“Nossa Cidade: os oito princípios da calçada”

Publicado originalmente em: The CityFix Brasil
Autor: Paula Santos
Data: 01/04/2015

Os oito princípios da calçada

Andar a pé é a forma mais democrática de se locomover. É o meio de transporte mais antigo e o mais recorrente em todo o mundo e não tem custo nenhum além de algumas calorias.

Apesar disso, as pessoas caminham cada vez menos. Seja porque as cidades estão mais espalhadas, seja porque as calçadas, vias por onde as pessoas caminham, são verdadeiros obstáculos. Falta de pavimento, largura inadequada e veículos estacionados irregularmente são apenas alguns dos indícios de que as calçadas estão sendo sufocadas, há décadas, por outros meios de transporte menos saudáveis – tanto para os usuários quanto para as cidades.

É preciso uma injeção de ânimo para que os pedestres retornem às ruas. A qualidade das calçadas pode ser potencializada, não apenas para atrair mais pedestres, mas também para tornar-se um espaço agradável, onde as pessoas querem estar e conviver.

Esses lugares existem. Calçadas vivas são vistas em muitas cidades do Brasil e do mundo que tornaram o transporte a pé uma prioridade. Em vez de apenas pavimentar uma reduzida faixa ao longo de suntuosas avenidas dominadas pelos automóveis, estas cidades decidiram enriquecer ainda mais o espaço, privilegiando o convívio entre as pessoas.

Calçadas são construídas a partir de oito princípios, complementares e interligados. Juntos eles não apenas qualificam uma calçada adequada, mas direcionam para o desenvolvimento de cidades ativas e saudáveis.

Conheça os oito princípios da calçada:

1. Dimensionamento adequado

A calçada é composta por uma faixa livre, onde transitam os pedestres, uma faixa de serviço, onde está alocado o mobiliário urbano – como bancos e lixeiras –  e uma faixa de transição, onde se dá o acesso às edificações. Ter conhecimento desses componentes facilita o dimensionamento adequado das calçadas.

2. Superfície qualificada

Regular, firme, estável e antiderrapante. Essas são as características básicas do pavimento da calçada. Para assegurá-las, é necessário estar atento ao processo construtivo e à qualidade da mão-de-obra, não apenas ao projeto.

3. Drenagem eficiente

Um local alagado é impróprio para caminhada. Calçadas que acumulam água tornam-se inúteis para os pedestres, que acabam desviando sua rota pelo leito dos carros, arriscando a sua segurança.

4. Acessibilidade universal

A calçada, como espaço público, deve ser acessível a pessoas com diferentes características antropométricas e sensoriais: desde pessoas com restrição de mobilidade, como usuários de cadeira de rodas e idosos, até pessoas com necessidades especiais passageiras, como um usuário ocasional de muletas ou uma mulher grávida. Listar essas características é uma boa forma de refletir sobre como atender às necessidades de todos os pedestres.

5. Conexões seguras

O caminho percorrido pelos pedestres envolve pontos de transição com elementos urbanísticos, como vias dedicadas aos veículos e pontos de parada do transporte coletivo. É importante que as conexões entre esses elementos sejam acessíveis e seguras.

6. Espaço atraente

Ao caminhar nas ruas, os pedestres entram em contato com o ambiente urbano. As calçadas podem desempenhar um papel importante para tornar essa experiência mais agradável. Cativar as pessoas para que se locomovam a pé é uma forma de incentivar o exercício físico e diminuir os congestionamentos nas cidades.

7. Segurança permanente

Durante o dia ou a noite, em dias úteis ou em fins de semana, as calçadas estão sempre abertas para as pessoas. Porém, são menos utilizadas em determinados períodos, que se tornam inseguros por falta de vigília – não da polícia, mas dos próprios pedestres. Adotar estratégias para influenciar positivamente na segurança dos pedestres pode tornar as calçadas mais vivas.

8. Sinalização coerente

Assim como os motoristas de veículos automotores, os pedestres também necessitam de informações claras para saber como se comportar e se localizar no ambiente urbano.

“Ação transformou calçadas da Vila Pompéia, em São Paulo”

Publicado originalmente em: Cidade em Movimento
Data: 12/11/2014

A iniciativa Calçadas Verdes e Acessíveis mudou o cenário de algumas ruas da Vila Pompéia, na zona Oeste de São Paulo.  Os moradores e pedestres que circulam pela região, marcada por grande irregularidade de terreno,  sofriam com o estado de má conservação das calçadas e precisavam enfrentar degraus que chegavam a ter 50 centímetros de altura para dar acesso às garagens. Uma verdadeira barreira de acessibilidade principalmente para idosos e pessoas com necessidades especiais que preferiam caminhar pelas ruas, aumentando o risco de atropelamento.

Exemplos da irregularidade das calçadas antes da intervenção de Calçadas verdes

Exemplos da irregularidade das calçadas antes da intervenção de Calçadas verdes

O projeto de recuperação e padronização das calçadas, de acordo com as normas municipais, começou a ser implantado em 2007, a partir da ideia de Gilmar Altamirano, que contou com  o apoio da Appa  (Associação Pompéia de Preservação Ambiental) e com a parceria com a ONG Universidade da Água. Juntos criaram a campanha Calçadas Verdes e Acessíveis.

Além de padronizar as calçadas, o projeto fez com que esses locais se transformassem em nichos verdes, garantindo acessibilidade e permeabilidade. Foram beneficiadas as ruas Tavares Bastos, entre a Tucuna e a Caraíbas e na Rua Tucuna (lado ímpar), além da Avenida Professor Alfonso Bovero.

Calçada da região da Pompéia, em São Paulo, após intervenção pela acessibilidade

Calçada da região da Pompéia, em São Paulo, após intervenção pela acessibilidade

Segundo Gilmar Altamirano, ganhar menção honrosa do Mobilidade Minuto chama a atenção  para a causa da mobilidade urbana. “Para nós, o prêmio  significa colocar uma “lente de aumento” numa iniciativa que queremos multiplicar em prol da mobilidade urbana. Antes mesmo de uma divulgação mais maciça já estamos sendo procurados por outras instituições para conhecerem melhor o projeto.”

Novo cenário – Segundo Gilmar, o projeto eliminou 99% dos degraus e deixou as ruas  mais verdes graças um novo paisagismo. A nova “cara” fez com que as pessoas que antes caminhavam pelas ruas passassem a andar pela calçada reformada. Incentivo também para condomínios verticais no bairro  (novos e velhos) que passaram a adotar o novo modelo de calçada. Estima-se que a construção desses novos passeios beneficie diretamente mais de cinco mil pessoas que vivem no entorno.

Conheça, participe, divulgue Calçadas Verdes e Acessíveis.

Imagem do post: Projeto Calçadas Verdes e Acessíveis.  Foto: Gilmar Altamirano

Primeira reunião da Associação

Todos estão convidados a participar da primeira reunião pública da Associação pela Mobilidade a Pé em São Paulo.

Vamos antes de mais nada nos conhecer. Quem são os caminhantes de São Paulo?
Vamos apresentar o grupo que pensou na associação.
Vamos definir diretrizes para o trabalho da associação.
Vamos pensar em ações práticas para melhorar a Mobilidade a Pé em São Paulo.

Primeira Reunião Mensal da Associação pela Mobilidade a Pé em São Paulo
Dia
: Segunda-feira, 6/4/15
Hora: Das 19h às 21h
Local: SESC Consolação
Endereço: R. Dr. Vila Nova, 245
Como chegar: Corredor de Ônibus Consolação-Rebouças-Campo Limpo ou metrô República

Convite no FacebookPrimeira reunião pública da Associação pela Mobilidade a Pé em São Paulo

PlanMob: Sala temática de Mobilidade a Pé

Para construir o PlanMob de São Paulo colaborativamente haverá uma sala temática de Mobilidade a Pé na “Frente de Debates Temáticos para a construção do PlanMob-SP/2015”.

A presença de todos os andarilhos da cidade é essencial para construir diretrizes para transformar São Paulo em uma cidade mais caminhável nos próximos 15 anos.

Cronograma da atividade
– Breve apresentação do documento de diretrizes para a mobilidade a pé
– Atividade de co-criação criativa
– Conclusão de diretrizes desenvolvidas pelo grupo

Haverá transmissão online para aqueles que não puderem comparecer – disponibilizaremos o link no dia.

Frente de debates temáticos para a construção do PlanMob-SP
Dia
: Sábado, 11/4/15
Hora: Das 9h às 12h
Local: Uninove Vergueiro – Auditório do 1o andar
Endereço: Rua Vergueiro, 235
Como chegar: Metrô Vergueiro

Mais informações

Convite no FacebookMobilidade a Pé – Debates Temáticos para a construção do PlanMob-SP/2015
Sobre o PlanMob de São Paulo 
Sobre o Documento de Diretrizes para a Mobilidade a Pé
Uma análise crítica sobre o lugar do pedestre no texto-base do PlanMob de São Paulo

Frente de debates para o PlanMob 11-04-15

 

Nasce a Associação pela Mobilidade a Pé em São Paulo

Apesar de ser o modo de deslocamento mais utilizado pelos paulistanos, o modo a pé é pouquíssimo discutido ou considerado nas políticas públicas da cidade. Chegou a hora dos pedestres ganharem uma voz e lutarem por seus direitos de mobilidade

O último mês está sendo marcado pelas discussões do Plano de Mobilidade para a cidade de São Paulo. Discussões importantes para criarem-se diretrizes sobre como melhorar nossa circulação pelo espaço urbano para os próximos 15 anos.

O modo a pé é o mais utilizado pelos paulistanos. Cerca de 30% das viagens realizadas em São Paulo são feitas exclusivamente a pé. Ou seja, esse número não inclui o trajeto até o ponto de ônibus ou a estação de trem, nem as caminhadas na hora do almoço, por exemplo. Apenas deslocamentos com mais de 500 m ou considerados “da origem ao destino”, de casa para o trabalho ou escola. (Fonte: Pesquisa OD do Metrô – 2012).

Ainda assim, o modo a pé sempre foi pouquíssimo considerado nas políticas públicas voltadas para a mobilidade urbana — vide os estado catastrófico das calçadas da cidade e a dificuldade para se atravessar uma rua. Por isso um grupo de organizações paulistanas elaborou na semana passada um roteiro com sugestões e recomendações para o modo a pé: “Diretrizes para o Plano de Mobilidade Urbana 2015 da Cidade de São Paulo referentes à mobilidade a pé

Com esse documento ficou evidente que não existia, até hoje, uma associação em que qualquer cidadão pudesse ser parte integrante e atuante, apoiando políticas públicas pensadas para os pedestres e contribuindo de fato com ações e propostas voltadas para a mobilidade a pé.

Surge neste contexto a associação que pretende juntar muitos caminhantes por suas causas comuns. Pensada por pessoas já atuantes na questão da mobilidade urbana – em organizações como SampaPé!, Comissão Técnica de Mobilidade a Pé e Acessibilidade, Mobilidade Pinheiros e Rede Nossa São Paulo – e que já advogavam pelos que andam por nossas calçadas e ruas.

Entendemos ser urgente que todos aqueles que se deslocam a pé pela cidade tenham representatividade e oportunidade de participação social e política. Entre nós estão incluídos cadeirantes, bebês em seus carrinhos, idosos, mulheres, homens, jovens e crianças, enfim pessoas que se movem por São Paulo sem outro meio de transporte além de seus pés – ou, na impossibilidade de usá-los, com cadeiras ou outros.

A primeira reunião, aberta a todos os que querem andar pela cidade, será realizada no dia 6 de abril, segunda-feira, às 19h no Centro Cultural São Paulo.

Assim nasce a Associação pela Mobilidade a Pé em São Paulo.

Já criamos um blog onde explicamos Quem somos, O que queremos, Em que acreditamos e Como pretendemos atuar. E começamos a divulgar as mais recentes publicações acerca da mobilidade a pé na nossa cidade e no mundo.

Você anda a pé pela cidade? Então você é um de nós!

Você também pode fazer parte dessa associação, que é de todos, pois todos, em algum momento, somos pedestres.

Associe-se

Enquanto associado você está dando peso à representatividade dos pedestres na cidade. Quanto mais associados tivermos, mais força teremos para defender nossos direitos e interesses. A associação é aberta a todos os que acreditam no modo a pé como meio de deslocamento na cidade. Associe-se preenchendo o formulário.

Acompanhe nosso TRabalho

Blog: www.cidadeape.org
Facebook: Cidadeapé: Associação pela Mobilidade a Pé em São Paulo 
E-mail: contato@cidadeape.org

Boas caminhadas!

Letícia, Joana, Rafael

Imagem do post: Pedestres paulistanos, foto de Giovanna Nucci.

O que queremos

Queremos que o planejamento da cidade seja feito visando o deslocamento a pé como prioridade, pois esse é o modo mais usado.

Queremos que as políticas de mobilidade e transporte dediquem mais atenção e investimentos aos deslocamentos a pé.

Queremos condições de caminhabilidade nas calçadas, travessias e ruas da cidade.

Queremos defender os direitos de quem anda a pé,  de quem quer se deslocar pela a cidade com o ritmo das passadas.

Queremos que as pessoas que se deslocam a pé possam se informar sobre seus trajetos, possam se localizar na cidade.

Queremos que a rua seja um local de convivência entre todos os modais, que seu espaço seja compartilhado e amigável, e que os mais vulneráveis sejam considerados e respeitados por todos.

Queremos que as pessoas aprendam a andar nas ruas e gostem disso, tenham prazer, encontrem na caminhada uma alternativa de transporte para o trabalho e para o passeio.

Em que acreditamos

MISSÃO

Defender políticas públicas para que todas as pessoas tenham o direito de andar a pé com segurança, conforto e qualidade, independente de gênero, raça, idade, condição física ou socioeconômica.

VISÃO

Uma cidade onde se possa caminhar com liberdade, qualidade e segurança, onde as relações no espaço público sejam mais humanas e se tenha melhor qualidade de vida.

VALORES

Participação, diversidade,  acessibilidade, sustentabilidade, transparência, atuação política democrática e organizada, ocupação dos espaços públicos de participação, valorização dos saberes e das experiências de cada pessoa e construção de parcerias.

 

Acreditamos

Acreditamos que uma cidade boa para se viver é uma cidade boa para qualquer um se deslocar e acessar todos os seus equipamentos, e que independente do transporte que cada um utilize o acesso se dá a pé.

Acreditamos que andar em segurança é um direito humano elementar.

Acreditamos que quem anda a pé tem o direito a vias adequadas para caminhar, tem o direito a segurança, a conforto e a informação.

Acreditamos que quem quer chegar a pé a algum lugar não deve ter dificuldades para isso, deve ter acessibilidade.

Acreditamos que quem se desloca a pé deve ter a prioridade no compartilhamento da via, pois este modal, além de não ser motorizado, permeia todos os outros modais. Ou seja, é o modo de locomoção básico de todas as pessoas.

Acreditamos que uma cidade amiga do pedestre é uma cidade boa para todos. Pois todos somos pedestres.

 

“Rio Pinheiros: é a vez do pedestre”

Publicado originalmente em: Embarq Brasil
Data: Março de 2015

Com uma concentração de importantes empreendimentos comerciais, a região do Rio Pinheiros representa, hoje, um dos maiores polos de atração de pessoas na cidade de São Paulo. De acordo com dados da Pesquisa Origem e Destino de 2007, as áreas das estações Berrini, Vila Olímpia e Santo Amaro atraem mais de 172 mil pessoas todos os dias – são quase três Arenas Corinthians lotadas.

Estas foram as três localidades analisadas em um diagnóstico de microacessibilidade recentemente lançado pela EMBARQ Brasil, por meio da Plataforma Conexões Rio Pinheiros, em parceria com o USP Cidades e LABAUT/FAUUSP. O documento traz um mapeamento sobre a região e aponta propostas para a melhoria da microacessibilidade nos entornos destas três carregadas estações da Linha 9 da CPTM, com foco na segurança e no conforto de pedestres e ciclistas.

De trem, a pé, de ônibus, carro ou bicicleta. Seja qual for o meio escolhido nos trajetos diários, todos têm algo em comum: o acesso aos destinos. Estes metros que antecedem a chegada ao local desejado compõem o conceito de microacessibilidade em transportes. É a maior ou a menor facilidade de acesso real e direto às necessidades e aos serviços no espaço urbano e geralmente é executada a pé.

“Uma boa microacessibilidade para o passageiro de ônibus significa, por exemplo, ter o ponto próximo ao conjunto de escritórios em que o passageiro trabalha, enquanto para um motorista pode significar ter facilidade de estacionamento junto às lojas em que deseja comprar”, explica Eduardo Vasconcellos em seu livro Circular é Preciso, Viver Não é Preciso(1999).

O que precisa melhorar

Na análise, que compreendeu desde contagens de pedestres e carros até pesquisas de percepção do ambiente, fica comprovado que a região precisa de adaptações para comportar o grande fluxo de pessoas que por ali circulam, especialmente nos dias úteis. Originalmente fruto de um boom de investimentos imobiliários comerciais, a região não foi planejada para garantir acesso e serviços às pessoas. Por isso, hoje sofre com a baixa oferta de farmácias, bancos, mercados e são raros os espaços próprios para descanso e convivência.

Nos horários de pico, os carros perdem de longe para as pessoas, como no caso da Rua Gomes de Carvalho, onde é registrado 25 pessoas para cada automóvel. Os pedestres precisam se arriscar e invadir a via, uma vez que as calçadas não comportam tanta gente.

Outra questão analisada foi a proximidade ou não dos pontos de transporte coletivo com os destinos de seus usuários. Um pressuposto adotado para assegurar a atratividade dos sistemas públicos é de que o acesso aos mesmos não deve se localizar a uma distância maior que mil metros do local de origem ou destino dos passageiros. Em distâncias mais longas, a tendência é que as pessoas optem por outra forma de deslocamento, em geral, o automóvel.

Além disso, a questão da segurança pública também preocupa. Algumas estações analisadas e paradas de ônibus são acessadas por passagens estreitas, mal iluminadas e sem movimento de outras pessoas, o que gera insegurança por parte dos pedestres.

Como dar mais segurança e conforto às pessoas

O panorama apresentado não é novidade, mas as soluções para o problema ainda são – e podem ser mais viáveis do que imaginamos. A segunda parte do relatório apresenta sugestões práticas de intervenções para tornar o acesso às estações Berrini, Vila Olímpia e Santo Amaro mais seguras e agradáveis a quem circula pela região. São as ideias vencedoras do Concurso 3 Estações, uma competição pública entre arquitetos de São Paulo que estimulou a criação de soluções de desenho urbano para os entornos das três estações, com base nos princípios do Active Design e da segurança viária.  As principais intervenções passam por:

– redimensionamento e qualificação das calçadas;
– inserção de iluminação e mobiliário urbano para as pessoas;
– implantação de praças e espaços públicos em terrenos ociosos;
– construção de bicicletários e ciclovias;
– maior integração com outros meios de transporte;
– incentivo e incremento de serviços e comércios.

Clique aqui para fazer o download do Diagnóstico completo.

O próximo passo será a viabilização, o detalhamento e a implementação do projeto através da parceria com a Plataforma Conexões Rio Pinheiros, que reúne diversos agentes interessados em promover propostas conjuntas para a melhoria da mobilidade urbana, dos espaços públicos e da qualidade de vida da região.

“Ao se investir em projetos como este em áreas de grande fluxo, há benefícios para um maior número de pessoas, solucionando problemas em pontos de grande pressão e conflito, como as saídas de estações de trem e pontos de transbordo. Além disso, a iniciativa serve de inspiração para outras intervenções em locais semelhantes”, explica Paula Santos, coordenadora de Projetos de Transporte e Acessibilidade da EMBARQ Brasil.

Ao dar prioridade e espaços públicos de qualidade para as pessoas, a cidade permite que as ruas sejam ocupadas de forma mais igualitária e, naturalmente, tornem-se mais vibrantes e seguras para todos.

Imagem do post: Estação Berrini. Ilustraçao: Embarq Brasil

“A vez dos pedestres: Porque estimular a caminhada na cidade é um bom negócio”

Publicado originalmente em: Vitruvius
Autor: Mauro Calliari
Data: março de 2015

resenha do livro

Walkable City

Walkable City: How downtown can save America, one step at a time, de Jeff Speck, 2013

Por que discutir o andar?

Depois de décadas de planejamento urbano focado no uso do automóvel, o andar a pé voltou com força às discussões e à prática das grandes cidades pelo mundo.

Nos EUA, berço da cultura do carro, há uma nova geração que está se afastando do carro: em 1970, apenas 8% das pessoas com mais de 19 anos optaram por não tirar carta eram 8%. Hoje são 23%!

Sem o carro, essas pessoas dependem de transporte público melhor para se movimentar, mas principalmente, de calçadas melhores, segurança, prazer em caminhar. Tudo isso pode ser chamado de “andabilidade”.

Walkable City (a Cidade Andável, em português, ainda sem tradução) é construído sobre esse ponto de vista: como estimular o andar nas cidades.

Bebendo em referências clássicas, como Jane Jacobs, ou mais contemporâneas como Jan Gehl, Jeff Speck busca base conceitual e empírica para provar que as cidades americanas precisam mudar suas políticas em relação ao ordenamento urbano: trocar o ponto de vista do fluxo de carros pelo ponto de vista do pedestre.

 Se isso ainda não fosse suficiente para torná-lo leitura obrigatória, há mais: é escrito por quem ama a vida nas cidades. O caminhar, a vitalidade das calçadas, o encontro, sentar numa mesa ao ar livre, olhar as vitrines, fazer compras em lojinhas. Esse olhar está sempre presente no livro e nos faz pensar em por que vivemos em cidades e por que temos que fazer força para melhorar essa experiência.

O problema: as cidades inimigas dos pedestres

Décadas de planejamento urbano pensado partir do carro geraram o espraiamento infinito, que trouxe conseqüências sérias para as pessoas:

Quem mora nos subúrbios americanos anda menos. Em relação aos seus pares das grandes cidades, essas pessoas são mais obesas e têm mais problemas de saúde.

A densidade atrai talentos e estimula a inovação. Empresas já entenderam isso: quando estão recrutando jovens, fazem questão de ressaltar o argumento da vida urbana, vibrante, dinâmica, interessante, para atrair funcionários. Cidades competitivas oferecem um Starbucks e uma lavanderia na esquina e não mais o  bucolismo idealizado do subúrbio.

Cidades mais andáveis criam valor. O preço por metro quadrado reflete isso: quanto mais andável, mais cara a vizinhança. Incrivelmente, corretores de imóvel já usam o indicador de “andabilidade” criado pela empresa WalkScore para atrair compradores para os imóveis localizados perto de comércio, lojas, amenidades, parques.

Além disso, os moradores das cidades densas poluem, relativamente menos. Cada habitante de Nova Iorque polui muito menos do que a maioria das cidades americanas, mais espalhadas. Entretanto, cada habitante de Hong Kong, muito mais densa ainda, emite um décimo de CO2 do que os seus colegas de Manhattan.

A “teoria geral da andabilidade”

O livro propõe uma fórmula simples: a caminhada tem que ser, útil, segura, confortável e interessante.

Esse é o contexto para o previsível check-list de passos para os gestores municipais. São 10 mandamentos que podem facilitar a elaboração de um plano municipal de transportes, mas que vão além do dogmatismo habitual nesse tipo de lista: nem todos funcionam em todos os lugares. A conclusão é: conheça seu território antes de implantar mudanças, mas teste os conceitos gerais:

Demanda induzida. Novas pistas para carros serão sempre preenchidas. O inverso também é verdadeiro. Os carros que passavam pelo viaduto Embarcadero em S.Franciso, destruído pelo terremoto de 1989 acharam outros caminhos.  Em Cheonggyecheon, em Seoul, 168 mil motoristas trocaram de trajeto ou de transporte quando o viaduto foi destruído para dar lugar a um rio bucólico. Isso nos faz pensar nos 60 mil carros que atravessam diariamente o Minhocão, em São Paulo ou, principalmente, na cara e ineficaz reforma da Marginal Tietê.

Elevado Costa e Silva, o “Minhocão”, São Paulo. Foto Abilio Guerra

 Estacionamentos têm custos escondidos, que são pagos pelo contribuinte. De um modo geral, é melhor cobrar para estacionar na rua, o que estimula rotatividade. Numa evolução quântica em relação ao cartãozinho da zona azul, cidades mais avançadas já estipulam preços diferentes por tipologia de quarteirão. Quarteirões mais demandados cobram mais.

O motorista precisa de benefícios palpáveis para trocar seu carro pelo transporte público. É preciso aumentar a urbanidade (pontos de ônibus, acessos), transparência (roteiros e horários), freqüência (10 minutos no máximo; se ônibus não encher, use van) e prazer (“transporte público é uma forma móvel de espaço público”).

Bicicletas. Bicicletas ajudam a diminuir o trânsito, são mais saudáveis e menos poluentes. A polêmica das faixas vazias já foi vivida em outras cidades ao redor do mundo. O ex-prefeito de Bogotá, Enrique Peñalosa é direto: ”construa as faixas de bicicletas e os ciclistas virão”. Soa familiar?

Desenho urbano. Nós, humanos caminhantes precisamos de calçadas boas, distância dos carros, mas também de acolhimento. Códigos municipais deveriam também incentivar as fachadas amigáveis: toldos, vitrines, lojas pequenas, mesas, reeentrâncias. Queremos uma novidade a cada 5 segundos e não um paredão de 40 metros. E, claro, queremos árvores. Árvores diminuem temperatura, fazem sombra e ainda seqüestram dióxido de carbono, além de melhorar o prazer do caminhar.

Prioridades. Gestores públicos precisam escolher onde gastar o dinheiro. Speck diz que a tendência de um gestor público é tentar distribuir igualmente recursos. Contra isso, ele joga na mesa o argumento corajoso: “ao tentar ser universalmente excelentes, muitas cidades terminam sendo universamente medíocres”.

Rua General Carneiro, São Paulo. Foto Abilio Guerra

Dá para fazer o paralelo entre um livro americano e a realidade brasileira?

Claro! Apesar de ter sido escrito por um americano, com base em experiências americanas e poucos exemplos internacionais, o livro deve ajudar na consolidação de conceitos, que já estão sendo discutidos no Brasil. O Plano Diretor de São Paulo, por exemplo, claramente adota algumas idéias como o estímulo ao uso misto ou o incentivo ao transporte público.

Se, por um lado, as cidades brasileiras talvez não tenham atingido o grau de espalhamento das americanas, a tendência de construção de condomínios longe da cidade já reconfigurou nossas manchas urbanas e a discussão ainda pode ser capaz de frear esse processo em cidades médias.

A profusão de dados sobre as cidades americanas, entratanto, provavelmente vai deixar os brasileiros com inveja. Mede-se tudo e tudo se mede: os estudos calculam o movimento econômico em lojas antes e depois de intervenções, o número de pedestres em frente ao centro comercial, preços de imóveis em cada quarteirão, número de acidentes antes e depois da redução de velocidade etc.

Mas os estudos vão muito além: é possível comprovar que as lojas de uma rua comercial aumentaram seu faturamento a partir da cobrança por estacionamento de carros. Como assim? A cobrança aumentou o giro, o que é bom para lojas comerciais. A mensagem para nossos gestores é: “Teste tudo, mas meça os resultados. Aí, espalhe ou não as mudanças”.

O desenho urbano como ferramenta de planejamento e gestão

Outro viés do livro é ter sido escrito por um designer de cidades, um planejador que vê a forma e tenta relacioná-la ao uso. Em worskhops com prefeitos, ele diz que sempre é possível ajudar a cidade a melhorar sua andabilidade. Seus inimigos declarados são dois: os “starchitects”, que relegam a um segundo plano a preocupação com o entorno de suas obras, e os engenheiros de tráfego, que ganham a vida pensando no fluxo de automóveis, sem se preocupar com os pedestres.

Como não fazer um paralelo com nossos órgãos de trânsito, tão preocupados com o fluxo de veículos e tão pouco atentos aos pequenos problemas do pedestre em seus deslocamentos?

Andabilidade

Uma última observação, sobre traduções. A palavra “andabilidade”, mesmo fora do dicionário, já anda freqüentando trabalhos e artigos de brasileiros, como a recente coluna de Washington Fajardo, do IRPH em O Globo, mesmo que ainda não apareça nos dicionários. Não parece justo agora vetá-lo por anglicismo. Se ele representa uma métrica que pode melhorar a “caminhabilidade” e a “passeabilidade”, tanto melhor, incorporada está.

Mauro Calliari é administrador de empresas, mestre em urbanismo e autor do blog Caminhadas Urbanas.

“Caminhar é estar na cidade”

Publicado originalmente em: ANTP
Autor: Letícia Leda Sabino
Data: 21/03/2015

ANTP entrevistou Leticia Leda Sabino, administradora de empresas e idealizadora do SampaPé! É secretária executiva da Comissão Técnica Mobilidade a Pé e Acessibilidade da ANTP.

Letícia Sabino, idealizadora do movimento Sampapé, conta que abraçou a causa do “andar a pé” em São Paulo após viver vida de pedestre na cidade do México. Pode parecer estranho, mas não é. A necessidade gerou uma causa importante, como veremos a seguir.

Como muitos jovens, Letícia, que morava em Santo André, se deslocava de carro todos os dias até São Paulo para estudar. Como ela conta, “fazia esse movimento pendular diariamente, o tempo todo encapsulada”. Após seguir num intercâmbio para a Cidade do México é que ela apreendeu o real significado do que é caminhar numa metrópole. “A cidade do México é uma cidade grande como São Paulo, com números semelhantes de carros, de pessoas, de extensão, com semelhanças na desigualdade social que temos aqui. Como São Paulo, a cidade do México teve origem rodoviarista, uma cidade que foi construída em função do carro”.

Como lá ela tinha de se locomover por outros meios que não o automóvel, Letícia passou a viver uma “vida de pedestre em tempo integral”.

Ela conta que sua faculdade ficava no subúrbio, que ela alcançava através de ônibus. “Mas todas as demais atividades do cotidiano eu tinha de fazer a pé, não havia outra opção. Até para a faculdade eu buscava caminhos alternativos que diminuíssem a necessidade do transporte público”.

Letícia conta que ficou muito encantada com o que descobriu, a cultura local, as construções, os comércios. “Eu me apaixonei pela cidade”, ela diz. Foi quando se deu conta de que este encantamento era resultado da forma como ela se locomovia na cidade.

Eu percebi que isso determinou a maneira como eu me sentia na cidade, a forma como eu vivia. Voltando para São Paulo eu decidi que queria viver da mesma forma: caminhando o máximo que eu pudesse. Eu queria ter esta sensação, este bem-estar todos os dias. Deixei então de usar o carro e passei a usar somente transporte público e a caminhar, principalmente caminhar”.

Letícia conta que para ela o caminhar é muito especial: “é quando você toma contato com a cidade, com as pessoas, não só pela velocidade, que é muito menor do que se você estivesse de carro, como pela proximidade com as coisas à sua volta”.

No início ela pensava fazer parte de uma minoria. “As ruas cheias de carro, em contraste com as calçadas, me davam esta impressão”. Foi quando pesquisou e descobriu a enorme quantidade de pessoas que se locomovem a pé em São Paulo, e entendeu que tudo depende da forma como você olha a cidade.

Carros são máquinas, ocupam um espaço enorme. Onde você pensa que tem um monte de gente, na verdade são poucas pessoas ocupando muito espaço”. Quando foi buscar os números ela se impressionou: “eu pensava fazer parte de uma minoria, mas descobri que são feitas mais de seis milhões e meio de viagens a pé por dia na cidade, caminhadas em que se anda mais de 500 metros. Isso significa 30% de todos os deslocamentos dos paulistanos”.

As pessoas andam a pé nas ruas que temos, nas calçadas que temos (e muitas vezes não temos), nas travessias que temos. É humilhante você caminhar na cidade que não foi feita para quem precisa ou quer andar a pé. Senti que era preciso haver algum movimento que levasse as pessoas a terem um pouco mais de prazer em andar a pé, uma questão até de dignidade”,ela afirma.

Compartilhando esta preocupação com outras pessoas Letícia sentiu que não estava sozinha, nem em minoria como imaginava. “As pessoas perceberam que não éramos uma minoria, e que portanto era necessário juntar-se para reivindicar melhorias, cobrar ações públicas, tendo uma atuação política, enfim”.

Foi assim que surgiu o Sampapé, um movimento criado “para ajudar as pessoas a enxergar sua cidade de outra maneira, experimentando e interagindo com ela ao caminhar, à medida que vai descobrindo seus caminhos e segredos”, diz o site do movimento.

A princípio o movimento não tinha uma atuação voltada a políticas públicas. Letícia explica: “isso porque a gente decidiu que antes era preciso mostrar às pessoas o quão agradável pode ser a caminhada, revelando todos os elementos que estão no ato de andar a pé. A gente percebeu que muitas pessoas que caminhavam faziam isso de forma acelerada”.

Ou seja: o Sampapé começou buscando conscientizar as pessoas, sem necessariamente focar numa atuação pública. O próximo passo só poderia ser a reivindicação por melhorias, nas calçadas, na iluminação pública, nas travessias, para garantir segurança e conforto às pessoas. “Começar a participar da vida pública, buscar interferir no desenho da cidade”, resume Letícia.

Mas o carro é um inimigo do Sampapé?

Letícia esclarece que a questão não é essa, “até porque muitas pessoas têm carro, a questão não é a posse, mas o uso indiscriminado”, ela esclarece. As escolhas que foram feitas por políticas públicas que sempre privilegiaram o automóvel redundaram numa ocupação desigual dos espaços – “para ruas mais largas para fluir o trânsito de máquinas, diminui-se o espaço para o trânsito das pessoas; para viadutos caros e imponentes, alocou-se dinheiro de todos para beneficiar poucos”, ela resume.

O carro, e isso está escrito na legislação – é um veículo para passeio, mas a gente sabe que faz tempo que isso deixou de ser assim”, Letícia ressalta. “Então o uso excessivo pelas pessoas faz com que na disputa pelo espaço o automóvel acabe sendoum vilão. É uma questão óbvia: o pedestre e o ciclista não têm como disputar com uma máquina pesada e veloz, eles saem sempre perdendo.  Mesmo que a gente saiba que a preferência é sua numa faixa de pedestre, ou num cruzamento, a gente sente medo de atravessar a rua porque sabe que um atropelamento pode ser fatal”.

Letícia concorda com movimentos e ideias que lutam para criar políticas urbanas de restrição ao carro, mas acha que esse debate deve incluir – e até preceder – uma questão central: “é preciso antes lutar e propor ações de maior espaço para outros modos de transporte, como a bicicleta e principalmente o pedestre”. Para a idealizadora do Sampapé importa mais ações públicas que transformem ruas em calçadões, por exemplo, “políticas para pessoas”. “Isso nada mais é que devolver a cidade a quem mora ali; a prioridade ao pedestre naturalmente levará as pessoas a repensar o uso do automóvel”, ela acredita. “São medidas muito mais eficientes, são convidativas, não proibitivas. Aumentar o tamanho de uma calçada aumenta o convite para se andar a pé, ao mesmo tempo que restringe o espaço do automóvel”.

Letícia conta algumas ações que o Sampapé desenvolveu. “A gente começou fazendo algumas ações em praças, como festivais com música e outras atividades, para que as pessoas compreendessem que a praça é um lugar para se ficar, não é um lugar de passagem, e que isso pode ser prazeroso. A gente sempre apostou em formas lúdicas em nossas ações, isso é muito mais eficiente do que, a nosso ver, marchar para que as pessoas venham a ocupar a praça”.

Letícia diz que como aprendeu graças a uma experiência, nada melhor do que criar experiências para que outras pessoas sintam a mesma necessidade e o mesmo prazer da caminhada na cidade. Outra ação citada por Letícia são os passeios culturais, “uma forma de apresentar uma cidade que as pessoas não veem, nem percebem, mas quando se deparam com ela ficam encantadas. Por isso que nossos passeios não são turismo, para gente de outras cidades, mas sim para moradores da cidade. A ideia é apresentar a cidade para as pessoas”.

Em suma, o que o Sampapé tenta promover são microrrevoluções urbanas voltadas para as pessoas, e não para os espaços. “As pessoas estão acostumadas a ir de um ponto A para um ponto B, mas entre esses dois pontos há uma quantidade enorme de outros pontos, que as pessoas não observam, pela velocidade do carro, pela pressa da vida urbana”. Após o passeio, as pessoas são estimuladas a caminhar no quarteirão em volta de sua casa, para descobrir serviços, novidades e até belezas que passam despercebidos. “As pessoas podem descobrir que muitas coisas que precisam no dia-a-dia estão ali ao lado, e ela pode alcançar caminhando ao invés de usar o carro para ir mais longe. É transformador você descobrir que muita coisa está muito próxima de você”.

O Sampapé atua também em ações de outros movimentos que chamam a atenção para a cidade e seus problemas. “A gente atuou, por exemplo, com o grupo Curativos Urbanos, eles criaram uma maneira lúdica e divertida de chamar a atenção para os problemas das calçadas de nossas cidades, fazendo ‘curativos’nos locais que apresentavam algum tipo de irregularidade, como os buracos. É uma maneira lúdica que chama a atenção para os ‘machucados’ que precisam ser curados. A gente leva as pessoas para experimentar essas ações na cidade durante os passeios, empoderando as pessoas a participarem do espaço publico e serem cidadãs ativas”, conclui.

Com essas experiências as pessoas vão descobrindo que podem agir na sua cidade, atuando onde moram, ou por onde passam, passando a se sentir parte da cidade, e também responsáveis por ela. Para Letícia é indiferente saber se as iniciativas de melhorias urbanas devem partir do poder público ou das pessoas. “Elas podem vir juntas, uma pode provocar a outra, mas se as pessoas não estiverem nas ruas, vivendo sua cidade, qualquer coisa será em vão”. Ela dá o exemplo de uma iniciativa da prefeitura da capital, o projetoCentro Aberto, que aconteceu nos largos São Francisco e Paissandu. “Um convite para que cada cidadão se aproprie da área central da cidade, vivenciando transformações urbanísticas projetadas pelos técnicos e opinando diretamente sobre o impacto delas”, resume o site da Prefeitura. Letícia conta ainda que está se envolvendo em discussões de políticas públicas, como legislação de calçadas, debates acerca do Plano Diretor Municipal, o Plano de Mobilidade, além do pedido de abertura da Avenida Paulista para as pessoas aos domingos. Todos estes temas estão em debate na Câmara dos Vereadores e na Secretaria Municipal dos Transportes.

O que o Sampapé faz, e isso é indiscutível, é levar as pessoas, sejam governantes ou cidadãos, a descobrirem o que é importante pra cidade, o que precisa de corrigido, melhorado, modificado.