“Prefeitura vai fazer mil quilômetros de calçada até 2016, diz Haddad “

Publicado originalmente emO Estado de São Paulo
Autor:  Felipe Resk
Data: 22/04/2015

Comentário da Associação: A prefeitura anunciou esta semana o projeto “São Paulo Mil Quilômetros” para a construção e revitalização de 1000 km de calçadas nas 32 subprefeituras da cidade até 2016. A Associação pela Mobilidade a Pé em São Paulo sentiu a falta de participação social na elaboração desse projeto e pretende se reunir com a prefeitura para entender melhor o escopo da ação e seus critérios. As calçadas são o eixo central da mobilidade a pé, e precisam ser pensadas como parte de um sistema em rede, que inclui linearidade, continuidade, acessibilidade, segurança e conforto.

Em entrevista à ‘Rádio Estadão’, prefeito anunciou projeto que recuperará 700 quilômetros já existentes e construirá 300 novos

SÃO PAULO – A Prefeitura de São Paulo promete fazer mil quilômetros de calçadas na capital paulista até o final de 2016. Desses, 300 quilômetros devem ser feitos em locais onde ainda não há calçamento. Já as obras referentes aos outros 700 quilômetros serão destinadas às regiões em que a calçada apresenta problemas e precisa ser refeita.

“A partir da semana que vem, nós estamos anunciando um projeto ‘São Paulo Mil Quilômetros’. São cerca de 300 quilômetros de calçadas inteiramente novas, de ruas oficiais sem calçamento adequado, e 700 quilômetros que vamos refazer, de calçadas que estão abaixo da crítica”, afirmou o prefeito Fernando Haddad (PT), em entrevista à Rádio Estadão, na manhã desta quarta-feira, 22. As obras devem ser concluídas até o final da gestão do prefeito.

Questionado se o projeto abordaria uma região específica, Haddad respondeu: “Nós oficiamos todos os subprefeitos. Não há nenhuma subprefeitura que não tenha nos respondido. Então, é sinal que há problema na cidade inteira”.

Ainda de acordo com Haddad, os subprefeitos tiveram de entregar análises, que já estariam em poder das empresas responsáveis por realizar a concretagem.

Na semana passada, a secretária municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida, Marianne Pinotti,  havia afirmado que a prioridade era construir calçadas na periferia.

“Vão anunciar três frentes importantes, que é a Operação Tapa-Buracos, obras no centro da cidade com recursos do Ministério do Turismo e calçadas novas, priorizando a periferia da cidade, onde as pessoas precisam mais”, disse Marianne, durante o Conselho Municipal de Transporte e Trânsito (CMTT).

A informação encontrou resistência de algumas pessoas presentes na reunião do CMTT. “Nós não fomos convidados a contribuir com esse plano, então desconhecemos quais são os critérios dele”, disse Gilberto Frachetta, presidente do Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência. “A gente sabe que o investimento é pontual, não vai ser feito para toda cidade.”
Ouça a entrevista do prefeito Fernando Haddad à ‘Rádio Estadão’ (fala sobre calçada no minuto 35′)

Mobilidade

Para Haddad, o projeto de construção de calçadas faz parte do plano de mobilidade da Prefeitura, junto com a construção de ciclovias e faixas exclusivas para ônibus. O modal a pé foi o principal tema da última discussão do CMTT.

Na ocasião, o secretário municipal de Transportes, Jilmar Tatto, afirmou que pretendia incluir o projeto no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para viabilizar a construção das calçadas. “Assim como tem (recursos) para metrôs, corredores de ônibus, BRTs, (deveria) ter também para calçadas”, afirmou.

A resolução aprovada pelo CMTT sugeria à Prefeitura a construção de 250 quilômetros de calçadas por ano, que resultaria exatamente na construção de mil quilômetros a cada gestão municipal.

“Temos 17 mil quilômetros de calçadas na cidade de São Paulo. Se você desconsiderar as que são boas, podemos imaginar um universo de 10 mil quilômetros; (mil quilômetros) por gestão, demoraria muito. É tímido, mas pelo menos é um começo”, comentou Tatto sobre a proposta.

Imagem do post: Rua da Consolação. Foto: Pedro Martinelli

“Nossa Cidade: a calçada e seus vários donos”

Publicado originalmente em: The CityFix Brasil
Autor: Paula Santos
Data: 15/04/2015

Planejamento, construção e manutenção. Esses são os três passos básicos para garantir o nascimento e a vida longa de uma calçada. Mas calçadas órfãs são frequentemente comuns porque a responsabilidade por essas tarefas não é clara. Vale lembrar que não é um problema exclusivo das cidades brasileiras. A incerteza quanto à guarda do espaço destinado à locomoção dos pedestres é um assunto que ganha força em tempos de trânsito saturado em todo o mundo.

A responsabilidade varia de cidade para cidade. Em algumas, é obrigação do proprietário do imóvel adjacente; em outras, do poder público. Ainda, existem casos onde o dever é dividido entre ambos.

No Brasil, a maioria dos governos municipais adota a política de passar a tarefa para os proprietários dos lotes, enfrentando descontentamento e, às vezes, surpreendendo os desavisados. Em uma enquete virtual realizada em 2012, 61,5% dos internautas opinaram que o papel de construir e manter as calçadas deveria ser das prefeituras, afinal, é um bem público. Se a prefeitura é responsável pela parte da via dedicada aos veículos, por que não é também pela via dos pedestres? As calçadas são menos importantes para as pessoas do que as demais partes da via pública?

De fato, andar a pé, ainda que corresponda à maior fatia da divisão modal, não é o meio de locomoção que mais ganhou adeptos nas últimas décadas. Mas muitas cidades, tentando reverter a tendência insustentável da troca de um par de sapatos por pneus, vêm usando ferramentas diversas para garantir a qualidade das calçadas, inclusive a negociação da responsabilidade sobre elas. Entre erros e acertos, cada cidade deve chegar à melhor divisão segundo suas particularidades.

O que segue são apenas alguns exemplos de cidades que estão buscando resolver os problemas de acessibilidade dos pedestres delegando a responsabilidade aos moradores ou ao poder público.

Cidades onde a calçada é responsabilidade dos moradores

Na cidade de Nova York, os proprietários dos lotes são responsáveis por instalar, fazer reparos e manter a calçada limpa. Os agentes do Departamento de Transporte (NYC DOT) inspecionam e notificam os responsáveis sobre os reparos necessários. Caso o conserto não seja realizado, a cidade pode contratar construtoras privadas para resolver o problema e enviar a conta para o proprietário. Através do site do NYC DOT, a população é informada de forma bastante didática sobre todos os detalhes do programa de requalificação das calçadas.

Informações no site NYC DOT incluem um vídeo sobre o ciclo de vida da calçada.

 

Da mesma forma, os moradores de São Paulo devem cuidar das suas calçadas. A prefeitura constrói e reforma os passeios das edificações públicas municipais e ao longo das vias estruturais. Em janeiro de 2008 foi aprovada a Lei nº 14.675/08 (Plano Emergencial de Calçadas – PEC) que inclui nas responsabilidades do município as calçadas que estejam em rotas que comportam focos geradores de maior circulação de pedestres como pontos de transporte coletivo e serviços públicos e privados, definidas no Decreto Municipal nº 49.544/08.

Em Porto Alegre, o projeto Minha Calçada: Eu curto, Eu cuido busca informar e conscientizar a população sobre essas responsabilidades no processo de conservação das calçadas, disponibilizando uma cartilha com informações ilustradas. A implantação do projeto é dividida em etapas, focando em um ou dois bairros por mês. O proprietário é notificado no caso de necessidade de reparos, o que deve ocorrer em até 60 dias. Caso contrário, a prefeitura executará a obra cobrando as despesas acrescidas de 30% de multa no IPTU do mês seguinte.

Porto Alegre é exemplo de onde a calçada é de responsabilidade do proprietário. (Foto: Prefeitura de Porto Alegre)

Na cidade de São José dos Campos a prefeitura criou um programa diferente para melhorar as condições das calçadas. No Programa Calçada Segura, quem trabalhou na conscientização dos moradores e comerciantes foi um grupo de 15 agentes comunitários com idades entre 61 e 70 anos. Os cabelos brancos inspiraram confiança em quem recebia os idosos, que informavam as dificuldades de locomoção que uma calçada mal construída poderia causar. Desde o início da campanha em 2007 foram realizadas cerca de 30 mil visitas, resultando em mais 120 mil m² de calçadas reparadas.

Cidades onde a calçada é responsabilidade da prefeitura

Na década de 70, o governo de Los Angeles recebeu uma boa verba federal e tomou para si a obrigação de realizar os reparos nas calçadas. Alguns anos depois o dinheiro acabou, e a cidade passou a ter dificuldades em mudar a legislação para devolver a obrigação para os proprietários dos lotes. Como resultado, em 2010 aproximadamente 7 mil dos 17 mil km lineares de calçadas de Los Angeles careciam de reparos. Hoje os proprietários realizam a maioria dos reparos, mas a cidade ainda é responsável por danos causados por raízes de árvores − um dos problemas mais frequentes.

Em Los Angeles, danos à calçada causados por árvores são frequentes. (Foto: LA Times/Reprodução)

Em Austin, Texas, a manutenção da calçada tornou-se responsabilidade pública em meados dos anos 90, mas nunca teve uma estratégia de financiamento que garantisse receita suficiente para um alto nível de acessibilidade. O Americans with Disabilities Act – ADA (Ato das Pessoas com Mobilidade Reduzida, em tradução livre), assinado em 1990 nos Estados Unidos, é um fator determinante para continuar promovendo o direito de passagem para todos na cidade.

Washington D.C. exibe lindas calçadas de responsabilidade do poder público. Os moradores podem requerer a manutenção de qualquer calçada especificando o local, o tipo de pavimento e a severidade do problema. A prefeitura garante investigar o ponto em dez dias úteis, mas adverte que reparos permanentes dependem da disponibilidade de recursos.

Londres repara cerca de 1.500 quilômetros de calçadas por ano, investindo mais de 1 milhão de libras. A expectativa é que os recursos disponíveis possam aumentar, possibilitando à cidade melhorar os 4 mil km com deficiências identificadas. Reparos permanentes podem demorar até quatro anos.

Os moradores de Madrid também enfrentam atrasos nos reparos das calçadas. O Plano de Gestão Integral de Infraestruturas Viárias prevê remodelar por completo quase 4 milhões de m² de calçadas  sendo 2 milhões de m² até 2016. Com esse investimento, a prefeitura também espera ter mais controle e exigência na qualidade das infraestruturas, permitindo participação ativa dos madrilenos.

Quando a responsabilidade é compartilhada

Em San Diego, Califórnia, o reparo de estragos causados por acidentes veiculares, danos no sistema público de coleta e abastecimento de água, e raízes de árvores públicas é de responsabilidade da prefeitura. Quando o estrago for consequência de tráfego de automóveis privados, raízes de árvores ou sistemas de drenagem particulares, a responsabilidade é do proprietário. A manutenção dos desgastes causados por intempéries também é financiada pelo proprietário, porém com apoio de um programa da cidade que cobre 50% dos custos, fatia que deve ser diminuída em 2015 para 25%. Em 2014, a prefeitura organizou um grupo com estudantes de engenharia de duas universidades da cidade para caminhar mais de 8 mil km em busca de reparos a serem feitos.

Estudantes da Universidade da Califórnia e da Universidade Estadual de San Diego realizaram a inspeção das calçadas na cidade. (Foto: Katie Schoolov/KPBS)

A também americana Memphis, Tennessee, prevê assistência pública para proprietários de lotes que não têm condições financeiras de arcar com a manutenção da calçada, desde que esteja em uma das categorias: 1) renda total da família menor ou igual a 25 mil dólares; 2) invalidez total; 3) família abaixo da linha da pobreza. A cidade estima que cerca de 2% da população se encaixe nesses quesitos.

Existem diferentes opiniões sobre cada um dos tipos de divisão das responsabilidades. A discussão envolve não apenas questões econômicas, mas também técnicas e políticas. Enquanto as leis municipais continuarem como estão, vale lembrar de colocar em prática a cidadania, e isso inclui cuidados com os bens de uso coletivo. A vigilância das calçadas pela população e a utilização das ferramentas para apontar problemas nas cidades são essenciais para a melhoria dos espaços públicos urbanos.

“A vez do pedestre também tem que ser agora!”

Publicado originalmente em: Yahoo Notícias – Habitat
Autor:  Raquel Rolnik
Data: 09/04/2015

Até o dia 17 de abril, os paulistanos podem contribuir pela internet com a elaboração do Plano de Mobilidade da cidade de São Paulo. A última rodada de debates temáticos presenciais acontece no próximo sábado, a partir das 9h, no auditório da Uninove (Vergueiro). A elaboração do plano é uma exigência da Política Nacional de Mobilidade, aprovada em 2012.

Um dos temas que serão discutidos no encontro de sábado é a mobilidade a pé. Embora ninguém nunca fale nos pedestres na discussão da mobilidade urbana, a quantidade de pessoas que se desloca no dia a dia principalmente desse modo é altíssima: chega a mais de 30% da população, segundo a pesquisa Origem e Destino realizada pelo Metrô em 2007.

Se considerarmos que os que utilizam o transporte público também se deslocam a pé no trajeto entre a casa/trabalho/escola e o ponto onde pegam o ônibus ou a estação de trem ou metrô, percebemos que o tema é absolutamente central nessa discussão. Mesmo quem utiliza o carro diariamente, em alguns momentos, é também pedestre: no horário de almoço, quando caminha até um restaurante, ou mesmo no trajeto entre o estacionamento e o local de trabalho.

Porém, quando se fala em mobilidade urbana, em geral pouco se pensa na situação dos pedestres na cidade. Lembro de uma pesquisa realizada pela CET em 2011 que mostrava que 89,6% dos motoristas não respeitam as faixas de pedestres e que cerca de 70% das pessoas que se deslocam a pé se sentem desrespeitadas no trânsito.

Em 2011, também, a Câmara Municipal aprovou uma Lei das Calçadas, estabelecendo novos critérios e parâmetros, e até publicou uma cartilha para orientar os proprietários de imóveis, que são, em grande parte das ruas da cidade, os responsáveis pela manutenção das calçadas. Obviamente, de lá pra cá, não vimos grandes mudanças, nossas calçadas, em geral, continuam sendo de péssima qualidade…

O fato é que esse modelo de gestão da infraestrutura de circulação dos pedestres, privado e individual, simplesmente não dá conta de enfrentar o problema. Se historicamente o poder público cuida do leito carroçável, onde andam os veículos, por que não pode ser responsável por garantir calçadas seguras e confortáveis para os pedestres?

Pensando em todas essas questões que envolvem o difícil cotidiano de quem se descola a pé pela cidade, um grupo de pessoas decidiu criar a Associação pela Mobilidade a Pé em São Paulo. O objetivo é se articular e somar forças para cobrar a inclusão de ações pela melhoria da mobilidade a pé nas políticas gerais de mobilidade da cidade.

E eles estão certos. Uma verdadeira política de mobilidade implica, sim, pensar ações de apoio à circulação dos pedestres. Em Nova York, por exemplo, existe um plano de mobilidade não motorizada que inclui tanto ações para deslocamentos por bicicleta – como o planejamento das ciclovias – como ações voltadas à melhoria da circulação dos pedestres na cidade.

Nesse momento em que a cidade de São Paulo busca mudar seu paradigma de mobilidade, investindo em mais espaço para o transporte público e para as bicicletas, com a implementação de faixas exclusivas de ônibus e de ciclovias, é fundamental, também, incluir iniciativas que melhorem as condições dessa parcela tão expressiva da população que se locomove a pé.

Imagem do post: Calçada em Itaquera, zona leste de São Paulo. Foto: Marcos Paulo Dias

12a Reunião do CMTT: Apresentação de Estudos sobre Calçadas no PlanMob

O tema da 12ª Reunião ordinária do Conselho Municipal de Transporte e Trânsito nos interessa particularmente. Trata-se de uma “Apresentação de estudo e proposta sobre calçadas no PlanMob”, desenvolvido pelo GT de Calçadas e Pedestres.

Convidamos todos a participar.

12ª Reunião ordinária do Conselho Municipal de Transporte e Trânsito
Dia
: Quinta-feira, 16/4/15
Hora: Das 8h30 às 11h00
Local: Conselho Regional de Contabilidade – CRC
Endereço: Rua Rosa e Silva, 60, Santa Cecília
Como chegar: Marechal Deodoro

12a reuniao CMTT

 

Imagem do post: Av. São Luiz. Foto: Pedro Martinelli

“Nossa Cidade: os oito princípios da calçada”

Publicado originalmente em: The CityFix Brasil
Autor: Paula Santos
Data: 01/04/2015

Os oito princípios da calçada

Andar a pé é a forma mais democrática de se locomover. É o meio de transporte mais antigo e o mais recorrente em todo o mundo e não tem custo nenhum além de algumas calorias.

Apesar disso, as pessoas caminham cada vez menos. Seja porque as cidades estão mais espalhadas, seja porque as calçadas, vias por onde as pessoas caminham, são verdadeiros obstáculos. Falta de pavimento, largura inadequada e veículos estacionados irregularmente são apenas alguns dos indícios de que as calçadas estão sendo sufocadas, há décadas, por outros meios de transporte menos saudáveis – tanto para os usuários quanto para as cidades.

É preciso uma injeção de ânimo para que os pedestres retornem às ruas. A qualidade das calçadas pode ser potencializada, não apenas para atrair mais pedestres, mas também para tornar-se um espaço agradável, onde as pessoas querem estar e conviver.

Esses lugares existem. Calçadas vivas são vistas em muitas cidades do Brasil e do mundo que tornaram o transporte a pé uma prioridade. Em vez de apenas pavimentar uma reduzida faixa ao longo de suntuosas avenidas dominadas pelos automóveis, estas cidades decidiram enriquecer ainda mais o espaço, privilegiando o convívio entre as pessoas.

Calçadas são construídas a partir de oito princípios, complementares e interligados. Juntos eles não apenas qualificam uma calçada adequada, mas direcionam para o desenvolvimento de cidades ativas e saudáveis.

Conheça os oito princípios da calçada:

1. Dimensionamento adequado

A calçada é composta por uma faixa livre, onde transitam os pedestres, uma faixa de serviço, onde está alocado o mobiliário urbano – como bancos e lixeiras –  e uma faixa de transição, onde se dá o acesso às edificações. Ter conhecimento desses componentes facilita o dimensionamento adequado das calçadas.

2. Superfície qualificada

Regular, firme, estável e antiderrapante. Essas são as características básicas do pavimento da calçada. Para assegurá-las, é necessário estar atento ao processo construtivo e à qualidade da mão-de-obra, não apenas ao projeto.

3. Drenagem eficiente

Um local alagado é impróprio para caminhada. Calçadas que acumulam água tornam-se inúteis para os pedestres, que acabam desviando sua rota pelo leito dos carros, arriscando a sua segurança.

4. Acessibilidade universal

A calçada, como espaço público, deve ser acessível a pessoas com diferentes características antropométricas e sensoriais: desde pessoas com restrição de mobilidade, como usuários de cadeira de rodas e idosos, até pessoas com necessidades especiais passageiras, como um usuário ocasional de muletas ou uma mulher grávida. Listar essas características é uma boa forma de refletir sobre como atender às necessidades de todos os pedestres.

5. Conexões seguras

O caminho percorrido pelos pedestres envolve pontos de transição com elementos urbanísticos, como vias dedicadas aos veículos e pontos de parada do transporte coletivo. É importante que as conexões entre esses elementos sejam acessíveis e seguras.

6. Espaço atraente

Ao caminhar nas ruas, os pedestres entram em contato com o ambiente urbano. As calçadas podem desempenhar um papel importante para tornar essa experiência mais agradável. Cativar as pessoas para que se locomovam a pé é uma forma de incentivar o exercício físico e diminuir os congestionamentos nas cidades.

7. Segurança permanente

Durante o dia ou a noite, em dias úteis ou em fins de semana, as calçadas estão sempre abertas para as pessoas. Porém, são menos utilizadas em determinados períodos, que se tornam inseguros por falta de vigília – não da polícia, mas dos próprios pedestres. Adotar estratégias para influenciar positivamente na segurança dos pedestres pode tornar as calçadas mais vivas.

8. Sinalização coerente

Assim como os motoristas de veículos automotores, os pedestres também necessitam de informações claras para saber como se comportar e se localizar no ambiente urbano.

“Ação transformou calçadas da Vila Pompéia, em São Paulo”

Publicado originalmente em: Cidade em Movimento
Data: 12/11/2014

A iniciativa Calçadas Verdes e Acessíveis mudou o cenário de algumas ruas da Vila Pompéia, na zona Oeste de São Paulo.  Os moradores e pedestres que circulam pela região, marcada por grande irregularidade de terreno,  sofriam com o estado de má conservação das calçadas e precisavam enfrentar degraus que chegavam a ter 50 centímetros de altura para dar acesso às garagens. Uma verdadeira barreira de acessibilidade principalmente para idosos e pessoas com necessidades especiais que preferiam caminhar pelas ruas, aumentando o risco de atropelamento.

Exemplos da irregularidade das calçadas antes da intervenção de Calçadas verdes

Exemplos da irregularidade das calçadas antes da intervenção de Calçadas verdes

O projeto de recuperação e padronização das calçadas, de acordo com as normas municipais, começou a ser implantado em 2007, a partir da ideia de Gilmar Altamirano, que contou com  o apoio da Appa  (Associação Pompéia de Preservação Ambiental) e com a parceria com a ONG Universidade da Água. Juntos criaram a campanha Calçadas Verdes e Acessíveis.

Além de padronizar as calçadas, o projeto fez com que esses locais se transformassem em nichos verdes, garantindo acessibilidade e permeabilidade. Foram beneficiadas as ruas Tavares Bastos, entre a Tucuna e a Caraíbas e na Rua Tucuna (lado ímpar), além da Avenida Professor Alfonso Bovero.

Calçada da região da Pompéia, em São Paulo, após intervenção pela acessibilidade

Calçada da região da Pompéia, em São Paulo, após intervenção pela acessibilidade

Segundo Gilmar Altamirano, ganhar menção honrosa do Mobilidade Minuto chama a atenção  para a causa da mobilidade urbana. “Para nós, o prêmio  significa colocar uma “lente de aumento” numa iniciativa que queremos multiplicar em prol da mobilidade urbana. Antes mesmo de uma divulgação mais maciça já estamos sendo procurados por outras instituições para conhecerem melhor o projeto.”

Novo cenário – Segundo Gilmar, o projeto eliminou 99% dos degraus e deixou as ruas  mais verdes graças um novo paisagismo. A nova “cara” fez com que as pessoas que antes caminhavam pelas ruas passassem a andar pela calçada reformada. Incentivo também para condomínios verticais no bairro  (novos e velhos) que passaram a adotar o novo modelo de calçada. Estima-se que a construção desses novos passeios beneficie diretamente mais de cinco mil pessoas que vivem no entorno.

Conheça, participe, divulgue Calçadas Verdes e Acessíveis.

Imagem do post: Projeto Calçadas Verdes e Acessíveis.  Foto: Gilmar Altamirano

“Maratona de mapeamento de calçadas, dia 28, em todo o Brasil. Participe!”

Publicado originalmente em: Mobilize Brasil
AutorDu Dias
Data: 18/03/2015

A Rede Corridaamiga vem se formando desde o início de 2014, com o objetivo de estimular a prática da corrida de rua como meio de transporte. Como usuários em contato direto com as vias públicas, os idealizadores da rede passaram a atuar também de forma política, defendendo melhorias nas estruturas urbanas. E uma das ferramentas desenvolvidas para este fim foi uma plataforma, em parceria com o Cidadera, que permite ao usuário registrar problemas ou condições adversas em seu trajeto por meio de um aplicativo ou plataforma on-line.

Pela utlização deste aplicativo, os integrantes da rede planejam fazer um happening no próximo dia 28 de março, batizado de #CalçadaCilada. O objetivo é reunir num mesmo dia colaboradores em várias cidades do país para uma verdadeira maratona de avaliação das calçadas nos municípios em que se encontram e compartilhar cada avaliação com quem acessar a plataforma ou baixar o aplicativo. A prioridade será dada para calçadas com grande fluxo de pedestres, como as proximidades de escolas e hospitais. A tecnologia é a mesma que alimenta a seção Mobilize-se, do Mobilize Brasil, em que todas as informações anexadas utilizando o aplicativo Cidadera ou a plataforma Corridaamiga#CalçadaCilada também ficam disponíveis no Mobilize e vice-versa.

Esta é a segunda edição da campanha #CalçadaCilada. Quando foi lançada, em 2014, incentivava os corredores de rua a postarem selfies pela cidade, sempre que encontrassem problemas nas calçadas. Segundo Silvia Stucchi, uma das fundadoras do Corridaamiga, a ferramenta visa a facilitar a ação cidadã e ampliar o olhar para um espaço que se tornou “invisível”. “O aumento do transporte ativo pode trazer como desdobramentos uma pressão natural não só sobre o setor público, como também sobre o privado (para sanar todas as barreiras que encontramos hoje)”, explica Silvia.

A iniciativa, uma realização do Corridaamiga em parceria com o Cidade Ativa e Desenhe Sua Faixa, conta com o apoio de várias organizações como o Mobilize e: Guia Voluntários Corpore, Anjos que correm, Corrida Social, Pé de Igualdade, Bike Anjo, Cidadera, Cidade Ativa, Milalá, MoveBrasil, Missiorama, DressMeUp, Respeite Um Carro a Menos, EditoraMol (Livro Eu Amo Correr), Desenhe sua Faixa, SampaPé, oGangorra, Rock&Run, Amo Correr, Catraca Livre, Jornalistas que Correm, Instituto Mara Gabrilli, GepafUSP, Cidadera, Programa Agita São Paulo, Nosso Pinheiros e Photo Extreme.

Como participar

1) Baixe o aplicativo para Android ou iOS clicando neste link;

2) Com seu smartphone ou tablet em mãos, registre e compartilhe os problemas nas calçadas que encontrar no seu dia a dia;

3) No dia 28/03, saia para uma caminhada ou corrida com seus amigos e estimule os a fazer e compartilhar novas avaliações;

Caso não possua tablet ou smartphone, faça sua avaliação e compartilhe acessano um dos três endereços a seguir: a página da campanha #CalçadaCilada; a seção Mobilize-se, do Portal Mobilize Brasil, ou a página doCidadera

Alguns exemplos do que denunciar

  • Calçada obstruída;
  • Tempo de travessia insuficiente do semáforo para pedestres;
  • Semáforo de pedestres quebrado;
  • Falta de sinalização para pedestres;
  • Calçada para pedestres em mau estado;
  • Faixa de pedestres em mau estado;
  • Ausência de faixa de pedestres.

“Moradores pintam faixa de pedestres na Vila Beatriz”

Publicado originalmente em: Gazeta de Pinheiros
Data: 13/03/2015

Segundo a vizinhança, além da ausência de uma faixa de pedestres a iluminação do local é precária

Cansados de esperar por uma faixa de pedestres solicitada à Prefeitura de São Paulo na Rua Pascoal Vita, moradores da Vila Beatriz fizeram a intervenção viária por conta própria. No último domingo (8), eles interditaram um trecho em declive da via, onde costumam descer carros em alta velocidade.

Segundo a vizinhança, além da ausência de uma faixa de pedestres a iluminação do local é precária, o que dificulta a visualização dos veículos durante a noite. Para pintar a travessia no asfalto, os moradores bloquearam o tráfego com cavaletes que exibiam a seguinte frase: “Bom dia! Esta quadra está interditada para a pintura de uma faixa de pedestres. Colabore. A cidade é das pessoas”. O contorno das faixas foi definido com o auxílio de fitas crepes.

A faixa de pedestre na Rua Pascoal Vita foi pintada próximo ao cruzamento com a Rua Natingui, onde o publicitário Vitor Gurman, 24 anos, morreu em 2011 ao ser atropelado por um veículo do modelo Land Rover que estava acima da velocidade permitida na via.

Iniciativa semelhante a dos moradores da Vila Beatriz ocorreu em 2010 no cruzamento da Rua dos Pinheiros com a Rua Mateus Grou, também sob a alegação de demora na realização do serviço de sinalização viária. No mesmo ano, rotas preferenciais para ciclistas foram pintadas por grupos cicloativistas de maneira ilegal em diversas pontes de acesso à Marginal Pinheiros.

“Fotos sobre tapume propõem olhar mais atento à calçada paulistana”

Publicado originalmente em: Mobilize Brasil
Autor: Regina Rocha / Mobilize Brasil
Data: 02/03/2015

Mostra com cenas urbanas e foco em calçamento histórico de São Paulo é exposta em plena rua, de modo a ser vista por todos os que passam diante de um tapume de obra

Quem passar a pé pelo bairro de Higienópolis, na região central de São Paulo, não pode deixar de parar e observar as imagens que recobrem os tapumes de uma obra no número 200 da rua Dr. Gabriel dos Santos.

Nesse suporte pouco usual, o fotógrafo Duda Groisman montou sua exposição fotográfica Por onde vou, que destaca um calçamento paulistano  – de ladrilho hidráulico, com a estampa do diagrama do estado – concebido há quase 50 anos (por Mirthes dos Santos Pinto), e que se tornou um ícone da capital.

Esse piso, que persiste em várias calçadas da cidade, conta uma história pouco conhecida dos próprios cidadãos, que sempre apressados, não tem tempo de refletir sobre seus próprios percursos. Assim, essa intervenção e produção artística no ambiente urbano tem a intenção de fazer o resgate dessa história da cidade, materializada num produto emblemático, e levar os passantes, protagonistas das imagens, a refletirem sobre seus caminhos.

Foto tira partido do reflexo da popular calçada com o diagrama de SP.  Foto: Duda Groisman

Foto tira partido do reflexo da popular calçada com o diagrama de SP.
Foto: Duda Groisman

 

Percepção da cidade

Duda Groisman, um administrador de empresas que em 2009 trocou o mundo corporativo pela fotografia, explica seu interesse por esse tema que, esclarece, é apenas uma parte do seu interesse maior pela vida da cidade, pelo ambiente urbano: “Deixei de usar o carro no dia a dia e, ao me deslocar caminhando, de bicicleta ou de transporte público, fui mudando minha percepção da cidade. Muita coisa passou a chamar minha atenção, como  observar este calçamento, sobre o qual pouca gente tem informação; eu mesmo não conhecia sua história, e veja que ele está aí desde 1966!”.

Pouco antes do dia 25 de janeiro, aniversário da cidade, Groisman viu a oportunidade de realizar esta mostra nos tapumes de uma obra em construção (da Think Construtora, parceira no projeto), e a série de fotos que tinha sobre o calçamento veio a calhar. “A ideia me agradou por ser uma intervenção urbana e democrática, ficando a vista de todos, 24 horas por dia, por muito tempo, diferente do que acontece em outros espaços expositivos. E o tema tinha ligação com a cidade, sua história, e com a arquitetura e design, por se tratar de uma obra, incluindo o restauro de dois casarões”, explicou.

Para o fotógrafo, interessa também levar as pessoas a se fixarem mais na paisagem urbana. “A grande maioria passa sem notar, não apenas o passeio, mas outros tantos detalhes da cidade. Claro que o paulistano até olha o chão por onde anda, pois se não, pode cair (risos) nos buracos de nossas calçadas mal cuidadas. Mas no dia a dia não vai olhar como observador, curioso das formas, materiais…”

A mostra “Por onde vou” ocupa o tapume de cerca de 38 m X 2,10 m, com 11 fotos em tamanho grande (para ser vista também por quem passa de carro ou na calçada oposta, explica o fotógrafo). E tem como cenário o calçamento dos bairros de Higienópolis, Santa Cecília, Barra Funda, Jardins e Centro.

Mostra fotográfica “Por onde vou” de Duda Groisman
Endereço: Rua Dr. Gabriel dos Santos, 200 – Higienópolis – São Paulo
Referência: próximo à estação Marechal Deodoro do metrô
Quando: por tempo indeterminado
Mais sobre a história do calçamento paulistano: www.facebook.com/porondevou

“A cidade andável”

Publicado originalmente em: Brasil Post
Autor: Mauro Calliari
Data: 02/03/2015

Vamos discutir a “andabilidade”

Enquanto as cidades brasileiras discutem seus planos de mobilidade, é preciso lembrar de quem anda a pé. Depois de décadas de planejamento urbano focado no uso do automóvel, o andar a pé voltou com força às discussões e à prática das grandes cidades pelo mundo.

Nos EUA, berço da cultura do carro, há uma nova geração que está se afastando do carro: em 1970, apenas 8% das pessoas com mais de 19 anos optaram por não tirar carta. Hoje são 23%!

Essas pessoas usam mais transporte público, mas também andam mais. Elas precisam de calçadas melhores, segurança e um cenário urbano minimamente prazeroso. Tudo isso pode ser chamado de “andabilidade”. Sim, a palavra é feia e nem existe em português. Mas o conceito é bom!

Quem aguenta caminhar 500 metros num lugar feio, com muros em volta, pode facilmente andar um quilômetro ou mais, se contar com calçadas seguras, que passam por lugares interessantes, com vitrines, mesas, bares, padarias, lojinhas, toldos, praças, largos, bancos e as surpresas que só quem caminha pode ter.

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Foto: Mauro Calliari

 

A vez dos pedestres

O livro Walkable City, de Jeff Speck* é uma boa maneira de contextualizar esse problema. Ele conta os aprendizados que os gestores municipais estão tendo:

Quem mora nos subúrbios anda menos. Em relação aos seus pares das grandes cidades, essas pessoas são mais obesas e têm mais problemas de saúde.

A densidade atrai talentos e estimula a inovação. Empresas já entenderam isso: quando estão recrutando jovens, fazem questão de ressaltar o argumento da vida urbana, vibrante, dinâmica, interessante, para atrair funcionários. Cidades competitivas oferecem um Starbucks e uma lavanderia na esquina e não mais o bucolismo idealizado do subúrbio.

Cidades mais andáveis criam mais valor. O preço por metro quadrado reflete isso: quanto mais andável, mais cara a vizinhança. Incrivelmente, corretores de imóvel já usam o indicador de “andabilidade” criado pela empresa WalkScore para atrair compradores para os imóveis localizados perto de comércio, lojas, amenidades, parques.

Moradores das cidades densas poluem, relativamente menos. Cada habitante de Nova Iorque polui muito menos do que a maioria das cidades americanas, mais espalhadas. Entretanto, cada habitante de Hong Kong, muito mais densa ainda, emite um décimo de CO2 do que os seus colegas de Manhattan.

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Foto: Mauro Calliari

 

Como tornar a cidade mais andável?

1. Adotar o ponto de vista do pedestre em vez do ponto de vista do motorista. A velocidade do deslocamento em carro não pode ser o único parâmetro de avaliação. Hoje, nossas rádios ficam colocando boletins a cada cinco minutos com o número de quilômetros de congestionamento, esquecendo-se de que dois terços dos deslocamentos de S.Paulo são feitos a pé ou em transporte público. As faixas de pedestre não podem ser encaradas como interrupções no tráfego e sim como prioridade para os trajetos. No cruzamento da Av. Brigadeiro Luiz Antonio com a Paulista, por exemplo, os pedestres têm que virar à direita, andar uns 20 metros, atravessar e voltar, para continuar seu trajeto. Por quê? Para não “atrapalhar” o trânsito.

2. Entender a “demanda induzida”: mais pistas trazem mais carros. Novas pistas para carros serão sempre preenchidas, como está mostrando a cara e ineficaz reforma da Marginal Tietê, feita há poucos anos a um custo que poderia ter sido investido em transporte público. O inverso também é verdadeiro. Os carros que passavam pelo viaduto Embarcadero em S.Franciso, destruído pelo terremoto de 1989 acharam outros caminhos. Em Cheonggyecheon, em Seoul, 168 mil motoristas trocaram de trajeto ou de transporte quando o viaduto foi destruído para dar lugar a um rio bucólico.Ou seja, invista em transporte público!

3. Colocar os mais fracos longe dos mais fortes. Algo tem que proteger os pedestres dos carros. Às vezes são carros estacionados. Outras vezes é a distância ou árvores. Uma coisa é certa: a velocidade dos carros tem que baixar na cidade. Ninguém quer que seus filhos brinquem numa calçada em frente de uma rua em que os carros passam a 60 km por hora.

4. É preciso discutir estacionamento na cidade. Estacionamento grátis é financiado pelo contribuinte. O giro de clientes é importante para o comércio. Assim, cobrar pelo estacionamento estimula a rotatividade. Numa evolução quântica em relação ao difícil de encontrar e ineficiente cartãozinho da zona azul, cidades mais avançadas já estipulam preços diferentes por tipologia de quarteirão. Quarteirões mais demandados cobram mais. Terrenos com grandes estacionamentos, por sua vez, não devem ocupar a vista da calçada. Vale a pena esconder sua feiúra atrás de fachadas de lojas, por exemplo.

5. Quanto melhor o transporte público, mais incentivo para deixar o carro em casa. É preciso aumentar a urbanidade (pontos de ônibus, acessos), transparência (roteiros e horários), freqüência (10 minutos no máximo; se ônibus não encher, use van) e prazer (“transporte público é uma forma móvel de espaço público”).

6. Bicicletas deveriam ser amigas dos pedestres. Bicicletas ajudam a diminuir o trânsito, são mais saudáveis e menos poluentes. A polêmica das faixas vazias já foi vivida em outras cidades ao redor do mundo. O ex-prefeito de Bogotá, Enrique Peñalosa é direto: “construa as faixas de bicicletas e os ciclistas virão”. Soa familiar? Por outro lado, atenção, nem todas as ruas são adequadas para ciclovias. É preciso pensar na vitalidade do comércio e no traçado urbano.

7. As calçadas têm de ser acolhedoras. Nós, humanos caminhantes, precisamos de calçadas boas, distância dos carros, mas também de acolhimento. Códigos municipais, como o Plano Diretor de São Paulo começou a esboçar, deveriam também incentivar as fachadas amigáveis: toldos, vitrines, lojas pequenas, mesas, reeentrâncias. Queremos uma novidade a cada 5 segundos e não um paredão de 40 metros. E, claro, queremos árvores. Árvores diminuem temperatura, fazem sombra e ainda seqüestram dióxido de carbono, além de melhorar o prazer do caminhar.

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Foto: Mauro Calliari

 

Mudanças no estilo de gestão

Se há tantas cidades adotando modos diferentes de pensar, tanto no Brasil com fora, o que falta para bons conceitos virarem boas práticas?

1. Integração de objetivos. É preciso que os órgãos trabalhem em consonância. Quem é o responsável pela andabilidade? O departamento de obras, engenharia de tráfego, subprefeituras, desenvolvimento urbano? Não deveriam ser todos juntos?

2. Medição. Americanos medem tudo. Nós medimos pouco. Qual é o impacto de cada nova ciclovia no movimento do comércio, na redução do trânsito, no número de deslocamentos, etc? É preciso ser mais racional e medir mais, para aprender mais rápido. O que não se mede, não se controla.

3. Testes. A disciplina de teste é algo pouco difundido na gestão pública, mas que as empresas praticam muito bem há décadas. O que sabemos sobre as tantas iniciativas que foram iniciadas na cidade? O que deu certo? O que deu errado? Em pequena escala, é mais fácil medir e resolver os problemas. O que dá certo, implementa-se em grande escala. O que dá errado deveria gerar aprendizado.

4. Estabelecer prioridades. Gestores públicos precisam escolher onde gastar o dinheiro. A tendência de um gestor público é tentar distribuir igualmente recursos. A parte mais difícil de priorizar é justamente essa, deixar algo de fora. Jeff Speck tem um argumento para ajudar a dar coragem: “ao tentar ser universalmente excelentes, muitas cidades terminam sendo universamente medíocres”.

* Walkable City – How downtown can save America, one step at a time, de Jeff Speck. Editora: Farrar, Straus and Giroux, Nova York

Política Nacional de Mobilidade Urbana.