Calçada reformada com piso tátil, ao lado de uma árvore e de um portão

A quantas anda o Plano Emergencial de Calçadas?

O GT de Calçadas da Cidadeapé questiona a transparência na apresentação dos resultados do Plano Emergencial de Calçadas no período 2019-2020

Por Gilberto de Carvalho

O GT de Calçadas da Cidadeapé tem acompanhado de perto a evolução da implantação do PEC – Plano Emergencial de Calçadas. Acreditamos ser esse um ponto fundamental para o estabelecimento das rotas seguras e sua implantação é base importante para o estabelecimento da desejada Rede de Mobilidade a Pé.

Pelas razões expostas, consideramos fundamental a maior transparência possível na disponibilização pelo poder público, dos dados referentes ao andamento das obras do PEC. Estes dados nos auxiliam no acompanhamento das obras, para avaliação da qualidade, cumprimento de prazos e adequação dos serviços entregues.

Infelizmente, esta transparência não tem ocorrido. Os dados públicos são insuficientes, genéricos e no nosso entender, inconsistentes.

No conciso relatório do Plano de Metas, atualizado pela prefeitura em 15/01/2020, consta que teriam sido entregues entre 2017 e 2020, 1.651.816,82 m² de calçadas.

Página do Programa de Metas com o objetivo de melhorar a mobilidade de pedestres e a meta de calçadas

Informação requerida (detalhes abaixo) por nós via Lei de Acesso à Informação (LAI) sobre O PEC, feita junto à Secretaria Municipal das Subprefeituras nos informou sobre a execução de 680.835,92 m² de calçadas.

Supomos que esse total se refira às obras executadas no ano de 2020, já que são bem inferiores aos números apresentados acima, no relatório conciso do Plano de Metas.

Reprodução de pedido de informação no e-SIC sobre o Plano Emergencial de Calçadas e a resposta da Prefeitura

Em matéria publicada no site da PMSP, que anunciava a previsão de investimento na recuperação das calçadas por ano, encontramos o seguinte relato:

“Até hoje, os recursos para a revitalização de calçadas municipais foram provenientes do Fundo de Desenvolvimento Urbano (FUNDURB), sendo R$ 15.632.527,44 em 2017, R$ 8.310.159,68 em 2018 e R$ 53.526.000,00 em 2019. Em 2017 foram revitalizados 47.197 m² de calçadas; em 2018, 37.674 m² e, em 2019, serão cerca de 750 mil metros”

Fazendo a soma dos valores acima, teremos:

ANO Calçadas Revitalizadas (m²)
2017 47.197
2018 37.674
2019 (Estimado) 750.000
2020 (LAI) 680.836
TOTAL 1.515.707

O número total acima obtido, não confere com os  1.651.816,82 m² informados no Plano de Metas. Há uma diferença de 136.110 m² a menos.

Recorrendo a tabelas conseguidas pela Agência Lupa junto à Prefeitura, temos o seguinte resultado:

Tipo de Serviço Área (m²)
Calçadas Requalificadas    732.855,1
Calçadas Conservadas (em geral, pequenos reparos)    810.607,3
Total 1.543.462,4

Sabemos que nossos cálculos são aproximados, mas foram os únicos dados que conseguimos de forma aberta, obtidas diretamente nas plataformas públicas. Na última reunião da Câmara Temática de Mobilidade a Pé (CTMP), estes resultados foram questionados e saímos de lá com a promessa de uma apresentação consolidada do balanço final. A expectativa é que a apresentação seja realizada próxima reunião ordinária, prevista para 09 de fevereiro (lembrando que você pode acompanhar as datas e pautas da CTMP através da nossa lista e email; ainda não faz parte? Cadastre-se aqui.

Esperamos que a PMSP possa esclarecer estas discrepâncias e assegurar, de agora em diante, a divulgação pública dos dados do PEC, relacionando os locais, metragens contratadas, concessionárias contratadas, cronogramas previstos e datas e quantidades dos serviços entregues. Consideramos essencial também a inclusão destas informação no GeoSampa para permitir uma visão global do avanço do PEC nas diversas regiões da cidade.    

Crianças brincam de bola e de bicicleta no Minhocão fechado para carros

Tribunal nega recurso da prefeitura e confirma suspensão do processo de revisão da lei de zoneamento

Promovida por várias entidades e apoiada pela Cidadeapé, foi mantida a medida liminar que determinou a suspensão do processo de alteração da lei de zoneamento (lei municipal nº 16.402/2016).

Nesta semana, a ação anulatória promovida pelas entidades Instituto de Arquitetos do Brasil – depto de São Paulo, Instituto Polis, União dos Movimentos de Moradia da grande São Paulo e interior, Movimento Defenda São Paulo e Associação de Ciclistas Urbanos – Ciclocidade, obteve uma importante vitória para a cidade de São Paulo no julgamento do agravo de instrumento 2000611-21.2020.8.26.0000, realizado pela 3ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça de São Paulo no dia 24 de agosto de 2020.

Após sustentação oral da advogada Mariana Chiesa Gouveia Nascimento, foi mantida a medida liminar que determinou a suspensão do processo de alteração da Lei de Zoneamento (lei municipal nº 16.402/2016), em razão dos fortes indícios de ilegalidade que marcaram as audiências públicas ocorridas em novembro e dezembro de 2019.

A ação foi promovida pelas 5 entidades e potencializada por mais 156 grupos – dentre eles a Cidadeapé  – que assinaram carta aberta com manifestação contrária ao processo de revisão da lei de zoneamento em curso sem ampla participação social, transparência do processo e respeito ao cronograma estabelecido no plano diretor estratégico.

Em ano de eleição e em meio a uma pandemia continuamos acreditando ser inadequada qualquer alteração de um importante instrumento de ordenamento da cidade sem que as pessoas saibam exatamente as implicações das alterações em suas vidas.

“A tentativa de atender a um setor da economia: a construção civil, não pode ser a única razão a permear a decisão pública. por exemplo: a demanda por vagas de garagem do consumidor não pode ser atendida sem compreender os impactos dessa demanda no curto, médio e longo prazo. o papel do estado é analisar o impacto dessa demanda na cidade, trazer dados, informações e colocar em prática o interesse da coletividade” disse Mariana Chiesa em sua sustentação oral.

É importante lembrar que 2021 é o ano de revisão do Plano Diretor e momento adequado para estas e outras questões que precisam ser atualizadas e revistas. “A sociedade tem direito de compreender os fundamentos, as premissas e os impactos que serão vivenciados com as alterações que se pretende fazer. O mero argumento de reativação da economia não pode servir para criar atalhos na democracia e promover ilegalidades”, concluiu a advogada.

As organizações da sociedade civil seguem atentas a propostas de alteração na política urbana que não tenham a ampla participação cidadã.

Texto originalmente publicado em iabsp/org/.br

Tela de videochamada com cerca de 30 participantes de uma reunião online

Oficinas participativas: ruas para mobilidade ativa durante a pandemia

Com o objetivo de favorecer a mobilidade ativa, especialmente em ruas onde há grande circulação de pessoas para evitar aglomeração de pessoas no meio urbano durante a pandemia, a Cidadeapé , junto com o Sampapé e o Aromeiazero, conquistaram um espaço importante na condução de oficinas participativa para avançar nas transformações das ruas em São Paulo centrada nas pessoas.

Realizadas em conjunto com a Secretaria Municipal de Transportes (SMT) e a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), as oficinas fazem parte dos Diálogos Sociais, uma iniciativa da Prefeitura Municipal de São Paulo (PMSP) de abrir espaços de mediação social não institucionalizados na busca do consenso entre o poder público, os movimentos sociais, as organizações da sociedade civil e demais cidadãos interessados, com o intuito de realizar a co-criação de soluções concretas para as demandas apresentadas.

Na primeira oficina, realizada dia 13 de agosto, foram selecionadas algumas vias da cidade , a partir dos critérios como fluxo de pedestres, tipos de vias (com quantidade de comércio e serviços), a proximidade de estações de metrô, terminais de ônibus e hospitais. Os estudos técnicos foram realizados pelas equipes da SMT, da CET e das entidades da sociedade civil que participam da Câmara Temática de Mobilidade a Pé (CTMP).

Os participantes da reunião foram divididos em quatro grupos de trabalho com representantes dos órgãos envolvidos na atividade, com cada um destes grupos focado em um tipo de rua por função (centralidade comercial bairros, corredor comercial, estações de transporte e centros de saúde). O desafio foi construir coletivamente modelos de intervenções emergenciais de redistribuição do espaço das ruas da cidade.

Na segunda oficina, realizada em 20 de agosto, foram debatidas sugestões de intervenções para quatro regiões com potencial para serem os projetos piloto da ação, pois podem ser implementadas em um curto espaço de tempo. São o Viaduto que dá acesso ao hospital Beneficência Portuguesa, Rua Ladeira Porto Geral/Metrô São Bento/Rua Boa Vista, Avenida Kumaki Aok no Bairro Santa Helena e Rua Oriente no Brás.

Novamente o participantes da reunião foram divididos em grupos de trabalho, focados em cada um dos projetos. O objetivo é elaborar conjuntamente diretrizes para engajamento (por exemplo, formas de mapear a comunidade do entorno e envolvê-la no processo), identidade (como a identificação de possíveis adições ao projeto para adaptá-lo ao local e a possível inclusão de comunidades artísticas do entorno), e comunicação (como formas de comunicar aos usuários o que significa cada espaço e criar canais para pessoas enviarem opiniões e retorno sobre o projeto), tendo em mente os períodos de antes, durante e depois das intervenções.

O próximo estágio é de análise de viabilidade das sugestões, que continuará sendo realizada remotamente pelos membros da oficina. está previsto que já em Setembro comecem a ser realizadas as primeiras ações com ampliação de calçadas, calçadões operacionais, redesenho das vias, entre outras soluções.

Além disso, começamos a formular também um sistema que facilite o contato entre população, comércio, entidades e poder público de forma que essas intervenções possam ser feitas de uma forma simplificada e escalonável.

Esta é a forma de, colaborativamente, caminharmos para o desenvolvimento de cidades mais humanas e caminháveis.

A Cidadeapé está sendo representada nesta iniciativa pela nossa Diretora de Relacionamento Wans Spiess. Para participar, envie uma mensagem e fique atento às novidades dessa iniciativa.

Captura de tela da assembleia on-line, com vários participantes em videochamada

Cidadeapé elege nova diretoria

No Dia Mundial do Pedestre a Cidadeapé realizou a sua segunda Assembleia Geral Ordinária desde a sua formalização, que elegeu a nova diretoria da associação. Devido à pandemia, todo o processo de mudança de gestão está sendo realizado remotamente. A reunião da Assembleia Geral Ordinária, por exemplo, aconteceu pela plataforma Google Meets.

Captura de tela da assembleia on-line, com vários participantes em videochamada

Registro de uma parte das pessoas presentes na Assembleia Geral Ordinária

Na assembleia, a diretoria eleita para o biênio que foi de junho de 2018 a agosto de 2020 (ligeiramente estendido devido à contingência gerada pelas condições sanitárias) apresentou o relatório anual com o balanço das ações entre julho de 2019 a agosto de 2020, além do relatório financeiro. Ambos documentos foram aprovados pelas pessoas presentes na reunião.

Em seguida, foi realizada a apresentação da chapa candidata a compor a diretoria e o conselho administrativo. A composição da nova gestão foi discutida em reuniões internas entre abril e julho, nas quais integrantes da associação também opinaram sobre a reestruturação das atividades internas. Foi definido, por exemplo que cada diretoria contaria com um grupo de mais 2 ou 3 pessoas que auxiliarão a pessoa “titular” nas ações relacionadas a esse setor. Dessa forma, a composição da gestão 2020-2022 ficou assim:


Diretoria

Administrativo Financeiro Relacionamento
Rodrigo Pardo Oliver Cauã Cauê França Scarcelli Wanessa Spiess
Retrato de integrante da diretoria eleita da Cidadeapé Retrato de integrante da diretoria eleita, sentado num ônibus Retrato de integrante da diretoria eleita da Cidadeapé


Conselho Administrativo​

German Freiberg Haydee Svab Leandro Aliseda Rafael Gândara Calabria
Retrato de integrante da diretoria eleita da Cidadeapé Retrato de integrante da diretoria eleita da Cidadeapé Integrante da diretoria eleita fala ao microfone num evento Integrante da diretoria eleita segura plaquinhas sobre corredores de ônibus


Durante a assembleia, as associadas e associados presentes puderam aprovar seu voto por e-mail, e assim foi eleita a chapa que se apresentou. Os próximos passos para finalizar o processo de mudança de gestão é colher as assinaturas no documento oficial da ata da Assembleia Geral Ordinária, registrá-la em cartório e assim formalizar a nova diretoria. Reafirmamos que estamos tomando todas as precauções necessárias para seguir esses passos com a maior segurança sanitária possível.

Agradecemos à diretoria (Alexandre Moreira, Ana Carolina Nunes e Glaucia Pereira) e o conselho de administração (Mauro Calliari, Meli Malatesta e Rafael Calabria) do biênio 2018-2020 pela dedicação nos últimos 20 meses. Desejamos muita sorte e um ótimo trabalho para a gestão que assume nesse momento e convidamos cada vez mais pessoas para somarem na construção de uma associação cada vez mais atuante na defesa da mobilidade a pé!

 

ASSEMBLEIA GERAL ORDINÁRIA 2020

Assembleia Geral Ordinária 2020

Prezadas associadas e prezados associados,

O Conselho de Administração da Cidadeapé, no uso de suas atribuições, convoca todos os associados para a Assembleia Geral Ordinária a realizar-se no dia 8 de agosto de 2020, de forma online por aplicativo de reunião, iniciando-se os trabalhos às 14h00 (quatorze horas), em primeira convocação, ou na falta de quórum necessário (⅔ dos associados) às 14h30 (quatorze horas e trinta minutos), em segunda convocação, com qualquer número de presentes, para deliberarem sobre a seguinte ordem do dia:

  1. Apreciação de contas anuais e balanço patrimonial (Janeiro/2019-Dezembro/2019);
  2. Apreciação do relatório da diretoria;
  3. Definição do valor da contribuição anual ao fundo social;
  4. Eleição da Diretoria e do Conselho de Administração para o período de agosto de 2020 a agosto de 2022.

De acordo com o Estatuto, “O Associado que participar remotamente de tal Assembleia Geral deverá enviar seu voto relativo às matérias objeto de deliberação na respectiva Assembleia Geral por meio de carta registrada, fax, e-mail ou qualquer outro meio que evidencie seu recebimento e que identifique de forma inequívoca o remetente”. As pessoas presentes na AGO deverão enviar email para  contato@cidadeape.org até 22h do mesmo dia, confirmando sua presença na reunião e seu voto em relação a cada um dos quatro itens da ordem do dia.

Assembleia Geral Ordinária
Data: Sábado, 8 de agosto de 2020
Hora: 14h00 às 16h00
Local: online, no endereço eletrônico: meet.google.com/bdz-wkqa-rfx

Atenciosamente, 

Mauro Calliari, Meli Malatesta, Rafael Calabria
Conselho de Administração da Cidadeapé

São Paulo, 28 de julho de 2020

Crianças brincam de bola e de bicicleta no Minhocão fechado para carros

Nota pública contra alterações do plano diretor e zoneamento de são paulo

Mais uma vez, alterações no plano diretor e no zoneamento são propostas de forma irregular pela Câmara dos Vereadores

Projeto de lei em discussão pode aumentar as desigualdades no longo prazo

Está em tramitação na câmara dos vereadores de são paulo o projeto de lei (pl 217/2020) que propõe alterar estratégias e parâmetros do plano diretor de 2014 e da lei de zoneamento de 2016, sob o mote da criação de um plano emergencial de ativação econômica. essa proposta altera normas urbanísticas, sem evidências de que haverá impacto positivo na economia, utilizando-se da pandemia para tramitar sem amplo debate com a sociedade. Além disso, esse PL pode acirrar ainda mais as desigualdades socioespaciais do município. Se a Covid-19 colocou na pauta do dia esse grande problema da nossa sociedade, os incentivos urbanísticos propostos no pl podem piorar a desigualdade no longo prazo, como apresentamos a seguir:

– Altera o objetivo do plano diretor na zona eixos de estruturação da transformação urbana, permitindo unidades habitacionais maiores, reduzindo assim o número de unidades próximas do transporte público e invertendo a lógica da cidade compacta que propõe aumentar a densidade e as oportunidades de moradia perto do transporte público.

– Permite um número maior de vagas de garagem isentas de pagamento pelo direito de construir na zonas eixos de estruturação da transformação urbana, onde há ampla oferta de transporte público, contrariando o objetivo de estimular o uso de transporte coletivo e a mobilidade ativa, alterando o plano diretor.

– Prevê que as zonas de estruturação urbana previstas sejam tratadas como eixos de transporte existentes, adensando áreas onde a mobilidade coletiva ainda não é viável, invertendo a lógica do desenvolvimento orientado ao transporte – essência do plano diretor vigente.

– Institui desconto de 50% no valor final da outorga onerosa do direito de construir para projetos em áreas bem localizadas no município e institui descontos no ITBI para compra de imóveis novos, contrariando os objetivos e finalidades da lei municipal nº 17.335/2020, que prevê medidas de ordem financeira para mitigar frustração de receitas do caixa único do tesouro municipal. A redução da arrecadação municipal reduz a capacidade de investimento da prefeitura em obras que serão necessárias para um plano de recuperação da cidade, em especial dos territórios vulneráveis mais impactados pela pandemia.

O PL propõe esses e outros incentivos urbanísticos de caráter temporário (pelo prazo de 18 meses) mas de efeitos permanentes quando autoriza edificar com índices urbanísticos hoje proibidos, e dar descontos em impostos e contrapartidas — sem futura restituição aos cofres públicos — que incidem sobre a produção imobiliária. a justificativa do PL aponta que as medidas propostas “terão impacto direto” na geração e manutenção dos empregos. Entretanto, não há evidências de que a alteração da legislação urbana possa contribuir diretamente para a geração de empregos.

O setor da construção civil reúne o mesmo contingente de trabalhadores que outros serviços como o setor dos trabalhadores domésticos, ou de transporte, armazenagem e correios ou dos serviços de alimentação e alojamento na metrópole de são paulo, de acordo com a PNAD de 2018. Tanto o setor da educação, saúde e serviços sociais, como o setor do comércio, reúnem individualmente mais do que o dobro de trabalhadores da construção civil. Dados do IBGE indicam que alguns setores foram mais impactados pela pandemia do que outros, destacando-se o comércio, com 5 milhões de pessoas a menos. Nesse período, a construção civil foi autorizada a manter atividades sem restrições, segundo o regulamento estadual da quarentena.

Diante da maior necessidade e relevância de outros setores frente ao setor da construção civil, o PL não apresenta argumentos consistentes para justificar os benefícios concedidos a esse setor em detrimento dos outros. quem deve ser priorizado no atual contexto de crise econômica e social? As famílias desamparadas que habitam áreas de alta vulnerabilidade social ou alguns poucos empresários da construção civil?

Além do aumento da desigualdade no longo prazo e da falta de evidências para o aumento de empregos no curto, o projeto de lei, não atende ao interesse público e a coletividade e desrespeita o princípio da gestão democrática. O projeto de lei 217/2020 contraria os princípios constitucionais que estabelecem procedimentos para a elaboração e revisão do marco regulatório urbano, que devem ser frutos de um amplo debate com a sociedade, com intensa participação social. no entanto, a tentativa de alterar a legislação urbana antes do prazo estipulado em lei, ausentes os estudos técnicos, a ampla publicidade e a democracia participativa não é novidade, o que reforça o argumento de que os incentivos propostos não atendem ao interesse público diante da crise sanitária e econômica que nos encontramos.

Diante dessas e de outras evidências, as entidades que assinam esta nota repudiam as alterações no Plano Diretor e na Lei de Zoneamento e convocam a Câmara dos Vereadores a suprimir o artigo 12º do projeto de lei 217/2020 ao mesmo tempo que nós colocamos a disposição para dialogar sobre demais medidas.

São Paulo, 13 de julho de 2020

01. Aliados parque barra funda
02. Associação amigos da praça joão afonso de souza castellano
03. Associação artemis
04. Associação beneficente e comunitária santa luzia
05. Associação cidade carvalho vila nova adjacências
06. Associação civil sociedade alternativa
07. Associação cultural da comunidade do morro do querosene
08. Associação de apoio ao adolescente e à família mundo novo
09. Associação de moradia jardim casa branca ll e adjacências
10. Associação de moradores da vila mariana
11. Associação de moradores do ceasa
12. Associação de moradores do jardim vila nova e adjacências
13. Associação de mulheres unidas venceremos
14. Associação de remanescentes de quilombo saruê
15. Associação dos moradores do rolinopolis – asajar
16. Associação dos movimentos de moradia da região sudeste.
17. Associação escola da cidade
18. Associação luta por terra e moradia parceiros do futuro do estado de são paulo
19. Associação moradores do jardim guedala
20. Associação movimento garça vermelha – mogave
21. Associação reivindicatica e assistencial de vila medeiros – assoravim
22. Associação santa cecília
23. Associação são benedito legal
24. Associação sociedade alternativa  na viela da paz
25. Associação vila mariana
26. Associação zona franca
27. Associações projetos integrados de desenvolvimento sustentável
28. BRcidades
29. Caminha rio
30. Central de movimentos populares
31. Centro gaspar garcia de direitos humanos
32. Ciclocidade – associação dos ciclistas urbanos de são paulo
33. Cidade ativa
34. Cidadeapé – associação pela mobilidade a pé em são paulo
35. Cidades afetivas
36. Coalizão pelo clima sp
37. Coletiva as mina na frente
38. Coletivo metropolitano de mobilidade urbana – commu
39. Coletivo ocupe&abrace
40. Coletivo salve saracura
41. Com-art , coop. de trab. dos prof. das artes
42. Comissão ana de carvalho da vila ipojuca
43. Comissão de moradores da comunidade vila praia
44. Comissão de moradores da viela da paz
45. Comunidade city pirajussara
46. Conseg morumbi
47. Conselheiro participativo municipal da lapa
48. Conselho participativo do butantã
49. Cooperativa habitacional central do brasil – coohabras
50. Fórum de trabalho social em habitação
51. Fórum verde permanente de parques, praças e áreas verdes
52. Grupo de pesquisa legado – iee usp
53. Grupo de pesquisa limiares – geografia/usp
54. IBDU – instituto brasileiro de direito urbanístico
55. Instituto casa da cidade
56. Instituto corrida amiga
57. Instituto de arquitetos do brasil – departamento de são paulo – iab-sp
58. Instituto panamericano do ambiente e sustentabilidade
59. Instituto pólis
60. Instituto social novo olhar
61. Labcidade fauusp
62. Labhab fauusp
63. Lapa sem medo (integrante da frente povo sem medo)
64. Laplan – laboratório de planejamento territorial da universidade federal do abc – ufabc
65. Lepur UFABC
66. Movimento amigo da vila anglo e jardim vera cruz – mava
67. Movimento boa praça
68. Movimento de defesa dos favelados – região episcopal belém
69. Movimento habitacional e ação social
70 .Movimento metrô brasilândia já
71. Movimento parque alto da boa vista
72. Movimento parque augusta
73. Movimento parque campo de marte
74. Movimento parque chácara do jockey
75. Movimento parque da cruz vermelha
76. Movimento parque linear caxingui
77. Movimento parque vila ema
78. Movimento popular de vila leopoldina
79. Movimento sem terra leste 1
80. Movimento sem teto do centro – mstc
81. Movimento das vilas beatriz, ida e jataí
82. Museu do bixiga
83. Napplac fauusp
84. Ong sampapé!
85. Organismo parque jardim esmeralda
86. Rádio saracura
87. Rede butantã de entidades e movimentos sociais
88. Rede leopoldina solidária
89. Rede nossa são paulo
90. Rede novos parques
91. Renap
92. Setorial ecossocialista do psol
93. Sindicato dos arquitetos do estado de são paulo – sasp}
94. Sindimasp
95. Sinsep
96. Sociedade amigos da cidade jardim – sacj
97. Sociedade dos amigos do planalto paulista
98. Sociedade santos martires
99. Sp invisível
100. Teat(r)o oficina uzyna uzona
101. União dos movimentos de moradia de são paulo – umm
102. Unificação das lutas de cortiços e moradia – ulcm
103. Urbem – instituto de urbanismo e estudos para a metrópole

Foto de grupo da Cidadeapé em uma sala de reunião

Raça e gênero na Cidadeapé

A desigualdade no Brasil é arraigada em todos os aspectos da sociedade, e a mobilidade urbana não é exceção. Os mais evidentes marcadores dessa desigualdade que produz gigantescos impactos sociais — com efeitos na saúde física e mental das pessoas, na segurança e até mesmo na expectativa de vida — são gênero e raça/cor. Sabe-se, por exemplo, que pretos e pardos levam 14 minutos a mais por dia em seus deslocamentos quando comparados com pessoas brancas1. Assim como já se identificou que as mulheres fazem mais viagens a pé e por transporte coletivo2 do que homens, que usam mais veículos individuais. Por fim, destaca-se que mulheres pretas e pardas, em sua maioria, vivem mais distantes de transportes públicos de média e alta capacidade que o restante da população3.

A Cidadeapé acredita que uma sociedade anti-racista e democrática precisa de representatividade e pluralidade de vozes atuantes. Isso não inclui apenas estado e empresas, mas organizações da sociedade civil como a nossa. Neste momento que estamos vivendo, com o racismo sistêmico em discussão no Brasil e no mundo, além dos efeitos tragicamente desiguais da crise de saúde pública amplificada pelo Covid-19, torna-se imprescindível conhecer quem são as pessoas que compõem a nossa associação e que podem somar com a gente. 

Desde meados de 2019 a Cidadeapé havia incluído no formulário de associação as características de gênero e raça/cor, pensando em realizar ações afirmativas, participar de projetos específicos e conhecer as pessoas envolvidas na organização. Porém, estávamos sem os dados de quem se associou antes disso. Nos últimos dias fizemos um esforço de falar com cada um dos nossos associados que não havia completado o formulário ainda, pois estas informações devem ser sempre autodeclaradas.

Como resultado, temos que 52% se declaram do gênero feminino, 42% masculino, 0% não-binário e 6% preferem não declarar. E sabemos agora que as pessoas integrantes da Cidadeapé se declaram 6,7% parda, 3,3% preta (totalizando 10% negras), 2% amarela, 0% indígenas, 80% branca e 8% preferem não declarar. 

Agora temos um panorama mais completo de quem somos e podemos pensar em ações em como aumentar a paridade racial dentro da nossa organização. Num primeiro momento, queremos convidar pessoas pretas, pardas, amarelas e indígenas a integrarem a nossa associação e oferecerem suas vozes para que possamos melhorar o nosso trabalho ao pensar numa mobilidade urbana boa para todos, em consonância com a nossa missão. 

Convidamos também as organizações parceiras da Cidadeapé a fazerem o mesmo mapeamento interno em prol de uma sociedade mais inclusiva, igualitária e democrática. Desafio lançado!

———

1 – RNSP, 2019. Viver em São Paulo 2019. 

2 – Metrô, 2017. Pesquisa Origem Destino da Região Metropolitana de São Paulo.

3 – ITDP, Boletim 4 MobiliDADOS

Foto de grupo de cerca de 30 pessoas em um auditório

Pacto pela Democracia

Cidadeapé passa a fazer parte da rede Pacto pela Democracia –  uma plataforma de ação conjunta, que conta com 100 organizações da sociedade civil, além de lideranças públicas e políticas de diversos campos.

A decisão de participar desse grupo esta alinhada com nossos valores de  construção de parcerias, atuação política democrática e organizada, ocupação dos espaços públicos de participação e valorização dos saberes e das experiências de cada pessoa. Como nós, o Pacto preza pela “pluralidade de visões e áreas de atuação na construção da democracia” e sua rede tem atuado em diversas frentes, inclusive defendendo uma Renda Básica emergencial para famílias nesse momento de crise, a Lei de Acesso à Informação, liberdade de imprensa, mulheres na política,  saúde nas favelas, entre outros.

Para acompanhar o trabalho dessa rede,  inscreva-se para receber gratuitamente o boletim eletrônico com conteúdos sobre democracia e ação da sociedade civil.

Logo da Cidadeapé

Estamos de cara nova!

Desenvolvemos um logo que tem mais a nossa cara e reflete melhor nossos valores.

A Cidadeapé acredita numa cidade onde cada pessoa pode caminhar com liberdade, qualidade e segurança. Isso significa poder estar na cidade, usar a cidade, se deslocar na cidade com tranquilidade e com nossos direitos garantidos. Uma cidade humana oferece espaço para pular corda, andar de skate, correr e jogar bola, além de simplesmente ir e vir.

Uma cidade boa para se viver é uma cidade boa para qualquer pessoa se deslocar e acessar todos os seus espaços, independente do transporte que cada um usa. Por isso defendemos políticas públicas para que todas as pessoas, independente de gênero, raça, idade, condição física ou socioeconômica,  tenham o direito de andar a pé assegurado nas leis e no dia a dia.

Na Cidadeapé valorizamos a participação, a diversidade, a acessibilidade, a sustentabilidade, a transparência, a atuação política democrática e organizada, a ocupação dos espaços públicos de participação, e os saberes e as experiências de cada pessoa.

Nossa nova imagem procura mostrar isso. E vamos continuar trabalhando para isso nesta década que se inicia. Feliz década de 2020!

Logo da Cidadeapé, Associação pela Mobilidade a Pé em São Paulo Logo da Cidadeapé na versão vertical

Conheça nossa missão, visão e valores e veja como atuamos. 

E aproveite para apoiar o nosso trabalho se associando hoje!!

Botão verde "Associe-se"

Logotipo da Cidadeapé com o texto Nossos passos em 2019

Nossos passos em 2019

O último ano não foi fácil para ninguém. Mas, de tanto trabalho que tivemos, passou muito rápido! Na cidade de São Paulo, a discussão sobre segurança viária e prioridade à mobilidade ativa foi acirrada, apesar das ações da Prefeitura seguirem incipientes. Já no nível federal, trabalhamos muito em parceria para tentar frear retrocessos. Também completamos um ano de formalização e seguimos fortalecendo o trabalho em rede em busca de cidades mais caminháveis, justas, igualitárias e sustentáveis. 

Em 2020 queremos ir ainda mais longe! Estamos em busca de apoios institucionais para ampliar nosso impacto na cidade de São Paulo. Além disso, contamos com o apoio de cidadãs e cidadãos para sermos uma associação cada vez mais forte e representativa!  O ativismo é uma das forças sociais mais necessárias no Brasil neste momento conturbado – e o trabalho colaborativo visando a justiça social e climática é indispensável para a democracia. Você quer nos ajudar nessa missão? Associe-se ou convide alguém  para se associar à Cidadeapé!

Cidadeapé

Ícone em forma de placa de trânsito: CidadeapéComeçamos o ano nos reunindo para nos preparar para a luta em 2019. Em maio comemoramos um ano de formalização e no mês seguinte apresentamos o primeiro relatório da diretoria eleita no ano anterior. Toda a nossa prestação de contas fica disponível em nosso site.

 


Política federal

 

Ícone em forma de placa de trânsito: Política Federal

Neste ano tivemos muito trabalho para tentar barrar retrocessos graves nas políticas federais. Sempre junto a outras organizações da sociedade civil, nós nos posicionamos contra a multa para pedestres e ciclistas (que foi cancelada alguns meses depois), contra a lei que institui o gesto do pedestre, em apoio ao uso de radares em rodovias federais, contra o afrouxamento do Código de Trânsito Brasileiro e em defesa do acesso à informação. 

Participação social

Ícone em forma de placa de trânsito: Participação Social

 

Mais uma vez, participamos das eleições do Conselho Municipal de Trânsito e Transportes (CMTT) e conseguimos eleger várias conselheiras e conselheiros que estão defendendo os interesses da mobilidade ativa e sustentável nesse espaço. Para acompanhar o que está sendo discutido nas reuniões do CMTT e participar, siga as redes sociais do MobiSampa.

Um assunto que invadiu o noticiário foram os patinetes elétricos. Por isso, formamos um posicionamento sobre o assunto e fizemos uma oficina para discutir a contribuição das Câmaras Temáticas da Bicicleta e da Mobilidade a Pé para o decreto de regulamentação dos serviços de compartilhamento de patinetes e bicicletas.

Também seguimos contribuindo em consultas e audiências públicas, como sobre Plano de Intervenção Urbana Minhocão e a implantação da faixas de ônibus.


Políticas municipais

Ícone em forma de placa de trânsito: Políticas Públicas Municipais

Uma das nossas principais ações este ano, em parceria com a Ciclocidade, foi tentar impedir uma concessão dos serviços de Zona Azul prejudicial à mobilidade urbana. Por entendermos que uma concessão de 15 anos, a uma única empresa, dificulta a implantação de políticas públicas para a mobilidade ativa e sustentável, fizemos representação no TCM e denúncia no Ministério Público Estadual. Apesar de alguns pareceres favoráveis, a concessão acabou se concretizando.

Outra medida prejudicial da Prefeitura foi a mudança no Fundurb, que na prática permite retirar orçamento municipal da mobilidade ativa e o transporte público e usá-lo para financiar asfalto. Junto a outras organizações, fizemos oposição à ação.

Já o Estatuto do Pedestre completou mais de dois anos de sanção e ainda não foi regulamentado. Mais uma vez, pressionamos a gestão e agora temos participado da discussão sobre sua regulamentação por meio da Câmara Temática de Mobilidade a Pé.


Segurança no trânsito

Ícone em forma de placa de trânsito: Segurança no TrânsitoNeste ano recebemos a triste notícia de que as mortes no trânsito da cidade voltaram a subir, inclusive nas marginais, conforme suspeitávamos que aconteceria. A campanha “Chega de Mortes de pedestres e ciclistas”, realizada pela Ciclocidade em parceria com a Cidadeapé, chamou atenção para a falta de segurança viária com vídeos impactantes e muita informação. Infelizmente a pressão não foi suficiente para que a Prefeitura adotasse medidas drásticas, e a gestão acabou lançando um Plano de Segurança Viária com pouca ambição.

 

Redes e parcerias

Ícone em forma de placa de trânsito: Redes e ParceriasPela primeira vez, a Rede Nossa São Paulo promoveu uma pesquisa sobre pedestres na capital paulista e contou com nosso apoio na modelagem das perguntas e divulgação dos resultados.

Já em parceria com a Corrida Amiga, participamos do Dia de ir a pé ao trabalho, levando vereadores para caminhar, e do desafio Travessia Cilada. Também prestigiamos mais uma edição do Bicicultura e do congresso da ANTP difundindo nossos trabalhos sobre mobilidade a pé em grupos tradicionalmente voltados para o transporte público coletivo. Por fim, falamos em vários eventos: Futuro das cidades; Debate sobre Minhocão; Gênero, Raça e Território; Mobilidade do Amanhã e Semana da Mobilidade Bike Anjo.

 

Na mídia

– 5 benefícios de caminhar pela cidade – Estadão
– Moradoras da Zona Sul têm dificuldade de acessar locais da rotina a pé  – UOL
– São Paulo ganha nova hora do rush com aumento de viagens ao meio-dia – Folha
– Dois anos após sanção, Estatuto do Pedestre ainda não foi regulamentado – CBN
– Com mudanças na CNH, Bolsonaro premia maus motoristas e aumenta riscos no trânsito – Brasil de Fato
– Na falta de regra, patinetes e pedestres disputam calçadas em SP – Folha
– Reportagem sobre Instituto Pro Bono – Jornal da Cultura
– Programa Bom para Todos – TVT
– Multar pedestres e ciclistas é injusto e não melhora segurança – Rede Brasil Atual
– A multa aos pedestres. A incrível lei que pode transformar 10 milhões de paulistanos em contraventores – Caminhadas Urbanas
– Você aí, a pé, está sendo multado! – Carta Capital
– 80% dos semáforos possuem botão de travessia, mas nem todos funcionam – UOL
– Multa para pedestres e ciclistas: é justo? – Mova-se