçadas foram divididas em 3 faixas: faixa de serviço– destinada a colocação de árvores, postes de sinalização e mobiliário urbano, faixa livre – que deve ter 1,20cm e faixa de acesso – que é de apoio a propriedade. Mas é difícil encontrar uma calçada que seja adequada a esses pré-requisitos.

Screen Shot 2015-04-02 at 9.56.21 AM

Screen Shot 2015-04-02 at 9.57.54 AM

Screen Shot 2015-04-02 at 9.56.30 AM

Nessa nova calçada ( foto abaixo), readequada depois da reurbanização da Faria Lima, além do piso liso, há espaço para postes e árvores, e as mesas do bar da esquina não atrapalham a circulação de pedestres. Mas no entorno próximo,  já voltam a ser estreitas e impossíveis de andar.

Screen Shot 2015-04-02 at 10.00.13 AM

“Um dos pontos que queremos levantar também são as fontes de investimentos para calçadas. Muito deve ser público, da mesma maneira que a prefeitura é responsável pelo leito carroçavel, por que não seria pelo leito ‘andável’?” – justifica Joana, que questiona as contrapartidas das obras viárias da cidade. ” Ao invés de construirmos túneis, poderíamos ter mais investimentos nas calçadas”. – completa.

Mas pensando nas novas diretrizes da cidade que agora prioriza pedestres, ciclistas e transporte público, está mais do que na hora de criarmos esses movimentos e mostramos essa demanda. Quem sabe algum dia conseguimos a cidade ideal.

Imagem do post: Travessia no Centro de SP. Foto: Rachel Schein