Mostramos no SP1 a negligência da Prefeitura com as mortes no trânsito

Em 2025, São Paulo atingiu maior número de mortes no trânsito em 10 anos, enquanto Prefeitura prioriza gastos com recape em detrimento de projetos de segurança viária.

Participamos de uma reportagem do SP1 que denuncia a negligência da Prefeitura em relação à segurança viária. Segundo os dados do Infosiga, 1.034 pessoas perderam a vida no trânsito paulistano em 2025 – a maior taxa em dez anos. A reportagem abre contando o triste caso de Cosme Conceição Borges, atropelado em uma avenida de Itaquera. Em seguida, mostra dados levantados pela Cidadeapé sobre a execução do orçamento municipal com políticas que poderiam salvar vidas no trânsito. Ainda que o volume de dinheiro orçado para essas ações seja já muito mais baixo do que para recapear asfalto, a execução dos valores orçados é ainda menor, praticamente irrisória. Isso significa que a Prefeitura de São Paulo não está cumprindo o seu dever de investir em políticas públicas para salvar vidas.

Confira abaixo alguns trechos da reportagem que apresentam esses dados:

O que mostram os dados

Para identificar o quanto a Prefeitura gastou com a segurança viária em 2025, a Cidadeapé destacou 4 itens do orçamento. Explicamos a seguir cada um deles e mostramos os dados referentes ao ano em que tivemos recorde de mortes no trânsito:

  • Implantação de Projetos de Redesenho Urbano para Segurança Viária (Cód. 3757)
    Abarca projetos elaborados pela SMT para redesenhar as vias com foco na segurança viária, geralmente incluindo intervenções de moderação de tráfego, como faixas de travessia elevadas, alargamento de calçadas em esquinas, lombadas.

  • Urbanismo Social (Cod. 3664)
    Abarca uma variedade de políticas urbanísticas, como o projeto de Requalificação Urbana Parque Novo Mundo, projeto de Caminhabilidade no Jardim Lapenna e Território Educador Cidade Tiradentes. São projetos geralmente com foco nos deslocamentos ativos, com intervenções de moderação de tráfego e outras melhorias para a caminhabilidade.

  • Manutenção e Operação do Policiamento de Trânsito (Cod. 4656):
    Valores pagos à Polícia Militar do Estado de SP para atuar na fiscalização do trânsito municipal.

  • Manutenção e Operação do Controle e Fiscalização de Tráfego (Cod. 4703)
    Valores para contratação de empresas para prestar serviços de fiscalização automática do trânsito.

Os gráficos mostram que a execução do valor orçado ainda é muito baixo para os itens de segurança viária, sobretudo os dois primeiros, que representam investimentos transformadores, e não apenas gastos de rotina de fiscalização. Mas quando juntamos no mesmo gráfico os valores empenhados desses 4 itens de segurança viária e o valor total empenhado (líquido) com asfalto (Recapeamento de Vias e Operação Tapa Buraco), chegamos a esse resultado assustador:

(desça para ver inteiro)

(desça mais…)

(só mais um pouco…)

(ufa!)

O contraste mostra que a Prefeitura tem dinheiro de sobre para gastar com segurança viária, especialmente com projetos com o potencial de reduzir os riscos de sinistros de trânsito. No entanto, segue preferindo torrar muitos recursos dos contribuintes com recapeamento de asfalto. A previsão para o orçamento de 2026 infelizmente é a mesma – ou seja, a gestão escolhe continuar sendo negligente com as mortes no trânsito.

A resposta da Prefeitura

A Prefeitura, em sua resposta à reportagem, alega que “aplicou somente no ano passado mais de R$ 2,5 bilhões em ações destinadas à segurança viária. São recursos investidos desde a recuperação do asfalto, tapa-buraco, modernização dos semáforos até a implantação de sinalização, dispositivos de proteção, faixas de pedestres e a Faixa Azul, entre outros.”. Esse argumento é falacioso, uma vez que inclui o investimento bilionário em recape e tapa-buraco, além da modernização semafórica e a Faixa Azul ações que, além de não terem contribuído para a redução de sinistros e mortes no trânsito, têm tirado o foco e os recursos municipais das ações realmente eficazes de segurança viária. Explicamos melhor a seguir:

  • Recape e Tapa-Buraco: A priorização absoluta das ações de recape e tapa-buraco na cidade tem sido a principal responsável por drenar os recursos do FUNDURB dos projetos mais eficazes de segurança viária – que incluiriam redesenho das vias com dispositivos de moderação de tráfego, alargamento de calçadas, etc. Vale, ainda, ressaltar que a melhora do asfalto, quando não acompanhada de ações de moderação de tráfego, podem estimular velocidades mais altas, aumentando o principal fator de risco no trânsito.

Por fim, vale ressaltar que a Cidadeapé entrou com um pedido de acesso à informação solicitando uma lista exaustiva, com o racional da conta feita pela prefeitura, que soma 2,5 bilhões para ações de segurança viária, uma vez que não fomos capazes de chegar nesse valor apenas com as informações passadas.

A seguir, leia a íntegra da resposta dada pela Prefeitura à reportagem:

A Prefeitura de São Paulo aplicou somente no ano passado mais de R$ 2,5 bilhões em ações destinadas à segurança viária. São recursos investidos desde a recuperação do asfalto, tapa-buraco, modernização dos semáforos até a implantação de sinalização, dispositivos de proteção, faixas de pedestres e a Faixa Azul, entre outros. As atividades mencionadas pela reportagem, portanto, não representam a totalidade do trabalho realizado pela Prefeitura para que a cidade tenha um trânsito mais seguro para todos (pedestres, ciclistas, motoristas e motociclistas). Nos últimos quatro anos foram mais de R$ 670 milhões aplicados em fiscalização eletrônica. O Plano de Segurança Viária está sendo executado e suas medidas incorporadas à rotina das ações de planejamento da CET como a Faixa Azul, os boxes da Frente Segura, o projeto Áreas Calmas e a Rota Escolar Segura.

Qual o papel da imprensa na humanização do trânsito?

Participamos de webinar para discutir jornalismo e segurança viária

A Cidadeapé participou do webinar “Jornalismo e segurança viária: a imprensa como aliada por um trânsito mais humano” no dia 26 de maio. No evento, foi debatido o papel da mídia na redução de ocorrências de trânsito com óbitos e pessoas gravemente feridas. Foram abordados exemplos de como fazer uma cobertura jornalística responsável, relembrados casos que repercutiram e impactaram a opinião pública e propostos caminhos para abordagens mais conscientes sobre o tema. Algumas das proposições para a atuação da imprensa estão neste guia online.

Participaram do webinar a nossa diretora de relacionamento, Ana Carolina Nunes, que também é jornalista de formação; Maria Claudia Kohler, educadora ambiental e fundadora da iniciativa Pedale como Marina; Roberta Soares, jornalista especializada em mobilidade urbana do Jornal do Commercio (Recife/PE). O evento foi mediado por Kelly Fernandes, especialista em mobilidade urbana, e apresentado por Ricardo Neres Machado, diretor da Ciclocidade.

Nossos passos em 2019

O último ano não foi fácil para ninguém. Mas, de tanto trabalho que tivemos, passou muito rápido! Na cidade de São Paulo, a discussão sobre segurança viária e prioridade à mobilidade ativa foi acirrada, apesar das ações da Prefeitura seguirem incipientes. Já no nível federal, trabalhamos muito em parceria para tentar frear retrocessos. Também completamos um ano de formalização e seguimos fortalecendo o trabalho em rede em busca de cidades mais caminháveis, justas, igualitárias e sustentáveis. 

Em 2020 queremos ir ainda mais longe! Estamos em busca de apoios institucionais para ampliar nosso impacto na cidade de São Paulo. Além disso, contamos com o apoio de cidadãs e cidadãos para sermos uma associação cada vez mais forte e representativa!  O ativismo é uma das forças sociais mais necessárias no Brasil neste momento conturbado – e o trabalho colaborativo visando a justiça social e climática é indispensável para a democracia. Você quer nos ajudar nessa missão? Associe-se ou convide alguém  para se associar à Cidadeapé!

Cidadeapé

Começamos o ano nos reunindo para nos preparar para a luta em 2019. Em maio comemoramos um ano de formalização e no mês seguinte apresentamos o primeiro relatório da diretoria eleita no ano anterior. Toda a nossa prestação de contas fica disponível em nosso site.

 


Política federal

 

Neste ano tivemos muito trabalho para tentar barrar retrocessos graves nas políticas federais. Sempre junto a outras organizações da sociedade civil, nós nos posicionamos contra a multa para pedestres e ciclistas (que foi cancelada alguns meses depois), contra a lei que institui o gesto do pedestre, em apoio ao uso de radares em rodovias federais, contra o afrouxamento do Código de Trânsito Brasileiro e em defesa do acesso à informação

Participação social

 

Mais uma vez, participamos das eleições do Conselho Municipal de Trânsito e Transportes (CMTT) e conseguimos eleger várias conselheiras e conselheiros que estão defendendo os interesses da mobilidade ativa e sustentável nesse espaço. Para acompanhar o que está sendo discutido nas reuniões do CMTT e participar, siga as redes sociais do MobiSampa.

Um assunto que invadiu o noticiário foram os patinetes elétricos. Por isso, formamos um posicionamento sobre o assunto e fizemos uma oficina para discutir a contribuição das Câmaras Temáticas da Bicicleta e da Mobilidade a Pé para o decreto de regulamentação dos serviços de compartilhamento de patinetes e bicicletas.

Também seguimos contribuindo em consultas e audiências públicas, como sobre Plano de Intervenção Urbana Minhocão e a implantação da faixas de ônibus.


Políticas municipais

Uma das nossas principais ações este ano, em parceria com a Ciclocidade, foi tentar impedir uma concessão dos serviços de Zona Azul prejudicial à mobilidade urbana. Por entendermos que uma concessão de 15 anos, a uma única empresa, dificulta a implantação de políticas públicas para a mobilidade ativa e sustentável, fizemos representação no TCM e denúncia no Ministério Público Estadual. Apesar de alguns pareceres favoráveis, a concessão acabou se concretizando.

Outra medida prejudicial da Prefeitura foi a mudança no Fundurb, que na prática permite retirar orçamento municipal da mobilidade ativa e o transporte público e usá-lo para financiar asfalto. Junto a outras organizações, fizemos oposição à ação.

Já o Estatuto do Pedestre completou mais de dois anos de sanção e ainda não foi regulamentado. Mais uma vez, pressionamos a gestão e agora temos participado da discussão sobre sua regulamentação por meio da Câmara Temática de Mobilidade a Pé.


Segurança no trânsito

Neste ano recebemos a triste notícia de que as mortes no trânsito da cidade voltaram a subir, inclusive nas marginais, conforme suspeitávamos que aconteceria. A campanha “Chega de Mortes de pedestres e ciclistas”, realizada pela Ciclocidade em parceria com a Cidadeapé, chamou atenção para a falta de segurança viária com vídeos impactantes e muita informação. Infelizmente a pressão não foi suficiente para que a Prefeitura adotasse medidas drásticas, e a gestão acabou lançando um Plano de Segurança Viária com pouca ambição.

 

Redes e parcerias

Pela primeira vez, a Rede Nossa São Paulo promoveu uma pesquisa sobre pedestres na capital paulista e contou com nosso apoio na modelagem das perguntas e divulgação dos resultados.

Já em parceria com a Corrida Amiga, participamos do Dia de ir a pé ao trabalho, levando vereadores para caminhar, e do desafio Travessia Cilada. Também prestigiamos mais uma edição do Bicicultura e do congresso da ANTP difundindo nossos trabalhos sobre mobilidade a pé em grupos tradicionalmente voltados para o transporte público coletivo. Por fim, falamos em vários eventos: Futuro das cidades; Debate sobre Minhocão; Gênero, Raça e Território; Mobilidade do Amanhã e Semana da Mobilidade Bike Anjo.

 

Na mídia

5 benefícios de caminhar pela cidade – Estadão
Moradoras da Zona Sul têm dificuldade de acessar locais da rotina a pé  – UOL
São Paulo ganha nova hora do rush com aumento de viagens ao meio-dia – Folha
Dois anos após sanção, Estatuto do Pedestre ainda não foi regulamentado – CBN
Com mudanças na CNH, Bolsonaro premia maus motoristas e aumenta riscos no trânsito – Brasil de Fato
Na falta de regra, patinetes e pedestres disputam calçadas em SP – Folha
Reportagem sobre Instituto Pro Bono – Jornal da Cultura
Programa Bom para Todos – TVT
Multar pedestres e ciclistas é injusto e não melhora segurança – Rede Brasil Atual
A multa aos pedestres. A incrível lei que pode transformar 10 milhões de paulistanos em contraventores – Caminhadas Urbanas
Você aí, a pé, está sendo multado! – Carta Capital
80% dos semáforos possuem botão de travessia, mas nem todos funcionam – UOL
Multa para pedestres e ciclistas: é justo? – Mova-se