Pessoas caminham por calçada movimentada com banca de jornal e ônibus

No Dia Mundial Sem Carro o prefeito escolheu ir a pé para o trabalho

Ontem, no Dia Mundial Sem Carro (22/09), o prefeito Fernando Haddad escolheu caminhar 6 km de sua casa até a prefeitura.

A Cidadeapé acredita que esse gesto mostra um interesse do prefeito em relação à mobilidade a pé e à sua importância. E nos leva a crer que sua gestão vai tratá-la como deve ser: o sistema de transporte mais utilizado em São Paulo, que precisa ser priorizado, com mais investimentos, mais infraestrutura e mais atenção, sobretudo em relação à segurança e à dignidade de quem anda nas ruas.

Em outras ocasiões, o prefeito já havia escolhido se locomover pela cidade de ônibus e bicicleta, atitude que contribuiu para seu entendimento desses meios de transporte e para o desenvolvimento de políticas públicas voltadas a eles. A escolha por ir a pé ontem, portanto, alimenta uma esperança de que a partir de sua gestão será dada, de fato, mais prioridade à infraestrutura e à rede de mobilidade a pé em São Paulo.

Foi com esse intuito que entidades ligadas à mobilidade a pé lhe haviam feito há algumas semanas um convite para acompanhá-lo no trajeto de sua casa à Prefeitura e provavelmente foi a partir deste convite que ele teve a iniciativa de escolher o modo a pé.

Agora, confiando no comprometimento do prefeito  Fernando Haddad em relação à mobilidade a pé, é feito um novo convite para que venha caminhar conosco — afinal a cidade deve ser um local de encontros e não apenas de passagem. Gostaríamos de poder mostrar nosso olhar crítico e contribuir para as principais questões relacionadas a andar a pé na cidade.

Imagem do post: Haddad caminha no Dia Mundial Sem Carro 2015. Foto: Fábio Arantes/SECOM
Semáforo de pedestres no Viaduto do Chá, com o Theatro Municipal ao fundo

No Dia Mundial Sem Carro propomos o “Desafio da Travessia”

Para chamar a atenção para a dificuldade de atravessar nas faixas de pedestres, a Cidadeapé promove um desafio para ver como diversos tipos de pessoas encaram esse deslocamento

Atravessar uma faixa de pedestre deveria ser uma ação prosaica no contexto de quem caminha pela cidade. Na faixa, as pessoas têm prioridade nas travessias, de acordo com o art. 70 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB).

No entanto, diversos fatores acabam fazendo com que a travessia seja um momento de estresse, desconforto e insegurança. Quando não há sinalização semafórica para pedestres, muitos motoristas simplesmente não param para as pessoas atravessarem. Quando ela existe, o pedestre fica refém dos tempos semafóricos determinados pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), que em geral priorizam a fluidez dos veículos, e não das pessoas. Assim, o tempo de espera para poder atravessar costuma ser muito longo, enquanto o tempo de travessia é muito curto.

Os tempos semafóricos deveriam permitir que todas as pessoas atravessem a rua com segurança e tranquilidade. Assim, no Dia Mundial Sem Carro, a Cidadeapé propõe um desafio: avaliar como diversos tipos de pessoas, em situações corriqueiras do dia a dia, conseguem completar um dos cruzamentos mais movimentados do centro histórico: o Viaduto do Chá com a Rua Líbero Badaró.

A proposta é cronometrar e registrar em vídeo a travessia de 11 voluntários em condições diferentes de mobilidade. Foram convocados: criança, idoso, cadeirante, deficiente auditivo, deficiente visual, jovem, adulto com carrinho de bebê, pessoa com bengala ou andador, pessoa com imobilização temporária, mulher com salto alto e pessoa carregando bagagem.

A iniciativa da Cidadeapé é o início de uma série de mobilizações pela readequação dos tempos semafóricos de travessias de pedestres pela cidade. Os resultados serão apresentados à Secretaria Municipal de Transportes. O evento integra a programação especial da Semana da Mobilidade 2015.

Desafio da Travessia

Dia: Terça-feira, 22/09/2015
Hora: 13h00
Local: Viaduto do Chá x Rua Líbero Badaró

 
logo-sdm-branco

Ver aqui a nota para a imprensa

Imagem do post: Cruzamento Xavier de Toledo X Viaduto do Chá. Foto: Cesar Ogata
Grupo de participantes da caminhada do Dia do Pedestre posa com cartazes

“Associação pela Mobilidade a Pé realiza caminhada lúdica no Dia do Pedestre”

Publicado originalmente em: Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP), Mova-se
Reportagem:
Data: 11/08/2015

Em comemoração ao Dia do Pedestre, a Cidadeapé, Associação pela Mobilidade a Pé em São Paulo, levou cidadãos para uma caminhada lúdica por ruas emblemáticas do centro da capital.

A proposta da atividade “Namore a cidade” era avaliar os pontos positivos e negativos do percurso, em uma referência a um aplicativo de relacionamentos.

O descolamento a pé é o primeiro modo de mobilidade. Uma pesquisa do Metrô de São Paulo revelou que quase metade das viagens são feitas a pé.

A organização e mobilização dos pedestres em grupos e associações pode contribuir para a melhoria das condições de caminhabilidade das cidades.

O secretário municipal adjunto da Secretaria da Pessoa com Deficiência de São Paulo, Tuca Munhoz, esteve no evento e falou ao Canal Mova-se. Entrevistamos também Ana Carolina Nunes, da associação Cidade a Pé, Meli Malatesta, arquiteta, urbanista, presidente da Comissão de Acessibilidade e Mobilidade a Pé da ANTP e autora do Blog “Pé de Igualdade”.

Assista ao filme:

Imagem do post: Grupo na Praça Don José Gaspar. Foto: Mova-se
Calçada de mosaico com a palavra Bibliothek em frente à Biblioteca Mário de Andrade

Dia do Pedestre: Namore a sua cidade

No dia 8 de agosto, Dia do Pedestre, nós da Cidadeapé – Associação pela Mobilidade a Pé em São Paulo – convidamos todos a caminhar pelas ruas de São Paulo de um jeito diferente: namorando a cidade.

A atividade percorrerá ruas emblemáticas do centro da cidade de uma forma divertida e inesperada. O percurso corresponde à meia rótula do Plano de Avenidas do Prestes Maia, aqui apresentado em uma versão melhorada: o nosso “Plano de Desavenidas”, que passa pela Rua Xavier de Toledo, Avenida São João, Avenida Ipiranga e rua São Luis.

Os caminhantes serão estimulados a observar e compartilhar o melhor e o pior da cidade, mostrando o que gostam e o que não gostam ao andar a pé!

Convide seus amigos e bora caminhar.

Curiosidade: O dia 8 de agosto foi escolhido como Dia do Pedestre por ter sido o dia em que o fotógrafo Iain MacMillan registrava a imagem icônica dos Beatles cruzando a faixa de pedestres da Abbey Road, em Londres, em frente ao estúdio de gravação da banda.

Quando? 8/08, sábado
Que horas? 14h30
Ponto de encontro: Entrada principal da Biblioteca Mário de Andrade
Endereço: Praça Don José Gaspar

Dia do Pedestre 2015

Organizações parceiras
Corrida amiga
SampaPé
Pé de Igualdade
Photowalksp
Foto Cultura
Amora – Intervenções Lúdicas
Comissão Técnica (CT) Mobilidade a Pé  e Acessibilidade da Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP)

Rua do Ipiranga sem calçada, vista no Google Street View

Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC): por que fazer e como fazer

O Serviço de Atendimento ao Cidadão, o SAC, da Prefeitura de São Paulo é uma ferramenta muito útil para os munícipes. Por meio dele, podemos fazer solicitações, reclamações e denúncias sobre problemas que encontramos nas ruas, desde árvores maltratadas, até lixo, iluminação, e muito mais.

No nosso caso, é um canal com a prefeitura para falar dos problemas encontrados nas calçadas da cidade — acessibilidade, buracos, degraus e desníveis, ausência delas, etc. — assim como nas ruas e travessias — falta de faixa de pedestres, cruzamento perigoso, velocidade alta demais na via…

Muita gente acha que o SAC não funciona. Ou que dá muito trabalho. Porém, se um muitos casos não dá resultados imediatos, ele ainda serve para muita coisa. E, posso afirmar, em muitos casos funciona sim. E o trabalho compensa.

Por ser um sistema eletrônico, o SAC gera automaticamente um protocolo e é necessariamente encaminhado para o órgão competente. Com isso é possível acompanhar o caso e, se nada for feito, acionar a Ouvidoria do município, que por sua vez obrigará ao menos uma resposta por parte do órgão responsável. Assim, o SAC serve, no mínimo, para criar a demanda, gerar estatísticas e alertar os órgãos sobre os problemas. (Mas, de novo, em muitos casos as demandas são solucionadas, num prazo mais ou menos longo). Se um determinado assunto gera muitos Serviços de Atendimento ao Cidadão (SACs), eles são obrigados a fazer alguma coisa. E com nossas cópias de protocolos, podemos pressionar com muito mais propriedade.

O relatório sobre SACs de calçadas apresentado na reunião de ontem mostra como podemos mapear os problemas e cobrar diretamente as Subprefeituras sobre a questão das calçadas, por exemplo. Ele se torna uma ferramenta de pressão com base em dados reais.

Por tudo isso, gostaríamos de estimular que todos realizem SACs sempre que encontrarem problemas nas calçadas e ruas da cidade. Quanto mais pressão, mais a prefeitura verá a importância da mobilidade a pé para a cidade.

Como fazer um SAC

Segue um exemplo de como fazer denúncias sobre calçadas. Mas é possível fazer sobre muitos outros assuntos, tais como:

  • Acesso para deficientes físicos
  • Bagulhos/grandes objetos (largadas nas calçadas)
  • Buraco: solapamento do passeio
  • Companhia de Engenharia de Tráfego (CET): circulação de pedestres (para travessias, faixas de pedestres)
  • CET: escola: dificuldade de travessia de alunos
  • CET: Sinalização de orientação de destino
  • Guias/rebaixamento para acessibilidade

A denúncia pode ser feita pelo telefone (156) ou pelo site da prefeitura. Nesse caso, siga os passos a seguir, diretamente inspirado no post “Pedestres de Sampa, uni-vos!”, do blog do SampaPé no portal Mobilize:

1. Entre no SAC da prefeitura: sac.prefeitura.sp.gov.br.

2. No assunto, escolha “Calçada” e clique em continuar.

Captura de tela do site do SAC da Prefeitura de São Paulo, com o formulário de solicitação

3. Na especificação, você terá que escolher o problema que encontrou.

Captura de tela do SAC da Prefeitura mostrando a lista de assuntos para solicitação

4. Coloque o endereço, e no campo “observações” preencha com uma explicação detalhada do problema. E se quiser complete o texto com a frase a seguir (assim eles sabem que estamos juntos e ganhamos força):

“30% dos deslocamentos diários são feitos a pé e TODOS SOMOS PEDESTRES. Exigimos investimento público nas infraestruturas para a mobilidade a pé. Membro da Associação pela Mobilidade a Pé em São Paulo”.

5. Para finalizar preencha com seu RG.
6. Quando chegar à página final, imprima ou crie um PDF da solicitação.  (Dica: não use o ícone “imprimir” no pé da página. Prefira  clicar com o botão da direita do mouse sobre a página e escolher a opção “imprimir” do menu que vai aparecer. Assim, você terá o texto completo da solicitação, e não apenas um resumo).
7. Aí é só mandar uma cópia da solicitação para a gente em mobilidadeape@gmail.com.

8. E acreditar que juntos podemos ter uma cidade mais caminhável.

9. E sempre que tiver um tempo, passe no mesmo lugar para ver se algo foi feito. Se nada foi feito, vale a pena cobrar uma resposta do poder público com o seu número de protocolo.

Vamos pressionar, cobrar e criar estatísticas!

Imagem do post: Rua Embuaçu, Vila Mariana. Sem calçadas. Foto: Google Maps
CET relatorioanualacidentesfatais2014 - grafico 12.2

OPINIÃO – Sobre o relatório de vítimas fatais no trânsito paulistano

Autor: Joana Canêdo*
Data: 15/05/2015

A semana que se seguiu à publicação do Relatório de acidentes de trânsito fatais da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), referentes ao ano de 2014, foi repleta de análises da mídia. O grande destaque foi para o número de morte de ciclistas que teria aumentado — mas que deixou de levar em consideração a quantidade de ciclistas em circulação, ou seja, proporcionalmente ao uso de bicicletas, as mortes de ciclistas diminuíram 10% em São Paulo.

Fiquei me perguntando por que não pareceu chocante para ninguém que  a maior vítima do trânsito na capital paulista sempre foi, e continua sendo, os pedestres. E isso mesmo quando os acidentes estavam em queda. (Entre os poucos jornais que tocaram no assunto estão:  Metro e Agora, e o portal Mobilize; e a Globo fez uma reportagem específica sobre a avenida mais letal da cidade).

CET relatorioanualacidentesfatais2014 - grafico 12.2

CET relatorioanualacidentesfatais2014 - grafico 14.2

Por que tão pouca gente  comentou que tantas pessoas morrem atropeladas todos os dias em São Paulo. Será que essa “fatalidade” é normal?

Os pedestres representam a maioria dos usuários das vias da cidade, mais de 13 milhões de pessoas se deslocam a pé todos os dias na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) (contra 12 milhões de carros). Ainda assim todo o planejamento do viário é pensado e estruturado para facilitar o fluxo, e com isso a velocidade, dos veículos e o conforto dos motoristas, demonstrando que a segurança no trânsito não é prioridade das ações de mobilidade na cidade.

Em São Paulo, as velocidades máximas permitidas nas ruas são assustadoramente altas, o que aumenta a gravidade dos atropelamentos,  a maior causa de fatalidades no trânsito da cidade.

CET relatorioanualacidentesfatais2014 - grafico 1.2

Além disso há uma cultura de desrespeito às leis básicas do trânsito, como parar na faixa para o pedestre atravessar, prioridade do pedestre na conversão, ultrapassar o limite de velocidade da via, etc. Sem contar uma engenharia de tráfego que calcula tempos semafóricos em função do número de carros na via e não em função do tempo necessário para as pessoas atravessarem, para citar apenas alguns exemplos de como as pessoas que caminham estão sempre em último lugar na escala de prioridades.

É urgente que a cidade abra os olhos e reaja para a segurança dos atores mais vulneráveis da mobilidade urbana: as milhões de pessoas que andam pelas ruas e calçadas de São Paulo todos os dias e se encontram constantemente em situação de risco.

Segunda o relatório da CET, em 2014, 44,4% das vítimas fatais do trânsito foram pedestres, 555 no total, sendo que 537 deles morreram atropelados, em sua grande maioria por automóveis (45%, seguidos de ônibus, 26%, e motos, 20%). Esse número significa um aumento de 8% na morte de pedestres, quando comparado a 2013.

CET relatorioanualacidentesfatais2014 - grafico 1.3

De todas as mortes de pedestres, mais de 35% foram de pessoas com mais de 60 anos – sinal de que os mais velhos, com mais dificuldade de deslocamento e de atenção, enfim os mais vulneráveis, são as grandes vítimas.

CET relatorioanualacidentesfatais2014 - grafico 10.3

O perfil sócio econômico das vítimas se equivale ao perfil socioeconômico da população abrangida pelo Modal a Pé na Pesquisa de Origem e Destino do Metrô (2007).

CET relatorioanualacidentesfatais2014 - grafico 10.4

Quanto ao local dos acidentes fatais, eles estão espalhados por toda a cidade. Mas observando bem o os mapas é possível identificar pontos específicos onde é nítida a necessidade de ações estratégicas para evitar mortes.

É o caso, por exemplo, do centro da cidade, onde a restrição da circulação de veículos poderia ser ampliada, uma vez que é uma área com grande número de circulação de pessoas a pé e com ampla estrutura de transporte público.

As marginais do  Tietê e do Pinheiros, ao lado das avenidas Marechal Tito e Teotônio Vilela, foram as recordistas de atropelamentos fatais, indicando uma óbvia necessidade de reduzir a velocidade máxima permitida nessas vias imediatamente.

A Zona Leste precisa de uma atenção especial, pois é a região na cidade com o maior número de vítimas fatais, ultrapassando 17% do total das 10 regiões consideradas, sendo que quase 50% das vítimas da região eram pedestres.

Há várias outras conclusões que podem ser tiradas deste relatório e que deveriam subsidiar políticas públicas voltadas para a segurança sobretudo do pedestre, o ator mais vulnerável da mobilidade.

É preciso destacar que, apesar de 32% das viagens serem feitas exclusivamente a pé na cidade (e esse número não inclui caminhantes que vão para os pontos de ônibus, estações de trem, até a padaria do bairro ou almoçar ao meio-dia), o pedestre é sempre o último a ser considerado nas políticas públicas. Quando essas o fazem, é dificultando a sua vida ou os infantilizando.

Os chamados projetos de segurança para o pedestre incluem a instalação de  barreiras físicas em cruzamentos onde há muito trânsito de veículos – o que aumenta a distância e diminui a eficiência dos trajetos. Isso é uma inversão da prioridade, garantida por lei, ao pedestre pois, segundo o art. 38 do Código Brasileiro de Trânsito, “o condutor deverá ceder passagem aos pedestres e ciclistas” ao fazer a conversão. Com essas barreiras, a CET passa, na prática, a prioridade ao condutor do veículo. E não vou nem citar as campanhas “educativas” que idiotizam o pedestre ao exibir palhaços atravessando fora da faixa.

São portanto mais do que urgentes políticas públicas voltadas especificamente para a segurança das pessoas que andam pela cidade, as grandes vítimas do trânsito urbano

Entre as primeiras medidas que devem ser tomadas estão:

1) Redução da velocidade dos veículos automotores nas ruas – por meio de redução do limite das velocidades das vias, mas também através de ações de engenharia, como implantação de traffic calming, implantação de ciclovias, estreitamento das faixas em avenidas, plantio de árvores no centro da via, entre outros.

2) Uma verdadeira reeducação do trânsito, na qual todos os atores aprendam e obedeçam às regras mais fundamentais do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), como a mais óbvia, de respeitar o limite de velocidade da via, mas também a de que (Art. 44): “ao aproximar-se de qualquer tipo de cruzamento, o condutor do veículo deve demonstrar prudência especial, transitando em velocidade moderada, de forma que possa deter seu veículo com segurança para dar passagem a pedestre e a veículos que tenham o direito de preferência”.

Pequenas reduções de velocidade diminuem de forma significativa as mortes no trânsito. Gráfico- WRI Brasil - EMBARQ Brasil Impactos da Redução dos Limites de Velocidade em Áreas Urbanas
Pequenas reduções de velocidade diminuem de forma significativa as mortes no trânsito. Gráfico- WRI Brasil – EMBARQ Brasil Impactos da Redução dos Limites de Velocidade em Áreas Urbanas

Veja aqui um estudo da WRI Brasil – EMBARQ Brasil sobre o Impacto da redução dos limites de velocidade em áreas urbanas

Veja aqui as recentes propostas da prefeitura de São Paulo quanto a redução de velocidade em algumas avenidas da cidade

* Agradeço as sugestões de Rafael Calábria e as colocações de Meli Malatesta.

Vista do alto de calçada com móveis expostos e pessoa caminhando

“Fotos sobre tapume propõem olhar mais atento à calçada paulistana”

Publicado originalmente em: Mobilize Brasil
Autor: Regina Rocha / Mobilize Brasil
Data: 02/03/2015

Mostra com cenas urbanas e foco em calçamento histórico de São Paulo é exposta em plena rua, de modo a ser vista por todos os que passam diante de um tapume de obra

Quem passar a pé pelo bairro de Higienópolis, na região central de São Paulo, não pode deixar de parar e observar as imagens que recobrem os tapumes de uma obra no número 200 da rua Dr. Gabriel dos Santos.

Nesse suporte pouco usual, o fotógrafo Duda Groisman montou sua exposição fotográfica “Por onde vou”, que destaca um calçamento paulistano  – de ladrilho hidráulico, com a estampa do diagrama do estado – concebido há quase 50 anos (por Mirthes dos Santos Pinto), e que se tornou um ícone da capital.

Esse piso, que persiste em várias calçadas da cidade, conta uma história pouco conhecida dos próprios cidadãos, que sempre apressados, não tem tempo de refletir sobre seus próprios percursos. Assim, essa intervenção e produção artística no ambiente urbano tem a intenção de fazer o resgate dessa história da cidade, materializada num produto emblemático, e levar os passantes, protagonistas das imagens, a refletirem sobre seus caminhos.

Foto tira partido do reflexo da popular calçada com o diagrama de SP.  Foto: Duda Groisman
Foto tira partido do reflexo da popular calçada com o diagrama de SP.
Foto: Duda Groisman

 

Percepção da cidade

Duda Groisman, um administrador de empresas que em 2009 trocou o mundo corporativo pela fotografia, explica seu interesse por esse tema que, esclarece, é apenas uma parte do seu interesse maior pela vida da cidade, pelo ambiente urbano: “Deixei de usar o carro no dia a dia e, ao me deslocar caminhando, de bicicleta ou de transporte público, fui mudando minha percepção da cidade. Muita coisa passou a chamar minha atenção, como  observar este calçamento, sobre o qual pouca gente tem informação; eu mesmo não conhecia sua história, e veja que ele está aí desde 1966!”.

Pouco antes do dia 25 de janeiro, aniversário da cidade, Groisman viu a oportunidade de realizar esta mostra nos tapumes de uma obra em construção (da Think Construtora, parceira no projeto), e a série de fotos que tinha sobre o calçamento veio a calhar. “A ideia me agradou por ser uma intervenção urbana e democrática, ficando a vista de todos, 24 horas por dia, por muito tempo, diferente do que acontece em outros espaços expositivos. E o tema tinha ligação com a cidade, sua história, e com a arquitetura e design, por se tratar de uma obra, incluindo o restauro de dois casarões”, explicou.

Para o fotógrafo, interessa também levar as pessoas a se fixarem mais na paisagem urbana. “A grande maioria passa sem notar, não apenas o passeio, mas outros tantos detalhes da cidade. Claro que o paulistano até olha o chão por onde anda, pois se não, pode cair (risos) nos buracos de nossas calçadas mal cuidadas. Mas no dia a dia não vai olhar como observador, curioso das formas, materiais…”

A mostra “Por onde vou” ocupa o tapume de cerca de 38 m X 2,10 m, com 11 fotos em tamanho grande (para ser vista também por quem passa de carro ou na calçada oposta, explica o fotógrafo). E tem como cenário o calçamento dos bairros de Higienópolis, Santa Cecília, Barra Funda, Jardins e Centro.

Mostra fotográfica “Por onde vou” de Duda Groisman
Endereço: Rua Dr. Gabriel dos Santos, 200 – Higienópolis – São Paulo
Referência: próximo à estação Marechal Deodoro do metrô
Quando: por tempo indeterminado
Mais sobre a história do calçamento paulistano: www.facebook.com/porondevou