Com foi a oficina “A pé e bicicleta”

No dia 17 de fevereiro, Ciclocidade e Cidadeapé promoveram a atividade “A pé e bicicleta: aprendendo um com o outro”. O objetivo do encontro foi trocar conhecimentos fundamentais em mobilidade a pé e ciclomobilidade, para que os ativistas entendam melhor os principais conceitos e questões referentes à mobilidade ativa.

Realizada no âmbito do projeto “Iniciativa Global pela Segurança Viária”, a ideia era a atividade ajudasse ambas as organizações a discutir uma agenda mais robusta e integrada de políticas públicas de segurança viária, focada na proteção de pessoas a pé e de bike.

A Cidadeapé apresentou os princípios da mobilidade a pé e o conceito de rede de mobilidade a pé, que norteia grande parte de suas demandas por infraestrutura. Já a Ciclocidade abordou a evolução da sua atuação e do advocacy pela bicicleta ao longo da última década em São Paulo.

Veja a apresentação aqui

Os pontos altos da conversa foram o desafio de tratar a questão da convivência entre modos ativos sem cair nas armadilhas de opor ciclistas e pedestres e as principais ameaças que se acercam no contexto atual. Ao fim, os participantes convergiram em um tema prioritário para as próximas ações conjuntas da mobilidade ativa: é preciso unir forças para enfrentar a proposta de multar pessoas a pé e de bicicleta, que sinaliza claramente para a culpabilização das vítimas mais vulneráveis no trânsito brasileiro.

“Como podemos planejar cidades que priorizem pedestres?”

Publicado originalmente em: Archdaily
Autoria: Cidade Ativa
Data: 05/02/2018

Cidades ativas são aquelas em que a população pode fazer escolhas mais saudáveis e sustentáveis. Para que isso seja possível, as cidades devem proporcionar acesso a espaços públicos e serviços de qualidade a todas as pessoas, garantindo que possam passear, descansar, brincar e se exercitar em praças, parques e equipamentos. Cidades ativas são também compactas, nas quais a proximidade entre a moradia e o trabalho, escola, serviços, lazer faz com que as redes de mobilidade a pé, cicloviária e de transporte público sejam mais eficientes e melhores distribuídas no território. Assim, a escolha pelo modal a pé ou bicicleta nos deslocamentos diários se torna viável. Por isso, cidades ativas são, necessariamente, mais caminháveis.

© Cidade Ativa

© Cidade Ativa
 

Para garantir um planejamento adequado da rede e dos espaços dedicados a pedestres, é necessário equalizar o entendimento dos atores envolvidos – sejam do setor público ou privado – sobre o que é de fato mobilidade a pé:

O DESLOCAMENTO A PÉ É UM MODO DE TRANSPORTE

Para que haja o planejamento efetivo da rede, e que ela seja incorporada nas ações, programas e políticas públicas, é importante reconhecer o deslocamento a pé como um modo de transporte. Hoje, mais de 30% dos deslocamentos diários da população brasileira é feito exclusivamente a pé. Quando somados a esses todos os deslocamentos feitos por transporte público, já que necessariamente eles começam ou terminam com o caminhar, essa porcentagem chega a mais de 60% dos deslocamentos. Além disso, a Política Nacional de Mobilidade Urbana reconhece os modais ativos (ou não-motorizados) como meios de transporte, e a priorização do pedestre é exigida para os Planos de Mobilidade Urbana.

O DESLOCAMENTO A PÉ É O PRINCIPAL INTEGRADOR DE OUTROS MODOS DE TRANSPORTE

Todas as pessoas, em algum momento do dia, são pedestres. Seja no início ou no final da viagem, seja para caminhar até o ponto de ônibus/metrô, para o comércio próximo da moradia, local de trabalho ou no momento em que estaciona a bicicleta, o deslocamento a pé está presente.

© Cidade Ativa
© Cidade Ativa
 

A REDE DE MOBILIDADE A PÉ É COMPLEXA

O planejamento da rede de mobilidade a pé é relativamente mais complexo do que o da tradicional infraestrutura de transporte público coletivo (ônibus, metrô e outros). Na mobilidade a pé, os trajetos são muito mais flexíveis: os pontos de origem e destino – residência, edifício comercial, parques e praças – são muitos, trazendo a necessidade de se ter uma malha urbana amplamente conectada, garantindo a diversidade, articulação e continuidade entre todos esses pontos.

A MOBILIDADE A PÉ SE MANIFESTA EM DIFERENTES ESCALAS

Na escala da cidade, a mobilidade a pé está relacionada à definição de densidade populacional e à distribuição de usos do solo no território, o que influencia nas distâncias a serem percorridas. Uma cidade mais compacta é, portanto, mais caminhável porque as atividades do dia-a-dia estão mais próximas.

Na escala do bairro, o caminhar é influenciado, por exemplo, pela dimensão das quadras, continuidade das calçadas, posicionamento e frequência das travessias. Nela, é possível estabelecer rotas prioritárias de pedestres, garantir a conexão entre espaços públicos e principais destinos, como serviços e transporte público.

Por fim, mas talvez a mais importante, a mobilidade a pé se revela na escala do pedestre: o dimensionamento de calçadas, os materiais empregados no piso, a presença de árvores, iluminação dedicada ao pedestre, mobiliário urbano e a relação dos lotes privados e edificações com o passeio são aspectos que certamente influenciam na escolha pelo modal.

© Cidade Ativa

© Cidade Ativa
 

PESSOAS QUE CAMINHAM TÊM DIFERENTES CARACTERÍSTICAS E PODEM UTILIZAR A REDE PARA REALIZAR DIVERSAS ATIVIDADES

O caminhar está em toda parte e é feito por todas as pessoas, independente de suas habilidades (e se precisam, por exemplo, de algum dispositivo para caminhar) ou do propósito do deslocamento. Essa diversidade deve ser considerada no planejamento da rede. Para muitos caminhantes, a acessibilidade, por exemplo, é um quesito essencial no momento da escolha pelo modal a pé. Por isso, o desenho dos espaços deve ser inclusivo e priorizar as pessoas portadoras de deficiência e com mobilidade reduzida e, ainda, aquelas que transitam com carrinho de bebê ou compras. Uma rede de mobilidade a pé que responda a essas necessidades específicas será uma rede adequada a todos. É importante levar em conta que todos nós, em algum momento de nossas vidas (quando criança, com criança de colo, quando idoso ou após sofrer alguma lesão ou doença) exigimos que os espaços públicos atendam a nossas necessidades específicas. Por isso, a rede de mobilidade a pé deve ser sempre planejada considerando cada pedestre, respeitando suas limitações e priorizando sempre os mais vulneráveis. Com isso, estaremos caminhando rumo a cidades mais ativas.

Por fim, é importante reconhecer que as qualidades da rede são avaliadas continuamente pelos usuários. Entre os principais elementos utilizados, ainda que intuitivamente, pelos usuários para avaliar a opção pelo deslocamento a pé, destacam-se:

  • Utilidade: se a rede serve o propósito de promover o caminhar, se os pontos de origem e destino estão a uma distância – e tempo – adequada à necessidade do pedestre;
  • Acessibilidade: se os espaços podem ser percorridos por pessoas com diferentes capacidades e habilidades;
  • Conforto: se a rede e seus espaços proporcionam espaço suficiente para fluxo e permanência de pessoas, se oferecem conforto ambiental ou proteção às intempéries;
  • Segurança: em relação aos veículos motorizados ou contra crimes;
  • Atratividade: se os espaços foram planejados e desenhados considerando a escala da pessoa, se são interessantes e oferecem diversidade de usos para além da passagem.
Foto do post: Cidade Ativa

 

Lançamento do livro: “CARtoons – atropelando a ditadura do automóvel”

Publicado originalmente em: Fundação Rosa Luxemburgo
Data: 28/02/2018

Cartunista Andy Singer visita Brasil para lançar seu primeiro livro publicado em português e participar do Fórum Social Mundial de 2018 na Bahia. Programação inclui apresentações em 9 e 10 de março em São Paulo e nos dias 13 e 14 em Salvador

“Existem carros demais.” É assim que começa o livro CARtoons – atropelando a ditadura do automóvel, do cartunista Andy Singer, que será lançado em março em São Paulo e Salvador. O autor viaja dos Estados Unidos para o Brasil a convite da Fundação Rosa Luxemburgo para apresentar seu trabalho, debater mobilidade urbana e participar do Fórum Social Mundial de 2018 na Bahia. A programação, detalhada a seguir, inclui eventos de lançamento abertos em que o público terá chance de conversar com o autor.

CARtoons – atropelando a ditadura do automóvel
Lançamento do livro com roda de conversa com Andy Singer

Data: 9/03/2018, sexta-feira
Horário: 19h às 21h
Local: Auditório da Fundação Rosa Luxemburgo
Endereço: Rua Ferreira de Araújo, 36 – Pinheiros, São Paulo (SP)
Realização: FRL e editoras Autonomia Literária e Avocado
Apoio: Cidade Ativa, Cidadeapé, Ciclocidade, Rede Nossa São Paulo e Transporte Ativo
Evento no Facebook

A publicação é o primeira de Singer traduzida para o português. Ele cresceu nos Estados Unidos e seus desenhos e textos destacam como, cada vez mais, as cidades têm sido formatadas para priorizar o deslocamento de carros e não de pessoas. Seu trabalho perturba pela universalidade. Mesmo sem nunca ter pisado no Brasil antes, ele consegue retratar qualquer grande cidade do país, com suas avenidas, viadutos, pontes, concessionárias, postos e shoppings centers. Carros demais, como o cartunista pontua já no começo do livro.

Formalização institucional da Cidadeapé

A Cidadeapé está se preparando para se formalizar como associação. Para tanto, precisamos discutir o que a Cidadeapé é e o que pretende ser; avaliar os esforços empreendidos até agora; definir os objetivos da associação e futuras ações; determinar nossa gestão assim como formas de assegurar recursos para seu funcionamento.

Teremos quatro sessões de discussão facilitadas por profissionais de planejamento de organizações ativistas: Carolina Munis e Gabi Juns.

Venha nos ajudar a construir nossa associação!

Sessão 1: Missão, Visão, Valores e Estatuto

Dia: Sábado, 10/03/2018
Hora: Das 8h30 às 17h30
Local: MobiLab, Laboratório de Mobilidade Urbana
Endereço: Rua Boa Vista, 136, Mezanino
Como chegar: Metrô São Bento, ou ônibus  Terminal Dom Pedro II. Pode entrar com bicicleta. Acessível.
 

 

Sobre as sessões

Teremos quatro sessões de discussão nos meses de março e abril que vão nos dar os subsídios para que possamos:

  1. Definir nossos Objetivos, Missão e Valores
  2. Nortear a elaboração o estatuto da associação
  3. Desenvolver um plano estratégico

Sessão 1

A primeira sessão terá 8 horas de duração, para a discussão coletiva dos elementos necessários para a elaboração do nosso estatuto social, o documento que organiza a estrutura de funcionamento e administração da organização, além de nossos objetivos e atividades. Entre eles:

  1. Declaração de Missão, Visão e Valores
  2. Finalidade da associação
  3. Atividades que a associação se propõe a exercer
  4. Gestão

Sessões 2, 3 e 4

As demais sessões terão 4 horas cada e servirão para elaborar o plano estratégico da Cidadeapé para os próximos meses ou anos.

Finalmente realizaremos a Assembleia Constituinte da Cidadeapé num sábado festivo de maio!

Calendário

Sessão 1: Sábado, 10/3/2018, das 8h30 às 17h30
Sessão 2: Sábado, 24/3/2018, das 8h30 às 12h30
Sessão 3: Sábado, 7/4/2018, das 8h30 às 12h30
Sessão 4: Sábado, 21/4/2018, das 8h30 às 12h30
Assembleia Constituinte: Sábado, 5/5/2018, das 8h30 às 12h30

Todas as sessões serão realizadas no MobiLab, Laboratório de Mobilidade Urbana, ao qual agradecemos o apoio!

Venha preparado para a discussão!

Sebrae: Roteiro para criar uma associação

IDIS: Diferenças entre Associação e Fundação

SocialImpact: 10 elementos essenciais de um estatuto social

Facilitadoras


CAROLINA MUNIS participa da Escola de Ativismo desde 2013 facilitando processos de aprendizagem e coordenando um programa de pequenos financiamentos em fluxo para grupos ativistas. É uma das coordenadoras do Cursinho Popular Transformação. Colabora como revisora e co-editora da plataforma Beautiful Rising. Recentemente, completou o curso Essência da Facilitação, que exercita a presença e observação do facilitador. É graduada em Relações Internacionais.

GABI JUNS tem cinco anos de experiência em facilitação processos de planejamento no terceiro setor e aprendizagem de coletivos e organizações ativistas na Escola de Ativismo. É comunicadora e designer gráfico: traz um componente de organização visual da informação nas facilitações. Utiliza metodologias radicalmente participativas para construções compartilhadas. Recentemente, se formou moderadora pela H+K

Projeto

Fortalecimento da participação da sociedade civil nas políticas de Mobilidade a Pé na cidade de São Paulo

Convivência no Trânsito: ônibus + pedestres + ciclistas

Qual a sua relação com os ônibus na cidade de São Paulo? Já enfrentou problemas ao pedalar ou caminhar perto de corredores e faixas exclusivas de ônibus?

Responda à pesquisa organizada pela Ciclocidade com o apoio da Cidadeapé e nos ajude a entender quais são os principais conflitos entre transporte por ônibus e modos ativos na cidade: http://bit.ly/PesquisaOnibus

Você pode responder a pesquisa do ponto de vista de ciclista ou de pedestre. São menos de 5 minutos se você responder só uma seção e 7 minutos se você responder as duas! As respostas da pesquisa nortearão sugestões para o treinamento de motoristas de ônibus. Participe:http://bit.ly/PesquisaOnibus

Nota: Parte do projeto “Iniciativa Global pela Segurança Viária”,  do Road Safety Grants Programme, dentro da Bloomberg Initiative for Global Road Safety. A Cidadeapé é parceira da Ciclocidade para desenvolver campanhas e atividades voltadas para a redução de velocidade no trânsito, acalmamento de tráfego e segurança de pedestres em São Paulo.

35ª Reunião Geral da Cidadeapé

Todos e todas estão convidados a participar da 35ª Reunião Geral da Cidadeapé, segunda-feira, 26/02/18, às 19h00,  no Mobilab (Rua Boa Vista, 136, Mezanino), próximo ao Metrô São Bento.

As atas das reuniões anteriores estão disponíveis na biblioteca do nosso site.

A reunião é aberta a todos e todas que queiram colaborar.
Venha contribuir para uma cidade mais caminhável! Participe.

PAUTA DA 35ª REUNIÃO GERAL

  • Boas-vindas aos novos participantes (5 minutos)
  • Informes (10 minutos)
  • Projeto Fundo Casa (15 minutos)
  • Projeto Segurança Viária/Ciclocidade (15 minutos)
  • Licitação de ônibus (10 minutos)
  • Bicicultura 2018 (10 minutos)
  • Outros encaminhamentos (10 minutos)
  • Câmara Temática de Mobilidade a Pé (30 minutos)

35ª REUNIÃO GERAL DA CIDADEAPÉ

Dia: Segunda-feira, 26/02/2018
Hora: Das 19h00 às 21h00
Local: Mobilab
Endereço: Rua Boa Vista, 136, Mezanino
Como chegar: Metrô São Bento, ou ônibus  Terminal Dom Pedro II. Pode entrar com bicicleta. Acessível.
 

Debate: Desafios da Licitação de Ônibus de São Paulo

A Cidadeapé é parceira do Idec no debate “Desafios da Licitação de Ônibus de São Paulo”.
Confira na íntegra o convite do Idec:


Gostaríamos de convidá-lo(a) para o debate O futuro da mobilidade em São Paulo: desafios e oportunidades da nova licitação dos ônibus, organizado pelo Idec.

Local: Sindicato de Arquitetos no Estado de São Paulo (SASP)
Endereço: Rua Araújo, 216, São Paulo
Data: 22 de fevereiro (quinta-feira)
Horário: 19h00

Inscreva-se!

Os convidados para mesa de debates são:

Sérgio Avelleda (Secretário de Mobilidade e Transportes da Prefeitura de São Paulo) Soninha Francine (Vereadora da Câmara Municipal de São Paulo) Clarisse Linke (Diretora do ITDP Brasil) Rodrigo Chauvert (Advogado do Programa de Mobilidade Urbana do Idec)

O Idec vem atuando na área de mobilidade urbana com objetivo de melhorar o serviço de transporte público, informando os usuários sobre seus direito e estimulando-os a exigi-los.

Estamos acompanhando o processo de licitação de ônibus da cidade de São Paulo, momento em que se definem os critérios de qualidade dos ônibus da cidade. A sua participação é muito importante, pois o envolvimento da população torna a discussão mais democrática. É nesse momento que as necessidades dos usuários devem ser inseridas no planejamento da rede de ônibus, para que tenhamos melhorias concretas nos próximos 15 anos.

Participe do debate e venha descobrir como se envolver no processo de licitação da sua cidade!

Para facilitar sua participação, lançamos um site explicando os principais pontos da consulta. Acesse: http://www.idec.org.br/onibusnalinha

 

Oficina: “A pé e bicicleta: aprendendo um com o outro”

A Cidadeapé e a Ciclocidade convidam suas associadas e associados a participar da atividade “A pé e bicicleta: aprendendo um com o outro”.

Este sábado, 17/2, das 10h às 13h
Na sede da Ciclocidade – Rua Martins Fontes, 91, 11º andar

O objetivo do encontro é propiciar uma troca de conhecimentos fundamentais em mobilidade a pé e ciclomobilidade, onde serão apresentados e discutidos, de forma construtivas, conceitos referentes a esses modos de deslocamento.

Realizada no âmbito do projeto “Iniciativa Global de Segurança Viária”, a ideia é que essa atividade nos ajude a discutir uma agenda mais robusta e integrada de políticas públicas de segurança viária, focada na proteção de pessoas a pé e de bike.

“1 ano do aumento da velocidade nas marginais: ‘Não há nenhum motivo pra comemorar'”

Transmitido originalmente em: Rádio Brasil Atual
Entrevistador: Glauco Faria.
Data: 29/01/2018

Ana Carolina Nunes, ativista da Associação Cidadeapé e da CicloCidade, fala do programa Marginal Segura e do aumento da velocidade nas marginais de São Paulo, na gestão do prefeito João Doria, completarem um ano. ‘A CET soltou um boletim com os números consolidados desse período e tivemos um aumento de 6 mortes nas marginais, mostrando o que nós da sociedade civil já estávamos alertando’, afirma.

 

Imagem do post: Redução nas marginais: notícias são retiradas do site da CET. Foto: Fábio Miyata/Mobilize

“O que há para comemorar no aniversário de um ano do programa Marginal Segura?”

Publicado originalmente em: O Estado de São Paulo
Autores: Ana Carolina Nunes (Cidadeapé) e Rene Jose Rodrigues Fernandes (Ciclocidade)
Data: 23/01/2018

Nota: Em 25/1/18 completa um ano desde que a atual gestão da Prefeitura de São Paulo aumentou os limites de velocidade nas marginais, cumprindo promessa feita durante a eleição do prefeito João Doria Jr. Desde o anúncio da medida, entidades da sociedade civil de defesa da mobilidade ativa se colocam contra e buscam meios para revertê-la. Na nota abaixo, as associações Ciclocidade – de ciclistas urbanos – e Cidadeapé – de defesa da Mobilidade a pé -, ambas de São Paulo, lembram os equívocos da decisão e reafirmam sua posição contrária ao aumento. Além disso, a Ciclocidade destaca que continua recorrendo juridicamente da medida adotada pela Prefeitura.

Em 25 de Janeiro de 2018 a cidade de São Paulo comemora 464 anos. Neste dia 25 de Janeiro, São Paulo também “comemora” um ano da elevação dos limites máximos de velocidade nas marginais Pinheiros e Tietê. Segundo dados da própria CET divulgados pelo portal G1, na Marginal Pinheiros morreram 11 pessoas em 2016. Em 2017, após o aumento das velocidades, o número sobe para 13 vítimas. Na Marginal Tietê, em 2016, morreram 15 pessoas. Em 2017 este número sobe para 19 mortos. Na soma das duas vias, mesmo diante de uma série de ações, o número total de óbitos é maior após a elevação dos limites: 26 em 2016, ante a 32 em 2017, ou seja, um crescimento de 23%.

Ainda, durante o ano de 2017, segundo dados do Infosiga, o número de pedestres mortos na Capital aumentou em 1,5%, enquanto o número de ciclistas mortos teve um acréscimo de estarrecedores 48%. Estes números mostram que, apesar de uma redução modesta no número total de mortos no trânsito (7%), a cidade nada tem a comemorar.

O Programa “Marginal Segura”, anunciado pela equipe do prefeito eleito João Dória Jr, ainda em dezembro de 2016, em tese aumentaria a segurança nas marginais por meio da ampliação da presença de agentes de trânsito, do aumento da fiscalização e da comunicação para a segurança de tráfego, além da implantação de dispositivos de segurança, como faixas de pedestres nas vias transversais. Estas medidas representam um aumento do gasto público, sem ainda apresentarem quaisquer benefícios em relação ao período no qual velocidades mais baixas estavam vigentes.

Em 2017 não houve a ampliação do número de agentes de trânsito concursados na CET, ao passo que o programa aumenta o número de agentes nas marginais. A CET divulgou que o efetivo cresceu de 45 agentes por turno para 75 agentes por turno, e as rotas operacionais cresceram 100% em fevereiro de 2017, quando comparadas ao mesmo mês do ano anterior. Isto poderia, por exemplo, ajudar a explicar o aumento do número de mortes de pedestres e ciclistas em outras regiões da cidade, que teriam ficado desguarnecidas ou com menor fiscalização.

O programa Marginal Segura, além de revelar-se muito mais tímido do que o previsto, não surte o efeito de aumento da segurança ao contrariar princípios básicos de engenharia de trânsito e da física – quanto mais alta a velocidade, maior o risco a todos os atores que circulam por ali, sejam eles motoristas, motociclistas, ciclistas ou pedestres. Além disto, dois dos possíveis benefícios seriam o aumento das velocidades médias das vias e a diminuição dos tempos de percurso. A CET, contudo, também não apresentou nenhum resultado positivo em relação a estes indicadores. Para alcançar números quase iguais ou piores, no caso das mortes, a Prefeitura Municipal de São Paulo implementou uma série de medidas que parecem contrariar o princípio da eficiência da administração pública, presente no artigo 37 da Constituição Federal.

No início de 2017 a Associação dos Ciclistas Urbanos de São Paulo – Ciclocidade ajuizou uma Ação Civil Pública contrária ao aumento das velocidades. A ação continua em tramitação no judiciário, devendo ter um pedido de liminar indo a julgamento em breve. Enquanto isto, persistem muitos questionamentos com pouca ou nenhuma informação por parte da Prefeitura. Por exemplo, quantas foram as faixas de pedestres e dispositivos de acalmamento de tráfego implantadas nas pontes? Qual é o gasto com a manutenção do programa? Quais razões explicam as ocorrências com vítima e quais foram as ações da prefeitura para mitigar os problemas?

A Prefeitura deve assumir uma postura proativa na prevenção a ocorrências de trânsito. O Código de Trânsito Brasileiro e a Política Nacional de Mobilidade Urbana deixam bastante clara a responsabilidade das administrações municipais sobre políticas públicas que visem a preservação da vida nos deslocamentos diários. No entanto, a Secretaria Municipal de Mobilidade e Transportes e a Companhia de Engenharia de Tráfego, à revelia de suas qualificações técnicas, insistem em sustentar argumentos falhos na defesa do aumento de velocidade das marginais. O presidente da CET, João Octaviano, declarou ao G1 que “Não há nenhuma evidência de que a velocidade tenha interferido nestes acidentes registrados a mais em 2017”. Parece mais uma ação política visando atender a uma parcela do eleitorado da atual gestão municipal.

Ao seguir tratando as marginais como rodovias – ignorando requisitos técnicos básicos como a ausência de acostamento, o desenho inadequado das suas curvas e o excesso de alças de pontes que forçam motoristas a conduzirem em ziguezague -, a Prefeitura acaba colocando em risco a vida de todas e todos que circulam por ali. É por esta inobservância da gestão municipal à integridade das pessoas que por ali circulam que a sociedade civil deve continuar na briga pela humanização da aniversariante São Paulo, o que passa, necessariamente, pela redução dos limites máximos de velocidades nas vias de toda a cidade.

Veja aqui o filme produzido pela Ciclocidade.

Imagem do post: Ciclocidade