O tema da 12ª Reunião ordinária do Conselho Municipal de Transporte e Trânsito nos interessa particularmente. Trata-se de uma “Apresentação de estudo e proposta sobre calçadas no PlanMob”, desenvolvido pelo Grupo de Trabalho (GT) de Calçadas e Pedestres.
Convidamos todos a participar.
12ª Reunião ordinária do Conselho Municipal de Transporte e Trânsito
Dia: Quinta-feira, 16/4/15 Hora: Das 8h30 às 11h00 Local: Conselho Regional de Contabilidade – CRC Endereço: Rua Rosa e Silva, 60, Santa Cecília Como chegar: Marechal Deodoro
Imagem do post: Av. São Luiz. Foto: Pedro Martinelli
Há muito tempo São Paulo sofre com a falta de calçadas com qualidade, porém a conquista de ciclovias na cidade acabou gerando uma discussão mais ampla sobre a mobilidade ativa.
“Somos muitos os que se deslocam a pé na cidade, existem várias ações individuais na cidade, mas não tínhamos uma organização que nos representasse.” – conta a tradutora Joana Canedo, uma das idealizadoras do projeto: ” Por que os ciclistas conseguiram as ciclovias? Porque se organizaram e participaram das audiências e reuniões referentes a mobilidade urbana. Então criamos essa associação e queremos fortalecê-la com o tempo para termos voz e lutarmos por mais acessibilidade” – completa.
E a luta não é somente por calçadas. Tempo de travessia, mais faixas para pedestres, entre outros estão na pauta da associação: “O tempo de travessia nas faixas de pedestres por exemplo é calculado pra quem não tem nenhum tipo de mobilidade reduzida. Queremos pensar a cidade pra que QUALQUER PESSOA consiga chegar do ponto A ao B sem obstáculos no caminho” – explica Joana.
A produtora cultural Silvia Albertini, nascida em Milão, mora em São Paulo há 8 anos e sempre se deslocou a pé, por bicicleta ou transporte público. Depois do nascimento de sua primeira filha em 2013, percebendo a dificuldade em circular com o carrinho de bebê, criou a página Calçada Livre no facebook. “Eu acabo pegando o metrô e indo andar na av. Paulista, porque é onde eu consigo passear com minha filha – afirma Silvia.
Para estimular a caminhada e um contato mais próximo com a cidade , também surgiu o Sampapé, promove passeios culturais a pé pela cidade.
Calçada nunca teve importância no planejamento urbano
Segundo a arquiteta e urbanista Raquel Rolnik, a cidade não é assim por falta de planejamento. “Ela é assim porque foi governada por uma política urbana que priorizou dois elementos basicamente: a cidade como um lugar para fazer negócios -pra gerar renda, emprego, riqueza – e a ideia do privado como elemento estruturador e não público.” – conta Raquel na conversa “Cultura e Espaço Público” – promovida pelo Coletivo A Batata precisa de você, no largo da Batata. E conclui: “O espaço público é basicamente um lugar para ligar pontos privados, é um lugar para circular mercadorias e pessoas. A rua é um lugar pra carros , a calçada é a mínima possível. Por exemplo: a (av. Luiz Carlos) Berrini tem uma calçada em alguns lugares de 60 cm, ou seja, não tem menor importância a calçada , é um lugar para o carro acessar uma torre, um estacionamento e acontecer tudo dentro de um espaço fechado.”
Por isso a arquiteta ressalta a importância política e na política urbana da cidade de movimentos que estão defendendo a valorização do espaço público.
Segundo pesquisa Origem Destino realizada pelo metrô, cerca de 30% da população se desloca exclusivamente a pé. Isso não inclui pessoas que caminham na hora do almoço nem as que estão caminhando para pegar o ônibus, por exemplo.
O fato é além dos 30%, o resto da população faz alguma parte do caminho a pé, seja até pra pegar o carro no estacionamento. No fim somos todos pedestres.
Calçadas são de responsabilidade privada
Como as calçadas são de responsabilidade dos proprietários dos terrenos, é mais difícil criar meios para que sejam padronizadas. Apesar da prefeitura disponibilizar uma cartilha com instruções e especificações das mesmas, na prática não é o que se vê.
Na cartilha as calçadas foram divididas em 3 faixas: faixa de serviço– destinada a colocação de árvores, postes de sinalização e mobiliário urbano, faixa livre – que deve ter 1,20cm e faixa de acesso – que é de apoio a propriedade. Mas é difícil encontrar uma calçada que seja adequada a esses pré-requisitos.
Nessa nova calçada ( foto abaixo), readequada depois da reurbanização da Faria Lima, além do piso liso, há espaço para postes e árvores, e as mesas do bar da esquina não atrapalham a circulação de pedestres. Mas no entorno próximo, já voltam a ser estreitas e impossíveis de andar.
“Um dos pontos que queremos levantar também são as fontes de investimentos para calçadas. Muito deve ser público, da mesma maneira que a prefeitura é responsável pelo leito carroçável, por que não seria pelo leito ‘andável’?” – justifica Joana, que questiona as contrapartidas das obras viárias da cidade. ” Ao invés de construirmos túneis, poderíamos ter mais investimentos nas calçadas”. – completa.
Mas pensando nas novas diretrizes da cidade que agora prioriza pedestres, ciclistas e transporte público, está mais do que na hora de criarmos esses movimentos e mostramos essa demanda. Quem sabe algum dia conseguimos a cidade ideal.
Imagem do post: Travessia no Centro de SP. Foto: Rachel Schein
Todos estão convidados a participar da primeira reunião pública da Associação pela Mobilidade a Pé em São Paulo.
Vamos antes de mais nada nos conhecer. Quem são os caminhantes de São Paulo?
Vamos apresentar o grupo que pensou na associação.
Vamos definir diretrizes para o trabalho da associação.
Vamos pensar em ações práticas para melhorar a Mobilidade a Pé em São Paulo.
Primeira Reunião Mensal da Associação pela Mobilidade a Pé em São Paulo
Dia: Segunda-feira, 6/4/15 Hora: Das 19h às 21h Local: Serviço Social do Comércio (SESC) Consolação Endereço: R. Dr. Vila Nova, 245 Como chegar: Corredor de Ônibus Consolação-Rebouças-Campo Limpo ou metrô República
Apesar de ser o modo de deslocamento mais utilizado pelos paulistanos, o modo a pé é pouquíssimo discutido ou considerado nas políticas públicas da cidade. Chegou a hora dos pedestres ganharem uma voz e lutarem por seus direitos de mobilidade
O último mês está sendo marcado pelas discussões do Plano de Mobilidade para a cidade de São Paulo. Discussões importantes para criarem-se diretrizes sobre como melhorar nossa circulação pelo espaço urbano para os próximos 15 anos.
O modo a pé é o mais utilizado pelos paulistanos. Cerca de 30% das viagens realizadas em São Paulo são feitas exclusivamente a pé. Ou seja, esse número não inclui o trajeto até o ponto de ônibus ou a estação de trem, nem as caminhadas na hora do almoço, por exemplo. Apenas deslocamentos com mais de 500 m ou considerados “da origem ao destino”, de casa para o trabalho ou escola. (Fonte: Pesquisa Origem e Destino (OD) do Metrô – 2012).
Ainda assim, o modo a pé sempre foi pouquíssimo considerado nas políticas públicas voltadas para a mobilidade urbana — vide os estado catastrófico das calçadas da cidade e a dificuldade para se atravessar uma rua. Por isso um grupo de organizações paulistanas elaborou na semana passada um roteiro com sugestões e recomendações para o modo a pé: “Diretrizes para o Plano de Mobilidade Urbana 2015 da Cidade de São Paulo referentes à mobilidade a pé”
Com esse documento ficou evidente que não existia, até hoje, uma associação em que qualquer cidadão pudesse ser parte integrante e atuante, apoiando políticas públicas pensadas para os pedestres e contribuindo de fato com ações e propostas voltadas para a mobilidade a pé.
Surge neste contexto a associação que pretende juntar muitos caminhantes por suas causas comuns. Pensada por pessoas já atuantes na questão da mobilidade urbana – em organizações como SampaPé!, Comissão Técnica de Mobilidade a Pé e Acessibilidade, Mobilidade Pinheiros e Rede Nossa São Paulo – e que já advogavam pelos que andam por nossas calçadas e ruas.
Entendemos ser urgente que todos aqueles que se deslocam a pé pela cidade tenham representatividade e oportunidade de participação social e política. Entre nós estão incluídos cadeirantes, bebês em seus carrinhos, idosos, mulheres, homens, jovens e crianças, enfim pessoas que se movem por São Paulo sem outro meio de transporte além de seus pés – ou, na impossibilidade de usá-los, com cadeiras ou outros.
A primeira reunião, aberta a todos os que querem andar pela cidade, será realizada no dia 6 de abril, segunda-feira, às 19h no Centro Cultural São Paulo.
Assim nasce a Associação pela Mobilidade a Pé em São Paulo.
Já criamos um blog onde explicamos Quem somos, O que queremos, Em que acreditamos e Como pretendemos atuar. E começamos a divulgar as mais recentes publicações acerca da mobilidade a pé na nossa cidade e no mundo.
Você anda a pé pela cidade? Então você é um de nós!
Você também pode fazer parte dessa associação, que é de todos, pois todos, em algum momento, somos pedestres.
Associe-se
Enquanto associado você está dando peso à representatividade dos pedestres na cidade. Quanto mais associados tivermos, mais força teremos para defender nossos direitos e interesses. A associação é aberta a todos os que acreditam no modo a pé como meio de deslocamento na cidade. Associe-se preenchendo o formulário.
Queremos que o planejamento da cidade seja feito visando o deslocamento a pé como prioridade, pois esse é o modo mais usado.
Queremos que as políticas de mobilidade e transporte dediquem mais atenção e investimentos aos deslocamentos a pé.
Queremos condições de caminhabilidade nas calçadas, travessias e ruas da cidade.
Queremos defender os direitos de quem anda a pé, de quem quer se deslocar pela a cidade com o ritmo das passadas.
Queremos que as pessoas que se deslocam a pé possam se informar sobre seus trajetos, possam se localizar na cidade.
Queremos que a rua seja um local de convivência entre todos os modais, que seu espaço seja compartilhado e amigável, e que os mais vulneráveis sejam considerados e respeitados por todos.
Queremos que as pessoas aprendam a andar nas ruas e gostem disso, tenham prazer, encontrem na caminhada uma alternativa de transporte para o trabalho e para o passeio.
Defender políticas públicas para que todas as pessoas tenham o direito de andar a pé com segurança, conforto e qualidade, independente de gênero, raça, idade, condição física ou socioeconômica.
VISÃO
Uma cidade onde se possa caminhar com liberdade, qualidade e segurança, onde as relações no espaço público sejam mais humanas e se tenha melhor qualidade de vida.
VALORES
Participação, diversidade, acessibilidade, sustentabilidade, transparência, atuação política democrática e organizada, ocupação dos espaços públicos de participação, valorização dos saberes e das experiências de cada pessoa e construção de parcerias.
Acreditamos
Acreditamos que uma cidade boa para se viver é uma cidade boa para qualquer um se deslocar e acessar todos os seus equipamentos, e que independente do transporte que cada um utilize o acesso se dá a pé.
Acreditamos que andar em segurança é um direito humano elementar.
Acreditamos que quem anda a pé tem o direito a vias adequadas para caminhar, tem o direito a segurança, a conforto e a informação.
Acreditamos que quem quer chegar a pé a algum lugar não deve ter dificuldades para isso, deve ter acessibilidade.
Acreditamos que quem se desloca a pé deve ter a prioridade no compartilhamento da via, pois este modal, além de não ser motorizado, permeia todos os outros modais. Ou seja, é o modo de locomoção básico de todas as pessoas.
Acreditamos que uma cidade amiga do pedestre é uma cidade boa para todos. Pois todos somos pedestres.
Publicado originalmente em: Mobilize Brasil Autor: Du Dias Data: 18/03/2015
A Rede Corridaamiga vem se formando desde o início de 2014, com o objetivo de estimular a prática da corrida de rua como meio de transporte. Como usuários em contato direto com as vias públicas, os idealizadores da rede passaram a atuar também de forma política, defendendo melhorias nas estruturas urbanas. E uma das ferramentas desenvolvidas para este fim foi uma plataforma, em parceria com o Cidadera, que permite ao usuário registrar problemas ou condições adversas em seu trajeto por meio de um aplicativo ou plataforma on-line.
Pela utilização deste aplicativo, os integrantes da rede planejam fazer um happening no próximo dia 28 de março, batizado de #CalçadaCilada. O objetivo é reunir num mesmo dia colaboradores em várias cidades do país para uma verdadeira maratona de avaliação das calçadas nos municípios em que se encontram e compartilhar cada avaliação com quem acessar a plataforma ou baixar o aplicativo. A prioridade será dada para calçadas com grande fluxo de pedestres, como as proximidades de escolas e hospitais. A tecnologia é a mesma que alimenta a seção Mobilize-se, do Mobilize Brasil, em que todas as informações anexadas utilizando o aplicativo Cidadera ou a plataforma Corridaamiga#CalçadaCilada também ficam disponíveis no Mobilize e vice-versa.
Esta é a segunda edição da campanha #CalçadaCilada. Quando foi lançada, em 2014, incentivava os corredores de rua a postarem selfies pela cidade, sempre que encontrassem problemas nas calçadas. Segundo Silvia Stucchi, uma das fundadoras do Corridaamiga, a ferramenta visa a facilitar a ação cidadã e ampliar o olhar para um espaço que se tornou “invisível”. “O aumento do transporte ativo pode trazer como desdobramentos uma pressão natural não só sobre o setor público, como também sobre o privado (para sanar todas as barreiras que encontramos hoje)”, explica Silvia.
A iniciativa, uma realização do Corridaamiga em parceria com o Cidade Ativa e Desenhe Sua Faixa, conta com o apoio de várias organizações como o Mobilize e: Guia Voluntários Corpore, Anjos que correm, Corrida Social, Pé de Igualdade, Bike Anjo, Cidadera, Cidade Ativa, Milalá, MoveBrasil, Missiorama, DressMeUp, Respeite Um Carro a Menos, EditoraMol (Livro Eu Amo Correr), Desenhe sua Faixa, SampaPé, oGangorra, Rock&Run, Amo Correr, Catraca Livre, Jornalistas que Correm, Instituto Mara Gabrilli, GepafUSP, Cidadera, Programa Agita São Paulo, Nosso Pinheiros e Photo Extreme.
Como participar
1) Baixe o aplicativo para Android ou iOS clicando neste link;
2) Com seu smartphone ou tablet em mãos, registre e compartilhe os problemas nas calçadas que encontrar no seu dia a dia;
3) No dia 28/03, saia para uma caminhada ou corrida com seus amigos e estimule os a fazer e compartilhar novas avaliações;
Caso não possua tablet ou smartphone, faça sua avaliação e compartilhe acessando um dos três endereços a seguir: a página da campanha #CalçadaCilada; a seção Mobilize-se, do Portal Mobilize Brasil, ou a página do Cidadera
Alguns exemplos do que denunciar
Calçada obstruída;
Tempo de travessia insuficiente do semáforo para pedestres;