Diretrizes para o Plano de Mobilidade Urbana 2015 da Cidade de São Paulo referentes à mobilidade a pé

A proposta de Diretrizes para o Plano de Mobilidade Urbana 2015 da Cidade de São Paulo referentes à mobilidade a pé foi construída, de modo colaborativo, em três fases:

1) O Grupo de Estudos de Mobilidade a Pé e Acessibilidade da ANTP iniciou esta carta de demanda de diretrizes para auxiliar a construção de um Plano de Mobilidade em que realmente priorize as pessoas e seus deslocamentos;

2) O texto inicial ficou disponível online para comentários e contribuições por um período de 21 dias; e

3) Reunião no debate temático para a construção do Plano de Mobilidade, organizado pela Secretaria Municipal de Transportes de São Paulo, no dia 12 de abril de 2015, aberto para o público em geral.

O texto a seguir é uma contribuição ao município de São Paulo, que surgiu da sociedade civil para o poder público, legitimando um desejo da sociedade pela criação de políticas de base para desenvolver uma cidade mais caminhável e confortável para os pedestres nos próximos quinze anos.

Veja aqui o texto final encaminhado à Secretaria de Transportes da PMSP em 13/04/2015:

Diretrizes para o Plano de Mobilidade Urbana 2015 da Cidade de São Paulo referentes à mobilidade a pé

CMTT: Mobilidade a Pé em São Paulo

A 12a reunião do Conselho Municipal de Transporte e Trânsito aconteceu no dia 16/04/2015. Nela, o principal ponto da pauta foi a Mobilidade a Pé.

Destacamos aqui os principais pontos levantados pela prefeitura, quanto à situação atual dos espaços de circulação a pé e as propostas da prefeitura para melhorar a situação.

Trechos da apresentação:

PROBLEMA: DIFERENTES CRITÉRIOS para a gestão da VIA:

Pista (veículos): Responsabilidade pública
X
Calçada (pessoas): Responsabilidade privada

 

AS RAZÕES DO PROBLEMA
•  Prioridade do uso do espaço viário para automóveis;
• Baixo investimento e desvalorização do espaço público;
•  Diferentes gestores do espaço público das vias (SMT= pista/SMSP= calçadas);
•  Responsabilização mista de manutenção e reforma das calçadas : PMSP (vias principais – 1.500 km) X particular (vias secundárias – 13.000 km);
•  Inexistência de recurso específico.

 

PROPOSTAS
• Nova Lei: calçada é responsabilidade pública;
• Criar órgão ou departamento responsável pela construção, reforma, adequação e regularização das calçadas, bem como por sua gestão;
• Rever as leis e as atribuições dos órgãos intervenientes;
• Identificar e fixar fonte de financiamento (R$ 50 mi/ano):
parcela do FMDT OU FUNDURB;
venda de espaço publicitário em postes de placa de logradouros;
financiamento federal.
•  Estabelecer estratégia de transição;
• Iniciar as reformas das calçadas pelo PEC.
• Manter meta de reforma/construção de 250.000 m²/ano

Veja aqui a apresentação completa:

12reunao CMTT_2015-04-16 - capa

“Andar por ruas e calçadas da cidade é um desafio”

Transmitido originalmente por: Jornal da Gazeta
Repórter:  Tassia Sena
Data: 21/04/2015

Andar a pé em São Paulo é muitas vezes um desafio por causa dos verdadeiros obstáculos encontrados nas ruas e calçadas da capital. Para reivindicar melhores condições de mobilidade para os pedestres, um grupo de paulistanos criou uma associação.

Imagem do post: Poste na calçada obriga pedestres a andarem na rua. Imagem extraída do vídeo: Eduardo Borges e Éder de Souza

“Paulistanos são os mais insatisfeitos com suas calçadas”

Publicado originalmente em: O Globo
Autor:  Leonardo Guandeline
Data: 23/04/2015

Levantamento feito com ajuda de aplicativo sugere soluções; prefeito de SP anuncia plano

SÃO PAULO – Calçadas estreitas, esburacadas, irregulares, com degraus e obstruídas (por entulho, lixo, mato, comerciantes, carros), ou então inexistentes. São essas as principais dificuldades encontradas por pedestres na cidade de São Paulo, segundo um mapeamento realizado no fim de março pelo coletivo Corrida Amiga, voluntários e movimentos parceiros que reúnem pedestres, corredores de rua e cadeirantes, com a ajuda de um aplicativo de telefone celular, o Cidadera. O mapeamento também foi feito pelo coletivo, na mesma ocasião, em outras 40 cidades brasileiras, de 16 diferentes estados. Dos 291 obstáculos relatados encontrados em calçadas de todo o país, 142 estavam em São Paulo.

Segundo a gestora ambiental e idealizadora do Corrida Amiga, Silvia Stuchi Cruz, o mapeamento na capital paulista foi feito principalmente em calçadas de algumas regiões contempladas pelo Plano Emergencial de Calçadas (PEC), de 2008, proposta da Prefeitura paulistana de reformar os passeios de mais de 300 vias com grande movimento de pedestre na cidade. De acordo com o PEC, a manutenção ficaria por conta do dono do imóvel.

O padrão de calçada adotado na Avenida Paulista, com rampa de acessibilidade e piso tátil para deficientes físicos, deveria, de acordo com Silvia, ser utilizado em toda a região do PEC, mas isso não aconteceu nas principais vias mapeadas pelo coletivo no fim do mês passado.

– No último dia 28, dentro da campanha Calçada Cilada, percorremos aqui em São Paulo, entre outros locais, a Avenida Paulista e a região do Hospital das Clínicas. Nas duas vias principais (Paulista e Doutor Enéas de Carvalho Aguiar), as calçadas estão ótimas. No entanto, em quarteirões próximos constatamos calçadas esburacadas e cheias de obstáculos. Na região do Butantã, Zona Oeste, colaboradores do coletivo fotografaram uma calçada quase que totalmente esburacada próxima à Escola Municipal de Ensino Fundamental Desembargador Amorim Lima, local de grande circulação principalmente de crianças.

Um outro relato do mapeamento foi o do Viaduto Pacaembu, na Zona Oeste, onde as calçadas foram substituídas por faixas azuis pintadas sobre o asfalto e sinalizadas por prismas de concreto e balizadores da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). O piso, no entanto, está cheio de buracos e elevações.

De acordo com Silvia Stuchi Cruz, a situação é ainda pior na periferia da cidade, em regiões não contempladas pelo PEC. Para ela, o atual modelo de gestão das calçadas, que responsabiliza e onera somente o proprietário, está longe de ser ideal.

– Sabemos que a gestão pública sozinha também não dará conta de mudar o cenário da noite para o dia. No entanto, precisamos equacionar isso, uma vez que o poder público cuida e gasta recursos abundantes nas vias onde os veículos automotores circulam. Então, por que onde circulam os pedestres eles não se responsabilizam? – questiona.

Um outro problema apontado pela gestora ambiental são as concessionárias de serviços que raramente deixam a calçada restaurada em relação ao padrão original após uma intervenção. Além disso, na capital paulista, é comum passeios serem ocupados por mesas de bares e revistas de bancas de jornal depositadas na frente do comércio, ou então por veículos.

Na quarta-feira (22), em entrevista à Rádio Estadão, o prefeito Fernando Haddad (PT) informou que a partir da próxima semana terá início na cidade a execução de um plano de reforma e construção de calçadas que contemplará principalmente as regiões periféricas. Batizado “São Paulo Mil Quilômetros’, a proposta tem por objetivo a construção de 300 km de calçadas e a reforma de outros 700 km. A iniciativa faz parte do Plano de Mobilidade 2015 (PlanMob).

MAPEAMENTO NACIONAL

A partir de comentários de participantes, parceiros e voluntários do mapeamento nacional decalçadas realizado no fim de março, o Corrida Amiga, fez uma nuvem de palavras das 291 ocorrências relatadas em 41 cidades (entre elas Rio, Brasília, Salvador, Natal, Campinas, Manaus e Porto Alegre) de 16 estados brasileiros. Pelo observado, os obstáculos de São Paulo também ocorrem em outras regiões do Brasil. Além de calçada, pedestres e rua, também ganharam destaque na nuvem as palavras lixo, risco e carros.

A iniciativa do mapeamento partiu de uma brincadeira realizada no meio do ano passado pelo Corrida Amiga, que constava em cada participante tirar uma selfie com uma calçada acidentada ao fundo.

Silvia Stuchi Cruz lembra que um terço das viagens urbanas diárias são feitas a pé. Contudo, ela ressalta que a atenção dada às calçadas no Brasil, por parte do poder público e também dos cidadãos, ainda é bastante precária.

– As calçadas podem até ser um indicador do índice de desenvolvimento humano. Morei na França, na Finlândia, conheço outras cidades ao redor do mundo onde há um respeito aos cidadãos que caminham, uma atenção maior às pessoas com mobilidade reduzida, crianças, idosos. Aqui, falta mudarmos nosso olhar para esse espaço. Há uma necessidade de mudança de paradigma, pois todos somos pedestres. O problema não é só infraestrutura, é também de conscientização.

Segundo ela, das ocorrências relatadas pela campanha, 65% delas haviam sido repassadas às respectivas prefeituras até a quarta-feira da semana passada (15). Em todos os casos, as administrações foram informadas sobre o canal de interface com o aplicativo para que possam conhecer as ocorrências. Para uma maioria foi emitido um protocolo de acompanhamento da situação ou algum outro processo burocrático.

Além de São Paulo, para quem a própria Silvia apresentou um documento propondo diretrizes de como incluir a mobilidade a pé e acessibilidade de modo claro e efetivo no PlanMob, o único retorno obtido pelo coletivo Corrida Amiga foi o da Prefeitura de Natal, que quis saber quais os tipos de reclamação e os locais onde as calçadas acidentadas se encontram.

Os interessados em participar do mapeamento, que continuará mesmo após o término da campanha, podem baixar via telefone celular o aplicativo Cidadera. Além de relatar o local da calçada com problema, o usuário pode enviar imagens. Um outro meio de colaborar é através da página do Facebook da Associação pela Mobilidade a Pé em São Paulo, recém-fundada.

Imagem do post: Pedestre caminha por calçada esburacada em SP: cena comum na maior cidade brasileira. Foto:  Andrew Oliveira

“Prefeitura vai fazer mil quilômetros de calçada até 2016, diz Haddad “

Publicado originalmente emO Estado de São Paulo
Autor:  Felipe Resk
Data: 22/04/2015

Comentário da Associação: A prefeitura anunciou esta semana o projeto “São Paulo Mil Quilômetros” para a construção e revitalização de 1000 km de calçadas nas 32 subprefeituras da cidade até 2016. A Associação pela Mobilidade a Pé em São Paulo sentiu a falta de participação social na elaboração desse projeto e pretende se reunir com a prefeitura para entender melhor o escopo da ação e seus critérios. As calçadas são o eixo central da mobilidade a pé, e precisam ser pensadas como parte de um sistema em rede, que inclui linearidade, continuidade, acessibilidade, segurança e conforto.

Em entrevista à ‘Rádio Estadão’, prefeito anunciou projeto que recuperará 700 quilômetros já existentes e construirá 300 novos

SÃO PAULO – A Prefeitura de São Paulo promete fazer mil quilômetros de calçadas na capital paulista até o final de 2016. Desses, 300 quilômetros devem ser feitos em locais onde ainda não há calçamento. Já as obras referentes aos outros 700 quilômetros serão destinadas às regiões em que a calçada apresenta problemas e precisa ser refeita.

“A partir da semana que vem, nós estamos anunciando um projeto ‘São Paulo Mil Quilômetros’. São cerca de 300 quilômetros de calçadas inteiramente novas, de ruas oficiais sem calçamento adequado, e 700 quilômetros que vamos refazer, de calçadas que estão abaixo da crítica”, afirmou o prefeito Fernando Haddad (PT), em entrevista à Rádio Estadão, na manhã desta quarta-feira, 22. As obras devem ser concluídas até o final da gestão do prefeito.

Questionado se o projeto abordaria uma região específica, Haddad respondeu: “Nós oficiamos todos os subprefeitos. Não há nenhuma subprefeitura que não tenha nos respondido. Então, é sinal que há problema na cidade inteira”.

Ainda de acordo com Haddad, os subprefeitos tiveram de entregar análises, que já estariam em poder das empresas responsáveis por realizar a concretagem.

Na semana passada, a secretária municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida, Marianne Pinotti,  havia afirmado que a prioridade era construir calçadas na periferia.

“Vão anunciar três frentes importantes, que é a Operação Tapa-Buracos, obras no centro da cidade com recursos do Ministério do Turismo e calçadas novas, priorizando a periferia da cidade, onde as pessoas precisam mais”, disse Marianne, durante o Conselho Municipal de Transporte e Trânsito (CMTT).

A informação encontrou resistência de algumas pessoas presentes na reunião do CMTT. “Nós não fomos convidados a contribuir com esse plano, então desconhecemos quais são os critérios dele”, disse Gilberto Frachetta, presidente do Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência. “A gente sabe que o investimento é pontual, não vai ser feito para toda cidade.”
Ouça a entrevista do prefeito Fernando Haddad à ‘Rádio Estadão’ (fala sobre calçada no minuto 35′)

Mobilidade

Para Haddad, o projeto de construção de calçadas faz parte do plano de mobilidade da Prefeitura, junto com a construção de ciclovias e faixas exclusivas para ônibus. O modal a pé foi o principal tema da última discussão do CMTT.

Na ocasião, o secretário municipal de Transportes, Jilmar Tatto, afirmou que pretendia incluir o projeto no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para viabilizar a construção das calçadas. “Assim como tem (recursos) para metrôs, corredores de ônibus, BRTs, (deveria) ter também para calçadas”, afirmou.

A resolução aprovada pelo CMTT sugeria à Prefeitura a construção de 250 quilômetros de calçadas por ano, que resultaria exatamente na construção de mil quilômetros a cada gestão municipal.

“Temos 17 mil quilômetros de calçadas na cidade de São Paulo. Se você desconsiderar as que são boas, podemos imaginar um universo de 10 mil quilômetros; (mil quilômetros) por gestão, demoraria muito. É tímido, mas pelo menos é um começo”, comentou Tatto sobre a proposta.

Imagem do post: Rua da Consolação. Foto: Pedro Martinelli

“A vez do pedestre também tem que ser agora!”

Publicado originalmente em: Yahoo Notícias – Habitat
Autor:  Raquel Rolnik
Data: 09/04/2015

Até o dia 17 de abril, os paulistanos podem contribuir pela internet com a elaboração do Plano de Mobilidade da cidade de São Paulo. A última rodada de debates temáticos presenciais acontece no próximo sábado, a partir das 9h, no auditório da Uninove (Vergueiro). A elaboração do plano é uma exigência da Política Nacional de Mobilidade, aprovada em 2012.

Um dos temas que serão discutidos no encontro de sábado é a mobilidade a pé. Embora ninguém nunca fale nos pedestres na discussão da mobilidade urbana, a quantidade de pessoas que se desloca no dia a dia principalmente desse modo é altíssima: chega a mais de 30% da população, segundo a pesquisa Origem e Destino realizada pelo Metrô em 2007.

Se considerarmos que os que utilizam o transporte público também se deslocam a pé no trajeto entre a casa/trabalho/escola e o ponto onde pegam o ônibus ou a estação de trem ou metrô, percebemos que o tema é absolutamente central nessa discussão. Mesmo quem utiliza o carro diariamente, em alguns momentos, é também pedestre: no horário de almoço, quando caminha até um restaurante, ou mesmo no trajeto entre o estacionamento e o local de trabalho.

Porém, quando se fala em mobilidade urbana, em geral pouco se pensa na situação dos pedestres na cidade. Lembro de uma pesquisa realizada pela CET em 2011 que mostrava que 89,6% dos motoristas não respeitam as faixas de pedestres e que cerca de 70% das pessoas que se deslocam a pé se sentem desrespeitadas no trânsito.

Em 2011, também, a Câmara Municipal aprovou uma Lei das Calçadas, estabelecendo novos critérios e parâmetros, e até publicou uma cartilha para orientar os proprietários de imóveis, que são, em grande parte das ruas da cidade, os responsáveis pela manutenção das calçadas. Obviamente, de lá pra cá, não vimos grandes mudanças, nossas calçadas, em geral, continuam sendo de péssima qualidade…

O fato é que esse modelo de gestão da infraestrutura de circulação dos pedestres, privado e individual, simplesmente não dá conta de enfrentar o problema. Se historicamente o poder público cuida do leito carroçável, onde andam os veículos, por que não pode ser responsável por garantir calçadas seguras e confortáveis para os pedestres?

Pensando em todas essas questões que envolvem o difícil cotidiano de quem se descola a pé pela cidade, um grupo de pessoas decidiu criar a Associação pela Mobilidade a Pé em São Paulo. O objetivo é se articular e somar forças para cobrar a inclusão de ações pela melhoria da mobilidade a pé nas políticas gerais de mobilidade da cidade.

E eles estão certos. Uma verdadeira política de mobilidade implica, sim, pensar ações de apoio à circulação dos pedestres. Em Nova York, por exemplo, existe um plano de mobilidade não motorizada que inclui tanto ações para deslocamentos por bicicleta – como o planejamento das ciclovias – como ações voltadas à melhoria da circulação dos pedestres na cidade.

Nesse momento em que a cidade de São Paulo busca mudar seu paradigma de mobilidade, investindo em mais espaço para o transporte público e para as bicicletas, com a implementação de faixas exclusivas de ônibus e de ciclovias, é fundamental, também, incluir iniciativas que melhorem as condições dessa parcela tão expressiva da população que se locomove a pé.

Imagem do post: Calçada em Itaquera, zona leste de São Paulo. Foto: Marcos Paulo Dias

Diretrizes da Mobilidade a Pé PlanMob-­SP – Apresentação

Disponibilizamos aqui a apresentação feita na sala de “Mobilidade a Pé”, na Frente de Debates Temáticos para a construção do Plano de Mobilidade de São Paulo, que aconteceu em 11 de abril de 2015.

A apresentação foi realizada por Letícia Sabino (SampaPé), Meli Malatesta (Pé de Igualdade) e Silvia Stuchi Cruz (Corrida Amiga), e tinha como objetivo:

“Construir e fortalecer juntos as diretrizes ESSENCIAIS para garantir o destaque e a prioridade na mobilidade a pé em São Paulo.”

Teve como premissa o documento:  Diretrizes para o Plano de Mobilidade Urbana 2015 da Cidade de São Paulo referentes à mobilidade a pé, elaborado por mais de 20 entidades  envolvidas na reflexão e reinvindicação do modo a pé, para chegar a uma base para criar uma cidade mais caminhável e confortável para os pedestres nos próximos quinze anos.

Veja aqui a apresentação completa: Diretrizes da Mobilidade a Pé PlanMob-­SP

Apresentação -  PlanMob.2015_11_04

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“São Paulo quer mais calçadas, ciclovias e um trânsito “mais calmo””

Publicado originalmente em: Mobilize Brasil
AutorMarcos de Sousa
Data: 12/04/2015

Redução da velocidade do tráfego, reconstrução de calçadas nos eixos de circulação de pedestres, melhorias na sinalização para pedestres e ciclistas, ampliação da rede cicloviária e aperfeiçoamentos nos sistemas de bicicletas públicas são algumas de dezenas de sugestões apresentadas nos encontros realizados neste sábado (11/04/15) durante as discussões do PlanMob, o plano diretor de mobilidade urbana de São Paulo, que entra agora em sua fase final.

Os trabalhos, que reuniram centenas de pessoas, foram divididos em vários eixos temáticos – mobilidade a pé, ciclistas, idosos, pessoas com deficiência, saúde, e grupos específicos para organizações da sociedade civil, estudantes, trabalhadores etc. – de forma a organizar a discussão.

No grupo de Mobilidade a Pé, uma das primeiras sugestões foi a mudança do nome da secretaria de transportes para Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana, além da criação de uma Diretoria de Mobilidade a Pé, “diretoria com poder real e dinheiro para desenvolver os projetos voltados para o pedestre”, enfatizaram os participantes.

Calçadas, sinalização e toda a infraestrutura para conforto de pedestres (e ciclistas) também foram considerados assuntos prioritários para o desenvolvimento da mobilidade na capital paulista.

Os integrantes do grupo de Mobilidade a Pé sugeriram a realização de pesquisas periódicas (a cada cinco anos) para detectar os locais estratégicos de passagem de pedestres, as características dessas pessoas, a velocidade de caminhada e também os tempos ideais para abertura dos semáforos. Explica-se: ainda hoje os projetistas do tráfego utilizam métricas de outros países para calcular larguras de faixas de pedestres, tempos de semáforos etc., mas, como se sabe, brasileiros não caminham na mesma velocidade de holandeses, alemães ou dinamarqueses. As mesmas pesquisas poderão detectar as condições das calçadas e da sinalização urbana, de forma a orientar as futuras intervenções da prefeitura.

Debates no grupo que abordou o tema da Mobilidade a Pé. Foto: Du Dias

Debates no grupo que abordou o tema da Mobilidade a Pé. Foto: Du Dias

Os participantes reiteraram a necessidade de que a prefeitura dê sequência ao Plano Emergencial de Calçadas (2008) para intervir diretamente na renovação das calçadas em locais de grande circulação de pedestres, no centro da cidade e nos centros de bairros. 

Para o financiamento das obras, além do investimento público, sugeriu-se o investimento privado dos edifícios grandes geradores de tráfego e das empresas de serviços que utilizam o subsolo das calçadas, como as concessionárias de energia, gás, comunicações e saneamento. Mais ainda, sugeriu-se que uma fatia maior dos recursos recolhidos com multas de trânsito seja aplicado na mobilidade a pé.

Comunicação e educação foram pontos de destaque em praticamente todos os grupos de discussão. Há um consenso sobre a necessidade de campanhas de educação voltadas a motoristas, motociclistas, ciclistas e pedestres, de forma a melhorar o convívio nas ruas e reduzir o número de acidentes. Devem ser campanhas permanentes – insistiram os participantes -, em rádio, tv, internet, jornais e outros modos de difusão, além de programas de formação em escolas, empresas, repartições públicas e outras organizações da sociedade.

Velocidade máxima: 50 km/h

O grupo de ciclistas sugeriu a imediata redução da velocidade do tráfego em todas as vias da cidade, fixando um teto de 50 km/h nas vias expressas. As demais vias teriam limites de 40, 30 e até 20 km/h, nas proximidades de escolas, centros médicos e outros pontos de grande circulação de pedestres e ciclistas. Outros pontos pontos importantes das discussões sobre bicicletas envolvem também o pedestre: os ativistas pedem a garantia de acessibilidade em todas as pontes e viadutos da cidade; e sugerem que a prefeitura evite “roubar” espaço das calçadas para implantar as novas ciclovias.

No documento apresentado pela Câmara Temática Bicicleta,que dialoga com a prefeitura, os ciclistas sugeriram algumas diretrizes urbanísticas para a Rede Cicloviária Estrutural, que pode chegar a quase 1.500 km, segundo a nova proposta da prefeitura:

  • Conectividade;
  • Ligações perimetrais e radiais;
  • Linearidade (rotas mais curtas);
  • Intermodalidade (conexão com outros sistemas de transporte);
  • Hierarquização das ciclovias segundo a mesma hierarquia do sistema viário geral.

Os cicloativistas insistiram ainda nos seguintes pontos:

  • melhoria da qualidade nas ciclofaixas e ciclovias implantadas na cidade. Um exemplo é evitar a sobreposição das ciclofaixas às sarjetas de drenagem pluvial;
  • priorizar rotas com menor inclinação;
  • implantar sistemas de sinalização semafórica, horizontal e vertical;
  • desenvolver um programa de manurenção permanente para o sistema cicloviário da cidade.

Por fim, o documento dos cicloativistas estimula a prefeitura a ampliar o sistema de bicicletas compartilhadas e estendê-lo à toda a cidade, porém com maior garantia de qualidade e confiabilidade para os usuários.

Ao final do encontro, os representantes da prefeitura informaram que outras sugestões ao PlanMob poderão ser enviadas por meio eletrônico até dia 17 de abril através do link http://smtplanmob.prefeitura.sp.gov.br/.

Para conhecer o PlanMob:
www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/transportes/planmob/

“Reunião aberta quer construir plano para uma São Paulo caminhável e acessível”

Publicado originalmente em: Portal Aprendiz
Autor: da Redação
Data: 25/03/2015

A mobilidade a pé é a mais usada na cidade e a única que se liga com todos os outros modais: ônibus, metrô, trem, bicicleta e carro. Com isso em foco, o SampaPé está organizando um Debate Temático para a construção do Plano de Mobilidade Urbana de São Paulo, o PlanMob-SP/2015.

O evento partirá do pré-documento (disponível aqui), elaborado pelo Grupo de Estudos de Mobilidade a Pé e Acessibilidade da ANTP, que criou uma série de diretrizes para discussão da vida pedestre na cidade. Entre elas, está garantir equipamentos, vias acessíveis para pessoas com deficiência, sinalização e mobiliário urbana, alargamento e conserto das calçadas, estabelecimento de vias peatonais, elaboração e disponibilização de rotas e fechamento de vias da cidade para carros aos fins de semana.

No evento, haverá uma apresentação do documento, uma atividade de co-criação criativa e a participação do grupo temático da pessoa com deficiência. A atividade é aberta à todos interessados e terá transmissão online. Para maiores informações, acesse o evento do Facebook e o site do PlanMob.

Mobilidade a Pé: Debates Temáticos para a construção do PlanMob-SP/2015
Data
:  Sábado, 11/04/15
Hora: Das 9h às 13h
Local: Uninove, AUditório no 1o andar
Endereço: Rua Vergueiro, 235
Como chegar: Metrô Vergueiro

 Foto do post: Por Onde Andei- Leticia Sabino