Guia de Defesa da Mobilidade a Pé é lançado

A Cidadeapé lançou o Guia de Defesa da Mobilidade a Pé.

Nele, falamos dos princípios da mobilidade a pé e indicamos as legislações e espaços de participação social para quem quer participar da luta dos direitos dos pedestres.

A situação dos pedestres só irá melhorar quando mais pessoas defenderem políticas públicas de priorização e proteção do deslocamento a pé.

O material é direcionado à atuação em São Paulo, mas pode ser adaptado para qualquer outra cidade brasileira.

O Guia integra o projeto “Fortalecimento da Participação Social”, da Cidadeapé, apoiado pelo Fundo Socioambiental CASA no âmbito do projeto Mobilidade a Pé e Mudança do Clima.

Esperamos que seja material de referência para todas e todos que tenham interesse em uma cidade mais humana, saudável e caminhável.

Acessem e divulguem.

 

Conteúdo

  1. Apresentação
  2. Por que defender a mobilidade a pé?
    1. Cidades caminháveis e acessíveis para todos
  3. Os princípios da defesa da mobilidade a pé
    1. Segurança absoluta para quem anda a pé
    2. Valorização da caminhada como meio de deslocamento
    3. Calçadas caminháveis para todos
    4. Estabelecer e consolidar a rede de mobilidade a pé
    5. Travessias com prioridade às pessoas se deslocando a pé
    6. Sinalização específica para quem anda na cidade
  4. Legislação
  5. Espaços de participação social
    1. Conselhos Municipais
    2. Câmara Municipal de São Paulo
  6. Vamos caminhar juntos pela mobilidade a pé?

Há o que comemorar?

Fomos surpreendidos, no dia 19 de setembro, com a divulgação de um vídeo nas redes sociais do prefeito João Doria, no qual ele e o secretário de Mobilidade e Transportes, Sergio Avelleda, comemoram uma suposta redução das mortes no trânsito em São Paulo. No vídeo, o prefeito anuncia: “Nós conseguimos reduzir bem o número de mortes na cidade de São Paulo”; e o secretário atribui essa suposta melhora às ações de segurança da Prefeitura. Na descrição do vídeo, aparece o seguinte texto:

Pessoal, acabam de ser divulgados os novos dados do Infosiga sobre mortes de trânsito na cidade de São Paulo. Em agosto deste ano, foram 57 óbitos contra 103 no mesmo período de 2016. Com isso, registramos uma queda de 6% nos dados consolidados entre janeiro e agosto, comparando os dois anos. Vamos continuar trabalhando em mais orientação e conscientização, para que essa tendência de queda continue durante toda nossa gestão.”

Estamos surpresos porque, até então, nem o prefeito nem o secretário haviam comentado publicamente nenhum dado publicado pelo Infosiga.

Guerra dos números

Em fevereiro, foi feita tentativa de desacreditar dados da CET, ao dizer que se adotaria dados do Infosiga para monitorar os acidentes de trânsito. (1)

Até abril, a gestão municipal se esquivou de dados da Polícia Militar, do SAMU, e da própria CET, que indicavam aumento das mortes nas marginais. (2)

Em maio, mesmo com as iniciativas Maio Amarelo, 91 pessoas morreram no trânsito paulistano. Na ocasião, a Prefeitua declarou que não comentaria dados levantados por outro órgão – no caso, o Infosiga, órgão do governo estadual. (3)

Em julho, mesmo frente à constatação grave que as mortes de ciclistas aumentaram 75% no primeiro semestre de 2017 em comparação com o mesmo período do ano passado, a Prefeitura rechaçou os dados do Infosiga. (4)

Comemorar os dados de agosto é um erro. Os dados de acidentes de qualquer tipo possuem uma variabilidade intrínseca. No trânsito, essa variação existe porque as causas dos acidentes são muitas (geometria inadequada, alta velocidade, imprudência, semáforos quebrados, má sinalização etc). Para se identificar uma tendência, é preciso analisar períodos maiores que um mês. Existir variação entre meses é normal, e somente isso não permite analisar tendência de melhora ou piora da segurança do trânsito.

Especificamente em relação ao mês de agosto, a que se refere o texto explicativo do vídeo, é preciso notar que foi o mês com maior número de acidentes em 2016, contra o menor número em 2017. O esforço de inferir melhora na segurança das pessoas que circulam em São Paulo usando dados agosto (de 2016 e 2017) é enganoso.

Registramos também com satisfação o fato da Secretaria ter finalmente concordado em utilizar o Infosiga como fonte de informação confiável. No entanto, esperamos que ele seja utilizado quando as notícias são boas ou quando são ruins. A Secretaria de Mobilidade e Transportes poderia usar os dados parciais publicados mensalmente pelo Infosiga para tomar e rever decisões, em vez de esperar mortes se arrastarem e acumularem por mais de um ano. Seguindo assim e sendo otimistas, poderíamos contar com a possibilidade real de reversão de decisões claramente equivocadas, como a remoção de ciclovias e aumento das velocidades máximas das marginais, que não ajudam a melhorar a segurança viária de ciclistas e pedestres?

Mortes de ciclistas e pedestres aumentaram

O Infosiga indica 609 pessoas mortas no trânsito de janeiro a agosto de 2017, contra 645 no mesmo período de 2016. É preciso pontuar que esses números não significam que houve uma melhora geral.

276 pedestres e ciclistas mortos entre janeiro e agosto de 2016.
301 pedestres e ciclistas mortos entre janeiro e agosto de 2017.

O aumento no número de mortes de pedestres e ciclistas em oito meses de 2017 aponta para a não melhora da segurança viária de ciclistas e pedestres. Escancara que esta cidade está longe de atingir patamares razoáveis de respeito e convivência no espaço público. Esse fato merece nossa atenção e solicitamos que a Secretaria de Mobilidade e Transporte se pronuncie oficialmente sobre isso.

A divulgação seletiva de números de trânsito de forma descontextualizada não contribui para o debate sério que precisa ser colocado. Pois, embora até aqui o número geral de pessoas mortas está menor que o mesmo período de 2016, pedestres e ciclistas estão morrendo mais no trânsito paulistano e precisamos de ações efetivas e reais para combater essa violência. Não há o que comemorar enquanto pessoas continuam morrendo no trânsito. Precisamos de menos notícias vazias e mais evidências de ação.

Cidadeapé – Associação pela Mobilidade a Pé em São Paulo

(1) https://glo.bo/2yHP28P

(2) http://bit.ly/2msVPPR

(3) http://bit.ly/2wkkOao

(4) https://glo.bo/2hyxvvM

 

ANTP publica Comunicações Técnicas do 21º Congresso

A ANTP divulgou em seu site os textos das comunicações técnicas apresentadas no no 21º Congresso Brasileiro de Transporte e Trânsito, ocorrido nos dias 28, 29 e 30 de junho, em São Paulo.

Três trabalhos foram apresentados por integrantes da Cidadeapé:

Como a sociedade civil organizada é capaz de influenciar e pautar o poder público
A subestimativa das viagens a pé em São Paulo
Estudos investigativos de atropelamentos e políticas públicas

Os textos destas comunicações técnicas já estão disponíveis em nossa página de Pesquisas e Estudos.

A mobilidade ativa marcou presença no 21º Congresso Brasileiro de Transporte e Trânsito. Foram muitos trabalhos apresentados sobre o tema, inclusive de várias regiões do país.  Por exemplo, sobre Manaus, ‘A qualidade do ambiente de circulação dos pedestres em Manaus, AM‘ e ‘Análise das causas dos acidentes de trânsito em Manaus, AM‘, da Universidade Federal do Amazonas.

Saiba mais

A biblioteca da ANTP está disponível no site. Para pesquisar as comunicações do congresso, escolha a seção ‘Congressos’ e edição ’21º’.

 

 

Foto do post: banner oficial do 21 ºCongresso

“Nossa São Paulo solicita à Prefeitura que disponibilize informações nas paradas de ônibus”

Publicado em: Rede Nossa São Paulo
Autor: Airton Góes
Data: 03/03/16

Comentário Cidadeapé: Um dos elementos do sistema de transporte a pé é a informação. Informação sobre onde você está, para onde você vai, como chegar e muito mais. Informações como essas deveriam ser encontradas em todos os pontos de ônibus da cidade, de acordo com leis municipais, por exemplo. Uma das lutas da Cidadeapé é pela informação nos pontos de ônibus: completas, com qualidade, no mínimo do mesmo tamanho que a publicidade. Por isso assinamos a carta da Rede Nossa São Paulo e estamos preparando outras ações para reivindicar essa informações.

Carta, que é assinada por outras 158 organizações da sociedade civil, reivindica informações básicas ao cidadão: linhas que passam no local e respectivos trajetos

Por Airton Goes, da Rede Nossa São Paulo

Nesta quinta-feira (3/3), a Rede Nossa São Paulo encaminhou carta ao prefeito Fernando Haddad e ao secretário municipal de Transportes, Jilmar Tatto, reivindicando que a Prefeitura disponibilize nas paradas de ônibus da cidade informações básicas aos usuários do sistema público de transporte.

O documento, que é assinado por outras 158 organizações da sociedade civil, solicita que as informações sobre as linhas que passam pelo local e o roteiro de cada uma delas sejam colocadas em todos os pontos de ônibus da cidade de São Paulo, no menor prazo possível. E que estas informações sejam disponibilizadas também em formatos acessíveis e inclusivos.

De acordo com a carta, em outras cidades do mundo estas informações estão disponíveis aos cidadãos há muitos anos.

“São medidas simples, que trariam enorme benefício aos cidadãos, e uma demonstração de respeito aos usuários do transporte público”, conclui o texto.

Além das 158 organizações da sociedade civil que assinam a carta, segundo a Rede Nossa São Paulo, dezenas de cidadãos e cidadãs também se dispuseram a apoiar a iniciativa.

Confira abaixo a íntegra do documento encaminhado ao prefeito e ao secretário municipal de Transportes, com a relação das organizações que a assinam:

Ao
Excelentíssimo Senhor Prefeito Fernando Haddad

Em primeiro lugar, gostaríamos de cumprimentar a Prefeitura de São Paulo pela prioridade que tem dado ao transporte público e ao não motorizado. Esta política está sintonizada com aquela praticada em todas as cidades do mundo que procuram melhorar a mobilidade da população.

Entretanto, registramos a necessidade de uma importante medida que há tempos deveria ter sido implementada. Faltam nos pontos de ônibus informações básicas ao cidadão: quais são as linhas que passam nestes locais e qual o trajeto percorrido. Não é à toa que nas paradas de ônibus de quase todas as cidades do mundo – grandes, pequenas e médias – tais informações estão disponíveis aos cidadãos há muitos anos. Certamente o prefeito deve ter constatado esta realidade em suas viagens ao exterior. 

É incrível que em São Paulo, uma das maiores cidades do mundo, não tenha estas informações nos pontos de ônibus, obrigando, inclusive, alguns ativistas de boa vontade a grafitar o número das linhas que passam por lá.  Esta responsabilidade deveria ser da Prefeitura. 

Solicitamos, portanto, que as informações sobre as linhas que passam pelo local e o roteiro de cada uma delas sejam colocadas em todos os pontos de ônibus da cidade de São Paulo, no menor prazo possível. E que estas informações sejam disponibilizadas também em formatos acessíveis e inclusivos, como letra ampliada, em relevo ou em Braille, além de áudio.
São medidas simples, que trariam enorme benefício aos cidadãos, e uma demonstração de respeito aos usuários do transporte público.

Atenciosamente,

Rede Nossa São Paulo e demais organizações abaixo assinadas

Imagem do post: Que ônibus passa aqui?