Poste com botoeira para pedestres ao lado de uma via com carros, em São Paulo

Você aperta a botoeira e o semáforo de pedestres ainda demora para abrir?

Descobrimos que as botoeiras não servem para priorizar quem está a pé

Poste com botoeira para pedestres ao lado de uma via com carros, em São Paulo

O funcionamento das botoeiras de semáforos parece um grande mistério para quem caminha em São Paulo. Às vezes a gente aperta e parece que o semáforo não abre nunca, às vezes ele abre sem ninguém apertar nada. Afinal, qual a lógica dessa programação?

A Cidadeapé aproveitou uma visita à Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) e uma reunião da Câmara Temática de Mobilidade a Pé para tentar entender o funcionamento das botoeiras na cidade. Dos 4.150 semáforos de pedestres existentes na cidade, 85% (quase 3.500) contam com esse dispositivo. As descobertas só deixaram claro que sua função não é priorizar quem está a pé, mas, ao contrário, reduzir a quantidade de vezes que o semáforo de pedestres abre, dando mais tempo de verde para o fluxo veicular.

Em primeiro lugar, é importante esclarecer que, em sua enorme maioria, as botoeiras não servem para “adiantar” o verde do pedestre, e sim apenas para indicar que alguém quer atravessar. Ou seja: se não acionada, o verde do pedestre provavelmente não virá. Quando acionada, o verde virá de acordo com a programação semafórica pré-estabelecida. Isso significa que a instalação de uma botoeira, em um semáforo que antes não a possuía, nada mais faz que adicionar uma barreira aos pedestres. A partir daí, eles precisarão perceber que há botoeira, encontrá-la, acioná-la e ainda confiar que ela está funcionando.

Em um cruzamento padrão, por exemplo, o comum é a fase verde do pedestre ser programada para ocorrer uma vez após os dois fluxos veiculares. Na prática, isso significa que, se você estiver se aproximando desse cruzamento no fim desses dois fluxos e acionar a botoeira um segundo tarde demais, você terá que esperar todo o ciclo veicular novamente, até que venha o momento pré-estabelecido do verde do pedestre outra vez. Quando consideramos situações recorrentes como essa em um trajeto de caminhada de, por exemplo, 10 quarteirões, dá pra imaginar o quanto esses dispositivos podem atrasar e estressar o pedestre no dia a dia. Existem casos em que essa espera pode ser ainda maior, se a programação prever dois ciclos veiculares completos antes do de pedestre (sim, há locais assim!). Não parece muito justo, né?

Além de o próprio funcionamento geral das botoeiras ser já prejudicial ao pedestre, qualquer um que caminha sabe que esses dispositivos muitas vezes são pouco visíveis, mal posicionados, mal comunicados para a população e frequentemente estão em mau estado e quebrados (se esse for o caso, denuncie no 156). O resultado é que os pedestres muitas vezes simplesmente não acionam as botoeiras e, após aguardar tempo demais, acabam atravessando no vermelho e se colocando em risco.

Então, sempre preciso apertar a botoeira para conseguir atravessar?

Depende! Em certos casos, um semáforo de pedestres pode ser programado para abrir automaticamente durante alguns períodos do dia ou da semana e, em outros, demandar o acionamento da botoeira. Isso pode ocorrer, por exemplo, em  travessias que têm movimento intenso de pedestre durante o dia e reduzido durante a noite. Em um caso como esse, a CET pode optar por abrir automaticamente para pedestres durante o dia, mas condicionar essa abertura ao acionamento da botoeira durante a noite.

O problema dessa programação variável é que uma mesma pessoa pode passar por uma travessia de dia e perceber que não precisa acionar a botoeira, e depois voltar ao local à noite e esperar o semáforo abrir para pedestres indefinidamente, porque não sabe que precisa acionar a botoeira para atravessar nesse horário. Não é confuso?

Por isso orientamos que, na dúvida, aperte o botão! Mas demandamos que a CET informe em cada local, de maneira clara, se há horários específicos em que é necessário usar a botoeira. Isso é importante para aumentar a confiabilidade do sistema.

Como os tempos de espera para atravessar são longos e nunca são “adiantados” pelas botoeiras, nós pedestres acabamos não confiando que elas funcionam. A falta de informação nos coloca mais em risco, estimulando a travessia no vermelho. 

E para facilitar o controle social, solicitamos que a Prefeitura disponibilize publicamente as informações sobre a localização e as programações de cada semáforo de pedestres. Usando como base um mapeamento da Corrida Amiga, já fizemos um mapeamento de todos os semáforos de pedestres da cidade – a Prefeitura pode até usar nosso mapa como inspiração!

E as botoeiras sonoras?

Botoeira azul de semáforo de pedestres em primeiro plano, com faixa de pedestres e cruzamento ao fundo

As botoeiras sonoras contam com funções adicionais para emitir sinais sonoros que dão muito mais segurança à travessia de pessoas com deficiência visual. Mas permanece a dúvida sobre se é sempre necessário apertar o botão para que elas liberem a travessia. É preciso comunicar de maneira enfática para todos os usuários quando é ou não necessário acionar essas botoeiras.

Esses dispositivos são essenciais, mas ainda estão se expandindo na cidade de forma muito lenta. Como um mapeamento da Corrida Amiga mostra, eles ainda estão super concentrados na área central da cidade.

Por que precisamos de botoeiras?

Ilustração de motorista que estica o braço pela janela do carro para apertar a botoeira do semáforo de pedestres

Você com certeza já passou por algum cruzamento que juntava vários pedestres que se viam obrigados a apertar as botoeiras a cada esquina para poder atravessar. Não por acaso, motoristas nunca precisaram apertar nenhum botão para terem o direito de cruzar as ruas.

Infelizmente, as botoeiras são dispositivos que tiram o nosso direito de travessia na maior parte das vezes: sem elas, bastaria esperar para que o semáforo de pedestres abrisse em algum momento. Mas além de ter essa paciência para esperar (muito mais do que os 90 segundos determinados pelo Estatuto do Pedestre), ainda temos que saber quando a botoeira tem que ser acionada e prestar atenção se ela está quebrada e estamos esperando “à toa”. A botoeira ainda dificulta a vida de quem está caminhando com muletas, crianças ou compras na mão ou tem deficiências. Trata-se de um esforço, atenção e conhecimentos que não deveriam ser requisitos para que pedestres exerçam o direito de atravessar a rua.

Outras alternativas que priorizam quem está a pé

Em locais onde o fluxo de pedestres é menor, a CET poderia usar tecnologias de detecção de pessoas, como já está sendo desenvolvido na Universidade de São Paulo (USP) e nos foi apresentado na Câmara Temática de Mobilidade a Pé. Essa tecnologia já mostrou que é possível diminuir o tempo de espera de pedestres com baixo impacto sobre o trânsito de automóveis. Além disso, ela detecta pedestres com mobilidade reduzida para estender o seu tempo de travessia, aumentando sua segurança. 

A tecnologia de detecção de pedestres já vem sendo testada por Londres há alguns anos. Hoje a cidade está testando uma programação ainda mais revolucionária: semáforos que ficam abertos o tempo todo para pedestres em locais de alto fluxo, e fecham a travessia quando se acumulam alguns carros. Isso sim é prioridade, né?

Nosso histórico na defesa de travessias mais seguras

A Cidadeapé luta por travessias mais seguras desde a fundação, pois consideramos que um dos fundamentos da mobilidade a pé é o direito a atravessar as ruas de forma simples, linear, segura, acessível e dentro de tempos razoáveis. Já em nosso primeiro ano de atuação, medimos os tempos que pessoas com diferentes características levam para atravessar uma rua. No ano seguinte, fizemos o desafio do “Farol Miojo” para expor os tempos de espera absurdos em uma travessia. Logo depois, lutamos para incorporar parâmetros mais justos de cálculo dos tempos de travessia no Estatuto do Pedestre, mas que até hoje não foi posto em prática. Infelizmente, muitas das inovações que poderiam trazer mais segurança para pedestres nas travessias não foram consideradas na concessão do serviço de manutenção da rede de semáforos da cidade, conforme sugerimos. Por tudo isso, seguimos lutando! 

Pedestre caminha sobre calçada esburacada e quebrada, ao lado de carros estacionados

Cidadeapé promove oficina para ensinar como denunciar calçadas e travessias com problemas

Não é preciso caminhar muito por São Paulo para encontrar calçadas estreitas,   esburacadas ou cheias de degraus, ou cruzamentos perigosos que sequer contam com faixas de pedestres. Mas você sabia que pode acionar a Prefeitura para que esses problemas sejam corrigidos?

A Cidadeapé, com o apoio do mandato da vereadora Renata Falzoni, promove uma oficina para explicar como cidadãs e cidadãos podem denunciar essas irregularidades. O evento acontece no dia 1º de agosto, às 10h, na sala Sérgio Vieira de Mello da Câmara Municipal de São Paulo. A oficina é aberta a qualquer pessoa e não necessita de inscrição.

Vamos apresentar o canal SP156, detalhar seu funcionamento e dar o passo a passo para fazer denúncias. Também vamos apresentar os principais parâmetros que definem a  qualidade das calçadas e das travessias. Além disso, vamos trazer dicas para aumentar as chances de ter seu pedido atendido e explicar como recorrer de um pedido negado.

Pedestre caminha sobre calçada esburacada e quebrada, ao lado de carros estacionados
Foto de Andrew Oliveira

SERVIÇO
Oficina Cidadeapé: como exigir calçadas e travessias melhores usando o SP156
Data: 01/08/2026
Horário: 10h às 12h
Local: Sala Sérgio Vieira de Mello da Câmara Municipal
Endereço: Viaduto Jacareí, 100 – Bela Vista
Não é necessário fazer inscrição prévia

Sugerimos aos participantes que criem seus logins no portal SP156 antes da oficina. Mas se não conseguir, podemos ajudá-lo durante o evento. Também pedimos que tirem fotos e anotem o endereço de alguma calçada ou travessia de pedestres irregular. Esses dados serão usados para abrir as solicitações durante a oficina.

Registrar reclamações no SP156 é importante não só para apontar os problemas da infraestrutura para pedestres. Também mostra à Prefeitura que a população valoriza esse tema e exige uma postura mais proativa, tanto na fiscalização como nos investimentos para tornar os deslocamentos a pé mais seguros e confortáveis. 

Os protocolos gerados pelo 156 são registros formais da insatisfação da população – e, portanto, uma ferramenta de pressão social. Por isso, é importante saber usá-los e multiplicar essa ferramenta em nossas comunidades! 

Se você quiser levar a Cidadeapé para realizar essa oficina na sua associação de bairro ou conselho participativo, envie um e-mail para relacionamento@cidadeape.org

Associados da Cidadeapé e técnicos da CET posam na central de operações

Cidadeapé discute semáforos para pedestres em visita à Central de Operações da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET)

Associados da Cidadeapé e técnicos da CET posam na central de operações
Técnicos da CET recebem associados da Cidadeapé

A Cidadeapé esteve no dia 15 de abril na Central de Operações da CET, localizada na Rua Bela Cintra, onde estão centralizados os dados operacionais da cidade de S.Paulo e também a área responsável pela supervisão dos semáforos das regiões sudoeste e oeste da cidade. A visita nos ajudou a entender um pouco mais de como funciona a programação dos tempos nos semáforos da cidade, principalmente para pedestres. Fomos representados por três associados: Rosemeiry Leite, Élio Camargo e José Antonio Oka (na ordem da foto). Quem nos recebeu foram três técnicos da empresa, incluindo o engenheiro Ager, atual responsável pelo monitoramento da região oeste e sudoeste.

Após a Cidadeapé se apresentar e explicar o interesse em conhecer um pouco da programação semafórica aplicada, o engenheiro Ager descreveu em números a dimensão do parque semafórico da cidade: são aproximadamente 5.000 semáforos, sendo 3.000 deles com focos para pedestres. Contudo, o número dos semáforos com focos para pedestres não aparece no painel da sala de emergência onde é feito o monitoramento. Ager também exaltou a relevância da Parceria Público-Privada (PPP) de manutenção desse parque semafórico, vigente por 20 anos. Já há 3 anos, a Ilumina é responsável pela manutenção e substituição dos semáforos. Essa troca é bem avaliada pela CET, que aponta ter agilizado a manutenção. Os técnicos reiteraram que o SP156 é o canal mais eficiente para comunicar problemas na manutenção dos semáforos.

Vista da central de operações da CET, com telões e estações de trabalho
Vista da central de operações da CET na rua Bela Cintra

Os técnicos também esclareceram que a cidade hoje possui três sistemas de semáforos que se conversam entre si: ITACA (sistema espanhol), SCOOT (sistema britânico) e SCATS (sistema australiano). Esses sistemas operam com sensores que detectam o volume de carros e, a partir de parâmetros definidos pelos técnicos da CET, distribuem o tempo de verde para os veículos. Ou seja, esses sistemas buscam reduzir o tempo que veículos ficam parados no semáforo vermelho.

Nossa principal dúvida era o parâmetro para definir os tempos que o semáforo fica aberto para os pedestres e de espera para poder atravessar. Segundo explicado na visita, o tempo de travessia é fixo e definido a partir da distância a ser percorrida pelo pedestre e dos limites de velocidade da via. Ou seja, os sensores nos semáforos podem estender o tempo que ele fica aberto para os carros passarem (por exemplo, porque o volume do tráfego está alto), mas não alteram o tempo que os pedestres terão para atravessar (que corresponde a uma das fases de vermelho para os carros). As novas tecnologias, portanto, não são acionadas para detectar se há muitos pedestres esperando para atravessar e ampliar o tempo concedido para essa travessia em horários de maior fluxo de pessoas.

A partir disso, a Cidadeapé questionou sobre os longos tempos de espera de pedestres para atravessar – que são aumentados quando o tempo de verde para carros é aumentado automaticamente por esses semáforos com sensores. Os técnicos então informaram que os critérios utilizados pela CET são baseados nos manuais e normas existentes.

Telas da central da CET mostrando a programação semafórica de cruzamentos
Detalhes da programação semafórica

Os técnicos também lembraram que em 2007 houve uma alteração na programação dos semáforos para pedestres, com a introdução do vermelho piscante. A partir dessa mudança, o semáforo para pedestres fica verde para indicar que a travessia pode ser iniciada, e muda para vermelho piscante antes para indicar que a travessia já iniciada deve ser concluída e que os pedestres não devem iniciar novas travessias. Outra informação trazida pela CET é que alguns semáforos de pedestres que contêm botoeira necessitam ser acionados para que seja “liberada” a travessia de pedestres. Ou seja, se os pedestres não acionarem as botoeiras, os semáforos só concedem o verde para os carros e não inserem o tempo de travessia no ciclo dos semáforos.

A Cidadeapé ponderou que tanto essa informação sobre a botoeira quanto a mudança que introduziu o vermelho piscante precisam ser comunicadas de forma inteligível aos pedestres, inclusive para não ampliar os riscos. Lembramos que a cidade de São Paulo é um espelho para as normas e procedimentos de trânsito de todo o país e que usar o vermelho piscante gera uma confusão para os pedestres, visto que desde o primeiro semáforo proposto em 1898, o verde indica a ordem de seguir e o vermelho, de parar.

Sobre os parâmetros para calcular o tempo de travessia, os técnicos da CET explicaram que a velocidade definida para que pedestres atravessem a rua é de 1,2m/s, mas o usual utilizado está entre 0,8m/s a 1m/s. Já em relação ao tempo máximo de espera para atravessar, explicam que o recomendado seria 60 segundos, já que a espera muito grande leva pedestres a se arriscarem a atravessar na brecha dos carros. Apesar de reconhecerem o tempo máximo recomendado para a espera, ele não é cumprido em todos os semáforos, principalmente quando eles contam com sensores que detectam o volume de tráfego de veículos.

A CET alega que chegou a fazer estudos sobre possibilidades de mudanças nos ciclos semafóricos que diminuiriam o tempo de verde para os carros, para que pedestres tivessem que esperar menos para atravessar. Lembramos que o Manual de Semáforos do Conselho Nacional de Trânsito (CONTRAN) (na pg. 79, item 5.9) destaca que, em condições excepcionais, precisa ser dada atenção especial à travessia de pedestres, com a adoção de medidas adicionais. A redução do tempo de espera seria uma medida especial para lugares ou horários com altos fluxos de pedestres ou onde há uma concentração de conflitos entre pedestres e veículos.

Também questionamos sobre a possibilidade de dois tempos alternados para pedestres ao longo do ciclo para redução das longas esperas. Isso significaria, por exemplo, em um cruzamento, abrir o verde para pedestres logo depois que fosse aberto o semáforo para os carros da via transversal. Hoje em dia, é mais comum que em um cruzamento semaforizado seja aberto o tempo para a travessia de pedestre em todas as faces do cruzamento (chamado de ‘verde geral’), para evitar conflitos com carros que fazem conversões à direita. Mas segundo a CET, essa programação proposta pela Cidadeapé geraria dificuldades de entendimento por motoristas e pedestres e que é necessário uma administração de riscos. Entretanto, a própria CET afirma perceber, em observações de campo, que a espera longa para atravessar faz com que pedestres circulem no meio dos carros.

Monitor com painel de indicadores do parque semafórico da cidade
Painel de acompanhamento de indicadores do parque semafórico

Agradecemos a atenção com que fomos recebidos pelos técnicos da CET e a disposição em nos explicar detalhes técnicos sobre a programação semafórica. O debate mostrou como as informações ainda são muito nebulosas para os pedestres, que cada vez menos sabem quanto tempo precisarão esperar para atravessar ou se precisarão apertar algum botão para acessar esse direito, e quanto tempo terão para chegar ao outro lado da via. Também nos chamou atenção que, na central visitada, o próprio painel na sala de emergências mostra apenas informações do parque semafórico veicular. É como se a situação dos semáforos de pedestres, semáforos com botoeiras, inclusive semáforos com botoeira sonora, estivesse invisível. Talvez ainda tenhamos muito para avançar.

Faixa de pedestres recém-pintada em esquina com casa colorida

Preservar é Lei – Faixa de pedestre

A Cidadeapé, representada por Meli Malatesta, participou de entrevista na TV Justiça sobre faixa de travessia de pedestre juntamente com uma advogada especialista em leis de trânsito.

A importância da faixa de pedestre nos deslocamentos a pé, a prioridade do pedestre e a dificuldade do condutor em obedecê-la foram os temas centrais da conversa.

Foi ressaltado que este problema começa nas auto escolas, que deveria dar o preparo necessário para a convivência harmoniosa e segura com pedestres e ciclistas. Também foram citadas as contradições existentes no Código de Trânsito Brasileiro (CTB) onde, apesar de tentar garantir a sua incolumidade, obriga o motorista a dar prioridade de passagem ao pedestre que já está sobre a faixa e não ao que aguarda para iniciar a travessia. O CTB também instituiu um novo formato de programação semafórica que dá 4 segundos de verde ao pedestre e o vermelho piscante durante o restante da travessia, apressando as pessoas apenas para o condutor não perder tempo aguardando os pedestres retardatários, como manda o parágrafo único do artigo 70.

Também foi comentado o sucesso do programa de respeito à faixa de pedestre em Brasília no final dos anos 90, ajudado pelo gesto de mão e a fiscalização com multa aos condutores. Aproveitamos para destacar que o gesto de mão nunca deve ser obrigatório porque, se assim o fosse, tiraria a importância da faixa de pedestre, além de não ser possível em todas as situações cotidianas – como por exemplo, o caso de uma mãe que segura uma criança no colo com uma mão e, na outra, leva outra criança.

Por fim, foi falado sobre a importância de intervenções como o Parklet, da urgência em regulamentar o Urbanismo Tático no CTB, assim como a necessidade de revisão nas Leis de Trânsito tendo em vista as reflexões transformações na vida e, em especial, no deslocamento das pessoas a partir da pandemia deflagrada pelo Covid-19.

A seguir você pode conferir a entrevista na íntegra através do link.

Cena do programa Preservar é Lei, com apresentadora no estúdio e entrevistada no telão
https://www.youtube.com/watch?v=-RIKRB8RFKc
Índice do Manual de Desenho Urbano e Obras Viárias da Cidade de São Paulo

Verde para que te Quero

Na Semana do Caminhar 2021, a Cidadeapé conversou com pessoas que fazem a diferença quando o assunto é integrar natureza e cidade.

Por Wans Spiess

A roda de conversa Verde para que te Quero foi oferecida pela Cidadeapé durante a Semana do Caminhar 2021, que teve como tema os Passos e Espaços Verdes para destacar a importância e o acesso ao verde e natureza no cotidiano de quem habita as cidades. Para refletir sobre esse tema tão latente e urgente, a nossa roda de conversa contou com três convidados muito especiais:

Saide Kahtouni é arquiteta, paisagista e gestora ambiental, especialização em Gestão e Tecnologias Ambientais pela Poli/USP, Mestrado e Doutorado pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU/USP) e Pós Doutorado pelo Programa de Pós-Graduação em Urbanismo (PROURB) Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Mauricio R. Oliveira é cofundador do Coletivo  Vilas BEIJA – Beatriz,  Ida e Jataí, e membro do Conselho Municipal de Política Urbana como titular da Macrorregião Oeste;

José Renato Melhem é assessor técnico na Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), Conselheiro do Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU), Diretor do Sindicato dos Arquitetos no Estado de São Paulo (SASP) e um dos responsáveis pela elaboração do Manual de Desenho Urbano da Cidade de São Paulo.

Você pode conferir na íntegra o vídeo do evento aqui (Passcode: HGz*p1F5)

Como ponto de partida, conduzido por Wans Spiess – nossa diretora de relacionamento, foi feita a seguinte pergunta para os convidados: Por que, como e o que pode ser feito para termos mais áreas verdes na cidade? 

A proposta foi refletir juntos sobre a importância do verde na cidade, como foram tratados os espaços públicos abertos durante a pandemia, e o que pessoas e poder público estão fazendo para potencializar a presença da natureza nos centros urbanos.

Durante a conversa, dialogamos sobre a necessidade de criar cidades mais verdes, que contribuam para a experiência de caminhar bem como para a saúde física e mental da população – e como tudo isso ficou mais latente na pandemia. Foram mostrados cases de sucesso de integração do verde ao meio urbano e como a sociedade civil tem exercido papel fundamental no exemplo e na pressão pública por áreas mais vezes. E possíveis respostas do poder público a este chamado, como o Manual de Desenho Urbano e Obras Viárias, que prevê um capítulo sobre áreas verde e azul. 

Índice do Manual de Desenho Urbano e Obras Viárias da Cidade de São Paulo
Índice do Manuel de Desenho Urbano e Obras Viárias da Cidade de São Paulo. Imagem: Secretaria Municipal de Mobilidade e Transportes (SMT)

Uma das mais importantes conclusões: é preciso aprender com o passado para atuar no presente e entender que o que está em jogo é mesmo o futuro das próximas gerações. Então, mãos à obra!

A Semana do Caminhar é um evento organizado pelo Sampapé, que este ano aconteceu entre os dias 02 a 08 de agosto. A iniciativa conta com mais de, somos 42 organizações em 10 estados mais o DF, promovendo atividades virtuais por todo o Brasil.  

Painel no congresso da ANTP com debatedores no palco

Cidadeapé marca presença em congresso da Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP)

Mais uma vez, a Cidadeapé participou do maior congresso de mobilidade urbana do Brasil, organizado pela ANTP – Associação Nacional dos Transportes Públicos. A Arena ANTP 2019 aconteceu entre os dias 24 e 26 de setembro no Expo Transamérica, Zona Sul da capital paulista.

Painel no congresso da ANTP com debatedores no palco
Da esquerda para a direita, Douglas Bertucci, do Rodas da Paz, Felipe Alves, da União de Ciclistas do Brasil (UCB), Cyra Malta, da Ciclocidade, Ana Carolina Nunes, da Cidadeapé e Marcos Sousa, do Mobilize

No primeiro dia, Ana Carolina Nunes, nossa diretora de relacionamento, representou a Cidadeapé no painel “Mobilidade Ativa por uma cidade mais humana e sustentável”, junto com Mobilize Brasil, UCB, Rodas da Paz e Ciclocidade. Apesar do tempo de discussão encurtado, o espaço foi importante para refletir sobre o descaso com a Política Nacional de Mobilidade Urbana, que determina a priorização dos modos ativos em detrimento dos motorizados. Nossa representante aproveitou sua fala para destacar que a mobilidade a pé já é o meio de transporte mais utilizado e que, no entanto, é prejudicada pela priorização ilegal e ineficiente ainda dada aos veículos individuais motorizados.

Além do painel, também apresentamos quatro comunicações técnicas, que são trabalhos de documentação científica de pesquisas e ações, nas temáticas de mobilidade urbana.

Flavio Soares, pela Ciclocidade, e Glaucia Pereira pela Cidadeapé, apresentaram o trabalho “Diagnóstico e comunicação de dados de saúde para segurança viária”, que foi desenvolvido no âmbito do projeto Global Road Safety Partnership da Ciclocidade. O estudo acessou 8 bases distintas de dados de saúde relacionados a vítimas de trânsito, de forma a compreender suas relações, documentou suas características e a melhor forma de chegar a elas, visando facilitar sua compreensão por meio de ferramentas de visualização de dados. Os principais resultados do trabalho podem ser acessados no site www.mobilidadeativa.org.br.

Apresentação "Semáforos de pedestres: segurança e prioridade do pedestre em jogo" no congresso da ANTP
Élio Camargo, associado, apresenta o trabalho sobre semáforos

Já Élio Camargo apresentou o trabalho desenvolvido com Gisele Barbosa e Glaucia Pereira, intitulado “Semáforos de pedestres: segurança e prioridade do pedestre em jogo”.O estudo discute a prioridade do pedestre durante a conversão de veículos. A pesquisa ajuda a fundamentar o argumento de que o semáforo com foco do pedestre retira, de forma contraintuitiva, sua prioridade de travessia na conversão, além de induzir à travessia no vermelho.

Duas apresentadoras falam no palco da Arena ANTP
Kelly Fernandes e Leticia Sabino apresentam o trabalho sobre o Decreto de Calçadas

Outro trabalho apresentado versou sobre o processo de participação social no Decreto de Calçadas, feito em parceria entre Cidadeapé e SampaPé. A comunicação, de autoria de Kelly Fernandes, Hérika Pritsch e Leticia Sabino descreve o processo conduzido pela sociedade civil visando que ampliaram a participação cidadã na discussão sobre o texto do decreto, importante instrumento da gestão municipal da infraestrutura da mobilidade a pé.

Apresentadora fala no palco da Arena ANTP, ao lado da projeção do trabalho
Gisele Barbosa apresenta trabalho equivalente a uma parte de sua pesquisa de doutorado

Por fim, Gisele Barbosa apresentou o trabalho “Mobilidade urbana em São Paulo: a atuação da Cidadeapé no CMTT/SP”, onde discutiu a relevância da atuação da Cidadeapé – Associação pela Mobilidade a Pé em São Paulo – no debate sobre mobilidade ativa no município de São Paulo entre 2013 e 2017. A pesquisa foi realizada no contexto de sua tese de doutorado: “O Conselho Municipal de Transporte e Trânsito de São Paulo (CMTT/SP): participação e mobilidade urbana”. Gisele partiu do pressuposto de que a participação da sociedade civil se constitui como um elemento essencial para a gestão pública que atenda de forma mais eficaz as demandas relativas à mobilidade urbana. Ela concluiu que a atuação da Cidadeapé no CMTT foi decisiva para a inclusão do tema da mobilidade a pé no contexto das discussões sobre transporte e trânsito no município de São Paulo.

Agradecemos à ANTP pela oportunidade de apresentar o que a sociedade civil vem produzindo. A mobilidade a pé entrou timidamente neste espaço em 2017 e, dois anos depois, é possível perceber a ampliação da participação da temática entre os trabalhos técnicos apresentados. Esperamos que em um futuro próximo, as discussões propostas na academia e na cidadania sobre a importância da mobilidade ativa sensibilizem os tomadores e tomadoras de decisão que circulam em espaços como o Congresso da ANTP.

 

 

Mulher faz o gesto do pedestre com o braço estendido ao atravessar diante de ônibus e moto

Gesto do Pedestre: Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado (CDH) vota pela rejeição do Projeto de Lei da Câmara (PLC)

A tramitação do PLC 26/10,  conhecido como a lei do “gesto do pedestre”, ainda não está encerrada. Mas neste fim de ano tivemos avanços positivos, graças ao nosso trabalho de mobilização nos últimos anos.

Em 29/11/18 a Comissão de Direitos Humanos do Senado (CDH) votou  pela REJEIÇÃO do projeto:

“Após nos debruçarmos sobre o assunto, chegamos à conclusão de que o resultado pretendido pela proposição pode ser alcançado pela mera inclusão do tema em programas de educação para o trânsito. Corrobora nosso entendimento o fato de que o respeito à faixa de pedestre e a adoção espontânea do gesto de parada pela população da Capital Federal, citados como inspiração para a proposição em análise, decorrem apenas de campanhas de alcance local, e de sua difusão nas escolas, sem que haja uma determinação legal do Código de Trânsito Brasileiro (CTB) ou de Lei Distrital nesse sentido. Sendo assim, embora consideremos justa a intenção da proposta aqui analisada, devemos ponderar que tais alterações ao texto do Código de Trânsito poderiam ensejar interpretações lesivas aos pedestres, além de entendermos que apenas a realização de campanhas educacionais já sejam medidas suficientemente hábeis para produzir os efeitos pretendidos. Por tais motivos, propomos a rejeição do projeto aqui analisado.”

Os trâmites continuam ainda. Em dezembro a matéria foi para a plenária do Senado e passou a aguardar inclusão na Ordem do Dia. No final da legislatura a proposição foi arquivada “nos termos do § 1º do art. 332 do Regimento Interno”.

Vamos continuar acompanhando em 2019 até que o projeto seja rejeitado pelas duas casas e arquivado definitivamente.

Lembramos que nossa posição é de que a obrigatoriedade legal na realidade ameaça a segurança dos pedestres, além de significar perda de direitos de quem anda. Fazer o gesto é uma escolha de cada um, não deve ser uma obrigação determinada por lei. Veja abaixo argumentos de especialistas e organizações.

Foto do post: Agente da CET à paisana faz o gesto do pedestre :: Foto Danilo Verpa:Folhapress 2012
Capa do Guia Global de Desenho de Ruas com o selo: a Cidadeapé endossa esta obra

“Guia Global de Desenho de Ruas”, da National Association of City Transportation Officials (NACTO)

A Cidadeapé endossa o Guia Global de Desenho de Ruas como uma ferramenta eficiente e completa para desenhar ruas e espaços públicos seguros e sustentáveis

Lançado originalmente em 2016, o Guia Global de Desenho de Ruas representa uma nova visão para o desenho de ruas que vai ao encontro dos objetivos dos nossos líderes e dos desejos das nossas comunidades. Agora, a publicação da NACTO-GDCI (em inglês, National Association of City Transportation Officials – Global Designing Cities Initiative) ganha sua versão em português.

Como defensores de uma mobilidade urbana sustentável e resiliente, encontramo-nos hoje em meio a um momento sem precedentes, em que a percepção das pessoas sobre as ruas está em constante e rápida transformação. As pressões da saúde pública e das mudanças climáticas, assim como a tecnologia móvel estão, conjuntamente, reformulando e redefinindo nossa visão de transporte urbano e mobilidade. Ao mesmo tempo, abrem-se oportunidades para inovações que eram inconcebíveis há apenas uma década.

Enquanto nos esforçamos para reagir e nos adaptar a essas necessidades e oportunidades, o Guia Global de Desenho de Ruas oferece uma visão e diretrizes concretas para aumentar a segurança e a qualidade de nossas ruas para pedestres, ciclistas, usuários de transporte público, assim como motoristas.

As ruas demandam uma abordagem integral e equânime que atualmente não é atendida pelas diretrizes convencionais de desenho urbano e geometria viária. A orientação, a visão e a flexibilidade apresentadas no Guia Global de Desenho de Ruas instigam uma nova e importante direção para as cidades. Vemos a publicação como uma ferramenta indispensável no planejamento das ruas de cidades modernas, na medida em que trabalhamos em direção a um objetivo comum com nossos parceiros em todos os níveis de governo e da sociedade.

Página oficial do Guia (em inglês): https://globaldesigningcities.org/publication/global-street-design-guide/

Faixa de pedestres sobre ciclovia com a inscrição Área de travessia de pedestres

“Projeto de Lei quer tornar obrigatório o ‘gesto do pedestre'”

Veiculado originalmente em: Record News
Data: 19/07/2018

Falamos à Record News sobre o  projeto de lei que poderia tornar obrigatório o chamado “gesto do pedestre”.   Vamos continuar contribuindo ao debate, com o objetivo de derrubar esse tipo de iniciativa que só culpabiliza as principais vítimas. Veja abaixo carta que enviamos aos senadores esta semana e os argumentos que explicam por que somos contra uma lei que torna esse gesto obrigatório. Tal obrigatoriedade legal na realidade ameaça a segurança dos pedestres, além de significar perda de direitos de quem anda. Fazer o gesto é uma escolha de cada um, não deve ser uma obrigação determinada por lei.

(Este vídeo não está mais disponível no YouTube.)

Carta enviada à Comissão de Direitos Humanos do Senado em 12/07/2018

Opine aqui sobre o projeto de lei no portal da Cidadania do Senado

Foto do post: Agente da CET à paisana faz o gesto do pedestre :: Foto Danilo Verpa:Folhapress 2012