Página inicial do portal de atendimento SP156 da Prefeitura de São Paulo

SP156 – Atendimento da Prefeitura de SP: por que e como fazer

O SP156 – Portal de Atendimento da Prefeitura de São Paulo é uma ferramenta importante para os munícipes. Por meio dele, podemos fazer solicitações, reclamações e denúncias sobre problemas que encontramos nas ruas, desde árvores maltratadas, até lixo, iluminação, e muito mais.

No nosso caso, é o primeiro canal com a prefeitura para falar dos problemas encontrados em relação à mobilidade a pé da cidade: calçadas com buracos, degraus e desníveis, ausência de calçadas, falta de acessibilidade, falta de faixa de pedestres, cruzamento perigoso, velocidade alta demais na via, e muito mais – os problemas que nós, pedestres, encontramos todos os dias.

Botão vermelho com o texto "Por que fazer" Botão vermelho com o texto "Como fazer"

Por que usar o sistema

Porque temos órgãos responsáveis pela fiscalização na cidade e eles estão aí para isso. Reclamar é fundamental para fazer os serviços públicos melhorarem. E a prefeitura tem obrigação legal de escutar e responder. Isso está estabelecido na Política de
Atendimento ao Cidadão
  da prefeitura de São Paulo (Decreto Nº 58.426/18)

Segundo esse decreto, “cada solicitação deverá gerar um número de protocolo que retrate fielmente a manifestação, permitindo o seu acompanhamento pelo cidadão” e  “os cidadãos serão comunicados quanto ao encaminhamento final dado às suas solicitações.”

Por ser um sistema eletrônico, o SP156 gera automaticamente um protocolo que é encaminhado para o órgão competente. Com isso é possível acompanhar o caso e, se nada for feito, acionar a Ouvidoria do município, que por sua vez obrigará uma resposta por parte do órgão responsável.

O 156, além de registrar pedidos individuais, ajuda a criar demanda para determinados assuntos, gerar estatísticas e alertar os órgãos sobre os problemas.  Se um determinado assunto gera muitos protocolos, a prefeitura é obrigada a fazer alguma coisa. E com nossas cópias de protocolos, podemos pressionar com muito mais propriedade.

Por meio das leis de acesso à informação e suas exigências de transparência, cidadãos, ou organizações da sociedade civil, como a Cidadeapé, podem ter acesso a relatórios sobre as solicitações realizadas pelo 156, por meio do programa Dados Abertos ou do e-SIC.  Podemos então levar esses relatórios e dados para os conselhos participativos, reuniões do CMTT, reuniões dos Consegs, Subprefeituras, etc. Os protocolos e relatórios se tornam uma ferramenta de conhecimento e pressão, com base em dados reais.

Por tudo isso, gostaríamos de estimular que todos realizem solicitações e reclamações por meio do 156 sempre que encontrarem problemas nas calçadas e ruas da cidade. Quanto mais pressão, mais a prefeitura verá a importância do transporte a pé para a mobilidade urbana.

Como fazer uma solicitação pelo SP156

As solicitações podem ser feitas:

Existem muitos tipos de solicitações que podem ser feitas no Portal de Atendimento da Prefeitura de São Paulo – SP156. Cada tipo é chamado de “serviço”, que são agrupados por temas. Alguns dos mais relevantes para nós, pedestres, são:

Apresentamos abaixo um passo a passo de como fazer uma denúncia sobre calçada com buraco, inspirado no post “Pedestres de Sampa, uni-vos!”, do blog do SampaPé no portal Mobilize:

1. Acesse o SP156: Portal de Atendimento da Prefeitura de São Paulo – SP156 .

2. Se ainda não tiver um cadastro, é preciso se cadastrar usando seu login gov.br. Apenas alguns serviços podem ser realizados anonimamente. Mas nós sugerimos que você faça a solicitação como cidadã(o) atuante!

3. Clique em “Entre” (no topo da página) para começar a navegar na página com seu login.

4. Na página de Serviços, aparecem vários quadros indicando os “Assuntos em Destaque“. Clique em “Ainda não encontrou?” para passar de página até chegar ao tema “Pedestres“.

5. Selecione  então “Denúncia de calçada particular irregular, danificada ou inexistente“. Ao lado direito, clique no botão “Continuar como” para prosseguir com a denúncia.

6. Insira o endereço completo da calçada que gostaria de denunciar e no campo “Descrição” procure especificar o problema: buraco por causa de concessionária, piso quebrado, degrau, piso escorregadio etc.  Sugerimos acrescentar uma notinha como abaixo e, se for associado da Cidadeapé, incluir essa informação:
“60% dos deslocamentos diários em São Paulo são feitos a pé, mas as calçadas não são de qualidade. Precisamos de investimento nas infraestruturas para a mobilidade a pé. Associado da Cidadeapé –  Associação pela Mobilidade a Pé em São Paulo”.

7. Clique em “Continuar“.

8. Se quiser, pode incluir a foto da calçada ou outro documento pertinente. Basta clicar em “Adicionar anexos“.

9. Depois de indicar que “Não é um robô“, clique em “Finalizar“.

10. Após a confirmação, você pode clicar em “Imprimir os dados da sua solicitação” para salvá-la em PDF. Você também receberá um e-mail e/ou SMS com o código do protocolo. Guarde-os bem para poder acompanhar a solicitação.

11. Suas solicitações podem ser consultadas em “Acompanhar minha solicitação“, digitando o código do protocolo. Se tiver se cadastrado, haverá um histórico de todas as suas solicitações e as respectivas respostas em “Minhas solicitações“.

12. Sempre que tiver um tempo, passe no mesmo lugar para ver se algo foi feito. Se nada foi feito, vale a pena cobrar uma resposta do poder público com o seu número de protocolo.

Juntos podemos ter uma cidade mais caminhável!

Vamos pressionar, cobrar e criar estatísticas!

Imagem do post: Rua Embuaçu, Vila Mariana. Sem calçadas. Foto: Google Maps

 

Participantes da Assembleia Geral Extraordinária posam em uma sala de reunião, com outra participante na videochamada

Cidadeapé elege novo diretor financeiro

Participantes da Assembleia Geral Extraordinária posam em uma sala de reunião, com outra participante na videochamada
Participantes da Assembleia Geral Extraordinária

Na última Assembleia Geral Extraordinária, realizada em 29 de novembro, membros da Cidadeapé aprovaram a indicação de Oliver Cauã para substituir Gisele Barbosa na diretoria financeira até o final deste biênio. Oliver já é conselheiro da organização e vai acumular as duas funções interinamente. Na assembleia também foram discutido alguns itens importantes do estatuto da organização, de forma a deixar mais claras as possibilidades de substituição e sucessão da diretoria.

A ata da assembleia, com o novo Estatuto registrado em cartório, está disponível na página de transparência.

Agradecemos a quem participou do encontro e saudamos a nova formação da diretoria. Também agradecemos a Gisele pela dedicação ao longo do último ano.

Retrato de Marcos de Sousa, sorrindo, de óculos e jaqueta vermelha

Nota conjunta de pesar pelo falecimento de Marcos de Sousa

Retrato de Marcos de Sousa, sorrindo, de óculos e jaqueta vermelha
Marcos de Sousa (Imagem: Mobilize Brasil)

É com grande pesar que recebemos a notícia do falecimento do jornalista Marcos de Sousa. Sua trajetória na comunicação trouxe grandes contribuições para o debate sobre mobilidade urbana e cidades sustentáveis no Brasil. Como editor-chefe do portal Mobilize, Marcos sempre esteve atento à atuação das organizações da sociedade civil dedicadas à temática, mostrando-se disposto a amplificar nossas causas e diversificar as vozes que debatem a mobilidade urbana.

Marcos será lembrado com muito carinho pelas pessoas e organizações que tiveram o prazer de interagir com ele em diferentes frentes de mobilização por cidades mais sustentáveis, justas e acessíveis. Transmitimos nossos sentimentos aos familiares e amigos próximos.

Assinam:
Bike Zona Oeste
Cidadeapé – Associação pela Mobilidade a Pé em São Paulo
Cidade Ativa
Corrida Amiga
Daniel Santini (USP)
Instituto Caminhabilidade
Metrópole 1:1
Observatório da Mobilidade de Salvador
Prodhe Cepeusp
Redes Vidas Ativas
União de Ciclistas do Brasil

Card de convocação da Assembleia Geral Extraordinária da Cidadeapé em 29/11/2025, das 10h30 às 12h, na Av. Paulista, 2439

Participe da Assembleia Geral Extraordinária da Cidadeapé

Convidamos todas as pessoas associadas, bem como aquelas interessadas em se associar à Cidadeapé, a participar da Assembleia Geral Extraordinária que será realizada no sábado, dia 29 de novembro de 2025, no coworking Eureka (Av. Paulista, 2439, 11º andar, sala 116).
A primeira chamada ocorrerá às 10h30, com a presença mínima de dois terços dos associados, e a segunda chamada às 11h, com qualquer número de presentes.

Pautas:

– Alteração do Estatuto Social com o objetivo de:

  1. Possibilitar que membros da Diretoria ou do Conselho possam assumir funções diretivas em caso de vacância de diretor;
  2. Retirar a exigência de afixação de convocações na sede social da Cidadeapé e possibilitar que as convocações sejam feitas através de redes sociais digitais.
  3. Possibilitar a realizações de assembleias on-line.

– Eleição de Oliver Cauã Cauê França Scarcelli, conselheiro, para a gestão financeira da Associação de dezembro de 2025 a dezembro de 2026.

Card de convocação da Assembleia Geral Extraordinária da Cidadeapé em 29/11/2025, das 10h30 às 12h, na Av. Paulista, 2439

Informações:

Assembleia Geral Extraordinária 2025 – Cidadeapé — Associação pela Mobilidade a Pé em São Paulo
Data: 29 de novembro de 2025, sábado
Horário: das 10h30 às 12h30
Local: Eureka Coworking – Av. Paulista, 2439, 11º andar, sala 116
Próximo às estações de metrô Consolação e Paulista. O prédio conta com recursos de acessibilidade e bicicletário.

Foto de grupo dos participantes da celebração dos 10 anos da Cidadeapé na Câmara Municipal

Cidadeapé comemora seus 10 anos e recebe Voto de Júbilo da Câmara Municipal de São Paulo

Relembramos o passado, apresentamos nossas ações no presente e discutimos o futuro de nossa caminhada

Foto de grupo dos participantes da celebração dos 10 anos da Cidadeapé na Câmara Municipal

Quantos passos cabem em 10 anos? Se contar de cabeça o quanto andamos pode ser uma missão impossível, relembrar o que encontramos no caminho é bem mais fácil e agradável. Foi com esse intuito que a Cidadeapé reuniu apoiadores de várias gerações da associação no evento de celebração dos seus 10 anos de caminhada, no dia 03 de outubro de 2025, na Câmara Municipal de São Paulo.

Reportagem da TV Câmara sobre o evento

O encontro foi iniciado com o painel “Por que uma associação pela mobilidade a pé?”, que contou com associados que participaram da fundação e da formalização da organização. Participando de forma remota, estavam Carlos Aranha, Glaucia Pereira, Gilberto Carvalho e Joana Canedo. Presencialmente, participaram Rafael Calabria e Thiago Benicchio. Com a mediação da diretora de relacionamento Ana Carolina Nunes, eles falaram sobre as motivações que levaram à criação da associação, o contexto político no qual essa ideia emergiu e algumas das conquistas possibilitadas pela luta articulada da Cidadeapé com outras organizações da sociedade civil.

  • Público na sala da Câmara durante o painel, com participante em videochamada no telão
  • Público sentado na sala da Câmara durante o evento de 10 anos
  • Participantes falam ao microfone durante o painel "Por que uma associação pela mobilidade a pé?"
  • Público assiste ao painel com participante em videochamada no telão

Ainda no fim do painel, a vereadora Renata Falzoni foi convidada a compor a mesa para dar seu depoimento sobre a importância da luta pelos direitos dos pedestres. Foi ela quem teve a ideia de indicar a Cidadeapé para receber o Voto de Júbilo da Câmara Municipal de São Paulo pelos seus 10 anos de atividade. O intuito da honraria é “homenagear órgãos, entidades e personalidades importantes que vivem o dia a dia da cidade e fazem a diferença em São Paulo”, segundo informa o site da Câmara. Os três membros da atual diretoria, Cauê Jannini (diretor administrativo), Gisele Barbosa (diretora financeira) e Ana Carolina Nunes (diretora de relacionamento), receberam das mãos da vereadora um certificado do Voto de Júbilo, em um gesto simbólico de agradecimento pela atuação da Cidadeapé.

  • Vereadora Renata Falzoni entrega o Voto de Júbilo da Câmara à diretoria da Cidadeapé
  • Diretoria da Cidadeapé posa com o certificado do Voto de Júbilo ao lado da vereadora Renata Falzoni
  • Diretoria apresenta o certificado do Voto de Júbilo, também exibido no telão

Na parte final do evento, a diretoria apresentou um pouco das ações com as quais a Cidadeapé se envolveu no último ano, e deu um spoiler da nova versão do site que será lançada em breve. Além disso, fez uma dinâmica para convidar os participantes a pensar como seria uma cidade melhor para os pedestres e qual poderia ser a atuação da Cidadeapé na construção desse cenário.

Finalizamos o evento com a energia renovada e com a certeza de que as amizades feitas no caminho da Cidadeapé são o que mais nos fortalece e nos motiva a seguir na luta por uma cidade melhor. Agradecemos à vereadora Renata Falzoni pela indicação ao Voto de Júbilo e ao seu gabinete pelo trabalho dedicado em nos apoiar na organização do evento. Em nome da diretoria, expressamos nossa profunda gratidão a todos que participaram de alguma forma do evento e aos parceiros dessa jornada de 10 anos. Que venham os próximos 10!

Além de fazer uma reportagem, a TV Câmara também transmitiu o evento. Você pode revê-lo no vídeo abaixo.

  • Card "Venha celebrar os 10 anos da Cidadeapé", em 3 de outubro às 18h, na Câmara Municipal de São Paulo
  • Programação do evento de 10 anos da Cidadeapé, das 18h às 21h
Nova diretoria da Cidadeapé posa numa sala de reunião, com outros membros em videochamada no telão

Conheça a nova diretoria da Cidadeapé

Na Assembleia Geral realizada no dia 09 de novembro de 2024, foram eleitas a nova diretoria e conselho de administração da Cidadeapé, cujos mandatos vão até Novembro de 2026.

São eles:

Diretor Administrativo: Cauê Jannini
Diretora Financeira: Gisele Barbosa
Diretora de Relacionamento: Ana Carolina Nunes
Conselheira e conselheiros: Deiny Costa, Mateus Humberto e Oliver Cauã

Nova diretoria da Cidadeapé posa numa sala de reunião, com outros membros em videochamada no telão

Agradecemos aos diretores e conselheiros que concluíram seu mandato pelo trabalho desenvolvido e ao Eureka Coworking pela parceria institucional.

Seguimos ativos na luta pela mobilidade a pé na cidade de São Paulo!

Card de convocação da Assembleia Geral da Cidadeapé em 09/11/2024, das 10h30 às 12h30, na Av. Paulista, 2439

Participe da Assembleia Geral da Cidadeapé

Convidamos todos os associados, bem como pessoas interessadas em se associar à Cidadepé, a participar da Assembleia Geral Ordinária no sábado, dia 09 de novembro de 2024, no Eureka da Av. Paulista, 2439, 11º andar, sala 116. A assembleia começa às 10:30, em PRIMEIRA CONVOCAÇÃO, com a presença mínima de 2/3(dois terços) dos associados, ou na falta de quórum necessário às 11:00, em SEGUNDA CONVOCAÇÃO, com qualquer número de presentes. A pauta a ser discutida será:

– Apreciação de contas anuais e balanço patrimonial(Janeiro/2024-Outubro/2024);
– Apreciação do relatório da diretoria;
– Definição do valor da contribuição anual ao fundo social;
– Eleição da Diretoria e do Conselho de Administração para o período de dezembro de 2024 a dezembro de 2026.

Após a finalização da assembleia, prosseguiremos para uma apresentação dos principais projetos da Cidadeapé e reunião de trabalho para que os presentes interessados em contribuir com a associação comecem a se envolver com as atividades apresentadas.

Card de convocação da Assembleia Geral da Cidadeapé em 09/11/2024, das 10h30 às 12h30, na Av. Paulista, 2439

Assembleia Geral Ordinária 2024 Cidadeapé – Associação pela Mobilidade a Pé em São Paulo
Data: 09 de novembro de 2024
Hora: 10h30 às 12h30
Local: Eureka – Av Paulista, 2439, 11o andar, sala 116
Próximo aos metrôs Consolação e Paulista; acessível; bicicletário disponível (leve seu cadeado).

Agentes da prefeitura pintam a sinalização no calçadão em frente ao Theatro Municipal de São Paulo

Nota pública contra a circulação e o estacionamento de carros nos calçadões do Centro de SP

Nos últimos dias, verificamos que a Prefeitura de São Paulo está implementando uma sinalização para permitir a circulação e o estacionamento de carros nos calçadões históricos da cidade. As organizações abaixo assinadas repudiam essa política. Alertamos que ela é contrária ao interesse público e que está sendo implantada de maneira autoritária.

Essa medida é extremamente equivocada, insegura e repleta de erros técnicos, revelando um desconhecimento da dinâmica da mobilidade e das necessidades urbanísticas do centro. Tal delimitação de faixas, ao invés de favorecer a partilha, marca uma cisão. Consagra os automóveis, colocando pedestres e ciclistas em risco. Precariza a infraestrutura de mobilidade a pé. E, pior, contraria as legislações federal – como a Política Nacional de Mobilidade Urbana – e municipal – como o Plano Diretor Estratégico,  o Plano de Mobilidade Urbana e o Plano de Ação Climática do Município. As leis são claras: o poder público deve priorizar os modais ativos e desincentivar o uso do automóvel. A Prefeitura viola, até mesmo, o Código de Trânsito Brasileiro que, em seus artigos 29-V e 181-VIII, garante a segurança dos pedestres nos calçadões. 

A justificativa dada pela municipalidade é que a criação desse estacionamento aumentaria o público do Theatro e, portanto, traria mais segurança. Isso é um equívoco. Aumentar vagas para carros apenas fará com que as pessoas saiam do transporte coletivo e passem a ir de automóvel. Isso, inclusive, vai aumentar o congestionamento das pequenas ruas do centro. Convenhamos, São Paulo não precisa de mais pontos de engarrafamento. 

A Prefeitura está criando problemas. Ela não vai melhorar o acesso ao Theatro com algumas dezenas de vagas. A capacidade do Municipal é de 1523 pessoas. Só um transporte público de qualidade é capaz de transportar essa quantidade de usuários. As vagas, portanto, são inúteis.

Essa política também é elitista, pois pressupõe que os frequentadores do Theatro Municipal não poderiam utilizar o transporte público, alegando “problemas de segurança”. Ora, a Prefeitura tem muitos mecanismos para aumentar a circulação de pessoas e, assim, melhorar a segurança. A SPTRANS, por exemplo, pode determinar que os ônibus atendam todos os pontos do centro, após as 19h. O cidadão, então, poderia descer mais perto do Theatro. A autarquia também poderia mover os pontos de ônibus para as esquinas, aproximando-os das faixas de pedestres. Isso melhoraria a qualidade dos deslocamentos e também a segurança (principalmente das mulheres, que não mais ficariam “abandonadas” no meio de um quarteirão). O Município, ademais, pode reduzir drasticamente o preço das passagens. Essa seria uma medida eficaz para trazer mais pessoas aos equipamentos de cultura do centro. Além disso, a Prefeitura pode posicionar a Guarda Civil no percurso entre terminais de ônibus e estações do Metrô até o Theatro. Alternativas não faltam.

Está claro que a circulação de carros e o estacionamento sobre os calçadões degradam a mobilidade ativa. Mesmo à noite, há pessoas caminhando nos calçadões e pedalando nas ciclovias. Esses cidadãos se sentirão inseguros com o tráfego de veículos. Tal medida, portanto, pode reduzir o número de pedestres e de ciclistas. A Prefeitura, ao implantar esse estacionamento, vai na contramão das principais cidades globais, que vem criando mais calçadões e mais ciclovias nas regiões centrais.

Acreditamos que as ruas podem ser prazerosas, e não apenas um lugar em que se entra dentro de um carro. O Município precisa criar ações de ocupação do espaço público. Com brinquedos, com praças, com arborização. Com agentes de educação, de cultura, de assistência social e de saúde. Queremos garantir a segurança e o bem-estar de todos, e não apenas de alguns motoristas. 

E se mesmo assim a Prefeitura quiser criar mais vagas de estacionamento, que o faça retirando espaço dos carros. Temos várias sugestões. As margens das ruas Xavier de Toledo, Quirino de Andrade, Conselheiro Crispiniano, Sete de Abril e 24 de Maio, das Avenidas São João e Ipiranga, da Praça Ramos de Azevedo e do Viaduto do Chá estão subutilizadas no período noturno. Não há nada que justifique tirar espaço dos pedestres para dar a automóveis particulares. 

Não podemos esquecer que o espaço público vem sendo tratado como estacionamento em vários lugares. Há carros que param sobre calçadas, sobre escadarias e sobre ciclovias na cidade toda, principalmente nas periferias. E a Prefeitura tem fechado os olhos para isso.

Todos esses “erros” são facilmente identificáveis. Essa política – tão incorreta, tão insegura – só saiu do papel porque não houve diálogo com os cidadãos. Não houve uma reunião, uma audiência pública. Demandamos que a Prefeitura converse com os vereadores, com a sociedade civil, com os órgãos técnicos e com os movimentos que questionam essa medida. E que, então, abdique desse absurdo.

Assinam:

Conselheiros do Conselho Municipal de Trânsito e Transportes

Participantes da Câmara Temática de Mobilidade a Pé

Cidadeapé – Associação pela Mobilidade a Pé em São Paulo

Aliança Bike – Associação Brasileira do Setor de Bicicletas

ANTP – Comissão Técnica Mobilidade a Pé e Acessibilidade

Bike é Legal / Renata Falzoni

Bike Zona Oeste

Bike Zona Sul

BrCidades – Núcleo São Paulo

CAU-SP

Centro Gaspar Garcia de Direitos Humanos

Ciclo-Comitê Popular de Luta de São Paulo

Cicloação

CicloCentro_SP

Ciclocidade – Associação dos Ciclistas Urbanos de São Paulo

Cidade Ativa

Coalizão Clima e Mobilidade Ativa

Coletivo Helen Keller

Coletivo Monta Mona

Coletivo Pedal Verde

Comitê de Mobilidade e Transporte do Butantã

Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência

Idec – Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor

Instituto Corrida Amiga

IAB-SP

Instituto Pólis

LabCidade FAUUSP – Laboratório Direito à Cidade e Espaço Público da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo

Metrópole 1:1

Pastoral da Pessoa com Deficiência da Arquidiocese de São Paulo

Pedalagem

Pluri.urb

Polo Planejamento

SampaPé!

SOS Transportes M’Boi Mirim

A sua organização quer fazer parte desse movimento? Envie um email para contato@cidadeape.org e assine a nota pública.

Imagem: Estadão

Vista do alto de muitas pessoas atravessando uma faixa de pedestres larga

Prefeitura quer reduzir participação social em conselho municipal de mobilidade

Especialistas denunciam que novas exigências, criadas pelo governo de Ricardo Nunes (MDB) vão minar a participação da população em colegiado responsável pela fiscalização das políticas de mobilidade na capital paulista

Por Rodrigo Gomes | Rádio Brasil Atual

Publicado originalmente em Rede Brasil Atual em 08/12/2021

“Vai impactar justamente no que precisávamos mais, que é ter mais participação, ampliar as vozes dos usuários da mobilidade da cidade, trazer mais pessoas do transporte público, quem anda a pé, de bike, com mobilidade reduzida”, critica Aline Cavalcante06

São Paulo –  O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), quer exigir que os candidatos a uma cadeira no Conselho Municipal de Trânsito e Transporte (CMTT) tenham CNPJ e registro no Cadastro Municipal Único de Entidades Parceiras do Terceiro Setor (Cents). O documento reconhece a parceria de empresas e outras organizações com o poder público, inclusive em contratações por meio de licitações. Mas o critério foi incluído no edital de inscrição das candidaturas para o CMTT, iniciada no dia 1º e que termina na próxima segunda-feira (13).

Ativistas e especialistas em mobilidade urbana avaliam que a exigência desses documentos é “descabida” e contraria os princípios da participação social. O pesquisador em Mobilidade Urbana do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), Rafael Calabria, membro do CMTT, ressalta que essas exigências “nunca foram feitas”. Para ele, houve erro na inclusão do Cents como critério de participação

“Exigir o CNPJ vai dificultar muito a participação porque tem vários grupos pequenos, movimentos sociais, grupos de bairros que não são super formalizados, ainda mais nas cadeiras de eleição regional”, pontua. “Deve ter sido um erro de composição do documento, porque ele é voltado para empresas que prestam serviço à prefeitura e, nesse caso, elas nem podem participar do conselho porque há conflito de interesses.”

Exigências excluem a população

Integrante da Associação dos Ciclistas Urbanos de São Paulo (Ciclocidade), Aline Cavalcante considera que as novas exigências não estão amparadas em nenhuma lei. No entanto, de acordo com ela, o governo Nunes está fechado ao diálogo e os movimentos não encontram um canal aberto com a Secretaria Municipal de Mobilidade e Trânsito.

“Nenhuma lei obriga ou exige que se tenha esses cadastros do CNPJ ou do Cents para conselhos participativos. Na verdade, é um contrassenso imaginar que em um conselho com papel de participação e aproximação social sejam criadas regras que impeçam esta participação. O trabalho deveria ser exatamente o oposto”, contesta.

O papel do Conselho

Os especialistas temem que a não correção desses problemas leve a um baixo número de inscritos, o que fará com que a eleição para o conselho seja novamente adiada. A continuidade da atual gestão do CMTT já foi prorrogada duas vezes devido à pandemia de covid-19. O pleito está previsto para ser realizado em 8 e 9 de fevereiro. É possível se inscrever para representar um eixo temático, como juventude ou ciclistas, ou uma das cinco regiões da cidade.

O conselho foi criado em 2013, como resposta da gestão do ex-prefeito Fernando Haddad (PT) às manifestações contra o aumento da tarifa daquele ano. Entre outras coisas, o CMTT é responsável por pensar as políticas de mobilidade e discutir medidas como o aumento da tarifa de ônibus, conforme explica Calabria. “São espaços para entidades, grupos e movimentos próximos da pauta – no caso do CMTT, do transporte e da mobilidade – debaterem diretamente com a secretaria sobre as políticas que estão sendo feitas, as metas, o que a prefeitura precisa avançar, trazer programas locais dos cidadãos no transporte, as pessoas que andam a pé ou usam bicicleta. É um espaço temático das políticas públicas para acompanhamento e fiscalização. Por isso é importante ter pessoas de bairros, de grupos e entidades”, justifica.

O colegiado é formado por três segmentos, com 21 membros cada: representantes do poder público, das operadoras de transporte e da sociedade. Destes, somente os últimos são eleitos. Os demais são indicados pelo devido segmento. Ainda participam do conselho um representante do Ministério Público Estadual e um do Tribunal de Contas do Município. Procurado pela Rádio Brasil Atual, o governo Nunes não se manifestou sobre os problemas apresentados pelos especialistas em mobilidade.

Confira a reportagem no Jornal Brasil Atual

Banner da campanha Ruas Vivas: compartilhe a rua de forma segura e proteja vidas

Campanha Ruas Vivas no mês do Maio Amarelo

A campanha RUAS VIVAS tem como objetivo aumentar a segurança viária para a mobilidade ativa ao fomentar a discussão sobre o assunto, e é realizada pela União dos Ciclistas do Brasil (UCB) com o apoio da Cidadeapé, Cidade Ativa, Como Anda, Corrida Amiga e IDEC.

O mês de maio é marcado pela campanha Maio Amarelo (que acontece desde 2014) com ações que buscam chamar a atenção para o alto índice de mortes e feridos no trânsito no Brasil e pela 6 ª Semana Global no Trânsito da ONU, cujo lema de 2021 será a defesa do limite de velocidade máxima de 30 Km/h em vias utilizadas
amplamente por veículos e pedestres.

A Assembleia-Geral das Nações Unidas editou em março de 2010 uma resolução definindo o período de 2011 a 2020 como a “Década de Ações para a Segurança no Trânsito”, que tinha a ambiciosa meta de reduzir pela metade o número global de mortes e lesões no trânsito. O Brasil foi um dos países que se comprometeram a alcançá-la, porém sem êxito.

Em 2020, o país reafirmou o seu compromisso, agora para a segunda década que se encerra em 2030. Algumas medidas adotadas recentemente pelo Governo Federal, entretanto, sinalizam a ausência de compromisso para priorização da segurança viária . A Lei 14.071, que alterou o Código de Trânsito Brasileiro (CTB), foi sancionada em outubro de 2020, entrando em vigor no mês passado, aumentou o prazo de validade das carteiras de habilitação (e, consequentemente, o atestado de capacitação médica do condutor) e também ampliou o limite de pontos permitidos até a suspensão da habilitação para dirigir. Estas medidas, entre outras, comprovam-se contraditórias com os objetivos pretendidos junto às Nações Unidas.

A campanha Ruas Vivas visa contribuir com este debate ao promover um calendário das atividades previstas para o mês de Maio. Confira a programação:

. 03 a 09 de maio (primeira semana)
Ação educativa com a publicação de cards com trechos do Código de Trânsito
Brasileiro, reforçando as prerrogativas dos/as ciclistas e pedestres, dentre outras
informações pertinentes à campanha;

. 10 a 16 de maio (segunda semana)
Continuidade das postagens com enfoques de como informações distorcidas sobre
a impunidade no trânsito são reverberadas, destacando o que deve ser feito para uma
mobilidade ativa segura ;

. 17 a 23 de maio (terceira semana)
Realização de dois “webinars” com divulgação na semana anterior e na
corrente, com participação de diferentes organizações e profissionais.


18/05
Mobilidade Ativa para quem?
19h00 com transmissão
no canal da UCB no youtube
Com a participação de:
– Daniele Hoppe (ITDP),
– Dr. Marconi Gomes da Silva (Mobilidade Ativa e Saúde),
– Wanessa Spiess (Cidadeapé e ComoAnda),
– Natacha Gastal (Fund. Thiago Gonzaga).
Mediação de Kelly Fernandes (UCB / Cidadeape)

20/05
Cultura da velocidade:
como entender que o mais rápido
é o menos seguro
19h00 com transmissão
no canal da UCB no youtube
Com a participação de:
– Everaldo Alves (DENATRAN),
– Gláucia Pereira (Multiplicidade Mobilidade Urbana),
– Rafael Calabria (IDEC),
– Victor Pavarino (OPAS/OMS),
– Roberta Soares (Jornal do Commercio)
– Zenith Delabrida (Univ. Fed. do Sergipe). Mediação de Erica Telles (UCB)

. 24 a 31 de maio (quarta semana)
“Caminhada e Pedal pela Segurança no Trânsito” – Dado o contexto da pandemia e as restrições sanitárias impostas, a proposta desta ação será a de incentivar pessoas a publicarem em suas redes sociais fotografias caminhando ou pedalando subindo a #ruasvivas, #compartilhearuadeformasegura e #protejavidas . A “atividade virtual” é para reforçar as mensagens de conscientização da campanha, encerrando as atividades no
final das “Ruas Vivas”.

Acompanhe! Participe! Compartilhe! Usufruir de Ruas Vivas é um desejo de todos nós!