Cidadeapé e Ciclocidade lançam plataforma MobilidadeAtiva.org.br nesta segunda-feira

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O que os candidatos e candidatas à Prefeitura e à Câmara Municipal pensam sobre os principais temas relacionados a quem caminha ou pedala na cidade de São Paulo? E quais compromissos estão realmente assumindo em seus programas de governo?

Na próxima segunda-feira (15/8), a Ciclocidade e a Cidadeapé convidam você para o lançamento da plataforma MobilidadeAtiva.org.br, um site que vai monitorar passo a passo as eleições municipais deste ano. Os prefeitáveis serão posicionados em uma escala de humanização de cidades segundo o quanto estão efetivamente se comprometendo com avanços para a agenda da mobilidade ativa em São Paulo.

Em junho e julho, procuramos todos os principais candidatos para apresentar os compromissos mais importantes relacionados ao tema que a sociedade civil espera que sejam assumidos, fruto de uma pesquisa online inédita que obteve 725 respostas ao longo do mês de julho. As perguntas do questionário tiveram como base o Plano Municipal de Mobilidade Urbana, o Plano Diretor Estratégico aprovado para a cidade e outros marcos legais estabelecidos.

Agora, queremos ver os resultados. Analisaremos todos os programas de governo, além de todas as entrevistas dadas aos grandes veículos de imprensa. Acompanharemos todos os debates públicos e nos manifestaremos em tempo real sobre quem está falando bobagem ou tentando manipular a opinião pública no sentido contrário ao de uma cidade mais ciclável, mais humana, segura, inclusiva e justa. Não toleraremos nenhum passo atrás em conquistas que são da sociedade civil.

DE OLHO NA CÂMARA MUNICIPAL

Para as eleições da Câmara Municipal, o site MobilidadeAtiva.org.br terá uma carta de compromissos conectada à iniciativa votolegal.org.br, plataforma de financiamento colaborativo (crowdfunding) criada pelo Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral – MCCE.

Candidatas e candidatos que a assinarem receberão o selo abaixo, atestando que priorizarão a agenda da mobilidade ativa no legislativo paulistano caso sejam eleitos(as).

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SERVIÇO
Lançamento do site MobilidadeAtiva.org.br
Segunda-feira (15/8), às 19h
Câmara Municipal de SP – Auditório externo
Viaduto Jacareí, 100

 

Eleição de representantes regionais do Conselho de Transporte e Trânsito acontece neste sábado

Neste sábado, 30 de julho, das 9h às 12h, acontece a segunda etapa das eleições para o Conselho Municipal de Transporte e Trânsito de São Paulo. Desta vez serão eleitos 10 representantes das regiões da cidade, dois por região: Centro, Norte, Leste, Sul e Oeste. Mais uma vez, o movimento #ocupaCMTT está apoiando candidatos em todas as regiões e conta com a sua ajuda. As eleições serão realizadas nas sedes de várias subprefeituras e os eleitores poderão votar em qualquer região da cidade.

Quem pode votar

Segundo o Edital das Eleições, qualquer pessoa maior de 16 anos e residente em São Paulo pode votar. Basta levar documento de identidade com foto. O eleitor pode votar em apenas UM candidat@ da região à sua escolha. Para tanto, deve ir ao local de votação da região escolhida (ou seja, se você quer votar em uma conselheiro da região Norte, deve ir aos locais de votação dessa região). Veja a relação de endereços dos locais de votação:

Eleições Regional Centro: Subprefeitura da Sé, rua Álvares Penteado, 49
Eleições Regional Leste:  Subprefeitura da Penha, rua Candapuí, 492 – Subprefeitura de Guaianazes, Estrada Itaquera-Guaianazes, 2561 – Subprefeitura de São Matheus, avenida Ragheb Chohfi, 1400
Eleições Regional Norte: Subprefeitura de Santana/Tucuruvi, avenida Tucuruvi, 808 – Subprefeitura da Casa Verde, avenida Ordem e Progresso, 1001 – Subprefeitura de Piritba, rua Luis Carneiro, 193
Eleições Regional Oeste: Subprefeitura do Butantã, rua Ulpiano da Costa Manso, 201
Eleições Regional Sul: Subprefeitura do Jabaquara, avenida Engo. Armando de Arruda Pereira, 2.314 – Subprefeitura da Capela do Socorro, rua Cassiano dos Santos, 499 – Subprefeitura do M’ Boi Mirim, avenida Guarapiranga, 1.265.

VOTE NOS CANDIDATOS DO #OCUPACMTT

O grupo #OCUPACMTT é uma rede de pessoas atuantes e engajadas na causa da mobilidade ativa e do transporte coletivo, a fim de unir forças para vocalizar as demandas da população por uma cidade mais humana e que priorize o transporte público coletivo e os modos ativos de mobilidade.

Os princípios que movem este coletivo são:
– Mobilidade urbana centrada nas pessoas;
– Prioridade total à mobilidade ativa e aos meios de transporte público e coletivos na cidade, conforme Política Nacional de Mobilidade Urbana e PlanMob de São Paulo.
– Uma cidade mais democrática, saudável e com qualidade de vida.

Candidatos do #OCUPACMTT

(Cada eleitor só pode votar em uma pessoa, de apenas uma região)

Centro
Carla Moraes – Proposta
Lucianna Trindade – Proposta
Rafael Drummond – Proposta

Leste
Charles Oliveira Nascimento – Proposta
Jose Eduardo dos Santos – Proposta

Norte
Bibiana Araujo – Proposta
Marcos de Sousa –  Proposta

Oeste
Andrew Oliveira – Proposta
Gabriela Vuolo – Proposta
Isis Ramos – Proposta
Mity Hori – Proposta

Sul
Diego Brea – Proposta

Leia também:
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Conselho de transportes não delibera. Entidades criticam
Sobre a formação do Conselho Municipal de Transportes 

“RELATO SOBRE O ENCONTRO DO GT ELEIÇÕES COM A EQUIPE DO PRÉ-CANDIDATO JOÃO DÓRIA”

Publicado originalmente em: Ciclocidade
Data: 25/07/2016

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O Grupo de Trabalho de Eleições, da Ciclocidade e Cidadeapé, esteve na última segunda-feira, dia 18/7, com a equipe de campanha do então pré-candidato (confirmado ontem candidato) João Dória, do PSDB.

Mais uma vez, assim como havia acontecido com as equipes de Marta Suplicy (PMDB) e Fernando Haddad (PT), nosso objetivo era apresentar as propostas relacionadas à mobilidade ativa para que sejam incorporadas aos programas de governo dos prefeitáveis. A mobilidade ativa é chamada pela legislação de “modos não motorizados de transporte”. Todas as equipes, de todas as candidaturas e partidos, serão procuradas para uma conversa similar.

Presentes a esta reunião estavam 10 integrantes do GT Eleições e outras 14 pessoas da equipe do pré-candidato, compostas principalmente por funcionários ou técnicos da CPTM, EMTU, ANTP, Metrô de SP, dentre outros. Como tínhamos apenas uma hora para fazer a apresentação, não houve muito tempo para perguntas.

O então pré-candidato João Dória não estava presente.

Apresentação e discussão

Desta vez, a apresentação foi liderada por Daniel Guth, da Ciclocidade, e Ana Carolina Nunes e Rafael Calabria, da Cidadeapé. Iniciamos por com uma avaliação sobre a gestão atual e lembramos as cartas compromisso assinadas pelos candidatos em 2012, pelas quais se comprometiam a implantar a infraestrutura cicloviária na cidade.

A primeira pausa na apresentação acontece quando falamos sobre as propostas de implantação de mais 100 km/ano e a de requalificação e manutenção das ciclovias e ciclofaixas existentes. A equipe responsável pelo programa de governo questiona se as duas propostas são excludentes ou se andam juntas, ou seja, se é preciso implantar novas vias e fazer a manutenção/requalificação ao mesmo tempo.

A questão surge porque há um entendimento da equipe de João Dória de que há consenso sobre continuar a implantar novas ciclovias, mas expressam o desejo de querer requalificar parte da infraestrutura cicloviária que julgam mal construídas, “feitas a toque de caixa”.

Defendemos que é preciso fazer ambas as coisas. Mais do que isso, batemos na tecla de que construímos nos últimos anos espaços de participação com o poder público, como o próprio Conselho Municipal de Trânsito e Transporte – CMTT e a Câmara Temática de Bicicleta, e de que é importante ouvir o coletivo existente de usuários nesses espaços.

Além disso, deve-se considerar que o Plano Municipal de Mobilidade – PlanMob tem um planejamento até 2030 e que tal planejamento não pode ser ignorado – muitas ciclovias que podem ser julgadas hoje como pouco úteis ou problemáticas podem estar planejadas para serem interligadas no futuro. Uma eventual requalificação deve ouvir sempre o coletivo de ciclistas e não serem simplesmente retiradas.

A discussão de alonga e perguntamos o que poderia ser considerada como uma “requalificação” para a equipe do pré-candidato. Segundo eles, um resumo seria ver quais dessas ciclovias/ciclofaixas fornecem condições reais de segurança.

Os representantes do GT Eleições insistem que a estrutura cicloviária é fundamental. Vera Penteado comenta que antes das ciclovias, ciclistas tinham de se preocupar com os buracos já existentes além dos carros buzinando e que, agora, a preocupação é apenas com os buracos. Sasha Hart afirma que morreram mais ciclistas devido atropelamentos do que a assaltos.

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A segunda pausa na apresentação acontece na fala de Ana Nunes sobre pedestres – desta vez, as perguntas são mais gerais, pedindo opiniões sobre o sinal vermelho piscante para a travessia de pedestres ou o projeto de lei que obriga pedestres a fazer sinal com a mão para atravessar.

Ao final da apresentação, a avaliação da equipe de campanha do pré-candidato João Dória foi a de que a apresentação foi positiva, mas voltaram a mencionar como uma “questão que ficou em aberto” a proposta de requalificação da infraestrutura cicloviária existente.

Ana Nunes encerrou com o pedido de que a equipe colocasse os temas da mobilidade ativa como metas no programa de governo. “Queremos depois ter por onde cobrar de vocês”, finalizou. Na saída, nossa surpresa foi com o lema da campanha de Dória: “Acelera São Paulo”.

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Cidadeapé contribui com revisão do Código de Obras

No decorrer dos últimos dois meses, o GT Política a Pé da Cidadeapé se esforçou para acompanhar e incidir positivamente sobre o Projeto de Lei 466/2015 (Código de Obras) na Câmara Municipal de São Paulo.

Tomamos conhecimento da tramitação do PL após a sua aprovação em primeira instância na Câmara Municipal. Procuramos então rapidamente analisar se havia no novo Código de Obras algum item de interesse para a mobilidade ativa e algo que o conectasse ao PlanMob 2015 (projeto em que tivemos intensa participação através do Cidadeapé e da CTMP).

Infelizmente, o texto enviado pelo Executivo à Câmara não contava com quase nada relativo ao pedestre ou as calçadas no PL. “Embora sejamos totalmente favoráveis a várias das posturas de simplificação adotadas em relação ao interior das propriedades privadas, sabemos que o alinhamento e a calçada são o limite entre estas e o espaço público”, relata Gilberto de Carvalho, integrante do GT. Assim sendo, o projeto de ocupação do lote (espaço privado), o alinhamento e a calçada (espaço púbico), deveriam ser corretamente integrados.

Este item é de suma importância para promover uma cidade caminhável, principalmente se levado em conta que muitos empreendimentos e construções recém entregues construíram calçadas que não atendem à legislação vigente. Ou seja, há pela cidade inúmeros prédios e edificações novíssimos cujas calçadas não são planas nem acompanham a inclinação da via,  ou têm acesso universal assegurado, fachadas leves e de preferência ativas etc.

Dado o pequeno prazo restante após a aprovação do Projeto de Lei em primeira instância, procuramos condensar em um único artigo (aquele referente às peças gráficas), a nossa proposta de modificação. Protocolamos então esta proposta de emenda ao PL no gabinete do relator do PL, vereador Nelo Rodolfo e também nos gabinetes do vereador Nabil Bonduki, vereador Ricardo Young e da vereadora Sandra Tadeu.

A proposta de modificação visava criar entre os arquitetos e engenheiros a consciência que a calçada é um item extremamente importante de uma incorporação. Não pode portanto continuar sendo executada, como acontece em vários casos, sem um projeto adequado e integrado à cidade. Cria igualmente o compromisso para que pelo menos as calçadas de novas obras se adequem ao novo conceito de mobilidade urbana previsto no recém aprovado PlanMob 2015.

Apesar dos nossos esforços, o projeto foi aprovado em segunda votação sem constar a parte relativa a calçadas no texto. Essa deficiência foi levada ao conhecimento do prefeito Fernando Haddad na última reunião da Câmara Temática de Mobilidade a Pé do CMTT, no dia 12 de julho. A pedido do próprio prefeito, nossa contribuição foi enviada ao seu gabinete com o intuito de subsidiar futuras legislações ou mesmo a decisão sobre seu sancionamento.

Confira a íntegra do modificativo proposto ao relator e aos vereadores citados:

“CONTRIBUIÇÃO PARA O CÓDIGO DE OBRAS – CALÇADAS

PROPOSTA de emenda ao PROJETO DE LEI 01-00466/2015 , acrescer no Artigo 17 os termos que estão grafados em negrito/itálico abaixo no Art.17
…………….
Art. 17. As peças gráficas do projeto simplificado e do projeto completo devem conter:
I – implantação da edificação incluso corte longitudinal do centro da faixa livre da calçada e corte transversal do centro da entrada de veículo, se houver;
II – planta baixa do perímetro de todos os andares;
III – corte esquemático;
IV – no caso de reforma com alteração de área, a indicação das edificações existentes e dos acréscimos ou decréscimos de área; V – quadro de áreas e demonstrativos do atendimento ao PDE e LPUOS; VI – informação sobre o manejo arbóreo, quando for o caso;
VII – demonstração do atendimento às disposições deste Código, conforme regulamento.
VIII- demonstração do atendimento ao CAPÍTULO V da LEI Nº 15.442, DE 9 DE SETEMBRO DE 2011
……………..

A justificativa para introdução desta emenda é a verificação do repetido desrespeito à referida lei, inclusive nas construções novas, dada a pouca importância dada as calçadas nos processos de aprovação em vigor, principalmente nas peças gráficas. O Código de Obras deve se adequar as premissas do PlanMob, objeto de recente decreto do EXECUTIVO.
……………..”

 

Crédito da imagem do post: Fábio Pittas

“RELATO SOBRE O ENCONTRO DO GT ELEIÇÕES COM A EQUIPE DO PRÉ-CANDIDATO À REELEIÇÃO FERNANDO HADDAD”

Publicado originalmente em: Ciclocidade
Data: 13/07/2016

O GT Eleições 2016 da Ciclocidade e Cidadeapé visitou, na quarta-feira passada (6/7), a equipe responsável pelo programa de governo do pré-candidato à reeleição, o prefeito Fernando Haddad (PT).

Este é o segundo encontro do Grupo de Trabalho com uma equipe de pré-candidatos à Prefeitura de São Paulo buscando apresentar as demandas da sociedade civil relacionadas à mobilidade ativa na capital paulista. O primeiro, em 15/6, foi para a campanha da pré-candidata pelo PMDB, Marta Suplicy.

Todas as equipes, de todas as candidaturas e partidos, serão procuradas para uma conversa similar, tendo por objetivo que tais demandas sejam incorporadas aos programas de governo dos prefeitáveis.

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Presentes ao encontro estavam 11 representantes de entidades da sociedade civil voltadas para a defesa da mobilidade ativa, como Ciclocidade, Cidadeapé, Bike Zona Sul e Bike Zona Leste. Como a reunião não era exclusiva para a apresentação do GT, as demais pessoas eram compostas de servidores públicos, técnicos da CET e SPtrans, além de representantes do Partido dos Trabalhadores (PT) e apoiadores do pré-candidato Fernando Haddad.

O prefeito e pré-candidato não participou.

Apresentações

 

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Embora o encontro não fosse exclusivo para a apresentação do GT Eleições 2016 e fizesse parte de uma agenda maior de reuniões relacionadas à construção do programa de governo do pré-candidato Haddad, o fato de havermos levado propostas consistentes e estruturadas resultou em um domínio quase completo da pauta.

Ana Carolina Nunes, Rafael Calabria, Daniel Guth e Melina Rombach, representantes do GT, abriram a discussão com uma apresentação de cerca de 35 minutos, baseada no formulário público criado para identificar quais devem ser as prioridades dessas eleições relacionadas à mobilidade ativa. O formulário continua a receber respostas das pessoas até o final de julho neste endereço (participe!).

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Suzana Nogueira, coordenadora de projetos cicloviários da CET, e Rose Marie, da equipe de planejamento da CET, também fizeram uma apresentação relacionada ao que há sobre mobilidade a pé e de bicicleta no Plano Municipal de Mobilidade – PlanMob. Suzana explicou que não estava fazendo uma análise, apenas fazendo um recorte temático.

“Nossa revisão da meta do PlanMob para bicicletas compartilhadas foi menos ousada do que a que vocês [GT Eleições 2016] apresentaram, para abranger 15% do território”, disse Suzana. “Temos que ter cuidado de não ter uma meta muito ousada para não prejudicar a eficiência do sistema, pois é preciso ter capacidade de operação à altura”.

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Rose Marie considerou que, para os próximos anos, seria interessante assumir as metas almejadas pelo GT Eleições 2016 e trabalhar em um plano emergencial para calçadas, embora considerasse ainda ser preciso incluir a temática do verde na proposta, como a questão da drenagem do solo, por exemplo.

Rodada de Perguntas

Após as falas expositivas, iniciou-se uma rodada alongada de perguntas e respostas, com Ana Nunes e Carla Moraes, do GT Eleições, e Suzana Nogueira e Rose Marie, da CET, à frente para endereçar os questionamentos.

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Diversos temas passaram pelo debate, que iniciou com uma proposta de emplacamento de bicicletas (Facchini – SPTrans), imediatamente descartada pelo grupo; pela importância de implantar calçadas em zonas da periferia (Tatina – Sociedade civil); a relevância de repensar as vias levando em consideração um aumento significativo do número de árvores na cidade (Sasha Hart, Cades e Ciclocidade); a volta da inspeção veicular (Regina – Portal Mobilize); reduzir efetivamente o espaço para automóveis na cidade (Ana – CET); o entendimento de que a transparência com relação aos dados sobre bicicletas compartilhadas é fundamental (Suzana Nogueira – CET); o sentimento de que as pessoas da periferia da Zona Leste ainda se sentem excluídas das ciclovias e ciclofaixas, por mais que a gestão atual esteja de muitos parabéns por iniciar o processo (Magrão – Bike Zona Leste); avançar na questão das travessias para pedestres, aplicando a lei de forma efetiva (Seu Élio – Cidadeapé); a importância de haver, para um eventual segundo mandato de Fernando Haddad, um programa que busque o qualitativo e melhore a questão dos pedestres (Anita Stefani – Coordenadora geral do programa de governo do pré-candidato); dar mais importância à questão essencial do acalmamento do trânsito e também a da dotação orçamentária (Larissa); a de haver mais bicicletários (Edilson – PDT).

Finalização

Para terminar a conversa, Ana Nunes deixou claro o papel do GT Eleições 2016 com relação às agendas de todas e todos os pré-candidatos: “Viemos aqui para trazer, para subsidiar. Se os candidatos acharem que falta algo na nossa apresentação, sintam-se livres para aprimorar, pois nosso levantamento de prioridades é público.”, afirmou.

Daniel Guth , comentou que, “com o GT, construímos uma agenda positiva para a mobilidade ativa, mas há políticas de desincentivo ao motorizado que devem ser incluídas, como a política de estacionamentos”.

“O programa de governo tem potencial sim para encampar ações ousadas”, continuou Ana. “O que a gente traz aqui não é nem um décimo do que precisa fazer para São Paulo se tornar uma cidade segura e acessível. Tem duas coisas que queremos ver e que ninguém liga: acessibilidade universal e zero mortes no trânsito. Os números são inaceitáveis”, finalizou.

Imagens do post: Ciclocidade

“São Paulo faz eleições para Conselho de Transporte e Trânsito”

Publicado originalmente em: Portal Mobilize
Autor: Marcos de Sousa
Data: 12/07/2016

Comentário Cidadeapé: Estamos engajados em participar ativamente da política municipal de mobilidade em São Paulo, favorecendo os modos ativos e coletivos de transporte, lutando sempre por uma cidade mais humana, saudável e sobretudo caminhável. Por isso, a Cidadeapé uniu-se ao coletivo #OcupaCMTT, e tem diversos candidatos engajados para assumir cadeiras no Conselho Municipal de Transporte e Trânsito. Convidamos todos a irem às urnas este sábado e votarem para um dos nossos candidatos! Todos os paulistanos podem votar, basta levar documento de identificação. Mais detalhes abaixo.

OcupaCMTT é o nome da chapa organizada por ativistas, coletivos e ONGs, entre eles o Mobilize Brasil e a Cidadeapé, para defender os interesses de pedestres, ciclistas e usuários do transporte coletivo no Conselho Municipal de Transporte e Trânsito (CMTT) da cidade de São Paulo.

As eleições para o CMTT começam neste sábado, 16 de julho, na sede da universidade Uninove, rua Vergueiro, 235/249, das 9h às 12h30, Centro, quando serão realizados os debates e a votação para os representantes de 11 das 21 cadeiras destinadas à sociedade civil no conselho: ciclistas, idosos, juventude, pessoas com deficiência (PcD), meio ambiente e saúde, mobilidade a pé, movimento estudantil, movimentos sociais, ONGs e sindicatos de trabalhadores. Detalhes aqui.

A votação terá continuidade no dia 30 de julho, também domingo, das 9h às 12h, com a eleição de 10 representantes das regiões da cidade, dois por região: Centro, Norte, Leste, Sul e Oeste. As eleições dos representantes regionais serão realizadas nas sedes das várias subprefeituras. Na próxima semana daremos mais detalhes.

Quem pode votar

Segundo o Edital das Eleições, qualquer pessoa maior de 16 anos e residente em São Paulo pode votar. Basta levar documento de identidade com foto.

No dia 16/07, nas eleições temáticas, cada eleitor deve votar em apenas UM candidat@ de UMA cadeira temática à escolha. Detalhes aqui.

No dia 30/07, nas eleições regionais, o eleitor pode votar em apenas UM candidat@ de qualquer região à sua escolha. Para tanto deve ir ao local de votação da região escolhida. Na próxima semana traremos mais informações.

Por que votar nas eleições do CMTT

Transportes ativos (andar a pé e de bicicleta) e transportes coletivos (ônibus, metrô e trem) são os principais caminhos para melhorar a mobilidade da região metropolitana de São Paulo, promover a qualidade de vida da população e aperfeiçoar os espaços públicos da cidade.
Para isso, é fundamental que a sociedade civil participe da criação, desenvolvimento e  acompanhamento de políticas públicas voltadas ao transporte e tráfego.

Vote nos candidatos do #OCUPACMTT
O grupo #OCUPACMTT é uma liga de pessoas atuantes e comprometidas em dar voz ativa à população e seus anseios e demandas por uma cidade mais humana e que priorize o transporte público coletivo e os modos ativos de mobilidade, conforme previsto na Política Nacional de Mobilidade Urbana e no PlanMob de São Paulo, apresentado ao fim de 2015.

Candidatos do #OCUPACMTT

(Cada eleitor só pode votar em uma pessoa, de apenas um tema)

Ciclistas
Marina Kohler Harkot – Proposta
Odir Zuge Junior – Proposta

Pessoas com deficiência
Lúcia Emília Vieira Guedes (Mila) – Proposta
Gilberto Frachetta – Proposta

Idosos
Maria Ermelina Brosch Malatesta (Meli) – Proposta

Meio Ambiente
Vitor Leal Pinheiro – Proposta
Letticia de Paula Diez Rey – Proposta

Mobilidade a pé
Ana Carolina Nunes – Proposta
Carolina Dondice Cominotti (Lilla) – Proposta

Movimentos sociais
Valmir de Souza – Proposta

ONGs
Américo Monteiro Sampaio – Proposta
Rafael Calabria – Proposta
Fabiana Bento – Proposta

Leia também:
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Sobre a formação do Conselho Municipal de Transportes 

“RELATO SOBRE O ENCONTRO DO GT ELEIÇÕES COM A EQUIPE DA PRÉ-CANDIDATA MARTA SUPLICY”

Publicado originalmente em: Ciclocidade
Data: 20/06/2016

Na última quarta-feira (15/6), o GT Eleições 2016 da Ciclocidade e Cidadeapé visitou a equipe da pré-candidata Marta Suplicy (PMDB) para apresentar as demandas da sociedade civil relacionadas à mobilidade ativa na capital paulista.

Trata-se do primeiro encontro do Grupo de Trabalho com uma equipe de pré-candidatos à Prefeitura de São Paulo. Todas as equipes, de todas as candidaturas e partidos, serão procuradas para uma conversa similar, tendo por objetivo que tais demandas sejam incorporadas aos programas de governo dos prefeitáveis.

Estavam presentes à reunião 14 representantes de entidades da sociedade civil voltadas para a defesa da mobilidade ativa, como Cidadeapé, Ciclocidade, Bike é Legal, CicloBr e Bike Zona Sul.

Da equipe do PMDB, estavam o Prof. Ulrich Hoffmann, coordenador do programa de governo da pré-candidata; Murillo Leite Ferreira, assessor especial do Gabinete da senadora Marta Suplicy; além dos assessores de campanha Isabela Muniz, Elson Perez da Silva e Neusa Tahan.

A senadora e pré-candidata não participou.

Apresentações

A equipe de Marta Suplicy abriu o encontro informando que a proposta era ouvir e entender as demandas das entidades. Murillo Ferreira, assessor especial do gabinete da senadora Marta Suplicy, argumentou que seria contraditório pensar que a pré-candidata tenha intenções de desfazer as ciclovias/ciclofaixas e, ao mesmo tempo, estar aberta a uma conversa como essa.

“Essa não é a lógica, pelo contrário”, disse o assessor. “Queremos ouvir as pessoas que fazem uso do serviço público, procurar entender o que deu certo, o que deu errado, o que pode melhorar. Nossa expectativa é formar um GT para que haja uma contribuição de quem vive esse dia a dia das ciclovias”.

Ao abrir para a fala das entidades, Daniel Guth, diretor de participação da Ciclocidade, fez um breve histórico da gestão Marta Suplicy como prefeita de São Paulo, à época pelo PT, entre os anos 2001-2004.

“Foi uma gestão com alguns pontos muito fortes relacionados ao transporte público, a gente reconhece, mas bastante complicado do ponto de vista da mobilidade ativa, com retrocessos ou não-avanços. Tivemos um aumento no limite de velocidade nas principais vias da cidade, com vias passando a ter o limite de 70km/h, o que resultou em um aumento na mortalidade no trânsito. Este também foi um período branco em termos de ciclovia, sem nenhum incremento de infraestrutura cicloviária. Há uma expectativa nossa de que a pré-candidata tenha amadurecido e atualizado a visão que ela tem sobre a mobilidade ativa. Talvez essa sensibilidade da equipe demonstre isso, mas não tivemos publicamente essa confirmação, vindo dela”, resumiu.

Ana Carolina Nunes, da Cidadeapé, argumentou que o sistema de mobilidade ativa não pode ser tratado como complementar ou acessório. “Queremos que esteja tudo pensado de maneira integrada. A mobilidade por bicicleta é mais um elemento do sistema de transportes, e queremos que volte a existir um Departamento de Mobilidade a Pé na CET, como já existiu”, afirmou.

Daniel Guth e Ana Carolina Nunes ficaram responsáveis por apresentar ponto a ponto o formulário público criado pelo GT Eleições para identificar quais devem ser as prioridades dessas eleições relacionadas à mobilidade ativa (ou, como diz a legislação, relacionadas aos modos “não motorizados” de transporte). O formulário continua a receber respostas das pessoas até o dia 30/6 neste endereço (participe!).

Renata Falzoni, do site Bike é Legal, pediu que a proposta de uma agenda para a mobilidade não seja diminuída. “Não estamos aqui para falar de ciclovia ou bicicleta”, disse. “Estamos aqui para falar de investimentos públicos para as pessoas – algo muito maior do que a bicicleta ou a ciclovia. Pedimos inclusive que a senadora corrija-se ao falar, não deixe que o tema seja reduzido dessa forma. É um treino entender como se referir a esse tema como uma questão mais ampla do que a bicicleta. Quando a própria senadora diz que vai aumentar a velocidade nas marginais, está dizendo que vai permitir os atropelamentos com a benção dela”.

Carla Moraes, do coletivo Bike Zona Sul, reforçou este ponto. “A Marta falou no programa do Amaury Júnior que vai aumentar a velocidade nas marginais e isso mina tudo o que estamos falando aqui. É uma questão de pautar a perda dos privilégios dos automóveis. Vejo que isso falta nas campanhas politicas. Tudo o que a gente faz é desconstruído com uma simples frase banal jogada na mídia dizendo que ‘faltou planejamento’”.

Esta é uma questão fundamental, sobre a qual Rene Fernandes, da Ciclocidade e da Fundação Getúlio Vargas (FGV), enfatizou: “A infraestrutura cicloviária não está sendo construída sem diálogo com as pessoas, pelo contrário. Todo o planejamento é bem antigo e nesta fase final da infraestrutura cicloviária, entre o fim de 2013 e início de 2014, foi criado o Conselho Municipal de Trânsito e Transportes (CMTT), além de uma Câmara Temática específica para tratar a questão das bicicletas. Muito do que foi executado co m relação a essa infraestrutura veio a partir de conversas com a Câmara Temática de Bicicleta. Houve também a criação da Câmara Temática da Mobilidade a Pé, e muito do que tem sido feito também tem sido pautado por ela. A gestão atual tem ouvido muito a sociedade civil; muitas das ciclovias na periferia são fruto disso. Achamos que é fundamental que essa consulta à sociedade civil continue”.

Foto: Ciclocidade

Foto: Ciclocidade

Encaminhamentos

Ulrich Hoffmann, coordenador do programa de governo da pré-candidata, e Isabela Muniz, assessora, afirmaram o desejo de marcar uma nova reunião em cerca de duas semanas para mostrar os resultados que a apresentação teve, já relacionado ao programa de governo.

Ficou acordado que, assim que a equipe da pré-candidata tenha atualizações, enviarão o material para o GT Eleições da Ciclocidade e Cidadeapé para avaliação. Enquanto isso, o GT Eleições continuará a buscar reuniões com todos os outros pré-candidatos.

Representantes das entidades relacionadas à mobilidade ativa também propuseram que a campanha de Marta Suplicy faça um convite público e aberto de apresentação da plataforma de mobilidade da candidata, algo que o GT Eleições seja convidado a participar junto com a população em geral.

Estima-se que os planos de governos de prefeitáveis desta eleição sejam apresentados ao final de julho ou início de agosto, quando encerram-se as convenções partidárias. A data final para registro dos candidatos é 15/8.

GT eleicoes

 

Eleições 2016: compromissos com a mobilidade ativa

As eleições municipais estão chegando e queremos saber a sua opinião: quais compromissos queremos que as candidatas e candidatos à Prefeitura de São Paulo assumam com a Mobilidade Ativa?

Para isso, o GT Eleições 2016 da Ciclocidade e Cidadeapé elaborou um formulário online para que você possa preencher e elencar quais compromissos considera prioritários. O preenchimento leva entre 10 e 15 minutos, e é muito importante que você dê sua opinião!

Os resultados serão usados para elaborar as ações de compromisso d@s prefeitáveis com a mobilidade ativa. O formulário pode ser preenchido até dia 30 de junho.

Responda e divulgue para suas redes: quanto mais pessoas participando, mais poderemos cobrar!

Formulário: https://goo.gl/v9iR9I

Discussão: gteleicoes@googlegroups.com
Contato: eleicoes2016mobativa@gmail.com

GT eleicoes

Dia de ir a pé ao trabalho

Já pensou em usar o modo de transporte mais barato, saudável, sustentável e natural para ir ao trabalho?

Assim dá até para ganhar tempo, transformando as horas perdidas nos congestionamentos em atividade física – e ainda economizar na academia. Além de aproveitar para observar a cidade, falar com as pessoas, conhecer melhor o bairro, descobrir uma nova árvore no caminho…

A  CorridaAmiga está promovendo o primeiro “Dia de ir #aPéAoTrabalho” brasileiro!  A proposta é que no dia 1/7/16 as pessoas experimentem andar ou correr de casa até o trabalho, descobrindo os benefícios deste modo de deslocamento.

A ideia foi inspirada no Run2Work Day , do movimento londrino que tem por ambição levar mais de um milhão de pessoas até 2020 a se tornarem mais ativas ao usar a corrida ou a caminhada como forma de deslocamento urbano.

Neste  primeiro Dia de Ir #aPéAoTrabalho a CorridaAmiga e a Cidadeapé convidam para mais um desafio: marcar nas redes sociais duas pessoas e desafia-las a viver a cidade pelos pés e desfrutar dos benefícios deste meio de transporte no dia 1o de julho!

Se precisar de dicas para ir caminhando, entre em contato com a Cidadeapé.

Caso se anime para ir correndo ao trabalho, os voluntários da CorridaAmiga estarão à disposição, prontos para ajudar e até acompanhá-lo durante o percurso!! É só falar com eles.

Dia de Ir a Pé ao Trabalho
Quando:
Sexta-feira, 01/07/2016
Realização: 
CorridaAmiga
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“Respeitar pedestres é caminho para cidades saudáveis e educadoras”

Publicado originalmente emPortal Aprendiz
Autor: Danilo Mekari
Data: 17/05/2016

Aproximadamente um em cada três deslocamentos em metrópoles como São Paulo, Porto Alegre e Belo Horizonte é feito a pé. Em outras cidades do Brasil, essa proporção é ainda maior – tal número, porém, parece exercer pouco efeito sobre as políticas públicas de mobilidade urbana no país, em sua maioria ainda estagnadas no conceito rodoviário e de priorização do transporte individual e motorizado.

Outros dados engrossam essa realidade: na década entre 2001 e 2011, enquanto a população brasileira aumentou 12,2%, a quantidade de veículos automotores no Brasil cresceu 138,6%, segundo relatório doObservatório das Metrópoles. Em 2012, circulavam pelas vias do país cerca de 50,2 milhões de automóveis e 19,9 milhões de motos, de acordo com o Denatran.

Com as ruas dominadas por veículos motorizados, qual espaço que sobra para o pedestre – aquele que não consome energia fóssil, que deixa o sedentarismo de lado e, ao decidir por fazer seu trajeto a pé, seja até o ponto de ônibus, à estação de metrô ou todo o caminho, circula pelo ambiente urbano espalhando vida pela cidade? Em muitos casos, somente calçadas esburacadas e perigosas.

Estimular os pedestres a caminharem pelo espaço urbano é uma maneira de construir cidades sustentáveis, resilientes e educadoras.

“Uma cidade caminhável é uma cidade saudável, uma cidade melhor”, aponta Joana Canedo, da Associação Cidadeapé. “A mobilidade a pé deve ser considerada um sistema de transporte, pensando a sua infraestrutura de forma sistêmica: calçadas, acessibilidade, iluminação, faixas e semáforos de pedestres, arborização, bancos, lixeira, redução da velocidade dos veículos motorizados.”

Além de tais medidas, também é necessário, na opinião de Joana, criar uma rede de deslocamento contínua e linear, com travessias conectadas e articulação com outros modais, favorecendo a convivência entre diferentes modos de transporte. “Hoje, a calçada é pensada como assessório, não como meio de transporte”, reclama.

No ano de 2015, 419 pedestres morreram em acidentes de trânsito em São Paulo. “A mortalidade é enorme. No mesmo ano, as quedas nas calçadas geraram mil atendimentos apenas no Hospital das Clínicas. Porém, elas não são contabilizadas como acidentes de trânsito.”

Terceira idade a pé

A pesquisadora Etienne Duim apresentou sua investigação sobre as dificuldades que idosos encontram para atravessar as ruas em segurança. Em 2014, essa faixa da população perdeu 203 pessoas em acidentes de trânsito em São Paulo, sendo que 88% desse total eram pedestres.

“Será que os idosos têm tempo o suficiente para atravessar as ruas com segurança?”, questiona. O tempo para a travessia considera a largura da via e o posicionamento do pedestre, e no Brasil este número fica entre 1,2 m/s (metros por segundo) e 1,5 m/s – em cidades como Barcelona, na Espanha, basta andar a 0,9 m/s para se conseguir atravessar ruas.

Estimular os pedestres a caminharem pelo espaço urbano é uma maneira de construir cidades sustentáveis, resilientes e educadoras.

“Com o envelhecimento, ocorre um decréscimo na velocidade de marcha, e aumenta a dificuldade para atravessar ruas e avenidas, mesmo com faixa”, observa a pesquisadora, que faz parte do grupo de estudos SABE (Saúde, Bem Estar e Envelhecimento). Em pesquisa com 1191 idosos realizada em 2010, foi revelado que apenas 4,3% deles conseguiam atingir a média de 1,1 m/s em sua caminhada, ao passo que outros 30% se encaixam no tempo de 0,9 m/s.

“Em São Paulo, claramente o tempo de travessia não é suficiente. Curitiba está testando um sistema que aumenta tempo de semáforo para pedestres com mobilidade reduzida, e em Lima existem experiências com temporizadores para pedestres nos semáforos”, afirma.

A pé para a escola

Pesquisa de 2009 mostra que, entre mais de 2.500 crianças e adolescentes de 51 cidades paulistas, 71% vão para a escola a pé. A pesquisadora Sandra Costa de Oliveira está iniciando uma investigação que buscará entender detalhes desse deslocamento – o que as crianças aprendem no caminho, qual o seu olhar para a cidade ao ir e vir – em trinta escolas da rede municipal paulistana.

Contudo, o pesquisador Thiago Hérick de Sá, da Faculdade de Medicina do ABC, mostrou que, entre 1997 e 2012, o transporte ativo de crianças e jovens para a escola caiu cerca de 20%, enquanto viu-se aumentar as crianças que fazem esse trajeto em um veículo motorizado.

“Aprendemos cognitiva e sensorialmente. Não há dúvida de que as experiências motoras e sensoriais vão ser muito maiores na cidade do que no carro, e também experiências afetivas – positivas e negativas –, pois o ambiente urbano me incomoda e me ensina.”

Plano de Mobilidade de São Paulo

Aprovado em 2014, o Plano Diretor Estratégico de São Paulo previa a implementação de um documento que norteasse o planejamento e gestão dos meios e da infraestrutura de transportes urbanos nos próximos 15 anos. De acordo com Tácito Pio da Silveira, diretor de Planejamento de Transportes da SPTrans, o PLanMob tentará reverter a tradição brasileira de priorizar o transporte individual.

Estimular os pedestres a caminharem pelo espaço urbano é uma maneira de construir cidades sustentáveis, resilientes e educadoras.

Silveira reconhece o tamanho do desafio, principalmente em uma cidade que comporta 14% da frota nacional de carros e em que circulam diariamente cerca de 7 milhões de veículos. “Os deslocamentos dos pedestres são fundamentais e extrapolam a questão dos transportes”, acredita. “Inclusive, o PlanMob aponta para a necessidade de criar um único órgão gestor para centralizar as ações referentes às calçadas, hoje diluídas em três secretarias.”

O engenheiro e professor da Universidade Federal do ABC, Francisco Comaru, levou uma nova visão ao debate sobre o esgotamento do sistema viário e automobilista de São Paulo. “É preciso reocupar o centro da cidade, onde se encontra grande oferta de serviços e equipamentos públicos e de emprego.”

Segundo o professor, o processo de esvaziamento dos distritos centrais decorre dos anos 1980, relacionado à desindustrialização e ao crescimento substancial das periferias da cidade, que passaram a concentrar uma enorme densidade humana. “Vejo relação direta entre desigualdade socioeconômica, injustiça social e espacial e as iniquidades em mobilidade, pois quem mora longe é penalizado também por gastar em transporte.”

Para ele, a produção de moradia é uma das estratégias que, a médio prazo, pode diminuir esse movimento pendular do uso do automóvel. “É preciso induzir uma maior densidade para diminuir esse desequilíbrio, olhando para além da mobilidade em si, mas também para o uso e ocupação do solo.”

Estimular os pedestres a caminharem pelo espaço urbano é uma maneira de construir cidades sustentáveis, resilientes e educadoras.

Cidade Educadora

Os incentivos e políticas públicas direcionadas aos pedestres possibilitariam não apenas mais segurança e tranquilidade para quem opta por este modal, como também proporcionariam uma aproximação dessas pessoas entre si e com o espaço urbano em que vivem. “Andar na rua te ajuda a identificar questões relacionadas à vida urbana, criando uma visão cidadã e questionadora de como a cidade foi construída. Flanar e andar livremente nos ajuda a descobrir que a cidade é muito rica em mil outras coisas”, observa Joana.

Thiago Hérick de Sá acredita que estimular o transporte a pé é uma maneira de garantir saúde e qualidade de vida para os cidadãos, construindo cidades sustentáveis e resilientes e possibilitando não apenas o acesso aos seus espaços, mas também a sua transformação.

“Ser pedestre é muito mais que um deslocamento: é um meio pelo qual a gente coloca nosso corpo em contato com o meio social, físico, emocional. É, por fim, uma condição existencial. Ser pedestre é sermos nós mesmos em contato com a natureza e cultura”, finaliza.

(A foto que abre esta matéria é de autoria de rolvr_comp. As demais são de Priscila Kichler Pacheco/EMBARQ Brasil, Caio Duarte, Alexandre Pereira e Victor, respectivamente. Todas via Flickr/Creative Commons)