7a Reunião Geral da Cidadeapé

A todos os interessados!

A 7a Reunião Geral da Cidadeapé, acontecerá na próxima segunda-feira, 28/09/2015.

PAUTA

  • Balanço da Semana da Mobilidade
  • Próximas atividades do GT Ação
  • Próximas atividades do GT Política a Pé
  • Informes e outros assuntos
7a Reunião Geral da Cidadeapé
Dia: Segunda-feira, 28/09/15
Hora: Das 19h às 21h
Local: Câmara Municipal – Sala Tiradentes
Endereço: Viaduto Jacareí, 100
Como chegar: Metrô Anhangabaú,
Terminal Bandeira

 

 

Imagem do post: Sede da Câmara Municipal de São Paulo no viaduto Jacareí. Foto: Devanir Amâncio

“Mobilidade para além do transporte”

Publicado originalmente em: Cidade Ativa, Mobilize
Data: 18/09/2015

A forma da sua cidade incentiva deslocamentos ativos?   Você já parou para pensar em como você poderia incorporar atividades físicas no seu dia-a-dia? E se a rua fosse sua esteira? E se sua aula de spinning fosse ao ar livre?

Em comemoração à Semana da Mobilidade, convidamos a repensar seus meios de locomoção na cidade e a descobrir o que há por trás de um estilo de vida mais ativo.  A crise da mobilidade urbana nos faz repensar os modais de transporte: avaliamos eficiência, medindo tempos de trajetos, poluição gerada, a infraestrutura necessária, custos de implantação e operação e os impactos na saúde dos usuários.

Hoje, governos fazem grandes investimentos em novas infraestruturas que permitem que populações equivalentes a cidades inteiras percorram longas distâncias, todos os dias.   No entanto, raramente refletimos sobre a forma da cidade, as distâncias a serem percorridas, o desenho das ruas: afinal, que meio de deslocamento é encorajado nas cidades em que vivemos e nas cidades que estamos projetando? Por que não somos incentivados a adotar outros meios de locomoção? Será que a nossa mobilidade nas cidades está somente relacionada à infraestrutura de transporte?

As ruas nasceram muito antes dos automóveis, elas eram “das pessoas”. Após quase 100 anos com todos os olhares voltados para eles, os carros passaram de solução a problema e chegaram ao século 21 com pinta de vilão: a ênfase no transporte individual motorizado nos levou a uma crise de mobilidade urbana que afeta não só os tempos de deslocamento, mas também a saúde física e mental das pessoas, seja pelo estresse, sedentarismo, ou pela poluição gerada pela queima de combustíveis fósseis.

A nossa dependência em relação aos veículos motorizados aumentou exponencialmente a partir das possibilidades urbanísticas que essa nova tecnologia trouxe: as cidades podiam se expandir infinitamente em direção às periferias, para zonas distantes do trabalho, da escola, dos serviços. Ao mesmo tempo, o urbanismo moderno trouxe como paradigma a redução das densidades populacionais e a setorização dos usos da cidade. O resultado? Cidades “espalhadas” em vastos territórios, que consomem zonas ambientalmente sensíveis, segregam populações e funções das cidades, criando zonas-dormitório e centros comerciais inóspitos durante as noites.   Ora, como podemos construir sistemas de transporte público eficientes se as distâncias a serem percorridas são imensas, ou se temos que preencher um enorme território com uma malha coesa, interligada? Como caminhar até o trabalho que está a mais de 20km de distância? Como pedalar para a escola se as vias expressas, que permitem o fluxo rápido de carros e ônibus, inibem a nossa presença?

São Paulo a perder de vista. Foto: André Bonacin

São Paulo a perder de vista. Foto: André Bonacin

Estas perguntas nos levam a rever o conceito : mobilidade é, afinal, muito mais do que sistemas de transporte. Conseguir se locomover com facilidade nos centros urbanos também é questão de planejamento e forma urbana. Para construir cidades mais transitáveis, que são também mais saudáveis, democráticas, eficientes e ambientalmente responsáveis, podemos aderir a algumas estratégias:

+SISTEMAS INTEGRADOS: ruas completas (do termo “complete streets”, em inglês) são aquelas que preveem infraestrutura para transporte público, automóveis, bicicletas e pedestres, priorizando a coexistência dos modais em uma mesma via com segurança. Além disso, a intermodalidade encoraja passageiros a combinarem modais distintos ao longo de um trajeto: permitir bicicletas em ônibus, por exemplo, incentiva trajetos ativos até as paradas; incluir garagens nas estações de trem e metrô podem fazer com que um trajeto 100% realizado por um automóvel possa ser em parte realizado por transporte público.

+FORMA DOS CAMINHOS: o desenho das ruas, a dimensão de calçadas, ciclovias ou faixas de tráfego, também influenciam diretamente na nossa escolha por um modal. Quem se sente confortável caminhando em uma calçada de 1,50m ao longo de uma via expressa, em que as faixas, largas, incentivam o aumento de velocidade por parte dos automóveis? Ou como caminhar por um bairro em que as quadras são muito longas, as faixas de pedestre muito distantes, e os tempos de travessia muito curtos? Redesenhar a geometria das vias existentes a favor da acessibilidade e segurança viária é primordial para garantir que usuários possam optar por diferentes maneiras de se locomover.

+INFRAESTRUTURA COMPLEMENTAR: toda infraestrutura de mobilidade deve vir acompanhada de outros elementos que complementem o papel de cada modal como, por exemplo, bicicletários e vestiários no trabalho, ou ainda pontos de ônibus com informações sobre linhas e horários. As calçadas também podem ser projetadas de maneira a qualificar a experiência do pedestre, incorporando bancos para descansar, sombras para os dias quentes ou chuvosos, e iluminação à noite.

+CIDADES COMPACTAS: De onde viemos e para aonde vamos? Uma cidade compacta tem maior densidade populacional (as pessoas vivem mais próximas umas das outras) e maior mistura dos usos do solo, o que permite que você tenha acesso a diversos equipamentos como escola, supermercados e áreas de lazer em um espaço reduzido. Aproximando destinos, longos deslocamentos podem ser substituídos por trajetos de curta distância no nosso dia-a-dia, incentivando mobilidade ativa. Além disso, investimentos em transporte público são otimizados, já que linhas de ônibus ou metrô podem ser mais curtas, reduzindo custos de implantação, manutenção e operação.

Agora pare e pense no seu deslocamento diário. Aproveite o Dia Mundial Sem Carro e avalie suas escolhas: quais trajetos que você realiza poderiam ser substituídos por outro modal? Teste alternativas – comparando tempos e sensações, quais aspectos te agradaram e quais desafios você encontrou – e compartilhe os resultados!

Imagem do post: Avenida Paulista. Foto: Leticia Sabino

No Dia Mundial Sem Carro o prefeito escolheu ir a pé para o trabalho

Ontem, no Dia Mundial Sem Carro (22/09), o prefeito Fernando Haddad escolheu caminhar 6 km de sua casa até a prefeitura.

A Cidadeapé acredita que esse gesto mostra um interesse do prefeito em relação à mobilidade a pé e à sua importância. E nos leva a crer que sua gestão vai tratá-la como deve ser: o sistema de transporte mais utilizado em São Paulo, que precisa ser priorizado, com mais investimentos, mais infraestrutura e mais atenção, sobretudo em relação à segurança e à dignidade de quem anda nas ruas.

Em outras ocasiões, o prefeito já havia escolhido se locomover pela cidade de ônibus e bicicleta, atitude que contribuiu para seu entendimento desses meios de transporte e para o desenvolvimento de políticas públicas voltadas a eles. A escolha por ir a pé ontem, portanto, alimenta uma esperança de que a partir de sua gestão será dada, de fato, mais prioridade à infraestrutura e à rede de mobilidade a pé em São Paulo.

Foi com esse intuito que entidades ligadas à mobilidade a pé lhe haviam feito há algumas semanas um convite para acompanhá-lo no trajeto de sua casa à Prefeitura e provavelmente foi a partir deste convite que ele teve a iniciativa de escolher o modo a pé.

Agora, confiando no comprometimento do prefeito  Fernando Haddad em relação à mobilidade a pé, é feito um novo convite para que venha caminhar conosco — afinal a cidade deve ser um local de encontros e não apenas de passagem. Gostaríamos de poder mostrar nosso olhar crítico e contribuir para as principais questões relacionadas a andar a pé na cidade.

Imagem do post: Haddad caminha no Dia Mundial Sem Carro 2015. Foto: Fábio Arantes/SECOM

“Caminhando o espaço urbano: os Walking Bus”

Publicado originalmente em: Passos e Espaços: crianças na cidade, Mobilize
Autor: Irene Quintàns
Data: 15/09/2015

Falemos de referências e percepções! “A criança começa a perceber que ela ocupa um lugar no espaço dentro de outros espaços e, dia a dia, vai aumentando o seu conhecimento dos espaços vividos”.(1)
O jeito dela ocupa seu lugar no espaço urbano vai determinar sua percepção da cidade e seu sentir como cidadã. Duas crianças desenharam o trajeto casa-escola: a primeira vai de carro, a segunda caminha.

Irene Quintans_desde o carro
Irene Quintans

A sensação de lugar e a habilidade de se locomover espacialmente são fundamentais para nossa existência. É fundamental vivenciar a cidade a pé desde a infância, para poder elaborar mapas mentais do bairro e da cidade. As lembranças permanecem e a cidade é construída com as sensações e vivências. Na seguinte imagem podemos ver um desenho do trajeto feito a pé de casa até a escola, de uma criança de 13 anos (Escola Estadual Etelvina de Goes, oficinas para o Caminho Escolar de Paraisópolis, SEHAB 2012) e outro da lembrança de criança de uma professora (Escola Estadual Rodrigues Alves, oficinas para o projeto Passagens Jardim Ângela, IVM 2015). Diferentes bairros, diferentes idades, referências espaciais que permanecem.

Irene Quintans_Caminho escolar SEHAB e IVM

Os ganhadores do Prêmio Nobel de Medicina 2014, o cientista John O’Keefe e o casal May-Britt e Edvard I. Moser, mostraram como o cérebro se referencia espacialmente, com pontos de referência. Os neurônios chamados de “células de grade” guardam pontos que representam o ambiente em uma malha hexagonal, permitindo a navegação espacial.
As crianças explicam com outras palavras esta malha urbana, os lugares que ficam seus: “As ruas chegam a todos os lugares da cidade, assim as pessoas podem decidir aonde ir. Pessoas saem, depois eles entram em outra parte e depois eles entram novamente em outro lugar”. Criança italiana (2)
Caminhar a cidade, usar “as ruas que chegam a todos os lugares” a faz mais segura: o uso ativo do espaço público aumenta a interação social, segurança e cultura de paz.

Irene Quintans_Pedibus

Os projetos integrais de caminho escolar são iniciativas que são desenvolvidas em países de todo o mundo, como EUA, Canadá, Austrália, países da Europa e parcialmente em algumas cidades de América Latina, porém ainda não foram plenamente implantados no Brasil. Eles são dirigidos para que as crianças possam se mover com segurança e autonomia pelas ruas e recuperem seu uso, desfrutando do espaço público através da mobilidade urbana ativa (a pé ou de bicicleta).
Dedicaremos outros post para aprofundar nos caminhos escolares, neste vamos olhar para uma ação que forma parte deles, para possibilitar que crianças pequenas possam caminhar de casa até sua escola.

Irene Quintans_Pedibus Bogota 2011Os programas “Walking Bus” são adultos acompanhando turmas de crianças (dois adultos para cada 20-25 crianças), caminhando por uma rota pré-estabelecida. Os pontos de parada ficam perto da casa das crianças participantes, que “pegam carona” caminhando até o ponto final, a escola. Este tipo de programas são muito bem sucedidos, envolvendo neles a escola, família dos escolares e vizinhos e comerciários das rotas. Como exemplos de sucesso próximos à realidade de São Paulo temos os “Walking Bus ou Pedibus” da Colômbia. Realizei uma visita técnica em junho de 2015 para conhecer de perto o projeto desenvolvido pela Fundación Nueva Ciudad em parceria com as prefeituras de Bogotá (2011) e Barranquilla (2014-15). Com muita amabilidade explicaram o projeto e realizamos visitas em campo.

Durante o ano 2010, em parceria com a Secretaria de Mobilidade de Bogotá Distrito Capital, a Fundación Nueva Ciudad assina o acordo para implantar o projeto denominado Pedibus em áreas sensíveis urbanas da cidade de Bogotá, envolvendo a 40 de suas Instituições Educativas, nos distritos de Suba e Cidade Bolívar, com o propósito de mitigar os índices altos e consequências da acidentalidade nos entornos das escolas e ao longo das rotas casa-escola, como também outras “interferências perigosas” por meio do trabalho articulado com as famílias, comerciantes legais e cidadania que habita os bairros próximos.

Pedibus Bogota_Fund Nueva Ciudad
Pedibus_Fund Nueva Ciudad

No ano 2014 começa outro projeto da Fundación na cidade de Barranquilla (Colômbia), com 22 centros escolares com alunos de idades entre seis e dez anos, nos distritos Norte Centro Histórico, Metropolitana, Sur Occidente e Sur Oriente. Estes centros escolares estão próximos ao novo eixo do BRT (Bus Rapid Transit) -ver foto superior, estação de BRT e faixa exclusiva na esquerda da foto-, pelo que o acompanhamento dos escolares nas suas rotas à escola é muito importante para sua segurança viária, além de ser uma estratégia integral com formação pedagógica em educação, segurança, coexistência e cultura cívica.

Irene Quintans_Barranquilla 2

Toda a comunidade escolar e as famílias estão envolvidas: os alunos de Ensino Médio usam suas horas obrigatórias para o Serviço Social para participar nos Pedibus. Eles aprendem sobre o projeto e são capacitados para ser parte ativa da sociedade, sendo auxiliares dos percursos das rotas do Pedibus.

Irene Quintans_Barranquilla 1

Pedibus Barraquilla_Fund Nueva CiudadNo total, no ano 2014 foram beneficiados pelo programa 713 alunos, 131 pais e mães participaram ativamente e 10.7km de vias públicas se tornaram mais seguras para todos.
Complementando os Pedibus, um trabalho intenso foi desenvolvido com a comunidade nos espaços limítrofes ao eixo do BRT: vinte conselhos de ação comunitária e oitenta e dois grafiteiros e cinco artistas plásticos participando das ações de urbanização e melhoramento da cidade. Passos e espaços!

Irene Quintans_Barranquilla 3

Sarando a cidade e cuidando a saúde dos pequenos: estudos neurocientíficos recentes mostram a relação entre a atividade física infantil moderada (caminhar ou pedalar) e o desenvolvimento cognitivo, melhorando o desenvolvimento integral da criança:
— Um estudo dinamarquês(3) realizado com 20.000 escolares (5-19 anos de idade) mostrou que caminhar ou pedalar aumenta a concentração das crianças até o fim do período de aulas, na execução de tarefas complexas, comparado com as que vão à escola em veiculo motorizado.
— Muito importantes são os dados que mostram que existem alternativas ou, no mínimo, complementos não medicamentosos para o tratamento de doenças como o Distúrbio de Déficit de Atenção (TDHA). Um estudo(4) realizado pelo Departamento de Kinesiologia de Michigan mostrou que com um programa de exercício físico durante doze semanas as crianças envolvidas melhoravam nas provas de matemática e leitura. Isso aconteceu em todos as crianças do estudo, mas especialmente naqueles com sinais de TDHA.

Desde os anos 90, nos EUA e na Grã Bretanha o dia 7 de outubro é o Dia Nacional do Caminhar à escola (Walk to School Day). Porque, sem dúvida, caminhar pela cidade faz bem. Caminhar com os amigos ainda é melhor. Nada como ter olhares cuidando de nós: nas casas, nas ruas, nas lojas.

Red OCARA_Pracinha Oscar Freire

“Os habitantes estendem fios entre as arestas das casas: teias de aranha intrincadas à procura de uma forma para estabelecer as ligações que orientam a vida da cidade” CALVINO, Italo. As Cidades Invisíveis

 

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Créditos

Cita bibliográfica 1: OLIVEIRA, Claudia. O ambiente urbano e a criança. Ed. Aleph, São Paulo. (2004)
Cita bibliográfica 2: TONUCCI, Francesco. Cuando los niños dicen basta! Ed. Losada. Buenos Aires (2010)
Foto montagem 1:
_____Foto 1.1 http://kennesawattorney.net/wp-content/uploads/2014/08/child-locked-in-car.jpg
_____Foto 1.2: HART, Roger. Children’s experiences of places. John Wiley & Sons Inc (1979) (1979)
Foto montagem 2:
_____Foto 2.1: autoria de Irene Quintáns
_____Foto 2.2: HART, Roger. Children’s experiences of places. John Wiley & Sons Inc (1979) (1979)
Foto montagem 3:
_____Foto 3.1: Desenho de aluno da Escola Estadual Etelvina de Goes, oficinas para o Caminho Escolar de Paraisópolis, SEHAB 2012
_____Foto 3.2: Desenho de professora da Escola Estadual Rodrigues Alves, oficinas para o projeto Passagens Jardim Ângela, IVM 2015
Foto montagem 4:
_____Foto 4.1: autor desconhecido
_____Foto 4.2: Devon School Crossing Patrol. Image
_____Foto 4.3: Caminhos Escolares em Zaragoza
Foto 5: autoria de Danilsa Cortés
Foto montagens 6 e 7: imagens do Pedibus da Fundación Nueva Ciudad (Colômbia)
Foto montagens 8 e 9: Visita técnica da Red OCARA a Barranquilla. Autoria de Irene Quintáns
Foto 10: imagem do Pedibus da Fundación Nueva Ciudad (Colômbia)
Foto montagem 11: Visita técnica da Red OCARA a Barranquilla. Autoria de Irene Quintáns
Cita bibliográfica 3: Danish Science Week. Centre for Strategic Education Research at Aarhus University “The Mass experimente”.
Cita bibliográfica 4: HOZA, Betsy et al. “A Randomized Trial Examining the Effects of Aerobic Physical Activity on Attention-Deficit/Hyperactivity Disorder Symptoms in Young Children” (2014).
Foto 12: Oficina da Red OCARA na Pracinha Oscar Freire (São Paulo)

 

Imagem do post: Pedibus da Fundación Nueva Ciudad (Colômbia)

“Cruzei o rio Pinheiros com um carrinho de bebê – e foi bom”

Publicado originalmente em: Outra Cidade
Autor: André Tassinari
Data: 18/09/2015

O quê?  As pontes de São Paulo são muito usadas por carros e pouquíssimo por pessoas. As calçadas são estreitas, quando existem.  A área de pedestres é mal iluminada. Os rios fedem. Poucas pessoas passam pelas pontes por prazer – quase todas, por necessidade. É um cenário diferente de outras cidades. Em Nova York, Londres, até em cidades do interior da Argentina, algumas pontes são passeios turísticos obrigatórios. Tudo isso não impediu o engenheiro e jornalista André Tassinari de pegar seu filho, colocá-lo no carrinho de bebê e atravessar uma dessas pontes paulistanas. No texto abaixo, André relata como foi a preparação para cruzar a ponte, explica a relação entre seu filho e a Amélie Poulain e levanta uma série de dados que precisam mudar (é mais fácil morrer atropelado do que ser assassinado durante um assalto em São Paulo). O texto mostra que a mudança da cidade passa, e muito, pelos lugares abandonados.

Os selfies (não tão selfies) do meu filho 

Quem já teve que fazer um bebê dormir sabe que um dos métodos infalíveis é dar uma volta de carrinho. Mas pra ser infalível a volta nem sempre é curta. Primeiro porque o bebê pode demorar pra dormir. Segundo porque, pra garantir que ele não acorde logo, o ideal é não parar de andar (ou então eu que acostumei mal o meu filho). Noves fora, uma saída para um cochilo matinal pode durar de uma a duas horas. Estimando uma média de velocidade de 3 km/h, pode-se percorrer mais de 5 km por passeio.

Quando meu filho tinha 2 meses e acordava todo dia às 5h45, eu pensei: em vez de dar 18 voltas na pracinha, por que não aproveito para explorar a cidade e passar por lugares que nunca passei, ou ver pontos famosos de São Paulo por um outro ângulo? Na época eu morava em Santa Cecília, uma ótima base para essas aventuras (ou loucuras na opinião de alguns parentes próximos).

Por que aventuras? Bem, as calçadas de São Paulo não são exatamente um tapete, como já documentado aqui no Outra Cidade. É só o seu bebê pegar no sono que aparece uma mega cratera no meio da calçada. O que fazer? Atravessar a rua? Se já é perigoso ser pedestre na cidade, como mostra esse outro post, imagine ser um pedestre acoplado a um veículo que insiste em enganchar as rodas em cada imperfeição do terreno?

Mas os riscos valem a pena. Entre trancos e buracos, como se fosse o gnomo de Amélie Poulain, o carrinho de bebê do meu filho tirou selfie com o MASP, o Theatro Municipal, a Paulista, o Minhocão – e para o desespero da avó, até no cemitério da Consolação!

MASP

Captura de tela 2015-08-27 11.53.48

Paulista

Minhocão. Por baixo, cuidado!

Aqui carro não entra (cemitério da Consolação)

Ou seja, apesar dos obstáculos dá para fazer muita coisa com uma ideia na cabeça e um carrinho de bebê na mão. Mas é claro que poderia ser muito melhor. Os motoristas de carrinho de bebê precisam se mobilizar assim como os ciclistas e cadeirantes já fazem e os pedestres estão começando a fazer.

Afinal, se de acordo com o IBGE existem 700 mil crianças até 4 anos em São Paulo, deve haver pelo menos uns 200 mil carrinhos tropeçando por aí.

Isso é quatro vezes mais que o número de cadeirantes potencialmente beneficiados pela liberação do uso das ciclovias pelo prefeito Haddad. Claro que assim como a questão da mobilidade urbana não deve ser pensada em carro x bicicleta, também não deve ser cadeira de rodas versus carrinho de bebê. Até porque se é bom para um, é bom para outro. Mas ao contrário das cadeiras de rodas – e dos patins, skates, triciclos e patinetes – os carrinhos não são autorizados a usar as ciclovias (o número de ciclistas frequentes em SP não é muito diferente do número de carrinhos, algo entre 200 e 300 mil). Tem gente que até se arrisca, mas mesmo que fosse autorizado não seria prudente. Lugar de carrinho é na calçada.

Às vésperas do primeiro aniversário do meu filho, nossa família se mudou para Nova York. Meu primeiro passeio de carrinho com ele foi na manhã do aniversário. Parecia que as calçadas nova-iorquinas lhe estavam desejando happy birthday. Largas, lisas, planas. Mais um sonho de consumo brasileiro realizado em solo americano.

O trajeto até o Central Park era tão tranquilo que dava para empurrar o carrinho com uma mão e segurar o café com a outra. E no período em que estávamos lá ficou ainda mais seguro, com a redução da velocidade máxima dos carros para 25 mph (40 km/h). Essa medida faz parte do programa Vision Zero do prefeito Bill de Blasio, que tem como meta zerar o número de mortes no trânsito na cidade. Apesar de recente, o esforço já surtiu efeito: em 2014 houve o menor número de mortes de pedestres em um ano desde que há registro – 132. Em 2013, houve 182, o maior número da década. Em São Paulo, 555 pedestres foram mortos em 2014, contra 514 em 2013.

Para ter uma ideia do que isso representa: 150 pessoas morreram em assaltos em São Paulo em 2014. Ou seja, a chance é bem maior de morrer atropelado do que ao ser roubado.

Testando as calçadas nova-iorquinas

Mas nem tudo é perfeito para os “strollers” em Nova York. Andar de metrô é complicado. Só 20% das estações têm elevador. Então se o motorista de carrinho estiver sozinho vai depender de uma pessoa gente fina pra ajudar a carregar o peso escada abaixo (ou pior, acima). Em São Paulo, todas as estações do metrô são acessíveis a pessoas com deficiência, e consequentemente a carrinhos. Claro, em Nova York existem sete vezes mais estações do que em São Paulo. Mas é muito bom saber que, se tiver metrô, tem elevador.

Nosso metrô é bom pra carrinho!

Melhor ainda seria saber que se tem calçada, tem passagem para um carrinho. Pelo menos dos pequenos, que medem cerca de 50 cm. Nossa volta a São Paulo esse ano foi um choque de realidade calçadiana. Não dá pra chegar na pracinha a duas quadras de casa sem ter que desviar perigosamente com o carrinho por uma rua movimentada devido a árvores e postes que ocupam quase toda a pequena largura da calçada.

Não é fácil chegar na pracinha

A largura mínima das calçadas deveria ser de 1,20 m de acordo com a prefeitura, mas se isso é respeitado são outros quinhentos. Essa é a mesma largura exigida no projeto de lei de autoria da deputada federal e ativista pelos direitos das pessoas com deficiência Mara Gabrilli. Esse projeto prevê que os municípios terão que prever no seu plano diretor o uso de calçadas por deficientes e idosos. Além do tamanho adequado, as calçadas seriam uniformes, teriam piso antiderrapante e rampa até o nível da rua (os carrinhos até conseguem subir sem a rampa, mas tem muitos lugares em que nem os menores carrinhos conseguem passar).

E se as ciclovias têm sido criadas em ritmo rápido pelo prefeito Haddad, as metas de implantação de calçadas acessíveis não atingiram 30% do prometido.

Mas não é só um problema de metas, mas de responsabilidades. Talvez o ideal seria adotar o modelo de Los Angeles em que a responsabilidade pela manutenção das calçadas é da prefeitura, e não dos proprietários de imóveis. Até porque nem sempre o problema é de manutenção, mas de implantação e uniformização. Mesmo que um proprietário mantenha bem sua calçada, se a prefeitura colocou um poste lá no meio deixando meio metro livre, isso não é culpa do morador. E se a transição entre uma calçada e outra não é bem feita, isso prejudica bebês, cadeirantes e pedestres. O gerenciamento das calçadas pela prefeitura facilitaria a padronização das calçadas e harmonização das transições, nem que os proprietários pagassem uma taxa referente a isso no IPTU.

O fato de São Paulo ser uma cidade com relevo bastante acidentado não ajuda. Comparar a experiência de pilotar um carrinho aqui com cidades como Nova York ou Brasília é covardia. Mas pior do que as subidas e descidas é a proliferação de superfícies intransponíveis como depressões transversais e degraus consecutivos. E dá-lhe levantar o carrinho no muque. O que mais dói num passeio longo não são as pernas, mas os pulsos que sofrem o impacto das manobras off-road exigidas. Afinal, são quase 20 kg entre carrinho e tripulante.

Mesmo com todos estes desafios (ou seria por causa deles?), num domingo recente decidi fazer mais uma expedição exploratória com meu filho e seu veículo não-poluente. Objetivo: cruzar o rio Pinheiros por uma de suas pontes, coisa que eu nunca tinha feito nem a pé. Origem: Vila Beatriz, bucólico bairro de calçadas de três palmos vizinho à Vila Madalena. Destino: festa de criança nas imediações do Jockey Clube.

Ampla calçada da Vila Beatriz

Ampla calçada da Vila Beatriz

Era um ensolarado dia de inverno paulistano. Tínhamos três opções de ponte para atravessar o rio: Cidade Jardim, Eusébio Matoso ou Cidade Universitária. Imaginei que a última, pelo fato de muita gente que vai pra USP descer na estação da CPTM que fica do lado oposto do rio, seria mais amigável para pedestres. Eu estava certo, havia muita gente cruzando essa ponte a pé ou de bike.

Na verdade o grande problema do trajeto não foi a ponte, mas chegar até ela. Trafegando pelas ruelas e avenidas de Alto de Pinheiros, acho que se não fosse domingo o passeio não teria sido possível. Cerca de um terço do tempo nós estávamos no meio da rua, graças a algum problema com a calçada. Por ser domingo, havia poucos carros nas ruas menos movimentadas.

Se não tem calçada, vai pela rua...

Cruzar a ponte a pé (mais quatro rodas) foi uma sensação marcante. Ver aquele rio, figura tão presente em minha vida, por um ângulo tão diferente me fez sentir tristeza por ele ainda ser tão feio, mas também muita esperança de que ele ainda tenha jeito. A ciclovia que já existe em sua margem é um sinal disso. Meu filho infelizmente não pôde desfrutar desse momento, já que estava dormindo – assim como na maior parte das nossas aventuras pela cidade. Mas quando ele crescer vai poder ver no Instagram do pai os lugares tão especiais da cidade onde ele já esteve.

Minhocão no domingo. Raro momento de tranquilidade para os motoristas de carrinho.

 

Imagem do post: Placa de pedestres no centro de São Paulo. Tão alta que o pedestre só sabe da homenagem se olhar bem para o céu. Foto: Leandro Beguoci

No Dia Mundial Sem Carro propomos o “Desafio da Travessia”

Para chamar a atenção para a dificuldade de atravessar nas faixas de pedestres, a Cidadeapé promove um desafio para ver como diversos tipos de pessoas encaram esse deslocamento

Atravessar uma faixa de pedestre deveria ser uma ação prosaica no contexto de quem caminha pela cidade. Na faixa, as pessoas têm prioridade nas travessias, de acordo com o art. 70 do CTB.

No entanto, diversos fatores acabam fazendo com que a travessia seja um momento de estresse, desconforto e insegurança. Quando não há sinalização semafórica para pedestres, muitos motoristas simplesmente não param para as pessoas atravessarem. Quando ela existe, o pedestre fica refém dos tempos semafóricos determinados pela CET, que em geral priorizam a fluidez dos veículos, e não das pessoas. Assim, o tempo de espera para poder atravessar costuma ser muito longo, enquanto o tempo de travessia é muito curto.

Os tempos semafóricos deveriam permitir que todas as pessoas atravessem a rua com segurança e tranquilidade. Assim, no Dia Mundial Sem Carro, a Cidadeapé propõe um desafio: avaliar como diversos tipos de pessoas, em situações corriqueiras do dia a dia, conseguem completar um dos cruzamentos mais movimentados do centro histórico: o Viaduto do Chá com a Rua Líbero Badaró.

A proposta é cronometrar e registrar em vídeo a travessia de 11 voluntários em condições diferentes de mobilidade. Foram convocados: criança, idoso, cadeirante, deficiente auditivo, deficiente visual, jovem, adulto com carrinho de bebê, pessoa com bengala ou andador, pessoa com imobilização temporária, mulher com salto alto e pessoa carregando bagagem.

A iniciativa da Cidadeapé é o início de uma série de mobilizações pela readequação dos tempos semafóricos de travessias de pedestres pela cidade. Os resultados serão apresentados à Secretaria Municipal de Transportes. O evento integra a programação especial da Semana da Mobilidade 2015.

Desafio da Travessia

Dia: Terça-feira, 22/09/2015
Hora: 13h00
Local: Viaduto do Chá x Rua Líbero Badaró

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Ver aqui a nota para a imprensa

Imagem do post: Cruzamento Xavier de Toledo X Viaduto do Chá. Foto: Cesar Ogata

“A cidade como ateliê”

Comentário da Cidadeapé: A artista plástica Laura Lydia, idealizadora do projeto Ervas SP, oferece à Cidadeapé um depoimento sobre a sua visão da cidade e do que o espaço urbano tem a nos oferecer.

Setembro de 2015, por Laura Lydia

O que é ser um integrante do espaço urbano e fazer parte do mecanismo centrado na produtividade? A cidade é um ambiente transformado pelo homem, para adequar o espaço às suas necessidades de produção, sociabilidade etc. As grandes cidades, no entanto, na sua maioria dominada pelo concreto – que impermeabiliza o solo, dando abrigo aos veículos motorizados – acabam por sufocar e reprimir o direito de ser e estar, de ir e vir, próprios da natureza humana. Sufoca também a flora e a fauna, que antes da construção da cidade, habitava esse espaço que originalmente era delas.

Foto: Laura Lydia

Foto: Laura Lydia

Apesar desse sufocamento causado pelos ruídos ensurdecedores dos motores e máquinas, pelo domínio dos veículos motorizados nas vias públicas, pela falta de espaços próprios para os encontros, a cidade ainda assim é abrigo e estímulo para muitas manifestações de vida e expressão sensível.

Em The Everyday (Documents of Contemporary Art), Stephen Johnstone reflete sobre o cotidiano na arte, ressaltando a necessidade de devolver dignidade às trivialidades do dia a dia. Dando visibilidade aos aspectos esquecidos da vida diária, aproxima a arte e o cotidiano, a fim de despertar um olhar crítico sobre nossa condição de vida.

Foto: Laura Lydia

Foto: Laura Lydia

A cidade é de todos, e são as pessoas que podem mudá-la. Para isso, é preciso primeiramente ser um cidadão critico. Ter o olhar atento e consciente de que aquele espaço lhe pertence e que cada um tem um papel fundamental e insubstituível em seu ambiente. Assim como na flora e na fauna, cada espécie cumpre uma função biológica que contribui para o equilíbrio do ecossistema, no ambiente antropizado poderia ocorrer o mesmo. É preciso reencontrar esse equilíbrio entre cidade e natureza, a partir dos encontros, dos intercâmbios sociais, das ações artísticas, enfim, da presença ativa no espaço urbano.

David Harvey diz que se estamos descontentes com o rumo de nossas vidas, devemos nos mobilizar pela construção de uma cidade melhor. Para ele, “a questão do tipo de cidade que desejamos é inseparável da questão do tipo de pessoas que desejamos nos tornar”.

Foto: Victor Barão

Foto: Vitor Barão

Grande parte de minha produção artística desenvolvida a partir de 2009 é fruto do desejo de um novo tipo de cidade, de uma transformação de nossa relação com o espaço e a vida. Instigada a entender a metrópole em sua complexidade, percebi que para isso, precisava me assumir como integrante dela. A cidade se tornou meu ateliê. Caminhando pelas ruas e calçadas tudo me chama a atenção, desde as fissuras e deformações do cimento, até os encontros sociais e a relação das pessoas com o ambiente ao redor.

Grande parte da minha produção artística, então, é fruto de um olhar atento às sutilezas da vida no espaço urbano, de um olhar crítico e ávido por uma cidade menos hostil e árida, que se torne pública de fato, possibilitadora dos encontros, da contemplação, da poesia e do olhar ativo.

Foro: Vitor Barão

Foto: Vitor Barão

Imagem do post: Laura Lydia.

“Paulistanos cobram melhorias na mobilidade a pé”

Publicado originalmente em: Bike é Legal
Vídeorreportagem: Renata Falzoni
Data: 08/09/2015

Comentário da Cidadeapé: Acompanhamos o pessoal do SampaPé na caminhada com o secretário de Transportes Jilmar Tatto em seu trajeto de casa à Secretaria numa sexta-feira de trabalho. No caminho, tivemos a oportunidade de conversar com ele sobre as dificuldades enfrentadas no dia a dia de quem caminha. Mas também dos prazeres da caminhada, ao ar livre, vendo a cidade e suas pessoas. E trocando percepções, de como é ver a cidade com o olhar do gestor e com o olhar de quem vive as ruas com seus pés, diariamente.

Integrantes do Movimento SampaPé realizaram uma caminhada com o Secretário de Transportes Jilmar Tatto para cobrar mais políticas públicas voltadas para mobilidade a pé.

 

Imagem do post: Caminhada com Jilmar Tatto. Imagem: Renata Falzoni/Bike é Legal

“Prefeitura vai criar faixa verde exclusiva para pedestres na Liberdade”

Publicado originalmente em: G1 São Paulo
Data: 04/09/2015

Comentário da Cidadeapé: Estamos animados com a implementação de faixas para pedestres na avenida Liberdade. Trata-se de uma região com uma circulação enorme de pessoas, sobretudo nos horários de pico, e com calçadas que não são largas o suficiente para comportar esse fluxo. Nada mais justo do que redistribuir o espaço para o trânsito das pessoas. Vamos observar como a faixa será implementada e propor melhorias caso seja necessário. Acreditamos que o respeito de todos à sinalização e aos limites de velocidade é essencial para o sucesso de projeto. Mas já sentimos o alívio de ter mais espaço para circular!

A Prefeitura vai pintar uma faixa verde, exclusiva para pedestres, na Avenida Liberdade, centro de São Paulo. A medida, que não tem data para entrar em vigor, visa criar uma extensão da calçada e proteger quem anda a pé pela região. A informação foi obtida com exclusividade pelo Bom Dia São Paulo.

A faixa, um projeto piloto, terá 1,5 metro de largura e será paralela à ciclofaixa já instalada do lado oposto. O projeto é que ela tenha 750 metros, entre as estações São Joaquim e Liberdade. No trecho, onde existem faculdades, há grande circulação de pessoas, que hoje acabam invadindo a rua para poder passar, principalmente à noite.

A faixa dos pedestres fará limite com a faixa exclusiva de ônibus e haverá um sinalizador para separar cada uma das vias, ainda segundo o Bom Dia São Paulo.

Ouça também: Entrevista do superintendente de planejamento e projetos da CET, Ronaldo Tonobom, à rádio CBN. É importante notar que, contrariamente ao que a jornalista sugere, não há faixa exclusiva nem corredor para ônibus nessa avenida. Há trânsito de ônibus, e as pessoas que circulam pelo local sempre tiveram que prestar atenção nisso.

Rádio CBNFaixa exclusiva para pedestres na Avenida Liberdade deve ser implantada até a próxima semana

Imagem do post: Faixa verde para pedestre na avenida Liberdade. Imagem: G1 São Paulo