Guia – 3. Os princípios da defesa da mobilidade a pé

Segurança absoluta para quem anda a pé

Fazer o poder público e a sociedade em geral entenderem que se machucar ou morrer no trânsito não é normal é o principal desafio.

A Visão Zero é uma iniciativa de origem sueca que trabalha com o conceito de que nenhuma morte é aceitável no trânsito. A redução de velocidades dos veículos motorizados é uma importante ferramenta para a segurança de todos. Na cidade, a Secretaria Municipal de Transportes e a CET são as principais responsáveis pelas políticas de segurança viária.

Valorização da caminhada como meio de deslocamento

Valorizar a mobilidade a pé é entender que esse é um modo de transporte como todos os outros, que precisa de investimentos e é responsabilidade do poder público. A luta é por redistribuição do espaço viário, investimentos proporcionais aos modos de deslocamento, prioridade no deslocamento, além de sempre indicar para a administração pública que as pessoas são prioridade, não os veículos motorizados.

Calçadas caminháveis para todos

A calçada é frequentemente o tema mais lembrado quando se fala em mobilidade a pé. A Norma Técnica NBR9050 diz como deve ser uma calçada. No geral, deve ser como a rua: sem degraus ou obstáculos e com acessibilidade universal, claro! Calçada caminhável também inclui bancos, arborização e iluminação para a noite.

A responsabilidade da calçada é de quem possui o lote, mas a prefeitura é responsável por fiscalizá-las. Cada um faz a sua calçada, com pisos diferentes e degraus, resultando em calçadas pouco caminháveis.

Estabelecer e consolidar a rede de mobilidade a pé

A rede de mobilidade a pé contempla uma infraestrutura de ruas completas e adequadas aos trajetos com maior densidade de viagens a pé e conexões com transporte coletivo. Hoje o pedestre não tem certeza que terá segurança em todo o trajeto, com a devida priorização à caminhada.

São elementos da rede: calçadas, faixas de pedestres, ruas compartilhadas, calçadões, passarelas, passagens subterrâneas, escadarias, galerias, estações de transporte público, placas de sinalização e orientação, praças e parques lineares, bancos, lixeiras e banheiros públicos.

Travessias com prioridade às pessoas se deslocando a pé

A travessia é um ponto crítico para o pedestre. Travessias ruins significam faixas de pedestres mal posicionadas, semáforos com tempos inadequados para atravessar e para esperar, falta de prioridade nas conversões e conclusões de travessia.

A travessia deve ser curta, direta, sem obstáculos e bem localizadas. Sob a justificativa de garantir a segurança dos pedestres, muitas vezes as autoridades deslocam faixas e colocam grades que os forçam a caminhar ainda mais, desrespeitando a prioridade. Quanto menos linear for a travessia e quanto mais tempo as pessoas tiverem que esperar para completá-las, menos ela será respeitada, o que colocará as pessoas em risco.

A passarela é uma estrutura que favorece o automóvel e prejudica muito o deslocamento a pé: as pessoas andam muitos metros a mais, subindo e descendo rampas e escadas. O indicado é atravessar em faixas de pedestres no mesmo nível dos veículos motorizados, sem ter que subir ou descer.

A CET é a principal responsável pelas travessias, mas as obras em calçadas, de extensão de esquinas e rebaixamento de guias, por exemplo, são autorizadas ou realizadas pelas subprefeituras.

Sinalização específica para quem anda na cidade

Como usamos a própria energia para nos locomover, qualquer deslocamento a mais é cansativo e demorado. Para evitar isso, conseguir se localizar na cidade é essencial.

Por isso todas as informações (sobre rotas, localização e transporte públicos) devem ser visíveis e disponíveis, estar em painéis, sinalização horizontal e outras formas de comunicação. Devem ser acessíveis a todos, fazendo sentido para quem anda a pé, e sem a necessidade de usar smartphones para acessa-las. Precisamos de um sistema de sinalização em rede, com conexão entre transporte público e equipamentos públicos, com mapas, trajetos, distâncias e pontos de referência.

Podem implementar sinalização na cidade a SPUrbanismo e a CET, além das empresas de transporte público.

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